segunda-feira, abril 29, 2013

Crónica Miguel Esteves Cardoso


sexta-feira, março 08, 2013

Um pouco de música...

Feliz dia da Mulher!

"Quando aceitamos a adversidade que nos chega e a acolhemos sem revolta libertamo-nos dela." Esta é a mensagem que quero deixar hoje, dia da mulher, a todas as mulheres magnificas, em especial às que me rodeiam.

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Sonhos



Acredito ainda em sonhos... até houve um dia em que acordei ao som deste album. Foi um sonho.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Será



Será que ainda me resta tempo contigo,
ou já te levam balas de um qualquer inimigo.
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias.
Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um cobarde, não quis ver sofrer.
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul.
Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia.
será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer.
Será que é de febre este fogo,
este grito cruel que da lebre faz lobo.
Será que amanhã ainda existe para ti,
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri.
Será que lá fora os carros passam ainda,
ou as estrelas caíram e qualquer sorte é bem-vinda.
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes.
Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar.
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão.
Será que sabes que hoje é Domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo.
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir.
Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós.
Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra.
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.
Eu sei que tu estarás sempre por mim
Não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será,
Será,
Será! Pedro Abrunhosa

sexta-feira, janeiro 18, 2013

8 Anos do Filho

Pois é... o Filho fez 8 anos e levou para a escola um bolo original para poder comemorar com os amigos: colegas e professores.
Não é que aquela escola fica mesmo na casa dos fantasmas? Um dos fantasmas fugiu do bolo e como eles cantaram muito bem os parabéns ele apareceu de novo no seu lugar no bolo!



O Filho teve um dia muito feliz! Vejam o presente que ele me trouxe no fim do dia: o desenho do bolo.


sábado, janeiro 12, 2013

Sweet sixteen




Hoje, alguém que amo mais do que a mim própria, faz 16 anos. Lembro o dia em que nasceu, num domingo de sol de inverno luminoso e frio. Um bebé terno, doce, tranquilo… Um ser pequenino que me traria o mundo num sorriso. Muitas alegrias, nenhumas tristezas. Foi este o caminho até aqui. 

Hoje, digo-te que me lembro enternecida de tantas coisas que vivemos e admiro-me com o quanto crescemos juntos!
 Sabes, mãe. Antes eras uma deusa para mim. Agora já não. Agora vejo-te como realmente és: com as tuas qualidades e os teus defeitos.
Foi esta frase que disseste quando tinhas ainda 10 anos, quase 11, que me fez perceber mais claramente que tinhas crescido. Estavas um rapazinho cheio de convicções e certezas. Dizias muitas vezes que já eras um pré-adolescente e que eu tinha defeitos que antes não vias. Dizias que os teus, conhecias muito bem:  que eras um Capricorniano cheio de qualidades, mas que sabias que não eras perfeito. Falaste sempre com uma lucidez muito avançada para a idade. Sempre foste assim: precoce e convicto do que dizias.
Com 10 anos já eras um pequeno génio, com excelentes capacidades de argumentação, com um interesse especial por História, Literatura, Mitologia, Astrologia e Misticismo. Adoravas conversar com adultos e ser tratado como um deles. Tinhas já uma curiosidade insaciável e um espírito crítico apurado.
Só queria realizar quatro desejos: tirar sempre boas notas, saúde e bem-estar para a minha família, viajar no tempo e dar a volta ao mundo.”
Eram então 11 anos cheios de leituras e muita imaginação a falar! Um pequeno grande homenzinho com muitos sonhos para concretizar! É o sonho que fala por ti, mas também a curiosidade, uma curiosidade inata pelo desconhecido que te preenche os dias e a busca de novos conhecimentos.
Um dia recebi a mais bela declaração de amor!
“Vês, consigo soltar a minha mão da tua”, disse, tirando a (ainda) pequena mãozita de 12 anos da minha.
“Mas cá dentro não consigo soltar-me de ti! É como se isso fosse impossível. Quando te zangas comigo fico fraco. Enfraqueço como um menino Africano que está um ano sem comer. A única coisa que me interessa é se tu gostas do que eu faço, se gostas do que eu digo, se gostas da minha vida… Os outros não me interessam. Não estou interessado em agradar às outras pessoas. Desde que a minha mãe goste do que eu sou, isso basta-me! Se tu te ris para mim, tudo está bem! Só isso importa!”
Muitos filhos podem sentir tudo isto, mas talvez poucos consigam pôr em palavras toda esta intensidade!...

