terça-feira, julho 06, 2010

O valioso tempo dos maduros




Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral. 'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!


Mário de Andrade (1893-1945)

sexta-feira, julho 02, 2010

Eu acreditava...


"Eu acreditava mesmo que o amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência sincera de desejar que o céu compreenda. Eu acreditava que se levantam tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda. Eu acreditava que o amor é o sentido de todas as palavras impossíveis."

Assim escreve José Luís Peixoto em "Uma Casa na Escuridão"

Quem não fica com vontade de ler um escritor assim?...

(Eu também acreditava que o amor era o sentido de todas as palavras impossíveis. E ainda acredito!)

terça-feira, junho 29, 2010


O autor do Principezinho faz hoje 110 anos!
Passados estes anos todos o Principezinho continua sem crescer e a sonhar agarrado às estrelas que cativou.
Também eu continuo agarrada às minhas estrelas que me guiam e mesmo que, de vez em quando, descubra que uma delas é uma estrela cadente continua a ser minha. Deixo-a solta para seguir esse caminho diferente do meu percurso mas continuo a senti-la parte de mim: "somos responsáveis pelo que cativamos" Antoine de Saint-Exupéry.
Continuo o meu sonho e a viagem continua a ser iluminada pelo brilho das estrelas que deixei que me cativassem.

sábado, junho 26, 2010

Os rebuçados da Avó



A Avó faz o almoço e chama todos para lá irem. Todos não, telefona às filhas (" E tragam os meninos! Fiz canja para o Afonso"). O filho ainda lá vive, não é preciso chamar... A Avó anda sempre acelerada, de um lado para o outro a ver se todos comem, se todos têm arroz ou um pedaço de lombo, ou salada, ou se falta pão, ou se o copo está cheio. Sempre acelerada. Tem artrozes nos ossos quase todos, mas anda sempre cheia de pressa, sempre atarefada. Quase não se senta e quando o faz levanta-se a custo. As articulações estão presas, as dores estão instaladas. Mas nem por isso abranda. E sai a sopa e sai o arroz e o assado e logo a seguir a sobremesa. Tem o hábito de descascar a fruta, porque a filha mais nova não come se não for assim (a filha mais nova é a mãe do Afonso que já passou dos 35 mas continua preguiçosa para comer, tal como o filho). A mais velha não precisa que descasque a fruta. Sempre comeu bem a fruta e os legumes. A mais nova não, essa consumiu-lhe sempre a cabeça com as esquisitices para comer. O Afonso também é assim, por isso, em casa da Avó quase só come canja. A canja da Avó é diferente, é melhor que as outras. Eu também acho que a canja é melhor e a sopa também. E o assado tem um sabor especial, porque a Avó deixa o assado cozinhar devagarinho e os sabores misturam-se e fica tudo mais apurado... A Avó não gosta de carne, por isso muitas vezes come sopa, legumes, arroz, batatas e ri-se, porque nem sempre lhe apetece peixe e nós rimo-nos, porque ela está sempre a dizer "Tira mais carne, está tenrinha, olha, olha como está boa!". Ela que nem a provou sabe que a carne está boa. E está mesmo! E para o Edgar é o frango, o peito, que o rapaz só gosta de carne branquinha e sem ossos...
"Avó, onde estão os rebuçados?", pergunta ele. Há uma lata dentro do velho armário que tem sempre guloseimas. O neto mais velho sabe. A Avó tem sempre rebuçados. E no final do almoço a lata aparece e de lá de dentro rebuçados de mil cores surgem nas mãos da avó que os espalha na mesa, com um sorriso no rosto! E antes de ir embora, enche os bolsos ao neto com mais alguns para o caminho! "Só em casa da Avó é que há rebuçados destes!"

domingo, junho 20, 2010

A promessa


Maria Rosa Amaro (03-03-1948 / 14-06-2010)

