terça-feira, março 31, 2009

Meme "Muito Mais de você" , Mimi

Eu como tenho um blog (LOL) não resisti ao desafio !!!
Aqui vai:

Quando e porquê resolveu criar o blog?
Já estava criadinho, com dentes e sem fraldas :o)

Depois de o blog ter entrado no ar, o que lhe dá mais satisfação nele?
Depois de ter entrado para o Acontece, dá-me satisfação escrever e ler o que de bom tem sido aqui publicado.

Quais os assuntos que mais gosta de postar?
Qualquer um, na maioria são um reflexo do meu estado de espírito.

Porque deu este nome ao seu blog?
O mocinho para além de criado, também já estava baptizado! :o)

Já teve algum problema com comentários?
Não senhora :o)

Algum blogueiro(a) que admire?
Gosto do Dualidades … esta parte vocês já sabem que fui coagida … :o) Adorava ver Volta a Vida em 80 Mundos que acabou entretanto e para além do Acontece gosto bastante do Na Minha Concha.


Nome: Mimi
Onde mora: Odivelas
Comprometida: Sim
Um mês: Março
Um ano: 2002
Uma estação: Verão
Uma flor: Rosa Vermelha
Uma matéria: água… na falta de vinho! :o))
Um passatempo: brincar com o meu filho
Um desporto: Shopping! (não resisti :o)))
Um herói: Já não há heróis :o)
Um filme: Os condenados de Shawsang
Uma musica: Mais do que uma!
Um programa: Qualquer um que me consiga entreter, o que não é fácil ! :o))
Uma mania: lamber os lábios
Uma profissão: Medicina
Uma coisa importante: independência~
Um sonho: Ir à Polinésia Francesa
Um amor: o meu filho
Uma paixão: Viajar ;o)
Um desejo: Saúde
Adoro: Praia
Odeio: Leite
Amigos: Com quem sei que posso sempre contar
Um lugar: Qualquer um desde que bem acompanhada
Uma cidade: Lisboa
Uma peça de roupa: Calças de Ganga
Um defeito: Ferver em pouca água
Uma virtude: Ser Verdadeira
Um doce: Pasteis de nata!
Uma frase: “O cão ladra e a caravana passa”


(Tomei a liberdade de postar o Meme da Mimi!
Estava escondido nos comentários! :)
Agora só falta a Cláudia fazer o dela!)

Meme "Muito Mais de você", Filipa

A Mariana de Melodias do Coração desafiou-me para este Meme que tem como objectivo dar-nos a conhecer melhor ;) Beijinho para ti, Princesa!
Aqui vai:

A entrevista..

. Quando e porquê resolveu criar o blog?
Criei este blog em parceria com a Cláudia em Outubro de 2006. Em Abril de 2008 juntou-se a nós a Mimi e o blog ficou mais rico! Escrever neste lugar é resultado de uma vontade de partilhar o que pensamos e sentimos.

. Depois de o blog ter entrado no ar, o que lhe dá mais satisfação nele?
O que muito aprecio são os comentários dos visitantes. Alguns lêem em silêncio, outros comentam e deixam pensamentos enriquecedores. Mas o que mais gosto é, sem dúvida, deixar sair através das palavras aquilo que ficaria preso em mim, sem voz, sem catarse!

. Quais os assuntos que mais gosta de postar?
Gosto de escrever sobre aquilo que a Marianinha chama de "melodias do coração"!

. Porque deu este nome ao seu blog?
A escolha do nome partiu da Cláudia. E eu concordei. Aqui acontece muito mais do que o que vemos e lemos! Aqui lava-se a alma de vez em quando, ri-se, chora-se, relembra-se, recorda-se, sonha-se!

. Já teve algum problema com comentários?
Não, nunca tive problemas com comentários. Mesmo os anónimos são simpáticos!

. Algum blogueiro(a) que admire?
Por razões profissionais, admiro Paulo Guinote e Ramiro Marques. Por razões do coração, admiro a Mariana que me deixa sempre com um sorriso nos lábios quando a leio e com a sensação de que o mundo ainda irá ouvir falar muito dela no futuro!.... Gosto do blog Dualidades pela sua actualidade e espírito crítico e a Senda pela densidade do seu pensamento. Por fim, admiro as minhas amigas e colaboradoras deste espaço: Cláudia e Mimi por razões óbvias: pelas nossas afinidades e pela amizade profunda que nos une!


Perguntas sobre a autora:
Nome: Filipa Pinto
Onde mora: Lousada
Comprometida: Só com a vida!
Um mês: Janeiro
Um ano: 1997
Uma estação: Verão
Uma flor: tulipa
Uma matéria: água
Um passatempo: ler
Um desporto: Dança
Um herói: a minha Mãe
Um filme: A pontes de Madison County
Uma musica: todas! (I like music more than food!)
Um programa: filmes
Uma mania: mexer no cabelo
Uma profissão: professora (foi uma vocação, agora é mais desencanto)
Uma coisa importante: O Sol
Um sonho: ter uma casa à beira mar
Um amor: o meu filho
Uma paixão: Viajar
Um desejo: ver o meu filho crescer feliz
Adoro: praia
Odeio: acordar cedo
Amigos: todos os que me fazem sorrir (eles sabem!)
Um lugar: a minha casa
Uma cidade: Porto
Uma peça de roupa: calças de ganga
Um defeito: impaciência
Uma virtude: generosidade
Um doce: nao aprecio!
Uma frase: Põe quanto és no mínimo que fazes... (Fernando Pessoa)

Passo o meme aos blogs:
- Aqueles que o desejarem realizar!

sexta-feira, março 27, 2009

Renovar...

Imagem de Juliana Duclós

-Mãe, estou a ficar velha... Doem-me os ossos desta mão...

-Deixa lá, filha, quando chegares à minha idade renovas!

É sempre assim. As suas respostas imediatas carregam o optimismo espontâneo que nasceu consigo! As madeixas brancas misturam-se com os cabelos negros de outrora e solta-se da sua boca a sabedoria natural de quem já sabe muito, mas continua a aprender sem receios nem pudores.

-Mãe, perdi o concurso. Enviei dois trabalhos, mas não ganhei nada...

-Deixa lá, filha, ganhaste experiência!

Por vezes escandaliza-se levemente. Outras vezes diz que nada a surpreende, mas as rugas que traz no rosto só me fazem lembrar que tenho à minha frente uma alma renovada, forte, lutadora. E o meu coração sorri...

-Porque estás a rir?

-Estou-me a rir do que disse... Aquilo de renovar!... Quem me dera ficar assim renovada daqui por muitos anos! Tanta gente que precisava de se renovar por dentro e só se lembram de renovar por fora...

"Experiência não é o que aconteceu com você; mas o que você fez com o que lhe aconteceu" ( Aldous Huxley )


quarta-feira, março 25, 2009

Perguntas de criança

- Mãe, onde está a tua cabeça?
- Aqui, filho. Deitada na almofada!
Quando um ser tão pequenino me apanha desta maneira... não consigo dizer muito.
Era mesmo verdade. A minha cabeça estava ali deitada, ao lado dele, na almofada. No entanto o meu pensamento estava muito longe. Passava em revista muita coisa: o dia que estava agora a terminar chegava com muito ruido para mim. Tantas coisas que eu não entendia. E enquanto esperava que o meu pequenino adormecesse e ficasse no sono dos anjos fui surpreendida pela pergunta. Parecia mesmo que ele sabia onde andava a minha cabeça e aquela interrupção foi como um alerta a dizer-me: - Deixa isso tudo ai e fica aqui mais pertinho ainda de mim!

domingo, março 22, 2009

Antes as mulheres*


Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim. Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixa treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão leva à escravatura vil. Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.


