sexta-feira, maio 23, 2008

Angels




I sit and wait
Does an angel contemplate my fate
And do they know
The places where we go
When we're grey and old
'cos I have been told
That salvation lets their wings unfold
So when I'm lying in my bed
Thoughts running through my head
And I feel the love is dead
I'm loving angels instead

And through it all she
offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving angels instead


When I'm feeling weak
And my pain walks down a one way street
I look above
And I know I'll always be
blessed with love
And as the feeling grows
She breathes flesh to my bones
And when love is dead
I'm loving angels instead

And through it all she
offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving angels instead

And through it all she
offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving angels instead



Uma aula desta semana, às 8.30 da manhã, começou assim:
- Hoje não vamos fazer nada. Faltam 3 aulas para acabar o ano.
- Nem trouxe caneta, nem caderno...
- É. Stora, hoje não vamos fazer nada. Acabaram-se as fichas.
- Estamos cansados.
9 alunos na turma. Eram 17, inicialmente, abrangidos pelo programa. Alguns nunca apareceram, outros foram trabalhar a meio do percurso. Turma PIEF (Plano de Integração, Educação e Formação). Turma de alunos problemáticos, oriundos de famílias com rendimento mínimo, famílias carenciadas, com problemas de álcool, prostituição, droga e maus tratos à mistura, abrangidos num projecto de prevenção de trabalho infantil e integração social.
- Hoje não vão fazer fichas. Vamos ter uma aula diferente, mas em Inglês, claro!
- Oh, já sei. Palavras cruzadas, sopa de letras... Não me apetece...
- Não é isso. Hoje só vamos ouvir música e entender a letra.
(Comigo não costumam regatear muito... Acabam por colaborar, desde que lhes diga que no fim jogamos um jogo. "Um jogo viciante: nomes, países, cidades, animais, marcas... A ver quem ganha!")

Fizeram três "listenings". A última era esta: "Angels"... A música começou.
A sala ficou em silêncio. Ouviram e tentaram escolher as palavras que faltavam das opções apresentadas. E a música, por alguma razão, pareceu acalmá-los... Verificamos as palavras e o exercício e fomos traduzindo a letra toda, para perceber a mensagem... Quiseram ouvir de novo e cantaram ao mesmo tempo na sua rude pronúncia, acompanhando com dificuldade algumas partes e, no fim, ficaram em silêncio. E pediram para ouvir outra vez e parece-me que dessa vez as vozes deles ouviram-se por todo o corredor do bloco E ( a turma só tem uma menina!)... E eu observava-os, cantarolando (gosto muito da música!) e pareceu-me que aqueles miúdos, por breves instantes estavam também a ser tocados por anjos!
- O Robbie Williams é fixe!- disse um...


Não será necessário dizer que nessa aula não houve tempo para fazer o tal jogo "viciante"!...

quarta-feira, maio 21, 2008

Ídolos, ou também não? Heróis, ou nem por isso?

Um tema actual: professores há muitos! E este mundo está carregado de maus e bons professores. Bom, talvez mais maus que bons, ou talvez mais assim-assim que bons e que maus!
É chegado o momento de deixar aqui a minha declaração de interesse: sou professora.
Após isto, posso falar à vontade!
Tive poucos bons professores e as coisas não devem ter mudado muito desde os meus tempos de estudante, já lá vão uns bons 15 anos. Referências para mim, não tive muitas. Talvez por isso tenha decidido ser diferente, mudar o mundo (santa ingenuidade)...
Decidi ser professora no 12º ano apenas, embora se notasse já antes uma forte inclinação para ensinar, para explicar aos colegas as coisas que eu entendia melhor.
Posso dizer, então, que decidi ser professora por vocação. Hoje arrependo-me. Por tudo. Pela frustração que esta carreira me tem trazido, pelas expectativas defraudadas, pelas medidas governativas dos últimos anos que visaram deteriorar a imagem dos professores e achincalhá-los publicamente, pela nova geração de alunos irresponsáveis e sem objectivos, pelo facilitismo que se instalou como consequência dessa desmotivação generalizada e pela ambição política em apresentar números, enfim, pelo desgaste que a educação em Portugal tem sofrido nos últimos tempos.
Ainda me lembro da alegria que sentia quando entrava na escola e no prazer que sentia quando acabava uma aula e percebia que os alunos tinham chegado mais longe através de mim, naquele dia! Ainda me lembro da saudade que sentia dos alunos durante as férias! Ainda recordo os sorrisos deles a comemorar a lição 100 com fotos, flores e bolos...
Hoje há desencanto na escola.
Hoje sinto a escola como um local de trabalho, um local burocrático e impessoal, um local onde há alunos que têm que passar ainda que nada saibam, onde os alunos vivem fechados dentro de salas de aula quer haja aula ou não, um local sem alegria.
E, de repente, sinto-me uma professora cinzentona, funcionária pública que tem que mostrar relatórios e mais relatórios, que quase não tem tempo para criar aulas diferentes e interessantes, para pesquisar, para inovar, uma professora igual a tantas outras que tive quando era aluna. Uma professora desmotivada e cansada.
Confronto-me com uma geração do prazer imediato, que não encontra qualquer motivação na escola, que encara qualquer actividade com fastio e indiferença... Confronto-me com uma crise de valores no dia-a-dia. Dizem os pais: "Já não sei o que lhe hei-de fazer... Não o/a posso matar com porrada. Já lhe tirei tudo, mas não muda, não quer saber..."
Quando uma mãe ou pai me diz isto, o que posso EU fazer?...
Parece-me que a sociedade está a atravessar uma enorme crise. Sinto que os professores estão no meio dela e, talvez, a sintam mais na pele que os outros. Eu, pelo menos, sinto-o.
Quando era estudante tinha objectivos, sabia que a educação seria o passaporte para uma vida melhor, para a minha realização pessoal. Hoje, nada falta aos jovens, não têm que lutar por nada. Foram os pais que lutaram por eles, daí a passividade, a letargia...
Salvam-se poucos desta corrente de pensamento e atitude. Para esses poucos que lutam contra a corrente, pelo menos, o professor ainda é um herói! Por esses é que ainda procuro forças e vontade para ser algum tipo de inspiração!...
"A teacher affects eternity; he can never tell where his influence stops." Henry Adams

quinta-feira, maio 15, 2008

Canela ou não? Eis a questão!


Ontem estive entretida a tentar dar-vos uma aula de etiqueta.
Pois bem, hoje quem precisa de uma aula sou eu! Não é de etiqueta, mas sim de culinária!
É que ontem ao jantar o meu franganote, o Gonçalo (com 5 anos), fez-me uma pergunta a qual eu não lhe soube responder.
Se alguém me puder ajudar fico grata!

Gonçalo - Oh mãe eu hoje comi uma sobremesa lá no colégio que estava mesmo boa!
Era um arroz doce, mas não tinha arroz.


Mimi - Se não tinha arroz não era um arroz doce…

Gonçalo - Ai não?? Então porque é que tinha canela, hein?

Mimi – (até hoje sem resposta!)

quarta-feira, maio 14, 2008

Uma aula de Etiqueta !



A minha profissão tem-me proporcionado ao longo dos tempos diversas aprendizagens.
Desse crescimento e dessas mesmas aprendizagens diria que a de maior relevância é de facto o contacto com pessoas.
Diversos projectos, varias áreas funcionais, vários clientes em diferentes pontos da cidade, com inúmeras pessoas.
Gosto desta profissão e desta dinâmica!
Trabalhando na área de informática como consultora, esta capacidade de mutação e de adaptação a novos ambientes é imperativa.
Com o passar do tempo fui ganhando ou refinando determinadas características, e hoje, posso afirmar que ao fim de pouco tempo de inserção num novo ambiente é-me fácil radiografar os outros e traçar de uma forma precisa as vicissitudes de cada um.
Gosto de passar de uma forma discreta, e assim sendo, aprendi a concentrar-me no que há de mais importante, dando menos ênfase as particularidades que menos me agradam.
Ao longo destes anos tenho feito verdadeiras amizades, guardo saudades e lembranças de alguns desses projectos...
Mas tenho de confessar que pela primeira vez estou a atravessar uma crise e na maior parte dos dias sinto-me como se estivesse num Big Brother.
Não por me sentir observada ou vigiada, mas sim, pelo facto de ser obrigada a conviver e partilhar o meu tempo com quem não tenho a menor afinidade.
Passo a explicar...
Nas horas do café, do almoço ou lanche deparo-me com conversas que eu chamaria de surreais e fúteis, tal é a distancia da orbita em que situam.
Deixo-vos com algumas partes dessas fantásticas conversas, na esperança que ao menos por ai alguém se consiga divertir:

- Despede-se a empregada doméstica porque ela não lava o chão de joelhos,
- Compram-se toalhas de plástico a 60 euros o metro quadrado,
- Metem-se os filhos em colégios onde eles são servidos ao almoço com um empregado de fato e gravata, com toalhinha de pano no braço,
- Não se comem camarões com as mãos porque isso é um nojo,
- Repreende-se quem diz "casa de banho das mulheres" porque o que é mesmo chique e de bem é dizer "casa de banho das senhoras",
- Casa de 300 mil euros é uma verdadeira pechincha,
- As mãos devem ser arranjadas pelo menos duas vezes por semana,
- Não se consegue comer peixe com talheres de carne,
- Laranja só é comestível se for descascada e cortada as rodelas, por causa do cheiro nas mãos,
- Se alguém espirra não se deve dizer saúde (não me perguntem porquê porque nesta fase eu já tinha desligado),
- Cães em casa só com Pedrigree ...rafeiros não dá,
- Uma menina só pode usar biquini a partir dos 8 anos, antes disso, só fato de banho,
- Não de deve limpar a cara em tolhas que não sejam brancas.