Hoje fui à tua missa do 7º dia.
Bem sabes que não gosto de missas, padres e igrejas.
Bem sabes que não acredito em Deus.
Bem sabes que só creio nos homens e nas suas capacidades de mover o mundo. De o fazer girar.
Tenho a certeza, que onde quer que estejas, os teus lindos olhos azuis não puderam deixar de sorrir, ao ver-me ali.
Sorrir alias, como sempre fizeram quando me viam. Um sorriso sincero, puro, doce, meigo e generoso. O sorriso de quem ama. O sorriso de uma mãe.
O teu sorriso! Indescritível, único e inigualável …
Sei que sabes que neste último mês mudei. Para melhor.
Que chorei em todo lado sem vergonha nem reservas, que me abracei, em busca de consolo a quem nem sequer conhecia.
Que sorri entre amigos, lavada muitas vezes em lágrimas. E também sabes que até pedi a Deus, a esse teu Deus em que acreditavas que me fizesse um milagre.
O milagre da vida. O milagre da salvação. O milagre que nunca chegou.
Sei que sabes que a dor nos muda, nos torna maiores, melhores e mais misericordiosos.
Connosco e com os demais.
Sei que sabes, melhor que ninguém que a vida, ao contrário do que eu supunha, não é um dado adquirido. Deve ser vivida na sua plenitude.
Confessaste ao pai que eu era a única pessoa a quem não conseguias dizer que ias partir.
Dizias que eu não aceitava. É verdade mãe. Não aceito!
Percebi, naquele dia em que me agarraste a mão que pretendias passar-me essa mensagem:
“Filha, desde pequena que sempre foste uma rapariga corajosa. E eu espero que tu nunca percas essa coragem.”
O meu coração estrangulado respondeu-te que sim.
E prometo continuar a sê-lo, mãe!
Por ti.
Por mim.
E por todos nós.


As palavras são eternas... o corpo, não... RIP José Saramago

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”

“O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui.”

“Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma (...)”

José Saramago, Ensaio sobre a cegueira

terça-feira, junho 15, 2010

Luto


Hoje o dia amanheceu de LUTO...

Hoje o nosso coração chora contigo, Mimi...

Hoje o céu ganhou mais um anjo
Hoje o dia tem lágrimas e saudade e a certeza que não acabamos aqui
Hoje sabemos que na próxima vida estaremos juntos de novo
E que a tua MÃE faz parte das estrelas que nos iluminam à noite


Hoje o nosso coração chora contigo, Mimi...
Força, coragem e um abraço apertado com toda a nossa amizade e amor por TI...

sexta-feira, junho 11, 2010

Por uma noite



Porque há noites assim :)

terça-feira, junho 08, 2010

Desejo Profundo

Porque há dias em que uma imagem vale mais que 1000 palavras ...

segunda-feira, junho 07, 2010

Da Gente que Eu Gosto

Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não precisa que se lhe diga que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer.
E faz.
Gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.

Gosto de gente com capacidade para assumir as consequências das suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite abandonar os conselhos sensatos, deixando as soluções nas mãos de Deus.

Gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, de gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com ânimo, dando o melhor de si, agradecida por estar viva, por poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.

Gosto de gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir.
De gente que tem tacto.
Gosto de gente que possui sentido de justiça.
A estes chamo de meus amigos.

Gosto de gente que sabe a importância da alegria e a practica.
De gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor.
De gente que nunca deixa de ser animada.
Gosto de gente que nos contagia com sua energia.

Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão.
Gosto de gente fiel e persistente, que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e ideias.
Encanta-me a gente com critérios, que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo.
De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los.
De gente que luta contra adversidades.
Gosto de gente que busca soluções.

A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranquilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tacto, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.

Mario Benedetti

segunda-feira, maio 31, 2010

quinta-feira, maio 27, 2010

Acordo de noite subitamente ...


Acordo de noite subitamente,
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora.
O meu quarto é uma cousa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena cousa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única cousa que o meu relógio simboliza ou significa
Enchendo com a sua pequenez a noite enorme
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLIV



domingo, maio 23, 2010

Quando a vida dói cá dentro...


Hoje há um sol magnificente e carregado de vida, lá fora. No sol deste dia, ao sol reconfortante e pleno de vida, torna-se difícil acreditar que alguém está a sofrer. Parece inverosímil que a intensidade de uma vida, o significado de uma vida, o valor de uma vida é infinitamente maior que a intensidade deste sol regenerador e também ele prenhe de vida. Não se esquece, porém, nem se consegue imaginar o quanto a vida dói a outros, a alguém que vive momentos de dor intensa, uma dor perfurante, paralisadora, desesperante, inutilmente assustadora, porque tão verdadeira e dolorosamente incontornável...
Resta aceitar que passamos por esta vida como uma luz e que o nosso caminho continua, numa outra, já tão próxima, onde nos encontraremos de novo e de novo ainda sentiremos o sol quente e aconchegante a embalar o coração...

Um beijo enorme para ti, Mimi...
Um beijo de LUZ para a tua Mãe...

sexta-feira, maio 07, 2010

Apetece-me... o silêncio...