* Crónica de Miguel Esteves Cardoso, Público, 08/03/09

Chegou-me por mail e não resisti a publicar por aqui!

Dito isto, desta maneira, por um homem que considero muito inteligente, só posso dizer que concordo totalmente! ;)

sábado, março 21, 2009

Primavera

Recados para Orkut

RecadosOnline - Confira mais figuras para Primavera


Nunca me ocorre celebrar o Inverno...
Porém, quando o sol atinge a linha do Equador, por esta altura, o meu espírito sente-se desprender das nuvens e saltar para um raio de sol presente nos vossos sorrisos, em cada dia de Primavera!

Muitos sorrisos coloridos e dias luminosos!... Hoje e sempre!

Bom fim de semana!

quinta-feira, março 19, 2009

Pai

Lembro muitas vezes o amor que a minha mãe sempre demonstrou nas palavras quando falava do seu pai... Perdeu-o aos sete anos. Diz que foi, talvez, o único amor verdadeiro e intenso que recebeu em criança. Recorda os dias em que se sentava ao seu colo a comer a sopa, em que passeava com ele pelas ruas da aldeia nas noites quentes de Verão...

Ninguém escolhe um Pai. Deixamos essa tarefa entregue à nossa mãe! O Pai é imperfeito. O Pai é humano. Mas é importante ter um Pai e saber onde ele está. Perdoar faz parte de ser filho. Não esquecer os defeitos também se perdoa ao filho! Reconhecer as qualidades é libertador e aproxima os corações.


O meu Pai não é perfeito e falhou em muitas coisas essenciais. Mas lembro-me que ele brincava comigo, lembro-me de esperar que chegasse, sentada no cimo das escadas ao fim do dia e gritar "O pai vem aí!" e atirar-me para os seus braços (a medo), do cimo das escadas e ele dizia "Atira-te" e eu atirava-me, porque confiava na sua força, porque a seguir ele fazia-me dar uma cambalhota e segurava-me de novo e eu tinha a minha brincadeira ganha. Às vezes dizia "Tenho uma coisa. Procura!". E os meus olhos brilhavam, porque não tínhamos nada, ou tínhamos muito pouco e eu procurava nos bolsos dele, no casaco, nas calças e lá encontrava uns rebuçados, uma guloseima, um brinquedo que ele tinha encontrado e que nos trazia...


O resto... A vida acontece e só em adultos procuramos entender e perdoar...


PARABÉNS A TODOS OS PAIS que veneram no seu coração esta sublime missão encantada de amar um filho mais do que a eles próprios!... São Pais verdadeiros, Pais eternos... São Pais assim que fazem falta!...



domingo, março 08, 2009

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Apenas 30% dos lugares de topo na Europa são ocupados por mulheres. Ainda assim, as mulheres europeias vivem num mundo, teoricamente, igualitário... No mundo árabe a situação das mulheres é bem diferente... Pergunto-me sempre neste dia: ainda há necessidade de haver um dia internacional da mulher? No mundo actual?...

Parece que sim e também é preciso não esquecer que a discriminação existe bem perto de nós, através da violência doméstica, da desigualdade nas oportunidades, nos preconceitos entranhados numa sociedade patriarcal e ultrapassada.


Um beijo especial para todas as mulheres!...



Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.


No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.


Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.


Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.


Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.


Eugénio de Andrade

sexta-feira, março 06, 2009

vou contar uma história...

de um rapaz e de uma rapariga
ele dava-lhe o mundo
ela as estrelas e o brilho do sol

o mundo é uma ideia

as estrelas estão no firmamento
e o sol esconde-se para poder brilhar onde o querem receber

as ideias estão em nós e não passam disso enquanto não as concretizamos

as estrelas brilham mesmo que não queiramos
o sol brilha sempre mesmo quando não vemos

as ideias podemos esquecê-las

as estrelas estão sempre acima de qualquer acontecimento
o sol aquece mesmo quando não sentimos

mundo? que mundo é este? procuramos definir

estrelinha... és a minha estrelinha
estou aqui agora e agarras a minha mão
dizes-me para te deixar ir
és livre, esqueceste?
livre de tudo e livre de mim também

não fica ninguém preso numa estrela
nem no brilho do sol que atravessa todos os sólidos

vai. não sabes nada de estrelas nem do brilho do sol que vês de vez enquando

...mas ambos se esqueceram que isso não é de ninguem
e é de todos

e o que não é nosso não permanece no aqui e agora
e o longe a distância são infinitamente longe
para nós.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Looking for...

um amor que dança harmoniosamente com o meu corpo
que enebria os meus sentidos
e desperta o que há de mais suave e belo em todo o meu ser
como uma melodia que não me canso de ouvir
a sussurar nos meus ouvidos
e entra pelo meu ser sem ferir nenhum dos sentidos
e me enrola nos seus fortes abraços
e se mistura com a minha pele
e me apresenta novos sentidos para a felicidade
novos sentidos de prazer
junta a beleza do silêncio da noite e a cor de um dia radioso de sol
nesse lugar sem receio de deixar ficar tudo o que sinto
sem reservas pois nada será descuidado
esse sentimento sem lugar onde se guardar
arrepio todo o sentir
esqueço tudo o resto


sábado, fevereiro 21, 2009

Como Peter-Pan!

Por breves momentos, mas mais frequentemente do que (se calhar) desejável, dou comigo a pensar se não seria possível parar o tempo, de tal forma que continuaríamos o percurso da vida, mas não envelheceríamos. Não nos tornaríamos imortais, isso seria terrível. Mas manteríamos a juventude até à morte e não murcharíamos como a bela flor…
Penso nisso e sorrio… É que, por estranho que pareça, não sinto que o tempo passa por mim, que o tempo me envelhece, que o tempo me retira forças ou faz fazer coisas que antes não faria apenas por ser mais velha. Pelo contrário. Sinto, antes, que dentro de mim há uma alegria e uma energia maiores do que quando tinha 15 anos. Parece-me que a vida vai passando esquecendo-se de me avisar que os anos contam, que as rugas vão chegando (já chegaram?), que a maturidade pesa e a responsabilidade também, que as mini-saias são só para as adolescentes, que as calças de ganga e as sapatilhas também (gostava de as usar mais vezes do que as que uso!), que os ganchos no cabelo são para as menininhas e que rir, rir muito, com vontade e muitas vezes é sinal de pouco siso.
A minha sorte é que conheço pessoas parecidas comigo e, assim, não me sinto uma excluída! Não muitas (infelizmente), pois se fossem mais, o mundo seria bem mais colorido. Mas conheço alguns adultos que também têm esta síndrome de Peter-Pan! Tenho um amigo a quem, por vezes, gosto de chamar esse nome! Sendo ele tão especial, acarinhou logo a designação (ou título!)! Traz nos olhos a luz da eterna juventude e no coração a alegria de uma criança! Para mim é uma inspiração e faz-me querer continuar a ser pequenina!... Sempre assim - criança por dentro para que por fora a vida se veja num olhar límpido e cintilante…

(Beijinhos Peter-Pan!)

("Toda a criança que nasce é Artista. Difícil é permanecer Artista depois de crescer." Picasso)

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Raio de sol!