Em Julho de 2012 escrevi o seguinte sobre ti:
Não escrevi nada nestes últimos anos. Tenho andado ocupada com outras coisas importantes (?). Parece-me agora que não o devia ter feito. Vir aqui escrever sobre ti, é essencial. Muito mais essencial do que qualquer outra coisa muito importante que tenha para fazer. Mas pronto, já não vou a tempo para mudar o que não ficou escrito e devia ter ficado.
Desenhaste aos 14 anos, por exemplo, três vestidos e uma saia para mim que mandei fazer a uma costureira. Isso devia ter ficado registado. Foi no verão do ano passado.
Terminaste o Instituto de Inglês.
Fizeste o 10º ano. Tens 15 anos. As notas, este ano, foram também excelentes: dois 18, dois 19, dois 20! 17 a Educação Física e, por pouco não apanhavas a lei de já não ter EF na média. Como sofremos com isto! Muito precoce, entraste um ano mais cedo para a escola e, assim, apanhaste a lei que te consome o descanso e te cria ansiedade, porque a EF não consegues tirar 18, 19, ou 20. A tua vida é desgastante, dizes tu. Tens de manter as notas elevadas, tens pressão social (leia-se: a tua insegurança faz-te sentir que todos os outros te olham e te julgam e isso provoca-te receio), tens problemas em adormecer. Tens ainda uma cultura acima da média e uma forma de pensar madura demais. Costumo dizer que és um corpo jovem numa alma velha. És a melhor companhia do mundo, porque o teu sentido de humor é único. Falas de política, interessas-te pela economia, pela actualidade no mundo, pela arte, pelo cinema… Vemos filmes que muitos adultos não vêem. Ontem fomos ver “Moonlight Kingdom”. Uma história doce e terna acerca do primeiro amor!
Escreves muitas coisas: contos (que nunca acabas!), peças de teatro… Dizes que não gostas de poesia e também não escreves poesia. Eu fui diferente: comecei por escrever poesia em adolescente (ou coisas que eu chamava poesia) e nunca fui capaz de escrever, por exemplo peças de teatro.
Tens sonhos para o futuro e tudo passa pela arte. Gostavas de ser Costume Designer! Desenhar as roupas para os filmes de Hollywood, para peças de teatro… Gostas de filmes históricos também por isso, porque as roupas são essenciais para a criação da atmosfera da época.
Dizes sempre que não gostas de fazer planos, porque receias que não se concretizem. Mas, para mim, com as capacidades que tens, podes até fazer vestidos para as árvores!

Hoje, a 12 de Janeiro de 2013, percebo que ao longo destes anos aprendi muito mais contigo, certamente, do que tu comigo. Há almas que encarnam para ensinar outras a crescerem e a tornarem-se luz. 
Que nunca me falte a capacidade de te entender, de te apoiar, de te amar incondicionalmente. Que sejamos sempre um, hoje e sempre, para toda a eternidade e que eu entenda o quanto sou melhor em cada dia e mais feliz também porque te tenho a ti, há 16 anos na minha vida!
“-E porquê, mãe?
-Porque o amor, filho!”
Parabéns, Edgar!

segunda-feira, dezembro 24, 2012

outro Natal




O Natal chega-me sempre difuso, às vezes contrariado, nem sempre animado... Há em mim um antagonismo qualquer ao Natal. Pela análise das minhas emoções, concluo que essas reações são fruto de Natais pouco felizes na infância. E outros na idade adulta, também.
Porque é que se têm essas frustrações? Porque sobrecarregamos esse dia de emoções e expectativas exageradas, como se só esse dia fosse especial e tudo pudesse acontecer nessa data, excepto a tristeza. Há Natais felizes e tristes, como há dias felizes e tristes.
Vivamos o Natal como devemos viver todos os dias: com gratidão, alegria e paz no coração. Só assim o Natal Acontece!

quinta-feira, dezembro 13, 2012

em nome da terra

O livro da minha vida?
"Em nome da terra", de Vergílio Ferreira

Li-o há quase 20 anos. Perdi-o depois... Devo tê-lo emprestado. Comprei outro há uns meses, para relê-lo... Pelo caminho ofereci-o... Fugiu-me das mãos, de novo.