O silêncio para ouvir o murmurar da saudade dentro de mim
O silêncio para ver a palavra que nasce de cada sílaba por dizer…
Apetece-me o silêncio do vento no rosto por descobrir no meio da multidão
Aquele silêncio que vem quando estamos a falar com a nossa própria alma…
O silêncio de tudo o que não disse mas que foi dito tão alto
O silêncio de tudo o que não escrevi porque foi tudo tão sentido…
Apetece-me o silêncio de um violino que não toca porque existir basta
Apetece-me o silêncio de uma música eterna suspensa no tempo
O silêncio de um sorriso que agarro porque em cada camada de silêncio
há uma enorme sinfonia
a acompanhar todo o sentimento
indizível e dito
em silêncio

quarta-feira, maio 05, 2010

Apetece-me... música e poesia!




Pedro Barroso, em Sensual Idade

Como que a lembrar que somos feitos disto... também: corpo, alma, emoção, sentimento...

segunda-feira, maio 03, 2010

Apetece-me... poesia!



Eternamente, Florbela Espanca!...
Porque o amor, o amor apetece sempre!...
E na poesia há a alma e o coração e a pele e a emoção e o amor dos poetas e o amor... tão nosso, também!

segunda-feira, abril 26, 2010

NAMASTÊ

E navegando pelos caminhos que estão a surgir... surge este escrito:

Que a minha prece seja, não para ser protegido dos perigos, mas para não ter medo de enfrentá-los. Que a minha prece seja, não para acalmar a dor, mas para que o coração a conquiste.
Permita que na batalha da vida não procure aliados, mas as minha próprias forças.
Permita que não implore no meu medo ansioso por ser salvo, mas que aguarde a paciência para conquistar a minha liberdade.
Rabindranath Tagore, poeta indiano.

quinta-feira, abril 22, 2010

Reparem no que o medo faz em nós



A menina chega mas as suas costas curvam-se cada vez mais.
O medo instalado numa pessoa é terrível!
Chega a salvação:
a mão do homem - técnico de uma das equipas da NBA - nas suas costas
a outra que não deixa o microfone descer
quando pela segunda vez ela vai desistir...
e vai mudando o comportamento da plateia.
e no final sai tão rápido como chegou.
não ficou ali à espera dos aplausos.
os aplausos eram dela.
regressa ao seu lugar depois da missão cumprida.
Isto é caring leadership.
 

quarta-feira, abril 14, 2010

Voar nas asas de um condor


A escolha foi feita porque, primeiro, voar nas asas de um pássaro com este nome diz tudo:
Sente-se a frescura do vento atravessar-nos o corpo mas em certos instantes essa frescura pode vir "com dor".
A dor da coragem de deixar de lado caminhos que não nos levam a lado nenhum (mesmo que gostemos de os percorrer)
A dor que é necessário sentir para arrancar do nosso peito o que olhamos e vemos apenas à distância
A dor de passar perto de muitos mundos mas com a certeza que esses mundos não nos podem receber.

Voo ainda... pois podemos estar sempre onde mais desejamos. Não há longe nem distância quando assim o desejamos.
E depois porque sendo o condor o maior pássaro do mundo nada basta a não ser o Melhor!

terça-feira, março 30, 2010

Chuva na vidraça



Escorre a chuva na vidraça e eu vejo-me de novo com catorze anos, sentada no lugar junto à janela, no autocarro apinhado de alunos, já de noite, ainda inverno, a caminho de casa. “Estás sempre na lua, não ouves nada do que te digo…” Queixava-se a minha mãe, queixava-se a minha irmã, queixavam-se, talvez, os amigos. A minha mente nem sempre estava por cá. Hoje ainda há quem se queixe… O meu pensamento deixa-me amiudadas vezes perdida. Hoje, ainda hoje, ouço “Estás sempre na lua, ouviste o que te disse?”
Chove lá fora, está escuro. E vou eu a caminho de casa, ao fim da tarde, depois da escola, já noite escura, olhando as luzes que passam aceleradas na rua, no lado de fora. Desenho com o dedo círculos no vidro embaciado. Nem sequer imagino quem vai ao meu lado. Não me importa. No rádio roufenho do autocarro toca uma música dos Alphaville (“Forever young, I want to be, forever young…”) E penso e sonho e imagino o futuro… Forever young não será… O que será o futuro? Com catorze anos tudo podemos ser no futuro, tudo se pode sonhar. Não adianta dizerem-nos que não será fácil. Nós sonhamos o que queremos…
Hoje, várias décadas passadas sobre esses dias de chuva no autocarro lotado de alunos, abstraída do que me rodeava, abstraída de todos, ainda sonho, olhando a chuva através da vidraça…
Não adianta dizerem-me que não será fácil. Sonhamos o que queremos. Hoje, sei apenas que o tempo passa mais depressa do que o que se imagina quando se tem apenas catorze anos… Hoje sei também que não ficaremos para sempre jovens (excepto talvez no coração)!