Embala-me o sol que me revisita todas as manhãs… Sorrio para dentro, porque de dentro me vem a lembrança do teu sorriso, sempre espontâneo a brincar nos lábios, num simples reflexo, quase involuntário, que não consegues evitar. Sorrio para fora agora, porque me ocorre a tua paz nas palavras, a caminho de um qualquer pensamento, em direcção a uma qualquer ideia quase sempre solta e encadeada em mim, uma ideia que parte de ti e vem ao meu encontro num abraço. Sem esforço, sem qualquer esforço fazes chegar a mim as mais belas palavras que já ouvi… Sabes porque é que és assim? Sabes porque é que a tua voz está em mim como o som do mar, como o som do vento na folhagem, tão natural em mim como o sol, como este raio de sol que me aquece as mãos e me faz sentir viva, que me ilumina os cabelos soltos e me rejuvenesce? Sabes porque é que é natural lembrar-te e compreender que o sol e a lua juntos, afinal, é algo tão natural?...
Os lugares, por vezes, estão separados. Os minutos, quase sempre, estão em relógios diferentes. Mas lembrar-te traz a mim a certeza de que o sol me embalará todas as manhãs, mesmo em manhãs não tão belas como esta, mesmo se menos encantadas e perfumadas que esta… Estás em mim, porque, afinal, és um raio de sol no mundo e na minha paz... E não consegues evitá-lo!...


quarta-feira, fevereiro 18, 2009

A Avaliação


Vocês sabem que eu não perco uma única oportunidade para vos contar algumas das conservas do meu garoto.
Aqui vos deixo uma conversa tida ao fim do dia no trajecto escola/casa, que eu achei no mínimo hilariante.

Gonçalo: Sabes mãe hoje fui avaliado!
Mimi: Ai foste? Avaliado a quê?
Gonçalo: A musica
Mimi: E como correu?
Gonçalo: Tive de cantar uma canção, queres ouvir?
Mimi - Sim, claro !
(Gonçalo canta a canção)... e quando acaba
Mimi: Que linda canção, cantas mesmo muito bem!
Gonçalo: Pois cantei ...
Mimi: E então, o que disse a professora?
Gonçalo: E então?? E então que foi uma brutalidade!
Mimi: Uma brutalidade?!?!
Gonçalo: Sim! Levantei-me, cantei, os meninos bateram palmas, a professora escreveu e eu fui sentar-me!

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Valentim


Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
(Khali Gibran)

domingo, fevereiro 08, 2009

Tangerinas

Em criança tive o privilégio de ter uma ama. Não fui para o jardim-de-infância, não tive uma educadora, não fiz actividades extra-curriculares. Não soube o que era brincar com plasticina ou pintar em guache, não tive lições de música, nem de natação. Muito menos de Inglês! Fui uma privilegiada! Corria pelo quintal da Sr.ª Linda, a minha ama de todas as horas, enquanto a minha mãe trabalhava, durante a semana e aos fins-de-semana. Brincava livremente na terra, com as plantas, com as flores, com as pedras, com os outros miúdos. Às vezes enfastiava-me, não ter nada para fazer, outras vezes sentia saudades da minha mãe, sobretudo ao domingo, se ela trabalhava e eu não podia estar em casa. Não eram saudades de brincar com ela, pois ela não brincava comigo. Não tinha tempo… Eram saudades da sua presença, do seu calor ali perto, da sua comida.
A casa da Sr.ª Linda era velha. Tinha o rés-do-chão e o primeiro andar. No rés-do-chão havia a sala de costura e as arrumações de tralha antiga, o local para as batatas, as cebolas, o vinho, as enxadas, as pás e outros utensílios para trabalhar a terra. Eu não ía muito para esses lados, atrás da casa. Cheirava a animais, a cães e a mosto. Porém, havia um terraço na frente da casa, com chão em lousa que aquecia no Verão ou nos dias curtos de sol de Inverno. Sentava-me no chão de lousa quente e sentia-me melhor… De tarde, lanchávamos na cozinha, cevada e pão com manteiga. Às quatro da tarde a Sra. Linda acendia a lareira na cozinha e punha a água a aquecer. A grande panela da sopa também já lá estava. Tudo era feito com tempo, sem correrias, sem pressas, sem horários apertados e asfixiantes. No tempo das tangerinas, a árvore em frente à casa, carregadinha, deixava cair algumas ao chão e eu, sentada no chão de lousa, descascava-as calmamente e comia as que me apeteciam.
Veio-me à memória tudo isto, porque na vila onde vivo agora, há um mercado municipal, o único sítio onde encontro dessas tangerinas… Não são clementinas artificiais, de casca fina, avermelhada, sem pevides e sem sabor. As tangerinas que a Dª Lurdes vende no mercado são tangerinas com sementes, de casca levemente alaranjada, que se solta facilmente dos gomos, cujo sabor a tangerina pura me remete sempre para a infância, para a casa da Sr.ª Linda e para o chão em lousa quente, numa tarde de sol de Inverno…

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Declaração de amor

"Unidos por algo que não é deste mundo..."


Nem de propósito, na sequência do post anterior... Hoje recebi a mais bela declaração de amor!

“Vês, consigo soltar a minha mão da tua”, disse, tirando a (ainda) pequena mãozita de 12 anos da minha.
“Mas cá dentro não consigo soltar-me de ti! É como se isso fosse impossível. Quando te zangas comigo fico fraco. Enfraqueço como um menino Africano que está um ano sem comer. A única coisa que me interessa é se tu gostas do que eu faço, se gostas do que eu digo, se gostas da minha vida… Os outros não me interessam. Não estou interessado em agradar às outras pessoas. Desde que a minha mãe goste do que eu sou, isso basta-me! Se tu te ris para mim, tudo está bem! Só isso importa!”

Muitos filhos podem sentir tudo isto, mas talvez poucos consigam pôr em palavras toda esta intensidade!...
(Este cordão umbilical adivinha-se muito difícil de romper!...)

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Mãe Desnecessária


O dia 20 de Setembro de 2002, representa um marco na minha vida.
Ser mãe ensinou-me muita coisa.
Posso afirmar hoje, ao fim de 6 anos, que esta experiência no mínimo gratificante, me mudou. Os meus sentimentos não são hoje, com toda a certeza, os mesmos que possuía antes do nascimento do Gonçalo. Transformei-me num ser melhor, mais sensível, mais paciente e descobri com a maternidade uma característica que desconhecia existir em mim: a capacidade de abdicar.
A minha vida passou a ser regida em função dele e do seu bem-estar.
O sentimento por um filho é imensurável, cresce todos os dias e a todas as horas do dia!
Este amor exponencial, traz muitas vezes dúvidas e dificuldades em estabelecer limites e fronteiras que devemos impor.
Educar não é de todo uma tarefa fácil, e por mais voltas que se dê não se encontra, em lado algum, a tal receita milagrosa, que todos gostaríamos de aplicar em determinadas situações.
Encontrei este artigo, muito interessante.
Reli-o várias vezes, porque me enquadro naquelas mães galinhas, capoeira diria mesmo! Uma daquelas mães que com o passar do tempo terá de aprender a tornar-se uma mãe desnecessária …