Bem, um dia ainda vou escrever um livro e fazer concorrência a Bobone com tanta etiqueta. Enquanto este dia não chegar, vou tentando passar o que apreendo aqui diariamente, que como podem verificar, é de uma importância absolutamente vital!
Se por ventura me encontrarem um dia destes a almoçar sozinha não estranhem.
É que há dias em que me falta a paciência para estas aulas de etiqueta...

segunda-feira, maio 12, 2008

Sapatos apertados

Quando os sapatos são apertados…dói andar, doem os pés…mas o que dói mais é o aperto que provocam na nossa vida e na nossa alma. No existir e no sentir.
Quando algo que dizes me aperta o coração… quando o que se vive é sempre muito pouco… quando fico só e no meu pensamento estão todas estas coisas...vejo que trago nos pés uns sapatos apertados.
Quanto desconforto nos causa trazer nos pés uns sapatos que apertam…É terrível o que se sente… os pés doem mas essa dor e desconforto passa desde as extremidades que são os nossos pés e chega à alma.
Uma certeza eu tenho: enquanto caminhamos com esse calçado nada é bom pois esse desconforto não nos deixa sentir o que de bom nos rodeia. Até podemos estar num sítio maravilhoso, num lugar encantado mas logo depois dos primeiros passos os pés… e o resto do corpo atrofia. Nada mais ocupa a nossa cabeça a não ser a ideia de os descalçar e libertar-nos desse aperto.
Por muito tristes que isso nos deixe… há sapatos que só são bonitos na prateleira!

quinta-feira, maio 08, 2008

MAYDAY




Todos com certeza já ouviram a famosa palavra MAYDAY.
Por definição significa :
"Mayday é a chamada radiotelefônica de emergência ou socorro, versão anglicizada do francês m'aidez,
"ajude-me". Utilizada principalmente nas navegações marítimas e aeronáuticas, faz parte do Código
internacional de sinais e do Código Fonético Internacional."
Pois bem, hoje não pretendo fazer nenhuma chamada radiotelefónica mas sim uma chamada radioplanetária.
Vou chamar a minha nave e pedir-lhe encarecidamente para me levar de volta para o meu planeta, porque a minha missão por aqui já teve melhores dias.
Sei que nem todos vêm para este planeta com a mesma missão, e enquanto a uns a vida lhes corre de feição no que eu chamaria de um circulo perfeito, os outros têm de caminhar por caminhos íngremes e bem mais tortuosos.
Uns chamam-lhe karma, outros sorte, outros sei lá o quê!
Para quem não me conhece o meu nome é Mimi e sou do signo peixes.
Pois bem, parte da minha incapacidade de adaptação está precisamente ai, nos 2 peixes que compõem a minha personalidade.
Se por um lado um dos peixes é sensível, frágil, doce, ingénuo e por vezes infantil, o outro é uma verdadeira fera, refilão, teimoso, ansioso, sem paciência e muitas vezes inflexível.
Diria mesmo que um dos peixes é tipo Nemo e o outro é um tubarão, o tubarão mau!
Pois bem, sabendo os meus criadores de antemão que sofro com esta falta de entendimento entre os meus dois peixinhos, não se percebe como é que me puseram justamente numa missão tão complexa.
Tenho os meus 2 meninos oprimidos e tristes... e se eles andam insatisfeitos, eu, não por consequência mas por solidariedade, também fico!
É que nós lá no meu planeta somos todos muito solidários!
Mandei um fax ao meu criador e expliquei-lhe que se por um lado o meu Nemo gosta de uma vida pacata, calma, sem sobressaltos e sem conflitos, o meu tubarão mau tem mesmo um génio difícil e muita falta de paciência principalmente quando se cruza com determinados espécimes da raça humana.
E digo-vos uma coisa, espécimes raros nesta minha missão é o que não me tem faltado!
Tropeço em alguns quase todos os dias e não encontro forma de os conseguir afastar.
Se por sorte um se afasta aparecem mais dois ou três.
É como os cabelos brancos, arranca-se 1 nascem 7!
Como devem calcular hoje nem ouvi o meu Nemo piar, o protagonismo foi todo para o meu tubarão mau que só não arrancou o braço a alguém porque o meu Nemo não deixou.
Infelizmente fui informada que um dos sensores da minha nave está avariado e como tal terei de prolongar a minha estadia no planeta terra por mais algum tempo.
Resta-me tentar conviver e conduzir da melhor forma o que me resta desta minha missão por aqui e nos dias mais nublados subir ao cimo de um monte e gritar de plenos pulmões:
MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY !!

segunda-feira, maio 05, 2008

Diário de uma mãe - 2 (no dia da mãe)

O príncipe desta história!...

Quando eu nasci,

Quando eu nasci,
Ficou tudo como estava
Nem homens cortaram veias
Nem o sol perdeu raios de fileiras...
Somente,
Esquecida das dores
A minha mãe sorria...
Quando eu nasci,
As nuvens não espantaram,
Não enlouqueceu o poeta que cantava...
Para que o dia fosse grande e faustoso
Bastou o riso amoroso
Da minha querida mãe!



Edgar Filipe, 11 anos
4 de Maio de 2008
Beijinhos para todas as mães, em todos os dias!...

quarta-feira, abril 30, 2008

Diário de uma mãe - 1



Gustave Klimt, Mãe e filho


- Mãe, quero pedir-te uma coisa, mas já sei que não vais deixar. Esquece.
Alguns (poucos) minutos depois:
- Mãe, amanhã posso fazer um trabalho para Inglês com a Lipa e com a Patrick?
- Claro,- disse eu. E elas vêm cá a casa de tarde?
- Sim. E podemos ir almoçar à pizzaria?
- Sozinhos?
- Oh mãe, claro. Vamos os três. Dás-me dez euros, então?
- E vão a pé? Sozinhos?
-Oh mãe… Claro.
E pronto. Foi assim o teu primeiro almoço fora, com as amigas, sem a mãe. Com onze anos.
Sempre rodeado de meninas, gostas também de estar com os outros rapazes, mas pareces preferir as conversas das meninas e as suas brincadeiras. Os rapazes têm brincadeiras muito físicas (empurram-se, jogam futebol, correm imenso), enquanto as meninas são mais cerebrais, escutam-te, conversam, discutem.
Estavas tão ansioso com o almoço que até esqueceste a mochila da Educação Física na escola! Claro que te passei um raspanete brutal e ameacei-te de te castigar se a mochila não aparecesse! No dia seguinte, correste a escola, bateste todas as esquinas e, finalmente, encontraste-a numa sala onde tiveste aula de substituição de, precisamente, Educação Física! Recuperaste a alegria, pois julgaste que te tiraria o telemóvel, o Disney Channel, o MSN… As tuas diversões preferidas.
Estás a crescer tão depressa…Pré-adolescente, como gostas de te chamar. Corpo de rapazinho e mente de quase-adolescente! Que questiona, que gere conflitos interiores, que procura entender coisas difíceis… E as "coisas difíceis" da adolescência ainda mal começaram!

terça-feira, abril 29, 2008

Dúvida - 2




Parece que vou escrever um post sobre a dúvida!...



Viver a dúvida é tão natural como viver a alegria ou a tristeza. A dúvida é sempre um estado de alma doloroso, mas todos sabemos que quando a vivemos não estamos sozinhos. Muitos são os que a sentem, tal como nós, nalgum momento da vida, em relação a algo ou a alguém.