A escrita existencialista de Vergílio Ferreira é um convite à entrada a fundo na nossa alma e nos nossos mais profundos sentimentos...

"Querida. Veio-me hoje uma vontade enorme de te amar. E então pensei: vou-te escrever. Mas não te quero amar no tempo em que te lembro. Quero-te amar antes, muito antes. É quando o que é grande acontece. E não me digas diz lá porquê. Não sei. O que é grande acontece no eterno e o amor é assim, devias saber. Ama-se como se tem uma iluminação, deves ter ouvido. (...) Ou como quando se dá uma conjugação de astros no infinito, deve vir nos livros."

"Tenho no meu poder fazer-te perfeita, não vou perder essa possibilidade."

"Sei apenas que me veio uma vontade imensa de te amar. De te amar no impossível, que é onde vale a pena todo o possível. De te amar onde nada seja real. No absoluto. Onde não há miséria e degradação e abandono e maus cheiros. Nem podridão e desespero humano. Nem loucura. Nem morte."
 
E no final:
 
"Estaremos nus desde o início, sem vergonha anterior. Nudez primitiva, não a saberemos. Porque será uma nudez para antes de os deuses nascerem. Então mergulharemos nas águas do rio e deitar-nos-emos na areia. E olharemos o céu limpo e sem estrelas. E acharemos perfeitamente natural, porque a iluminação estará em nós. Erguer-nos-emos por fim e eu baixar-me-ei no rio e trarei água na concha das mãos. E derramá-la-ei imensamente e devagar sobre a tua cabeça. E direi para toda a história futura, na eternidade de nós
- Eu te baptizo em nome da Terra, dos astros e da perfeição.
E tu dirás está bem.

Há palavras que entram por nós dentro e mudam a temperatura do nosso corpo e a ligação das nossas células!

sexta-feira, novembro 23, 2012

E sobre o Amor...

Então, Almitra disse: “Fala-nos do amor.”
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão,
e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:

terça-feira, outubro 30, 2012

o amor é

 "O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz.
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso."

Joaquim Pessoa

sábado, outubro 27, 2012

literatura





"A literatura é a melhor prova de que a vida só não chega."

segunda-feira, outubro 01, 2012

momentos que traduzem excelência!






Se dúvidas eu tivesse de que tinha um filho especial, em cada ano que passa ele tem-me mostrado o quanto sou afortunada em cada momento que lhe dedico. PARABÉNS, Edgar!