“A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou de uma forma estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria debaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos.Uma batalha interna hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todos temos dentro de e nós lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.Antes que alguma mãe apressada venha acusar-me de desamor, preciso explicar o que isso significa. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência dos filhos, como uma droga ao ponto de eles não conseguirem ser autónomos, confiantes e independentes.
Prontos para traçar o seu rumo, fazer as suas escolhas, superar as suas frustrações e cometer os seus próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda e um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e este vínculo não para de se transformar ao longo da vida.Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a sua própria família e recomeçam este ciclo.
O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucessoou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Pai e Mãe solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “ desnecessários”, transformamo-nos num porto seguro para quando eles decidirem atracar.”
(Autor Desconhecido)

domingo, janeiro 25, 2009

Registo


Ela estava só naquela noite escura. Escura e quente, abafada, trôpega, deserta. A noite sem as estrelas que costumava ver da sua varanda, sempre que o ar lhe faltava e procurava a magia da rua deserta à noite, na noite de insónia que a avassalava e encolhia por dentro, ultimamente.
Regressara a casa há dez minutos. Vazia. As mãos dele tinham estado nela sofregamente, sem perguntas, sem respostas, sem questões, sem amor. Nela havia a certeza de que nada lhe havia sido retirado, nada lhe havia sido dado também. Nada. E era bom. Sentia-se bem assim. Nada a prendia, nada a consumia, nada lhe dava vida, nada a matava. Olhou para ele e sentiu o prazer que lhe dava aquele vazio. Olhou o seu rosto brando, os olhos parados nos dela, o sorriso cálido e sem nexo. Sorriu também para ele. Nada lhe disse. Mas sentiu-se feliz. Gosto de ti, gosto muito de ti. Disse ela, por fim. E ele sorriu também. Não percebeu porque ela dissera tal coisa. Nem porque lhe passara a mão no rosto enquanto lho disse, percorrendo com o dedo indicador os seus lábios, os seus olhos, as suas pálpebras, o seu queixo. Demorou-se no pescoço dele, desceu até ao peito e deteve-se. Quis ver o olhar dele, mas ele tinha os olhos fechados. Os lábios quietos. Não quis continuar. Pousou a mão na mão dele. Vou-te levar. A voz dela despertou-o da viagem afectiva que iniciara momentaneamente. Os olhos dele abriram-se. Cruzou os dedos nos dela. A outra mão abriu a janela do carro. Como queiras. Disse ele, sem a olhar. O cheiro a maresia entrou pela janela aberta e era frio o ar que entrava. Tens de ir, não é? Sim, ela tinha de ir. Para a sua casa vazia. Para o seu corpo lavado. No ar respirava-se o cheiro deles, do seu prazer recente, do seu calor desenfreado, do suor que retinham nas palavras gemidas sem nexo, com fúria, desprevenidas, destravadas.
Chegou a casa cansada. Estranha sensação de alívio. Chegava sozinha e despenteada. Sem fome, sem sede, sem vontade de nada. Pousou as chaves na mesa da entrada e dirigiu-se à varanda. Não acendeu a luz. Sorriu para o espelho reduzido, obscuro da sua sala na penumbra, brevemente iluminada pelos reclames da rua, pelos postes de luz pública. Seguiu até à varanda porque o ar lhe faltava. Porque o ar era pequeno dentro dos seus pulmões e sentia-se desmaiar. Procurava a noite que entrava pelo seu pequeno apartamento, no meio, bem no centro da cidade anónima. Procurava a pequena réstia de luz que sentia que estava na rua em frente. Olhou o casario que se erguia na escuridão, ao longe, na encosta junto ao rio e pensou que era feliz naquele momento. Pensou que nada lhe faltava, apenas um pouco de ar, naquela noite opressivamente quente. Não entendia porque lhe parecia que o ar era pouco, então. Porque era escasso o espaço que ficava no seu peito para respirar, mas era tão vasto à sua volta. Há breves momentos atrás, havia estado deitada no peito dele, quieta, sem lhe faltar nada. Sem ruído, sentira o seu coração bater em compasso com o dele. Gosto de ti, gosto muito de ti. Dissera de uma vez, olhando a boca dele perplexa. Porque lho dissera? Perguntou-se várias vezes depois, nos minutos, nas horas, nos dias que se seguiram… Nada davam um ao outro. Apenas o prazer da entrega oferecida num momento único. Apenas isso. Nada mais havia a esperar desses segundos, minutos, horas de prazer intenso e egoísta, intenso e altruísta. Tão seu, tão dele, tão de ninguém.
Filipa
3 de Janeiro 2009

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Fiz um intervalo na correria!



Acumula-se roupa no cesto para passar a ferro. Acumulam-se tarefas por fazer na lista afixada no frigorífico. Acumulam-se cento e tal emails por ler e outros por escrever. Acumulam-se os livros em cima da secretária e respectiva lista de trabalho a fazer (preparar aulas para o Instituto, fazer mais um teste formativo para a turma D, escolher um “listening”, rever a matéria a dar na escola, elaborar fichas de recuperação, preparar uma canção para o 9º ano). Acumulam-se os livros por ler, que aguardam que lhes tire o pó, uma vez por semana, em cima da mesinha de cabeceira. Acumulam-se as ideias na minha cabeça para escrever mais uma estória, mais um conto, mais um texto que explode por dentro e lá fica… Porque não tenho tempo… Corro o dia todo de um lado para o outro, respiro com dificuldade entre cada intervalo, durmo depressa, almoço e faço qualquer coisa mais ao mesmo tempo, falo com o pequenote e tento enganá-lo fazendo outra coisa urgente que requer a minha atenção. E nunca o consigo enganar! Nunca me ouves. Não prestas atenção. Não se pode falar contigo…Olha para mim. Estás a ouvir? Ouviste?
Ouvi. Às vezes ouço. Outras vezes… E fico a olhá-lo a caminho da escola. Pequeno. Lindo! Inseguro. Mochila enorme às costas. Cai uma chuva miudinha. Não quer guarda-chuva. Carapuço enfiado na cabeça. Pequeno. Lindo! Passa por um grupo de adolescentes fumadores, que se juntam debaixo das galerias do prédio. Vai por fora das galerias, à chuva. Não gosta de passar pelo meio deles, por causa do cheiro do fumo dos cigarros. Cheira o meu cabelo, mãe. É horrível. Tive de passar por lá… Hoje contornou-os e não passou pelo meio deles. Atravessa a rua aos saltinhos. Pequenino, ao longe. Já na Escola Secundária! Espreito pela janela até não o ver mais. Suspiro e penso alto: tão lindo o meu filho!... Tenho de me sentar dez minutos para escrever!

domingo, janeiro 11, 2009

Até logo, Natércia!

09 Janeiro 2009, Restaurante O Pichel
Jantar de despedida (ou até logo apenas) da Natércia


Lá fora gelava! Mas dentro... O ambiente era acolhedor e animado! Comia-se, bebia-se, diziam-se frases sábias (como se pode ver abaixo) dançava-se a Cabritinha e outras danças eróticas e animadas e... brindava-se! O Pichel queria fechar o boteco, mas no fim até teve pena de nos deixar ir embora!... Lá voltaremos, quem sabe!...





Frases (MUITO) soltas:


"Natércia, eu não substituo ninguém. Ainda hoje precisei de ajuda e desenrasquei-me sozinha!" (Cláudia)

"E eu que não ouvi o pedido de ajuda... porque prestável como eu sou, dava-te logo uma 'mãozinha'!" (Renato)

"Falem, falem, mas quem vai desenrascar os médicos sou eu!" (Natércia)

"Renato, és muito fotogénico... Nos vídeos!" (Filipa)

"Não me dês mais bolo... Já estou no mercado dos disponíveis! Não quero ficar encalhado!" (Renato)

"Mãe, cala-te e deixa-me falar. Pára com os teus comentários de rodapé!" (Edgar)

"Temos que abrir as pernas contra a pobreza! Vocês lucram mais do que eu!" (Renato)


AGORA IMAGINEM O VÍDEO!... :)


sexta-feira, janeiro 09, 2009

Let it snow, let it snow, let it snow!

Vista da varanda de minha casa em Lousada...

Do outro lado: Escola Secundária coberta de neve!

E o dia apresentou-se branco, pela manhã e os sorrisos viam-se nos rostos daqueles por quem passava, num misto de "que lindo" e "que frio"!...

Costumo adorar a luz do sol, mas hoje adorei também a luz que caía do céu em flocos brancos, para curar a terra, para ajudar a rejuvenescer os solos, lá por altura da Primavera!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

E que tal avaliação burocrática e concurso para deputados titulares?