A questão é: como agir quando se têm dúvidas?

Quando há um crime, por exemplo, como se pode condenar se as dúvidas pairarem sobre as consciências? Deve-se deixar um criminoso impune e pronto a cometer outro crime se sair ileso, ou punir, condenando, apesar das dúvidas e de não haver certezas, correndo-se, assim, o risco de condenar um inocente?

Porque há tantas pessoas que parecem ter sempre a certeza de tudo e outras que nunca estão seguras de nada, que vivem na indecisão e dúvida constantes?

Será que a maturidade aumenta a nossa certeza e diminui a dúvida?... Quantos de nós, então, desejariam "crescer" mais depressa?...

Dúvida - 1

Quando as emoções transbordam do coração, só podemos deixá-las aflorar aos olhos em forma de lágrimas...

As palmas ressoaram estridentes e fortes no teatro. A jovem actriz abraçava a Diva que terminava a peça com as enigmáticas palavras: "Tenho tantas dúvidas..."


A plateia estava repleta e a emoção fervilhava no ar, eclodindo em palmas a carga acumulada dos minutos em que a respiração estava presa e os olhares suspensos na representação da velha senhora do teatro, do actor reconhecido e aclamado e da jovem e emocionada actriz que mal cabia em si de felicidade naquele último dia de espectáculo.



"Dúvida" era a peça. Eunice Muñoz, Diogo Infante e Isabel Abreu os actores principais.

segunda-feira, abril 21, 2008

Humanidade ou moda ?

Numa das minhas muitas idas ao supermercado e enquanto aguardava pacientemente pela minha vez na caixa, olhei para o lado e vi uma bancada cheia de revistas, as tais chamadas revistas cor-de-rosa.
Numa das capas, saltou-me a atenção um dos títulos que dizia mais coisa menos coisa " Sofia Alves vai adoptar uma criança".
Olha mais uma, pensei eu.
Sim porque nos tempos que correm já são mil e uma celebridades que adoptam crianças.
Ele é o Bradd Pitt e a Angelina, Madonna, Sheryl Crow, George Lucas (realizador da guerra das estrelas), Tom Cruise e Nicole Kidman e até a conhecida Ágata foi buscar uma criança brasileira de 8 anos na costa da Caparica!
Perdoem-me se estiver errada, mas diria eu que é mais uma moda, isto para não lhe chamar um capricho ou pior ainda, uma forma de promoção.
Confesso que este tema nunca me suscitou qualquer dúvida e sempre achei uma atitude nobre o acto de adoptar crianças que por contingências da vida não puderam crescer no seu seio familiar.
Acontece que um dia destes fui tomar café com varias colegas de trabalho e uma delas, mãe de 3 filhos, comentou casualmente que ela e o marido pretendiam adoptar uma criança.
Ao contrario das demais, fiquei um pouco a modos que baralhada e numa tentativa de perceber este novo fenómeno social, questionei-a sobre o que a levava a ela, mãe de 3 filhos e com uma vida atarefada, a querer adoptar uma criança.
A resposta foi muito simples, rápida e directa: “para dar um exemplo de humanidade aos meus filhos”.
Bem, depois da resposta fiquei ainda mais confusa e baralhada que no inicio da mesma.
Um exemplo de humanidade, mas que bem!
Estava a espera de muitas respostas do tipo:
- Temos vontade de ajudar e criar uma criança sem possibilidades, dar-lhe um lar e uma boa educação;
- Que os laços de pai e mãe vão muito para além do biológico, e cingem-se tão somente na capacidade de dar e receber amor;
Mas não, os motivos não eram de todo esses.
Como sofro de um defeito terrível chamado pensamento excessivo, não consegui terminar a conversa por ali e voltei de novo a carga.
Comecei por lhe dizer que a vida nem sempre era linear e nem sempre as palavras são suficientes para se alcançar o âmago das experiências.
Que para mim a adopção era concebida para dar uma família a uma criança, e não para dar uma criança a uma família.
Adopção não é, ou melhor não deveria ser um acto de humanidade ou de caridade.
Não se pode ser mãe ou pai por humanidade, é preciso muito mais.
Que achava mais que compreensível que casais sem filhos adoptassem crianças mas quando se tratava de casais com filhos, como era o caso, outras questões se impunham.
Seria capaz numa situação de crise de ser totalmente imparcial perante um dos filhos legítimos e o adoptivo? Amaria incondicionalmente esse filho adoptivo como os seus próprios filhos?
Não me soube responder a tais questões até porque segundo me disse nunca tinha reflectido sobre elas…
Eu quanto a mim falo, teria a capacidade para criar a amar uma criança mas nunca conseguiria iguala-la ao que sinto pelo meu filho. Assim sendo, não tenho condições para adoptar quem quer que seja…
Tenho uma parte mas falta-me o todo.
Num outro contexto diria que são Dualidades, dualidades de opiniões … por aqui resta-me dizer, que enfim …
Acontece!

domingo, abril 20, 2008

Laços

Tudo se resume a laços. Os outros são como nós. Somos tão parecidos, afinal!...
Apetece dizer que sem os laços que nos unem aos outros não tínhamos onde nos agarrar, viveríamos desgarrados da nossa essência. Laços que unem, não laços que prendem, nem amarram. Unem e envolvem sem asfixiar.
O que são os laços?... Como se pressente que entre duas pessoas existe um laço que as une e as alimenta e lhes dá vida? …
Sentir que há alguém, numa sala cheia de gente, com um brilho no olhar que nos diz algo especial; acabar a frase que alguém começou sem ter nada premeditado; rir ao mesmo tempo de algo a que mais ninguém achou graça; sorrir com a lembrança dessa pessoa; sentir que dela só parecem vir coisas boas, sensações de alegria e calor, serenidade e harmonia; sentir que tudo parece bem porque esse alguém está presente…
Calcorreamos o mundo à procura de laços destes e afinidades assim e, muitas vezes, o que encontramos são nós: nós cegos, nós castrantes, nós que afligem, que perturbam, que fazem secar a alma e endurecer o coração.
Encontrar laços, viver experiências com alguém que parece ser uma extensão de nós… Olhar para o horizonte e ver um arco-íris... Consegues vê-lo comigo?...

sexta-feira, abril 18, 2008

Este espaço está mais belo!

Agora somos três!... E mais os outros todos que gostam de partilhar pensamentos e emoções por aqui! A partir de agora, somos três a escrever o que dita o coração, a experiência, a razão!... Somos três para que este espaço seja mais perfeito, mais rico e mais envolvente!
Fiquei feliz com a sugestão da Cláudia e mais feliz ainda quando a Mimi aceitou o convite para enriquecer este lugar de encontro (ou desencontro), este lugar onde o sol nasce sempre! Estávamos a precisar de uma lufada de ar fresco vindo do sul! :)
Bem vinda Mimi!...

terça-feira, abril 15, 2008

Há um cantinho na minha sala...


Aquele sitio reune muitos dos meus sonhos... Não apenas sonhos mas também vida! A partir dali vejo apenas um pedacinho de mar mas o suficiente para sentir que quando olho para o horizonte não lhe vejo o fim. Do mesmo modo que não vejo o fim do meu pensamento...
Dali não se consegue definir onde se separa o Mar do Céu nem em que instante o Sol deixa de se ver no fim do dia. Daquele pequenino sitio muitas foram as ideias que iniciei e outras tantas às quais pus fim. É apenas um lugar mas que guarda já tanto do que vivi que sempre que ali estou algo se abala em mim. São apenas breve instantes mas intensos momentos...

segunda-feira, março 31, 2008

Estou a descobrir...

"Cada instante que passa é uma gota de vida que nunca mais volta a cair... aproveite cada gota para evoluir."

"... Ainda dá tempo de arrumar sua mala e seguir seu caminho rumo ao seu próprio destino. Se quiserem lhe acompanhar, ótimo. Se não, não lamente. Você é único e completo, rico e insubstituível e é capaz de preencher toda a sua vida por si só."
Pode-se ler o artigo todo em:
http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=11187&onde=2

quarta-feira, março 26, 2008

Divagações


A força está em nós
mesmo dentro de cada um
conseguimos tudo o que queremos
só precisamos de o querer com a devida intensidade
se alguém tem o poder de te fazer sofrer
só tens que lhe tirar esse poder
as lágrimas podem ser negras de dor
o coração pode estar partido de sofrer
mas isso apenas significa que não é isso que é para ti
para mim.
queima - o que doi!
mata - a dor!
parte - o que tem que ser partido!
e não permitas que isso não te deixe viver

a essencia da vida
não é sofrer nem é a dor
acorda de vez a força que está dentro de ti e liberta toda essa energia para o essencial
deixa cair, larga no chão o que não está agarrado a ti
mesmo que aches que era isso mesmo que querias

pinta o quadro de negro para não se ver o que daí esperaste...