sexta-feira, setembro 07, 2012

segunda-feira, agosto 27, 2012

sexta-feira, julho 27, 2012

sabedoria


Há cerca de quase dez anos atrás conversávamos sobre o sentido da vida. Fazíamos isso muitas vezes. Tu, numa febre de procura interior e de aparente serenidade exterior, deste-me uma lição que só há pouco tempo comecei a entender. É verdade, demorei quase dez anos a perceber o alcance do que disseste naquele dia. Por alguma razão, essas palavras permaneceram na minha memória, ou porque me chocaram e confundiram, ou porque ainda não era o tempo para mim, ainda não era o dia de eu as entender.
“Qual é o teu objectivo na vida?”, perguntei, a dada altura da nossa acalorada conversa, uma conversa em que eu contestava mal disfarçadamente a tua passividade, referindo-me aos projectos de trabalho e pessoais, matérias que assaltam o espírito de qualquer adulto na faixa etária dos 30. Nessa altura, eu queria mostrar-te que não podemos ficar parados, acomodados com o que temos, que devemos lutar por conseguir mais, ter mais do que, por exemplo, os nossos pais conseguiram, chegar mais longe, subir mais alto.
Fizeste uma pausa, pensaste por um momento e, para minha perplexidade, respondeste muito sério: “Ser sábio.”
Lembro-me que olhei para ti incrédula e creio que soltei uma gargalhada. Não esperava essa resposta, como é óbvio. Esperava que me falasses dos teus planos de carreira, das tuas ambições profissionais, que me falasses dos teus desejos íntimos de ter uma família, filhos ou, em vez disso, do teu desejo de aventura, de viajar e conhecer o mundo. Mas não. O que me dizias tinha a ver com uma outra coisa que não me tinha ocorrido então: falavas de espiritualidade e de auto-conhecimento. Esse assunto, para mim nessa altura, era totalmente desconhecido.
Dou comigo, vários anos depois, a recordar essa conversa e muitas outras tão ou mais interessantes que esta e sinto que caminho uma década atrás de ti (ou mais que uma vida atrás de ti!), que percebo a existência agora muito à luz do que me ensinaste, que vejo através dos teus olhos a luz do mundo interior, da paz interior, da serenidade que vem de estar bem consigo próprio, de vivermos felizes com o silêncio, com os livros, com a música, com o escutar do nosso próprio coração a bater livre e solto na escuridão da noite ou à primeira luz da manhã. Lembro-me que não tinhas horários, que dormias e comias quando sentias que precisavas. Na altura, isso era incompreensível para mim. Era como se fosses um selvagem civilizado… Trabalhavas sem horário, sem chefe e sem objectivos. Hoje entendo que essa era a tua magnífica forma de ser livre e feliz.
Anos mais tarde, procurei aquilo que já tinhas encontrado muito mais cedo do que eu e, nesse caminho de procura, li em livros o que me dizias e o que, afinal, vivias. Compreendi que o meu objectivo na vida é…vivê-la com sabedoria! Mas isto já tu sabias há séculos!

(Que saudades das nossas conversas...!)

terça-feira, julho 24, 2012

sábado, julho 21, 2012

Porque gritamos?

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:
 "Porque é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?"
 "Gritamos porque perdemos a calma", disse um deles.
 "Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?" Questionou
novamente o pensador.
"Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça", retrucou outro
discípulo.
 E o mestre volta a perguntar:
"Então não é possível falar-lhe em voz baixa?" Várias outras respostas surgiram,
mas nenhuma convenceu o pensador.
 Então ele esclareceu:
 "Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?"
O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações afastam-se muito.
Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais
aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para se ouvirem um ao outro, através da
grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão apaixonadas? Elas
não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque os seus corações estão muito perto. A
distância entre elas é pequena. Às vezes os seus corações estão tão próximos, que nem falam,
somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer de sussurrar,
apenas se olham, e basta. Os seus corações entendem-se. É isso que acontece quando duas
pessoas que se amam estão próximas."
 Por fim, o pensador conclui, disse:
 "Quando vocês discutirem, não deixem que os vossos corações se afastem, não digam palavras
que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais
encontrarão o caminho de volta".

Mahatma Gandhi

segunda-feira, julho 16, 2012

Tu Ensinaste-me a Fazer uma Casa

   

"Tu ensinaste-me a fazer uma casa:
com as mãos e os beijos.
Eu morei em ti e em ti meus versos procuraram
voz e abrigo.
E em ti guardei meu fogo e meu desejo. Construí
a minha casa.
Porém não sei já das tuas mãos. Os teus lábios perderam-se
entre palavras duras e precisas
que tornaram a tua boca fria
e a minha boca triste como um cemitério de beijos.

Mas recordo a sede unindo as nossas bocas
mordendo o fruto das manhãs proibidas
quando as nossas mãos surgiam por detrás de tudo
para saudar o vento.

E vejo teu corpo perfumando a erva
e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros
que agora se recolhem, quando a noite se move,
nesta casa de versos onde guardo o teu nome."

Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'

terça-feira, julho 03, 2012