1. Proponho, com carácter de urgência, um sistema de avaliação burocrática, mas também formativa, para os nossos políticos.
2. Proponho a reestruturação URGENTE da carreira dos nossos deputados e políticos em que se acrescente (com quotas para Muito Bom e Excelente) o grau de Deputado Titular com base na cultura geral e desempenho efectivo de funções (com 100% de serviço cumprido), tal como se quer aplicar a outra sobejamente conhecida carreira!

(Declaração de interesse: sou professora. Tenho o direito a fazer estas propostas depois de ver o vídeo acima!)

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Não há motivo para te importunar a meio da noite - JLPeixoto





Se as palavras se perderem um dia, foi porque ficaram gastas de tanto serem lidas...
Ainda assim, a fúria de escrever persistirá!
Boas leituras!...

terça-feira, dezembro 30, 2008

Última dança


Ela dançava, abraçada a ele, num ritmo lento e cadenciado. Dançava embalada por dentro. Dançava com a alma que dançava também, com o corpo que entorpecia e dançava também, com a ternura que a embalava e ao seu coração também. Dançava de encontro ao corpo dele como se fosse essa a primeira vez a sentir o seu toque. O calor da sua pele e a música que entravam nela, assim, sem pedir licença, invadiam os seus sentidos e ela ficava suspensa no momento que parava por dentro. O momento que a segurava por dentro e a deixava respirar a custo. Ela dançava encostada ao corpo dele, quase dentro dele, como que absorvendo o seu interior, como que lhe roubando a alma num sopro, roubando o sangue que lhe corria nas veias de um trago. Encostada a ele abraçada a ele, pendurada no seu pescoço, embrulhada no seu calor, presa ao ritmo do seu coração, do coração dele e dela. O coração dos dois batia como se fosse só um, pois ela acertara o seu coração pelo coração dele, com a sofreguidão da morte, ou da vida, com a sensação de derradeiro esforço para o ter, mais uma vez. Dançava como se aquele fosse o último movimento que o seu corpo conseguia fazer, como se aquela fosse a única dança que ela conseguia dançar, que as suas pernas lhe permitiam dançar. Dançava sem sentir os movimentos dos músculos, das articulações, o correr do sangue nas veias, nos tecidos, nos órgãos. Dançava uma dança etérea. E diáfana era também a música que os envolvia, que os unia, que os juntava, assim, pela última vez.
Esperara por aquela dança com um sabor a mel amargo na boca, porque sabia que não teria mais nenhuma oportunidade de voltar a estar assim. Em breve, ele partiria. Em breve, a música desmembrar-se-ía e o que restaria seria o som oco do bater solitário do seu coração. O coração abandonado a ele, abandonado por ele. Seria esse sinal último de vida. Seria esse o último reduto de existência.
Existência. Ou vida? O que levas de mim? Existo, vivo, ou respiro apenas? O que me resta? O que fica em mim? O que fica de mim?
Esperara por aquela dança como uma sentença. Sabia que ela viria, inexorável, última, perpétua, fatal. Sem hesitar, entregou-se a ela. Sabia que seria o momento em que o laço se iria desfazer, em que a entrega não tinha mão a receber e ficaria no ar, suspensa, parada, detida no ar. Sabia que essa mão regressaria vazia a si. Para sempre vazia. Sabia que era necessário fazer o que tinha de ser feito. Sabia que esse era o momento de partir. Partir-se, cortar-se, cortar com o que a deixava sem chão.
Ele iria embora, regressaria para quem nunca devia ter deixado.
Ela sempre soube disso. Sempre reconhecera o fim inevitável de algo que nunca devia ter começado, pelo menos para si. Para ela, aquele não devia ter sido o princípio de nenhuma história. Aquele capítulo devia ter passado e avançado para um outro, ainda que solitário, que ao menos não lhe levasse a alma. Um capítulo vazio, sim, que importa, se estivesse em branco? Que importa se nada fosse escrito? Que importa que não se falasse daquela dança? O que ela desejava era não ter que deixar de escutar a música. A música que estava quase a terminar, a melodia inebriante que a traz presa a ele, rendida a ele, dependente dele, suspensa nele. Deteve-se no compasso do corpo dele e compreendeu que iria cair, que iria afundar-se nos despojos daquela última dança. Compreendeu que fatalmente ficaria adiado o momento seguinte, em que teria de respirar sozinha. Percebeu que a música terminara, que o seu corpo estava, agora, desprendido dele, de tudo o que ele representava, de tudo o que ele lhe tinha dado e retirado, de tudo o que conhecera com ele. A música terminara e estava, finalmente, livre…

Filipa
29 Dezembro 2008

domingo, dezembro 28, 2008

Ano novo, carrinha(s) nova(s)!




E assim terminamos o ano: comprando um carrito novo! Uma carrinha, afinal!

Duas, aliás! Foram duas. Uma para cada uma! Ambas da mesma cor! Preto (muito original!). Não arranjei imagens a condizer, pois ainda não fotografamos as ditas. Mas já foram regadas com champanhe! Diz o meu tio Horácio que dá sorte! Esperemos que sim! Sorte e boas viagens!...





E para animar o ambiente, o hino destes últimos tempos!

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Diário de um doutor "inginheiro"



Chegou-me por mail sem qualquer referência ao autor pelo que não lhe poderei fazer a merecida referência:


«Diário vindo do futuro, de um aluno que hoje tem 11 anos e está a viver as reformas do nosso sistema de ensino.

29 de Junho de 2009

paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pabaixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.

29 de Junho de 2010

passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12... f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo... ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é q é uma sócia sbem: a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç... a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd gente se balda...

29 de Junho de 2011

Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disse-me q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...

29 de Junho de 2013

Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...

29 de Junho de 2014

Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprendermos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceram-me de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.

29 de Junho de 2015

Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.

29 de Junho de 2016

Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...

29 de Junho de 2017

Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C. Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso. Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.

29 de Junho de 2019

Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.

29 de Junho de 2021

Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaram-se. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.

29 de Junho de 2023

Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.

29 de Outubro de 2023

Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.

29 de Agosto de 2029

O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço. A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.»
in: http://www.jumento.blogspot.com/

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Chocolate quente


Um grupo de jovens licenciados, todos bem sucedidos nas carreiras, decidiu fazer uma visita a um velho professor, agora reformado.
Durante a visita, a conversa dos jovens alongou-se em lamentos sobre o imenso stress que tinha tomado conta das suas vidas e do seu trabalho. O professor não fez qualquer comentário sobre isso e perguntou se gostariam de tomar uma chávena de chocolate quente. Todos se mostraram interessados e o professor dirigiu-se à cozinha, de onde regressou vários minutos depois com uma grande chaleira e uma grande quantidade de chávenas, todas diferentes – de fina porcelana e de rústico barro, de simples vidro e de cristal, umas com aspecto vulgar e outras caríssimas. Apenas disse aos jovens para se servirem à vontade. Quando já todos tinham uma chávena de chocolate quente na mão, disse-lhes:
– Reparem como todos procuraram escolher as chávenas mais bonitas e dispendiosas, deixando ficar as mais vulgares e baratas... Embora seja normal que cada um pretenda para si o melhor, é isso a origem dos vossos problemas e stress. A chávena por onde estais a beber não acrescenta nada à qualidade do chocolate quente. Na maioria dos casos é apenas uma chávena mais requintada e algumas nem deixam ver o que estais a beber. O que vós realmente queríeis era o chocolate quente, não a chávena; mas fostes conscientemente para as chávenas melhores...
Enquanto todos confirmavam, mais ou menos embaraçados, a observação do professor, este continuou:
– Considerai agora o seguinte: a vida é o chocolate quente; o dinheiro e a posição social são as chávenas. Estas são apenas meios de conter e servir a vida. A chávena que cada um possui não define nem altera a qualidade da vossa vida. Por vezes, ao concentrarmo-nos apenas na chávena acabamos por nem apreciar o chocolate quente que Deus nos ofereceu. As pessoas mais felizes nem sempre têm o melhor de tudo, apenas sabem aproveitar ao máximo tudo o que têm. Vivei com simplicidade. Amai generosamente. Ajudai-vos uns aos outros com empenho. Falai com gentileza…
… e apreciai o vosso chocolate quente.
(autor desconhecido)