No meu colo me encolho e choro todas as lágrimas que me estão a apertar a alma
são laços que ficaram demasiado apertados...

são sentimentos que foram perdidos porque não os souberam cuidar...

sábado, março 01, 2008

Lugares escondidos


Vamos jogar às escondidas?

Foi o meu filho de 3 anos que fez este jogo comigo...

Mãe? Está escondida... ahh... estás aqui! A mãe! E apertou a minha mão...
Claro, a mãe está SEMPRE AQUI!
E depois continuei eu...
O meu porto seguro? Onde estás? Ahh, estás aqui...
E aquele lugar onde está o Amigo de sempre? Está aqui! Também sei onde te encontrar...
E mais este e aquele que procuro para uma boa gargalhada? Também está aqui...
Afinal todos estão onde os procuro... aqui, naquele lugar que sei que é o vosso.

E neste lugar aqui? Escondido? Este continua vazio... sem ninguém mas onde todos sabemos quem queriamos encontrar...
Tu! Esse que me acolherias num corpo e alma onde tudo pára para não terminar com o tempo...
onde existir é tão só estar...
mas aí... nesse lugar... esse lugar continua apenas a conter o escuro... e esta espera.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Momentos breves...



Mãos que tocam o sentir
E sentem o que o que as mãos transmitem

Olhos que vêm a alma
e se iluminam em forma de amor

Boca que saboreia a vida
e insatisfeita coloca nas palavras breves instantes de ti

os sentidos são.
as coisas não têm sentido

o plano da vida não é...
para este sentir
mas esta força desmedida que atrevessa o peito e não permite algo diferente
precisa de ser e acontecer

que voltade desmedida de sair deste plano finito
que sentimento terrivel de estar no sitio errado

Quero voar para lá do sitio onde o mar encontra o céu
e ai permanecer à espera que o Nós aconteça

Estranhas as dualidades
Intensos os extremos

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Ensinar peixinhos a andar...

(imagem da internet - autor desconhecido)

Como é possível ensinar peixinhos a andar? Estranha pergunta. Fi-la hoje mesmo aos meus alunos numa aula absolutamente extraordinária, em que a maior parte dos 28 alunos que tinha pela frente me pareciam autênticos peixinhos sem capacidade para aprender a andar! Andar é uma metáfora para "vontade". Os peixes nadam, não andam, não têm capacidade para andar. Ensinar alunos que não têm vontade de aprender, acaba por ser a mesma situação incapacitante. Os peixes não podem andar porque não têm pernas (por isso nadam, que é o que as barbatanas lhes permitem fazer). Os alunos não podem aprender porque não têm vontade (por isso passam sem saber, que é o que o ministério pretende ao incentivar o absentismo, ao pôr em causa a autoridade dos professores, ao criar mecanismos absolutamente ridículos para impedir as reprovações, ao desmoralizar e frustrar os professores que dão o seu máximo no dia-a-dia apresentando-lhes perspectivas de carreira injustas e castrantes). Perante uma turma apática, desinteressada, enfadada com todas as actividades (mesmo quando se leva para a aula uma música oportuna e actual, ou um filme, ou um vídeo para analisar e debater) decidi parar e fazer a pergunta em Português numa aula de Inglês: "Acham possível ensinar peixinhos a andar?" Gargalhada sonora. (Acordaram, pensei eu.) E, pela primeira vez em 40 minutos ( a aula era de 90 minutos), todos olharam para mim com interesse e com um sorriso trocista ("Foi desta que a prof. se passou!", devem ter pensado uns; "O que é que esta quer agora? Está a falar Português, já vem sermão.", devem ter pensado outros; "Será que ela disse alguma coisa antes em Inglês que eu não percebi?"; "Acho que o texto que estavamos a ler não falava de peixes. Ando mesmo distraído... Não percebo nada disto...") Olhei para eles com um sorriso e expliquei que para aprender era preciso vontade, da mesma forma que para andar eram precisas pernas. Disse-lhes que 90% deles não estavam ali, nem sequer a ler o texto (por sinal, do meu ponto de vista, interessante, já que falava do papel do homem e da mulher na sociedade actual, de discriminação, de novos papéis sociais, novas mentalidades) e que dos 10% que estavam a ler, apenas 2% tomavam notas e aprendiam de facto alguma coisa. Disse-lhes que perdoassem a interrupção da sua alienação, mas que me vi obrigada a desabafar este pensamento quando olhei atentamente para os rostos deles e percebi que algo estava errado. Penso que perceberam o que eu quis dizer, pois na resolução da ficha de trabalho que se seguiu, experimentei uma grande azáfama de um lado para o outro a explicar os exercícios e a esclarecer dúvidas, tal era o interesse que de repente surgiu. Parecia que grande parte deles não queria ter ar de peixe, pelo menos até à próxima aula!...



quinta-feira, janeiro 10, 2008

domingo, dezembro 30, 2007

Feliz Ano Novo

Não importa onde nos encontramos o que importa é onde iremos chegar
Não importa o que já vivemos mas sim o que ainda nos espera
Não importa o quanto já fomos felizes mas sim o quanto ainda iremos fazer os outros felizes
Mesmo que o caminho esteja escuro sabemos que se vê melhor a luz nesses momentos
Os meus votos são de que em 2008 as nossas vidas seja
Linda como o arco iris (e o azul deverá ser a cor dominante)
Brilhante como a lua (e cheia de segredos bons)
Quente como o sol (com sentimentos muito intensos)
Cheia de música e alegria (e que a festa seja diária)
e que cada um seja ainda melhor do que é para poder contagiar quem nos rodeia!

Um brinde com todos!






terça-feira, dezembro 25, 2007

Natal



Natal deveria ser sempre renascer, repensar o que se tem feito, o que temos sido para os outros, o que ainda temos que criar, o que temos que partilhar, o que não demos e devemos dar, o que ainda podemos emendar, o que devemos fazer de novo...
Natal deveria ser estar, amar, sorrir com o coração leve...

Natal deveria ser afecto apenas...

Natal deveria ser reviver o que foi perfeito...

Natal sabe sempre a memórias de um tempo em que o Menino nasceu para nos salvar... Salvar de nós, salvar do mal, salvar do desepero, da solidão, da tristeza, da ignorância...

Natal é tempo de (tentar) ser feliz...

É tempo de paz na mão de uma criança!

sexta-feira, novembro 16, 2007

Proteger

Quando amamos alguém e vemos que o caminho escolhido leva ao precipício, devemos intervir, alertar, fazer compreender... Mas o que custa, não é esta intervenção, esta orientação que pensamos ser a melhor para a pessoa a quem queremos bem. O difícil é proteger sem sufocar, é ajudar, orientar, esclarecer sem impôr uma alternativa. O que é penoso é dar apenas a mão sem arrastar o outro connosco. O que custa verdadeiramente é dizer a alguém que nos é querido e que amamos com todo o coração: "Sei que estás no caminho errado, mas deixo-te ir porque tu queres que assim seja, porque TU é que decides o teu destino e eu só posso ficar a assistir..." O que temos de mais sagrado é esta liberdade individual para podermos fazer com a nossa vida o que quisermos, mesmo sem escutar ninguém, sem ouvir os outros, esta liberdade para errar e crescer com os erros (ou ser destruido por eles). Mas também uma das coisas que mais custa é assistir ao desabar do mundo de alguém que amamos infinitamente e não ter podido fazer nada, precisamente devido a essa liberdade.
Não puder guardar todos os que amamos numa redoma de vidro e protegê-los dos precipícios da existência!...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Como um rio

Pesam-me os braços, as pernas, todo o corpo que está a mim agarrado me pesa como um fardo absurdo e incontornável. Cansaço, cansaço....
E a cabeça como um rio que leva, que escorre a sanidade, que arrasta para longe o fio de lucidez…
A cabeça como um rio que arrasa a calma, que exaure a serenidade, que me deixa de olhar inerte, presa ao ruído, à alucinação. Sem nada lá dentro, só o absurdo resta. Não entendo o que me leva e traz, o que me empurra, o que me arrasta.
Um peso no peito, uma fadiga brutal instalada em todas as células do meu corpo. Deixo-me compelir pelas horas, pelos minutos, pelas obrigações que me chamam, pelo paradoxo de saber da inutilidade das coisas, do sem sentido dos compromissos, da iniquidade da rotina que mata tudo o que tem significado.
E a cabeça como um rio, sempre, todos os dias igual. Um rio sem margens, sem princípio nem fim, um rio que tudo arrasta, que tudo leva, só não leva este cansaço de mim.

terça-feira, novembro 06, 2007

O segredo do futuro


O segredo do futuro,
é o Amor.
Um Amor sublime e puro,
o belo Amor.
Só o Amor
Resolve tudo numa esperança maior.
Sem Amor
o que era grande é já menor
Sem Amor
o que era bom ficou pior
Só o Amor
Resolve tudo e traz a esperança até nós.
Eu vejo o tempo a passar muito depressa
E ao longe essa esperança
Que sinto apagar
Chamou por mim
Para eu a chamar.
A idéia do Amor
Aconteceu
na estrada da Terra até o Céu.
A idéia do Amor nao se perdeu
E devolveu tudo o que se deu.
A chave do futuro é dar de novo Amor
A todo o "outro"
O "outro" que és tu, e ele, e eu,
A sós neste mundo.