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Carta ao Pai Natal


Querido Pai Natal,

Este ano para ser original não te vou pedir nenhum presente para mim, até porque já vasculhei os que tenho debaixo do meu pinheiro.
Tu sabes que eu não consigo resistir a um presente… Assim que os recebo, tenho de os abrir! Sou curiosa, mas sei que gostas de mim mesmo assim.
Este ano queria que enviasses um presente aqueles mais necessitados. Não é um presente fácil, eu sei, mas também sei que tu és um Pai Natal muito profissional e dedicado.
Os felizes contemplados iriam com certeza:

Não ver apenas branco, preto e cinzento mas sim todas as cores do arco-íris;
Ganhar a capacidade de rir e chorar até a exaustão;
A coragem para largar tudo para dar a volta ao mundo, em 80 dias ou mais;
Sair por detrás da cortina e dizer não o que se deve, mas o que realmente se pensa;
Descontrair, beber uns copos com os amigos até cair, dizer umas valentes bacoradas e porque não uns palavrões;
Deixar de medir as palavras e as atitudes, discutir bem alto quando é preciso, mesmo sem elegância nem delicadeza;
Passear a chuva, dormir na praia;
Cortar amarras e ser livre;
Largar o estereótipo do novo-rico, largar a roupa de marca e ir de quando em vez a feira da Ladra;
Pisar a linha da normalidade, superar limites e ganhar a dimensão de gente;

Tenho a certeza que não terás a mínima dificuldade em distribuir este presente!
Já sabes que como não tenho chaminé, e que não consegues passar pelas tubagens do ar condicionado, porque estás cheiinho, que terás de atracar as renas a porta do prédio e tocar-me a campainha.

Fico a tua espera antes do bacalhau e das batatas, para bebermos um copo ou dois e atacarmos as azevias! Se quiseres podes subir com o Rodolfo que já não o vejo há um ano.

Beijinhos

terça-feira, dezembro 16, 2008

Gentle music on a chilly day!



Fingertips, Cause to love you


Today I felt a kind of melancholic...
Today I felt like listening to a simple song that tells about simple things: Love and its possibilities!...

domingo, novembro 30, 2008

Super mulher



Habituei-me a ver-te, mãe, a sair apressada pela manhã, ainda antes das oito e a acordar-me antes de ir com um recado sempre importante para o dia. Sabia que estavas já acordada há muitas horas, pois o cheiro a comida acabada de fazer, àquela hora já me havia entrado pelas narinas, vindo da cozinha, passando o corredor gelado em direcção ao pobre quarto enegrecido pela humidade nas paredes e no tecto, onde dormíamos as duas, as duas irmãs com dois anos de diferença, aquecidas por quilos de cobertores, pesados em cima de nós, aquecidas pelo corpo uma da outra, por falta de dinheiro para aquecedores e electricidade.
Lembro que saías sempre apressada, com o almoço do pai numa marmita embrulhada em jornais e que deixavas escritos os recados num papel, em cima da mesa da cozinha, caso eu não tivesse ouvido tudo por estar ainda meio adormecida. Saías apressada para trabalhar a duas horas de distância, para apanhar por vezes três transportes até lá chegar e, depois de oito ou mais horas de trabalho, regressar pelo mesmo caminho e chegar já tarde a casa, por vezes depois das oito, para repetir tudo de novo e seres a última a deitar-te.
Pergunto agora, mãe, já adulta e mãe também, porque nunca tiveste férias. Pergunto porque nunca sentiste falta de uma viagem, de um cinema, de um concerto, de um teatro, de um vestido novo, de maquilhagem, de uma massagem, de um spa, de um creme novo, de uns sapatos a combinar com a carteira.
Pergunto, mãe, como conseguiste viver toda uma vida sem saber o que era uma noite romântica, um jantar a dois à luz das velas, sem saber o que era receber um presente (“É para ti. Comprei-o, porque pensei em ti, porque reconheço que tenho uma grande mulher ao meu lado, porque te admiro, porque sou um felizardo por te ter a meu lado.”) Pergunto, mãe, como pudeste pensar só nos outros, nos filhos, no marido, na família e te esqueceste completamente de ti.
“Só quero descansar um bocadinho. Dói-me tanto a cabeça.”
Recordo estas palavras recorrentes que entraram, também, por mim dentro como o cheiro dos teus cozinhados pela manhã, bem cedo. Habituei-me a ver-te cansada, mas nunca desanimada. Habituei-me à tua mão áspera que raramente me fazia uma festa no rosto (talvez porque também nunca o tenhas recebido em criança), mas que me aconchegava a roupa da cama antes de dormir e para mim isso era carinho, isso era segurança.
Recordo que cresci sem medo. Ainda hoje não o tenho. Sabia que tu, mãe, resolverias tudo. Arranjarias sempre solução para as rasteiras que a vida nos preparasse. Habituei-me a ver-te a cair e a não chorar, mesmo grávida, com quarenta anos, aflita por dentro por não saber se tudo estava bem… Grávida aos quarenta, porque o amor era maior, maior que a desilusão, maior que o deserto no peito, maior que a dor nos ossos que já moía a doçura do sono.
Habituei-me a ver-te, mãe, como uma super mulher…
E para todas as super mulheres como tu, não existem palavras nem canções suficientes para dizer o quanto valem…


What a lovely song!...






quarta-feira, novembro 26, 2008

Tinta, escrita, vida permanente

Sempre me incomodou a escrita das canetas de tinta permanente… são aquelas com uns bicos muito bem desenhados e cuja elegância das canetas me fazem por vezes desejar escrever com elas. Mas eu não lhes consigo dar a correcta utilização e até sou capaz de furar o papel quando me atrevo a usá-las.

Perturbam-me as pessoas que não conseguem viver de forma vincada o que sentem ou o que são, seja isso bom ou mau aos olhos do mundo. Vivo de forma Permanente, sinto de igual forma e sou assim mesmo. Mesmo que o que fique registado seja apenas com uma caneta simples e sem aparente beleza mas que cumpre em tudo o objectivo para o qual a escolhemos.

Mas porque estou a dizer isto tudo agora? Apenas porque, uma vez mais, me dou conta que muita gente gostaria de poder viver apenas como se a vida fosse assim como uma escrita de lápis: assim leve e supérflua e que uma simples borracha facilmente teria o poder de apagar os momentos.

Registo cada instante de cada rosto, cada emoção que me faz sentir viva, a cor de cada pedaço de ar que rodeia o instante… mais um instante de alegria e felicidade. Guardo-os de forma permanente no baú do meu coração.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Já agora, a letra da canção!

É, de facto, um hino à nossa força interior!


HERO, Mariah Carey

There's a hero if you look inside your heart.
You don't have to be afraid of what you are.
There's an answer if you reach into your soul
and the sorrow that you know will melt away.
And then a hero comes along
with the strength to carry on
and you cast your fears aside
and you know you can survive.
So, when you feel like hope is gone
look inside you and be strong
and you'll finally see the truth
that a hero lies in you.

It's a long road
when you face the world alone.
No one reaches out a hand for you to hold.
You can find love
if you search within yoursel
fand the emptiness you felt will disappear.