(Pedro Ayres Magalhaes / Fernando Jódice - cantado por Madredeus)

sábado, outubro 20, 2007

O tempo que sobra...

Estes dias são intermináveis... O tempo parece governado pela preguiça e as horas demoram-se na linha exterior do relógio de parede... Curioso... Sentir que tenho tanto tempo agora, quando já tanto tempo passou e tenho menos dias para viver do que antes... Só sei falar do passado, de quando era novo, do que fiz, das aventuras que tive, das lições que aprendi. Só falo do meu mundo, aquele que vi pelos meus olhos. E sinto que não sei nada... Não compreendo o mundo de hoje. Tanta tecnologia, tantos botões, tantos comandos, tanta matéria para aprender...
("Porque andas com tantos livros, rapaz? Essa mochila pesa toneladas! Como é que vais aprender isso tudo? Os cachopos de hoje conseguem meter tantos livros na cabeça?")
("Não, pai. Os meninos de hoje não sabem mais do que os de antigamente. Só sabem é outras coisas. E são mais apaparicados e recebem mais cuidados e têm, talvez, mais mimo. Mas as mochilas vão pesadas para a escola e, muitas vezes, as cabeças vêm vazias.")
Estas horas são longas. Aqui sentado neste sofá, com a manta nas pernas, a olhar o sol a pôr-se no horizonte, parece-me que nunca tive tanto tempo como agora. Nunca vi tanta televisão, tantas notícias... O país está cada vez pior... Mas não tenho que me preocupar com isso agora. Já fiz a minha parte. As couves no campo a estragarem-se. Os feijões a secarem. Tenho que lá ir. Não é preciso ser hoje. Ainda tenho muito tempo. Andam todos a correr, a queixarem-se de falta de tempo e a mim, a mim o tempo sobra-me...

quinta-feira, outubro 18, 2007

Escorre o tempo



Escorre por entre os dedos o tempo que falta para tudo

O tempo de te ver e sorrir sem pressa

O tempo de não correr a não ser para te abraçar

Para te tocar, para te ouvir, para sentar e escutar...

Falta o tempo para respirar sem ofegar

Para estar

Para sentir

Para acordar devagar

Para adormecer lentamente

Para sentir o silêncio do murmúrio leve do vento nas folhas de outono

Para admirar a lua pendurada no céu negro...

Falta o tempo para as palavras

Aquelas que queremos dizer e escrever

Aquelas que precisamos escutar devagar.

Sei que precisas que eu tenha tempo.

Sei que morrerei de remorso se não to der

Sei que o que mais esperas de mim é que te olhe e te escute

("Estás a ouvir? Ouviste o que te disse...Nunca ouves o que te digo...")

Ouço, tenho que ouvir, tenho que abrandar...

...antes que o tempo escorra demasiado depressa por entre os dedos

e cresças rapidamente

e me deixes de falar...

sábado, setembro 29, 2007

Euromilhões

Não... não me saiu o euromihões (mas vai sair!!).

Mas saiu-me sim o euromilhões em tudo o resto.

Tenho a minha querida familia, os meus amigos e os meus amores. Um jackpot do melhor que há.

Um dia quando tinha apenas 18 anos, em plena A.v da Liberdade na fabulosa cidade do Porto um monge... penso que seria budista abordou-me e disse-me que eu tinha um coração grande... Assustei-me e respondi-lhe de imediato que o meu coração era do tamanho do de toda a gente. Ele insistiu que eu tinha um coração grande!
Hoje acredito que sim. O meu coração tem mesmo que ser enorme para ter lá dentro todas estas pesssoas fantásticas que completam a minha vida...


Uns fizeram-se chegar por carta, outros por email, outros ainda por telefone...e ainda há os que aqui estão até e para reforçar a sua presença fisicamente. Estendo a minha mão e consigo tocar-vos... Estou maravilhada... o meu coração é vosso!!

Adoro-vos a todos!


"My dream is to fly over the rainbow so high..." vamos juntos

terça-feira, setembro 25, 2007

Hoje estou melhor...


Os olhos húmidos, as mãos calejadas e frias, a pele baça e branca, a boca seca...
"Tenho frio nos pés. Calças-me umas meias?" Levantei o lençol e calcei as meias. Os pés gelados e ásperos. O lençol branco, as paredes brancas, as caras brancas....
Os últimos raios de sol penetram pela janela. Tons de amarelo pintam o quarto do hospital. Chegou a hora de conhecer o desespero de não saber o que fazer, da total impotência perante a doença, perante o bicho que corrói e mortifica. A esperança ainda luta para vir ao de cima.
"Pode ser que não tenha metástases. Pode ser que fique bom..." Sussurram-se previsões.
A lembrança do que passou serve para alimentar as tuas horas, para ajudar a passar os minutos. O que recordas enquanto aí estás deitado? Que passagens da vida te fazem agarrar à vida? Os tempos de criança, os namoricos e aventuras de solteiro, a vida de casado, o nascimento dos filhos, a última visita da mulher?...
"Era melhor que cá não viesse. Para sair logo a correr, era melhor não ter vindo. Não precisas de vir mais, estive quase para lhe dizer..."
E há um abismo entre eles. Não um fosso, nem sequer um muro. Há um mar infinito, um abismo imenso que os separa. Nem mesmo na dor os corações se unem. O que poderá dividir tanto, o que poderá originar tanto ressentimento, tanta mágoa, tanto rancor dissimulado em gestos secos e olhares de reprovação?
Arranjo os tubos para que se possa voltar um pouco.
"Dói-me tudo. As costas, a barriga, as pernas... Disseram-me que não posso comer. Tenho tanta fome. Ainda bem que vim a tempo. Ainda bem... Se esperasse mais, podia ter morrido..."
Ainda bem que aqui estamos todos, para podermos também ainda emendar alguma coisa, sanar algum mal, aconchegar os lençóis, molhar os lábios, contar uma piada, falar de trivialidades (do campo, dos animais, do trabalho, do trânsito para chegar e para voltar, do futebol, do apetite voraz que tinha quando era mais novo e tudo lhe sabia bem, dos intermináveis dias em que trabalhava e nunca folgava para ganhar mais)... Tudo é um bom tema para conversar "porque hoje já não estou tão cansado... Hoje estou melhor..."

quarta-feira, setembro 19, 2007

Procurar onde não há...

Perante a desilusão, procuram-se novas cores para a vida... Vasculham-se ideais passados, esperanças longínquas, escavam-se atalhos para encontrar o caminho, recomeça-se com alguma nostalgia como se tudo não tivesse passado de um sonho mau. Ainda que prostrados pelo desencanto, recolhemos no orvalho da manhã as gotas de água que fortalecem o corpo e aceitamos o olhar condescendente, solícito, apaziguador de quem pensa que compreende. Procura-se nos outros o ânimo para sorrir... Esquecemos que o sorriso vem da alma... Procuramos nos braços dos outros as forças que nos faltam... Esquecemos que é de nós que surge o primeiro passo, que é de nós que tem que vir o primeiro alento...


Procurar... Porquê procurar onde não há?...
Não posso caminhar com os teus músculos, não posso ver com os teus olhos, não posso sorrir com os teus lábios, não posso tocar com os teus dedos, não posso amar com o teu coração...

segunda-feira, setembro 17, 2007

O tempo das memórias



Perdemo-nos tantas vezes nas memórias daquilo que passou...

Revolvemos o espírito e procuramos razões para ter sido desta forma e não daquela...

Questionamos o que nos levou por certo atalho de bruma e escuridão e não por caminhos de céu claro e brisa suave...

Valerá a pena este diálogo com o passado que nos prostra e revolve o coração?
Talvez a verdadeira sabedoria esteja unicamente em não perguntar nada e aceitar que caminhamos numa direcção mais sábia e com mais significado. Aceitar que a nossa lenda pessoal tem que ser cumprida para que tudo possa fazer mais sentido, olhando em frente sem nos extenuarmos a analisar o que passou.
O presente é para viver na plenitude e o futuro foi um presente que nos foi oferecido para o escrevermos sempre como se fosse a primeira vez. Temos esta oportunidade garantida. Não mudaremos as memórias, mas é tempo de mudar o futuro das memórias que virão!...

quinta-feira, agosto 30, 2007

Vida

Não acrescente dias à sua vida, mas vida aos seus dias.
Benjamin Harrison

Cada lugar Teu




Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a m�goa
guardar s� o que bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me fa�am falhar
nesse lugar mais dentro
onde s� chega quem n�o tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo d�i
como se arrancassem tudo o que j� foi
e at� o que vir e at� o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abra�ar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de n�s
e que um dia o tempo pare�a perdido
e tudo se desfa�a num gesto s�

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde s� chega quem no tem medo de naufragar

quinta-feira, agosto 09, 2007

The place...


uma flor
pode nascer e crescer e estar num sitio paradisíaco
rodeada de outras flores diferentes mas lindas
e embelezar um espaço grandioso e pertencer a um sitio por todos olhado como único

uma flor
pode crescer num simples jardim mas cuidada com todo o amor de uma alma
que todos os dias a acompanha a crescer, sente as suas necessidades e ... cuida

uma flor
pode viver apenas da água
fazendo a diferença àquele meio aquático que não esperava uma flor ali

uma flor
pode ser apenas uma transição para o fruto
e crescer no alto de uma árvore
olhando de cima tudo o que está a seus pés

uma flor
pode nascer na aridez do deserto
contrariando toda aquela secura do pó da areia
e ser a raridade daquele espaço

uma flor
pode ser cortada para ser colocada numa jarra
onde apenas alguns a irão olhar e achar que é Linda

uma flor
pode estar a enfeitar uma catedral
mas sem terra, será breve o seu encanto

uma flor
pode jazer num cemitério
fazendo companhia a apenas um corpo a desfazer-se em pó
rodeada de outras flores também condenadas a secarem e a serem colocadas no lixo


Qual é o lugar que escolhemos para o nosso coração?
Onde é o lugar onde nos encontramos?

terça-feira, agosto 07, 2007

Saudades de ti


Custa-me abrir os olhos
abro a pouco e pouco
pois sei que não te vou ver.

Assim como cada voz tem um timbre e uma intensidade
cada silencio tem um registo e uma profundidade
e tu és voz e silencio em mim

Acordar

Acordo e vejo a tua silhueta ao meu lado...
será real ou é loucura do sentir?
é real e fico ali a contemplar-te
olho-te, fixo-te
vejo o teu acordar lento...
mas que me abraça...
não só o acordar, como os teus braços que me enrolam...
e me aquece o teu calor
A musica que me leva a até ti...

segunda-feira, julho 30, 2007

� demais...




� s� isso
N�o tem mais jeito
Acabou, boa sorte
N�o tenho o que dizer
S�o s� palavras
E o que eu sinto
N�o mudar�
Tudo o que quer me dar
� demais
� pesado
N�o h� paz
Tudo o que quer de mim
Irreais Expectativas Desleais
That’s it
There is no way
It over, Good luck
I have nothing left to say
It’s only words
And what I feel
Won’t change
Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
� demais / It�s too much
� pesado/ It’s heavyN�o h� paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais / Isn�t realExpectativas / ExpectationsDesleais
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
H� um desencontro
Veja por esse ponto
H� tantas pessoas especiais
Now even if you hold yourse
lf I want you to get cured
From this person Who poisoned you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world
In the world
All you want All you want
Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
� demais / It�s too much
� pesado / It’s heavy
N�o h� paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais/ Isn’t real
Expectativas / Expectations
Desleais
Now were Falling into the night
Um bom encontro � de dois

segunda-feira, julho 16, 2007

Aqui e Agora


Embalada pelo som da guitarra
Pela letra da musica sussurrada
vou de encontro aos meus lugares secretos
voo pelos sitios mais belos do universo
planeio pelas almas que me acompanham
que me sentem e acompanham nesta viagem
transito para o lugar que sempre me acolhe
sinto o calor do sol e a frescura da chuva

não preciso de procurar porque já estou lá
o meu sitio secreto
que me acolhe sempre que preciso de descansar

descanso do mundo, da vida e da sua ausência
descanso para ganhar forças novas
descanso para renovar da vida e das coisas

entendo que muito do que sinto não é abraçado
entendo que nesta dimensão não há compreensão para mim

vou de encontro à tua vida, alegria!

She's the one




When we find true love, everything seems perfect and we feel that we are alive!...

quinta-feira, julho 12, 2007

Intenso


Há quem nos tire a respiração pela intensidade do sentimento
e há os que nos querem tirar o ar de vez...

Há quem nos acelere o coração apenas com a sua presença
e há os que nos querem parar o coração de vez...

Há quem nos ilumine tanto
que quase não conseguimos manter o olhar fixo
e há os que nos querem cegos de vez...

Mas dou voltas e mais voltas e acabo sempre por encontrar toda a paz que preciso bem dentro de mim...
(e nas almas iluminadas que me acompanham em toda a caminhada! Grata a todos os que trago no meu coração. Adoro-vos.)

quarta-feira, julho 11, 2007

A song for you




This is an amazing song that a lovely teenager brought to my knowledge (thank you Mariana!) and it is dedicated to you, my shining star!...

Hey there Delilah
What's it like in New York City?
I'm a thousand miles away
But girl tonight you look so pretty
Yes you do
Times Square can't shine as bright as you
I swear it's true

Hey there Delilah
Don't you worry about the distance
I'm right there if you get lonely
Give this song another listen
Close your eyes
Listen to my voice it's my disguise
I'm by your side

Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
What you do to me

Hey there Delilah
I know times are getting hard
But just believe me girl
Someday I'll pay the bills with this guitar
We'll have it good
We'll have the life we knew we would
My word is good

Hey there Delilah
I've got so much left to say
If every simple song I wrote to you
Would take your breath away
I'd write it all
Even more in love with me you'd fall
We'd have it all

Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me

A thousand miles seems pretty far
But they've got planes and trains and cars
I'd walk to you if I had no other way
Our friends would all make fun of us
and we'll just laugh along because we know
That none of them have felt this way
Delilah I can promise you
That by the time we get through
The world will never ever be the same
And you're to blame

Hey there Delilah
You be good and don't you miss me
Two more years and you'll be done with school
And I'll be making history like I do
You know it's all because of you
We can do whatever we want to
Hey there Delilah here's to you
This ones for you

Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
Oh it's what you do to me
What you do to me.

segunda-feira, julho 09, 2007

Para pensar

A duração do sofrimento baseia-se no tempo necessário a que se melhore.

Aqui



Hoje não quero dormir...

Quero ficar acordada a sentir a noite e quem está na minha companhia.

Não pergunto onde estás tu agora porque estás mesmo dentro de mim e quero ficar assim, agarrada à tua companhia, a sentir o teu abraço forte, a tua respiração suave e terna.

Quero ficar apenas assim.

A sentir que nada separa duas almas que estão unidas não sabem desde quando, nem porquê. E enquanto as palavras tentam desesperadamente expressar o que sinto, sinto que estou bem assim no teu colo, enroscada no teu colo a sentir o ritmo do teu coração vivo que de vez em quando se engana nas batidas. Pois o que vês é alguém entregue a ti.

Sou interrompida na minha viagem por um "Ó mãe, maaaaae" - haverá prova maior de vida? De amor?Alguém que tão pequenino não se inibe de nos chamar sempre que precisa ou simplemente apetece ter perto a nossa mão. Comovo-me até às lágrimas com este gesto irreflectido, desprotegido e sincero.

Porque será que perdemos tudo isto - a inocência - com o crescimento?

Porque é que em vez de nos tormarmos pessoas melhores nos tornamos mais e mais egoistas?