And then a hero comes along
with the strength to carry on
and you cast your fears aside
and you know you can survive.
So, when you feel like hope is gone
look inside you and be strong
and you'll finally see the truth
that a hero lies in you.

Lord knows dreams are hard to follow,
But don't let anyone tear them away.
Hold on, there will be tommorow.
In time you'll find the way.

And then a hero comes along
with the strength to carry on
and you cast your fears aside
and you know you can survive.
So, when you feel like hope is gone
look inside you and be strong
and you'll finally see the truth
that a hero lies in you.
That a hero lies in you,
that a hero lies in you.

Fundir lâmpadas


Acontece-me muitas vezes... ponho a mão e pummm... foi-se!! A lâmpada não se funde apenas, estoura mesmo! Desta vez dei comigo a rir... à gargalhada.
Eu sabia... trazia comigo ou ainda trago uma tal força que não há lâmpada que resista. Vai-se embora de vez, estoura e apaga-se para sempre.
Não sei se vos acontece o mesmo...mas quando estou assim, a não conseguir manter dentro de mim toda esta força é uma lâmpada ou um aparelho qualquer que recolhe a energia e não resiste e lá entro eu em despesas!
Penso que é o mesmo que acontece com as pessoas... não me aguentam por muito tempo: primeiro encantam-se, depois têm medo da força e depois têm que partir para um sitio mais apático, com menos energia!!
Neste caso as despesas não são materiais mas também deixam a sua marca...

HERO

http://www.youtube.com/watch?v=9KojptKmhvM

Ainda me surpreendo quando uma música antiga me recorda algo do passado... No caso ouço uma musica que relembra-me os tempos felizes que tu viveste quando ainda estavas no meio da ilusão do amor. Recordo o teu rosto e a leveza que trazias porque estavas entregue e porque, mesmo sem pensar nisso, vivias o amor da tua vida: tal qual uma princesa, tal e qual como a princesa que és!! Mas isso só se vive uma vez porque quando esse amor entra no abismo nunca mais voltamos a acreditar nem a entrega é igual outra vez.

Era o dia do teu casamento e mais tarde seria o dia de uma visita minha onde tudo ainda era real.

Como me entristece pensar que não foi possivel, o teu, ser um amor eterno com toda aquela magia! Aproveito as palavras da musica seguinte: "não deixes que este amor morra assim..." mas morreu.
Porque é que tem que ser assim?

terça-feira, novembro 11, 2008

Portas



"Se você abre uma porta,
você pode ou não
entrar em uma nova sala.
Você pode não entrar
e ficar observando a vida.
Mas se você vence a dúvida,
o temor, e entra, dá um grande passo:
nesta sala vive-se!
Mas, também, tem um preço...
São inúmeras outras portas
que você descobre.
Às vezes curte-se mil e uma.
O grande segredo
é saber quando e qual porta
deve ser aberta.
A vida não é rigorosa,
ela propicia erros e acertos.
Os erros podem ser transformados
em acertos quando com eles se aprende.
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa,
a cada sala que se vive,
descobre-se tantas outras portas.
E a vida enriquece
quem se arrisca a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos
e generosamente oferece afortunadas portas.
Mas a vida também pode ser dura e severa.
Se você não ultrapassar a porta,
terá sempre a mesma porta pela frente.
É a repetição perante a criação,
é a monotonia monocromática
perante a multiplicidade das cores,
é a estagnação da vida...
Para a vida,
as portas não são obstáculos,
mas diferentes passagens!"
(Lçami Tiba)

segunda-feira, novembro 10, 2008

Amigos dos meus amigos


Há uns tempos atrás estava num restaurante e dei por mim a observar a mesa ao lado.
Só homens compunham a dita mesa e das baboseiras ditas alto e em bom som retive uma:
“Eu cá sou amigo dos meus amigos”.
Ora aqui está um pensamento profundo, sim senhor!
É que eu cá também sou amiga dos meus amigos, o problema é quando tomamos por amigos aqueles que já há muito deixaram de o ser. Mas isso é apenas um à parte.
Na realidade o busílis da questão prende-se com o facto aqui desta mocinha não conviver lá muito bem com facto de alguns amigos dos meus amigos acharem que também são meus amigos. Parece confuso? Mas não! É que esses novos amigos prodígio sabem tudo acerca de mim e são mesmo muito a frente. Vá de opinar, de combinar programas etc. Isto a malta é toda muita fixe! Já nos conhecemos há bué, até já trocamos uns mails, já comentei o teu blog e tal, afinal somos mesmo super amigos!
Vale-me o facto de ser moça bastante condescendente e com infinita paciência ….

sexta-feira, novembro 07, 2008

Luxúria

Sei que a luxúria é um dos sete pecados mortais, mas hoje atrevia-me a:

Pegar no carro ...

Chegar a casa ...



Tomar um banho ...



Vestir uma coisinha simples ...



Jantar a dois ...


E como já dizia a outra: ”E se eu não gostar de mim, quem gostará?”

Beijinhos e Bom fim de Semana !

quarta-feira, novembro 05, 2008

Quem esta pessoa que está ao meu lado?


Li recentemente a seguinte frase: "É necessário uma dose homeopática de masoquismo para viver em sociedade e tolerar aquele estranho que temos ao lado no metro, na fila do cinema, no trabalho e na cama".
Já muitas vezes ouvi comentar que era muito dificil estar ao lado de certas pessoas - isto já para não falar de conviver - quando não somos nós que as escolhemos para ali estar... mas hoje faz-me muito mais confusão estar ao lado de pessoas que escolhi erradamente e mais ainda quando é difícil, senão mesmo impossível, afastá-las de vez do meu caminho.
Um destes dias fiz um exercício que durante muitos anos o repeti sem nunca ter pensado desta maneira: por força das circunstâncias estive numa igreja em comunidade, a rezar ao lado de tanta gente que eu não escolhi (nestes locais nunca escolhemos as pessoas que ali estão). Achei muito estranho rezar, e ainda por cima em voz alta, em unissono com aquelas pessoas. Senti que foi muito dificil pois sentia cada frase que dizia de uma forma autêntica (as plavaras entravam em mim e faziam eco no meu coração) e estava a partilhar isso com todos os presentes.
Saí dali a questionar tudo o que se faz numa oração em comunidade, o seu sentido ou a falta dele do ponto de vista de tanta gente...e não pude deixar de me questionar sobre esta homeopatia de viver em sociedade.

domingo, novembro 02, 2008

Gosto de ti!...




gosto de ti desde aqui até à lua
gosto de ti desde a lua até aqui
gosto de ti simplesmente porque gosto
e é tão bom viver assim...

André Sardet, Adivinha o quanto gosto de ti


sábado, novembro 01, 2008

Pensamentos... Ou várias formas de amor...


(autor desconhecido)


" Também de meu amor precisas para ser feliz, desse amor de impurezas, errado e torto, devasso e ardente, que te faz sofrer."

Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos



"Por vida desse amor mágico que desafiava o poder da morte, conhecíamos todo o passado habitado pela espera do nosso encontro, trocávamos recordações dos lugares onde nunca estivéramos, emoções dos corpos que já não éramos, (...)"

Álvaro Guerra, No Jardim das Paixões Extintas



"Minh'alma de sonhar-te anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver!

Não és sequer a razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!"

Florbela Espanca, Poesia Completa

quinta-feira, outubro 30, 2008

"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."


Dia 13 de Novembro estreia finalmente em Portugal o filme "Blindness" baseado na obra "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago.
Estou expectante em relação a estreia deste filme, não só pelo facto de ter lido o livro mas porque a historia narrada me sensibilizou de algum modo.
Para quem nunca leu o livro, tudo começa quando uma praga repentina de cegueira se abate sobre a população. Aos poucos, um após o outro todos acabam cegos, e excepção da mulher de um medico, que aparentemente e sem razão especial é a única que não é afectada pela doença que deixa todos cegos.
É por ela e através dos olhos dela que tudo nos é narrado.
A cegueira é encarada inicialmente como uma epidemia, algo contagioso e como tal todos os que vão cegando são colocados de quarentena em condições desumanas.
É o começo do desmoronar completo da sociedade.
Os serviços mínimos deixam de funcionar, não há saúde, não há educação, não há comida, não há agua, não há luz, não há nada, todos se encontram perdidos e desesperados na sua própria escuridão e a historia passa a ser apenas um registo de sobrevivência de multidões, onde o ser humano é reduzido a sua verdadeira essência.
O livro não é somente uma história de cegos, é sim, o retrato cruel, chocante e impiedoso, por um lado, mas também de confiança, força, luta e coragem das relações entre os homens.
"Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente"
E aqui reside a riqueza deste livro. Até onde somos capazes de ir para assegurar a nossa sobrevivência? Que valores conseguimos manter e quais perdemos de forma quase imediata? Como controlamos o nosso medo? Como vivemos sem esperança?
Concluindo, Ensaio sobre a Cegueira é um livro que eu recomendo mesmo aqueles mais cépticos em relação a forma de escrita de Saramago.

Deixo aqui alguns excertos deste livro:

"Quando o médico e o velho da venda preta entraram na camarata com a comida, não viram, não podiam ver, sete mulheres nuas, a cega das insónias estendida na cama, limpa como nunca estivera em toda a sua vida, enquanto outra mulher lavava, uma por uma, as suas companheiras, e depois a si própria."

"O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui. Então perguntou o velho da venda preta, Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira. Ninguém lhe soube responder."

"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

quarta-feira, outubro 29, 2008

A Coroa


“Havia num país distante, um rei poderoso que tinha como servo um homem bom e fiel, cuja eficiência era única em todo o reino.
Porém, o rei não podia acreditar que esse homem era perfeito.
Mil dúvidas povoavam sua mente. E se num momento muito importante a eficiência deste servo falhasse?
Diante desta dúvida o rei resolveu colocar em prova a capacidade do homem.
Chamou-o e disse: -" Servo, cansei-me desta minha coroa.
Quero uma outra, mas não em ouro e sim quero-a com pedras preciosas. As mais exóticas e brilhantes que houver. Portanto, ordeno-lhe que a confeccione para mim".
Como ele sabia que no seu reino não havia este tipo de pedras achou que pela primeira vez o seu servo lhe falharia.
Mas meses depois, o fiel empregado voltou trazendo uma coroa de beleza ímpar, com pedras espetaculares nunca antes vistas em reino algum. Mas o rei ainda não aceitando totalmente a eficiência do escravo, depois de muito pensar e meditar chamou-o novamente ordenando: ...
" Servo, agora quero que acrescente nesta linda coroa, uma frase que quando eu estiver triste me alegre, e quando eu estiver feliz, me entristeça".
O servo saiu de lá desesperado. Como faria isso?
Tudo na vida já tinha feito para provar sua fidelidade ao rei, mas agora ele pedia–lhe algo que parecia impossível.
Chegou em casa entristecido, sabendo que perderia o seu cargo e que mais do que isso perderia a confiança do rei.
Mas a esposa, consternada com a tristeza do marido depois de muito pensar teve uma grande idéia que executou.
Depois de pronta, o servo pegou a coroa e a levou ao rei que de imediato a colocou na cabeça e foi para a frente do espelho para ver o que nela estava escrito.
Espantado então viu a breve frase: VAI PASSAR! “
Autor Desconhecido
Esta é a nossa realidade, e de facto, inpendentemente do momento mais ou menos feliz pelo qual passamos no presente uma coisa é certa : Ele passará …

segunda-feira, outubro 27, 2008

Solidão

(imagem por khimaereus - internet)



TRECHO DE UMA ENTREVISTA A CHICO BUARQUE, ONDE ELE DEFINIU, “SOLIDÃO”…
“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo… Isso é carência!
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… Isso é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos… Isso é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente… Isso é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isso é circunstância!
Solidão é muito mais do que isso…
SOLIDÃO… é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma!…”
Não gosto particularmente de solidão, mas adoro estar sozinha! De ouvir o bater do meu próprio coração, sem o som da presença do outro...
Gosto do retiro voluntário que, por vezes, anseio sofregamente para me encontrar!...

sexta-feira, outubro 10, 2008

Poema


Atreve-te a julgar. Julga os outros julgando-te a ti mesmo.
A natureza das coisas é a tua natureza. Respira-te, despe-te,
faz amor com as tuas convicções, não te limites a sorrirquando não sabes mais o que dizer.
Os teus dentes estão lavados, as tuas mãos são amáveis, mas falta-tedecisão nos passos e firmeza nos gestos.
Procura-te. Tenta encontrar-te antes que te agarre avoracidade do tempo.
Faz as coisas com paixão. Uma paixão irrequieta,que não te dê descansoe te faça doer a respiração.
Aspira o ar, bebe-o com força, é teu, nem um centavo pagarás por ele.
Quanto deves é à vida, o que deves é a ti mesmo. Canta.
Canta a água e a montanha e o pescoço do rio,
e o beijo que deste e o beijo que darás, canta o trabalho doce da abelha e a paciência com que crescem as árvores,
canta cada momento que partilhas com amigos, e cada amigocomo um astro que desponta no firmamento breve do teu corpo.
E canta o amor. E canta tudo o que tiveres razão para cantar.
E o que não souberes e o que não entenderes, canta.
Não fujas da alegria. A própria dor ajuda-te a medira felicidade.
Carrega nos teus ombros os séculos passados eos séculos vindouros,muito do pó que sacodes já foi vida, talvez beleza, orgulho, pedaços de prazer.
A estrela que contemplas talvez já não exista, quem sabe, o que te ajudou a ser vida de quantas vidas precisou. Canta!
Se sentires medo, canta. Mas se em ti não couber a alegria, não pares de cantar.
Canta. Canta. Canta. Canta. Canta.
Constrói o teu amor, vive o teu amor, ama o teu amor.
De tudo o que as pessoas querem, o que mais querem é o amor.
Sem ele, nada nunca foi igual, nada é igual, nada será igual alguma vez.
Canta. Enquanto esperas, canta.
Canta quando não quiseres esperar.
Canta se não encontrares mais esperança.
E canta quando aesperança te encontrar.
Canta porque te apetece cantar e porque gostas de cantar e porque sentes que é preciso cantar.
E canta quando já não for preciso.
Canta porque és livre.
E canta se te falta a liberdade.
Joaquim Pessoa 'Vou-me Embora de Mim' da HUGIN em 2000

quinta-feira, outubro 02, 2008

Anjo da Guarda

Numa manhã acordamos e o sol nasce, como sempre, fresco num dia de Outono. Corremos de um lado para o outro, trabalhamos, esquecemos de sorrir.
Na manhã seguinte o sol já não importa, o trabalho perde valor, os compromissos tornam-se ridículos, o stress do dia a dia deixa de fazer sentido. Tudo porque o amor da nossa vida, aquele por quem respiramos, a razão porque existimos está a entrar para um bloco operatório para tratar uma infecção e remover um apêndice que, inflamado, incomoda, dói e espalha o que não deve.
Sossegam-nos o coração, dizem-nos que é uma cirurgia simples, mas o coração não entende explicações científicas. Só sabe que dói quando a impotência se apodera de nós e temos que o deixar ir, entregue nas mãos de quem sabe…
“Vai correr tudo bem… Pedi ao Anjo da Guarda para cuidar de ti…”

E ele cuidou!...