E enquanto reflicto sobre o amor de mãe e filho continuo presa no teu calor, no teu cheiro... Como chegamos até aqui? de onde veio este sentimento que me faz ficar a comtemplar-te quando todos os outros nos parecem ignorar?

quarta-feira, junho 27, 2007

Perspectivas diferentes


Há os que choram por não ter ninguém à sua espera
E existo eu... que estou feliz por ninguém me esperar

Há os que choram porque ninguém repara como estão arranjados
E existo eu... que estou feliz por ninguém reparar

Há os que choram porque não têm com quem dividir as horas solitárias
E existo eu... que estou feliz por essas horas não terem que ser divididas com ninguém

Há os que choram porque os seus jantares são sozinhos
E existo eu... que estou feliz por não ter com quem jantar
Não, não choro por nada disto porque de novo encontrei dentro de mim o que há de mais importante
A LIBERDADE

sexta-feira, junho 22, 2007

Quero parar o tempo


Quero parar o tempo,
Deixar-me ficar enrolada
Nas ondas desta emoção desmedida,
Olhar o fio do horizonte
Para sempre assim, com olhos húmidos
Com as aves da esperança
Soltas no peito e sobre a água,
Desenhando no azul
Os contornos do teu rosto,
Que eternamente ficarão em mim…
E neste dia o sol parou
A luz ficou presa nos teus olhos
E o mar murmurou o teu nome
Sempre o teu nome,
Vezes e vezes sem conta…
E eu só soube sorrir
E dizer que nas tuas mãos
Estava o meu jardim
E o meu caminho,
E no meu olhar
Voavam as aves
As mesmas que sempre
Me levariam até ti…


quinta-feira, junho 21, 2007

O véu da alma


Trazes a luz branca da manhã
Seguras no rosto a melancolia doce
de uma tarde de Verão entre as flores.
Soltas uma ave num beijo à distância
Caminhas, deslizas, estonteias
quando passas ausente de mim.
E irrompe dos teus lábios
um sorriso resgatado
tímido
contido pelo pensamento
Um sorriso tangível
e amordaçado
sem cor, sem ânimo.
O que levas debaixo do véu da alma?
O que carregas no abraço matinal
de quem não te eleva o espírito
de quem te sufoca e oprime
de quem embala as angústias
no teu colo de seda?
Solta as pétalas
uma a uma
da rosa negra
da agonia
e deixa que as águas da vida
singrem novos caminhos em TI!
(Para ti mana querida, que finalmente retiraste o véu da alma para que todos te possam ver como realmente és!)

terça-feira, junho 19, 2007


Se te desse o verso deste poema
Se te erguesse o olhar
e mostrasse a luz que vem de dentro,
Compreenderias até onde chega o toque da alma
e que mundos invade a loucura da paixão...
Se deixasses de ver o sabor da terra
e te entregasses à louca espuma do mar,
Lavarias os sentidos
que já não perdidos, mas encontrados,
lavados e frescos de euforia
se entregam à folia da pele
húmida e quente
de uma noite de verão...

Coração em branco

Onde está esse sorriso ingénuo que me lembro de ter, esse coração em branco com tanto ainda por escrever, esse olhar luminoso de esperança e de crença na vida? Onde enterrei esses sonhos de menina que parece terem nascido comigo, essas lembranças de um futuro prenhe de sol, envolto em neblinas promissoras de novos mundos? Onde está a mão que segurava a minha, apenas nos meus pensamentos e desejos, mas que eu acreditava ser mão de verdade? Onde está o sentir que tudo é uma passagem, uma corrente de um rio eterno pleno de vida, que me levará até à foz ansiada onde o mar é imenso e fértil de aventura? Porque deixei de acreditar no horizonte límpido à beira-mar da alma? Porque parou a vida de pulsar na esquina do meu peito, agora vazio de horas e quimeras?...
Tanto por viver, tanto ainda por sofregamente sentir em cada poro, em cada molécula, em cada célula deste corpo e em cada sopro desta alma...



segunda-feira, junho 18, 2007



Chegou de mansinho
Numa noite em mim,
Ficou preso no olhar
E solto num brincar
Não quis rasgar
A minha existência,
Nem desaparecer sem luz...
Veio a atirar estrelas
A limpar o pó dos dias
A ignorar as palavras
E o significado do mundo...
Disse-me em segredo
Que a ternura infinita
É sempre rainha
E que ma dá para ele brilhar,
Que não precisa de sol
Que se alimenta de luar...
E a cada beijo seu
Solta-se uma asa no azul
Desprende-se um sorriso
Um abraço, uma flor,
Uma canção, um suspiro
Meu...

quinta-feira, junho 14, 2007

Pequenino, grande amor...

Pequenino,
pequeninas lágrimas de amor
caem de meus olhos embevecidos,
pequeninas gotas de felicidade
me saem da alma
orgulhosa
fascinada
em paz com o mundo
em paz com Deus
em oração a Deus
porque Tu me foste entregue
como um presente eterno
inigualável, inimaginável
antes de ti...
Pequenino,
és o meu pequenino infinito amor
és o meu tesouro divino
em graça oferecido
em êxtase recebido
por mim
que te esperava desde sempre
desde o primeiro raio de sol
desde que um coração me foi dado,
pois me parece
que só me foi dada vida
para a poder dar a ti...
Pequenino,
és o meu mundo
és o sopro de vida
que sempre me faltou
és a chama do amor que existirá
na eternidade das horas
aquele Amor que nunca acaba
porque sempre existiu...
...por Ti!

17 Novembro 2002

quarta-feira, junho 06, 2007

A paz de um olhar

Na verdade, somos todos parecidos…
Tudo o que procuramos, desde que o sol desponta nestas manhãs frescas e luminosas de Primavera, até ao momento em que a primeira estrela surge no céu e lhe pedimos baixinho um desejo, tudo o que desejamos no íntimo do nosso coração é podermos olhar o mundo com os olhos límpidos, crédulos, desprendidos e inocentes da infância. Se tal acontecesse, todas as horas seriam suaves, todos os minutos seriam doces, porque traríamos no olhar a paz que nos iria na alma.
De facto, cada um de nós não sabe ao certo o que é ser feliz, o que significa agarrar a vida com as duas mãos e sentir bem no fundo da nossa sensibilidade e da nossa emoção que estamos a viver uma vida boa. Poucos poderão afirmar convictamente que são felizes, que as emoções que palpitam à sua volta são as da mais pura plenitude, aquelas que preenchem uma existência. Quase ninguém se atreve a afirmar que encontrou a felicidade, se não estiver em Paz.
Essa será a paz verdadeira, aquela que vem da brancura da alma, da autenticidade da terra, da luminosidade dos astros, do calor de um abraço, da luz dum raio de sol preso num sorriso, que se oferece aos outros como um brinde à vida! Essa paz nasce dentro, bem dentro da alma, mas só é fértil se não secar dentro de nós, se for entregue ao mundo em cada toque, em cada olhar, em cada palavra.
A paz que sentimos em cada bater de coração é a prova que a finalidade da nossa existência é fazermos nascer nos outros a alegria, aquela alegria que contagia porque é genuína, que enriquece porque é oferecida!
A paz que eu sinto só importa porque tu importas, porque de nada vale eu ter tudo, se não houver alguém a quem oferecer…
Por vezes tudo o que nos basta, tudo o que ansiosamente procuramos, encontramos na paz de um olhar que carrega a essência da vida…

sexta-feira, maio 25, 2007

Mais uma Noite

Uma noite assolarada e quente, que toma conta da minha alma e a aquece com palavras que nos fazem lembrar sentimentos...
Ainda há pouco a expressão "vale de lágrimas", conhecida desde a infância sem a entender, passava a ter um significado carregado do que a vida nos trás e leva.
O dia de amanhã que nunca sabemos como vai ser ou acontecer é algo que não nos preocupa mas que a cada instante toma uma forma diferente.
A minha alma irradia calor e luz e mesmo estando uma enorme tempestade lá fora, essa força toma conta de mim.
São os cheiros e as coisas que nos rodeiam que marcam passo e nos levam para lugares onde queremos ficar...
E as pessoas? Essas entram nas nossas vidas e conduzem-nos a pequenos abismos e a grandes euforias.
Assim se vive mais um pedaço de vida sentida.

quarta-feira, maio 09, 2007

O que aconteceu

Presa num lençol abandonado, analiso os devaneios dos últimos momentos.
Emprestei aos meus sentidos um véu de cores, sabores e toques que me enlouqueceram. Só posso analisar o que aconteceu desta forma.
A cor desse olhar deteve-se no meu, apagado, desvanecido, deslavado, amarelado e traçou um caminho de pétalas esvoaçantes, perdidas ao vento, neuróticas, tresloucadas de tons quentes e mornos que enlevaram as minhas pupilas sedentas de horizonte e arco-íris.
O travo dessa boca agridoce tropeçou no rumor de sabor que saiu de mim, desgovernado, provocante e encantador, para deliciar momentos perdidos e tentadores.
O toque urgente dessa mão superou o receio inicial e entregou-se ao veludo perplexo do aconchego interior, que inaugurou o momento sublime do encontro alucinado.
Alucinação e loucura. Foi o que foi. Porque não te mexeste, não me olhaste, não me sorriste, não me tocaste. A mim é que me pareceu que sim. Para mim tudo foi real, porque padeço, enfim, de uma doença tremenda, avassaladora e, para o sujeito que a carrega, inaceitável e jamais reconhecida: a loucura.
Claro, só posso estar louca, só posso ter estado demente por longos momentos, pois nada restou de ti que prove ao meu espírito lúcido que foste real. Não sei como cristalizei na fugacidade do instante as sensações que me invadiram a aridez da alma e dos sentidos. Parece-me, agora, que isso só aconteceu porque ensandeci involuntária e temporariamente.
De regresso ao mundo insólito e objectivo, pude perceber que nunca exististe senão na minha mente cansada e deprimente.
Porque a loucura pode ser um paliativo e um escape à vida sedimentada em regras e imposições, constrangimentos e cadeados.
Dizem-me que libertar-me dessas regras, isso sim, seria uma verdadeira loucura. Porém, eu imagino que viver com elas a aprisionar-nos a alma é que nos tornará patetas acomodados e estéreis a fingirmo-nos de felizes, resignados com a ordem das coisas e com a mediocridade da lucidez.

sexta-feira, maio 04, 2007

A vida continua...

Virar a página... acabo de ler uma frase que diz "Eu vou envelhecer, mas nunca perderei o gosto pela vida porque a última curva da estrada será a melhor."
É com este objectivo que viro a página, acabo o livro, fecho esta porta de um resto de vida que acredito ser apenas um episódio com momentos dolorosos. A estrada da felicidade está mesmo diante de mim e é por aí que seguirei. Quanto ao que passou apenas posso dizer, citando uma vez mais, "não sei por onde vou, só sei que não vou por aí".

quarta-feira, março 21, 2007

A caminho da Páscoa


Este tempo da Quaresma deixa-me sempre a pensar sobre o significado do sofrimento, da cruz e finalmente sobre a salvação.
Sei que só conseguimos mudar de um estado para outro após um, por vezes longo, sofrimento. Sofrendo, cresce-se mas desde sempre que procuro crescer evitando o sofrimento. Não tenho conseguido. Espero apenas estar a passar por várias etapas de purificação do ser e conseguir ser FELIZ.
A cruz que cada um carrega nunca é maior do que o que conseguimos aguentar…
Não mudamos de direcção enquanto não o desejamos a sério…
Sofrer para crescer…

Também medito sobre as formas de AMOR… Maria, a mãe de Jesus, deve ter sofrido imenso ao longo de vida de Jesus na terra e nos últimos dias mais ainda… Como será amar dessa forma? Eu não sou capaz… amar em silêncio, tudo aceitar e perdoar…

sábado, março 17, 2007

Acontece... o sol!



Esta intensa luz de Março surpreende-me sempre... Quando me parece já que o obscuro cinzento do inverno não termina jamais, surge do alto da autoridade da terra a luz morna de Março para acalentar a alma e enaltecer os sentidos... E a fértil vida que em nós parecia estar adormecida desperta e ergue-se como que a querer sorrir por entre as sombras, como que a exaltar-nos para seguir o rumo dos pássaros, como que a querer mostrar que é preciso renascer a cada instante... Renascer, deixar que o doce aroma da primavera nos encante e leve até novas paisagens, mais luxuriantes, mais promissoras...

quinta-feira, março 08, 2007

8 de Março...

O que tem este dia de especial? Para mim nada, não fossem alguns homens queridos e generosos me darem os parabéns (que eu, com um sorriso, agradeço, ficando sempre com a estranha sensação de que não fiz nada para o merecer!) e este dia seria igual a tantos outros dias de Março, em que já estou cansada do Inverno gelado e chuvoso e o meu corpo e espírito anseiam a chegada da gloriosa Primavera...
Mas há uma razão para eu, mulher banalísima desta sociedade patriarcal, receber os parabéns dos meus adorados homens amigos e conhecidos! É que hoje é o Dia Internacional da Mulher! E, assim, todos os anos se repetem as mesmas informações e colocam-se as mesmas questões nos meios de comunicação social e no círculo de amigos. A mim, assalta-me sempre a insofismável e insondável pergunta: porquê um dia especial dedicado à mulher? Penso que a resposta é óbvia. Não somos uma minoria desprotegida, pelo contrário, estamos em número muito superior ao homem. Porém, a questão tem, obviamente, a ver com as desigualdades e injustiças sociais. As estatísticas estão feitas: o desemprego afecta mais as mulheres do que os homens; para tarefas iguais, as mulheres recebem salários inferiores; as empresas preferem homens, quando recrutam trabalhadores; no percurso profissional a mulher tem que provar até à exaustão a sua competência para ser levada a sério na carreira e acrescente-se ("last but not least") o espírito machista prevalecente na nossa sociedade de homens que ainda entendem ser dever exclusivo da mulher tratar da casa e dos filhos.
Assim , não precisamos de visitar ou receber reportagens escandalosas dos países muçulmanos, onde as mulheres são obrigadas a usar véu ou burka e não podem pedir o divórcio dos seus maridos (mesmo quando eles as maltratam ou têm amantes), para percebermos que o Dia Internacional da Mulher será ainda comemorado durante várias gerações... É que perante a lei temos direitos e deveres iguais, mas perante as mentalidades homens e mulheres são seres infinitamente diferentes...

domingo, fevereiro 11, 2007

E assim acontece... Ganhou o SIM...

Chegamos à civilização... Tardiamente, já no século 21 é certo, mas chegamos finalmente! Em Portugal é assim... Só aderimos a ideias que são avançadas 20 ou 30 anos depois... Já estamos habituados. Posso dizer agora ao meu filho que vive finalmente num país moderno, civilizado, onde os direitos humanos são respeitados, onde a vida está em primeiro lugar... É que o SIM à despenalização do aborto até às 10 semanas ganhou. Será que tenho que rejubilar?
Perdoem, mas não consigo... Não consigo aplaudir as mulheres que usam o aborto como método contraceptivo (conheço casos de mulheres que abortaram várias vezes porque "não podem tomar a pílula" e o marido não gosta de usar preservativo) e sem pesos na consciência, nem as mães de algumas adolescentes que namoram e dizem "A minha filha não toma pastilhas... isso faz mal e é pecado" e depois as levam pela mão a clínicas em Espanha ou a uma enfermeira conhecida para fazer o "desmancho", não consigo aplaudir um governo que não tem dinheiro para a saúde, nem para apoiar mães pobres com vários filhos, ou mães solteiras com dificuldades ou para apoiar a maternidade e vai ter vários milhões de euros para assistir a abortos em hospitais públicos. Toda a gente sabe que as pílulas são gratuitas nos centros de saúde, que existe o preservativo e a pílula do dia seguinte... Porém, continua-se a falar em falta de informação... Mais informação do que a que há hoje em dia?
Viva a civilização! Agora vai ser permitido matar um ser humano até às 10 semanas sem ser preciso um motivo muito forte, basta ser "por vontade da mulher"... E a vontade do homem? E os direitos do bebé? A vontade da mulher é mais valiosa do que o direito de viver? Parece que sim. "Diz que isto é uma espécie de civilização evoluída"...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Espírito de Natal

Em cada ano que termina, surge no coração de muitos a vontade de ser diferente, de cortar com o passado, de desafiar as desilusões da existência, de procurar um novo rumo... "Ano novo, vida nova..." Coragem para mudar... O espírito de Natal, a procura de paz, o desejo de harmonia, de viver com o coração cheio, de descarregar a dor e olhar em frente, surgem nesta época com uma força maior... Porque é bom o calor daqueles que nos amam incondicionalmente, a afeição de tantos seres humanos que retribuem num olhar sorridente o olhar gratuito que lhes dedicamos.... O espírito de Natal surge de forma imprevisível, quantas vezes sem notarmos! Surge como uma mão que pega em nós e nos carrega com doçura, elevando-nos do nosso mundo medíocre e fazendo-nos chegar ao país dos anjos... E é nesse lugar que encontramos os nossos amigos verdadeiros, a nossa família, os nossos amores eternos... FELIZ NATAL para todos!...