some are like water, some are like the heat
some are a melody and some are the beat
sooner or later they all will be gone
why don't they stay young
it's so hard to get old without a cause
i don't want to perish like a fading horse
youth is like diamonds in the sun
and diamonds are forever
so many adventures couldn't happen today
so many songs we forgot to play
so many dreams are swinging out of the blue
we let them come true


terça-feira, março 23, 2010

How far do you wanna go? :)



Para espicaçar a energia neste princípio de Primavera! Uma canção de um novo grupo country com uma batida muito interessante! Gostei dela, assim, à primeira! Como qualquer paixão of the season!

                                                        "Are you looking for
                                                        A little more...?"

sexta-feira, março 19, 2010

Pai


Quando era pequena, achava que o pai resolvia tudo, que me defendia dos meninos maus, que me salvava de todos os perigos e que com ele estaria para sempre protegida. Sobretudo, achava que ele era muito forte. Depois cresci e percebi que ele era um homem como os outros, que errava, que tinha defeitos e que não me conseguia proteger do mundo, porque, simplesmente, era humano. Mais crescida ainda percebi que ele envelhecera, que estava frágil, doente e que continuava com muitos defeitos, porque simplesmente era um homem como os outros, mas mais velho. E foi então que tive de lhe calçar as meias, de lhe chegar a comida, de o curar, de o acompanhar às consultas e de lhe dar o chã antes de dormir. E senti que ele gostou que eu tratasse dele com amor. E percebi também que a vida é um ciclo incontornável e que temos de amar o nosso pai como ele é, e que somos felizes porque ele está connosco e sabe que tem filhos que estão com ele... Já te disse hoje, Pai, mas escrevo-o na mesma: um beijinho e um dia feliz! Porque és o meu pai, para sempre...

quinta-feira, março 18, 2010

Original Sin

O vídeo foi o melhor que pude arranjar...

A música, enfeitiçou-me nos ultimos dias!

OVERWHELMING!

 


Oh, it's carnival night
And they're stringing the lights around you
Hanging paper angels
Painting little devils on the roof

Oh the furnace wind
Is a flickering of wings about your face
In a cloud of incense
Yea, it smells like Heaven in this place

I can't eat, can't sleep
Still I hunger for you when you look at me
That face, those eyes
All the sinful pleasures deep inside

Tell me how, you know now, the ways and means of getting in
Underneath my skin,
Oh you were always my original sin
And tell me why, I shudder inside, every time we begin
This dangerous game
Oh you were always my original sin

A dream will fly
The moment that you open up your eyes
A dream is just a riddle
Ghosts from every corner of your life

Up in the balcony
All the Romeo's are bleeding for your hand
Blowing theater kisses
Reciting lines they don't understand

Para lá desta janela... estás tu...



Tudo o que está para lá desta janela tem um pedaço de ti. O mundo do lado de fora é teu, vives nele como a cor azul do céu vive no céu, como o verde habita o prado, como o sal faz parte do mar. Vives nesse mundo que estranho, o mundo que te separa de mim em sulcos de distância infinita, inatingível na minha pequenez longínqua, como a água está longe do deserto, como o gelo se encontra longe da savana, como a saudade está tão longe da alegria.
Afastado, para sempre ausente, para lá desta janela habitas um lugar de estórias que imagino, um lugar mágico que só posso criar na minha imaginação, porque é um lugar habitado por ti, porque fazes parte dele.
Tudo o que és, tudo o que tens está para lá desta janela e, do lado de cá, estou eu…

quarta-feira, março 10, 2010

Hora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.
(Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen)

segunda-feira, março 08, 2010

Menina dos olhos de água




Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar

menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar

se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar

aprendi nos "Esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo

aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi

se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar...
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar

(música e letra de Pedro Barroso
in álbum "Cantos da borda d'água" 1985)


Um dia muito feliz, para as mães, as filhas, as mulheres, as heroínas do nosso mundo neste dia internacional da mulher. Um beijo especial para a Mimi que celebrou o seu aniversário ontem! Parabéns!

segunda-feira, março 01, 2010

Festejar

A vida é uma festa.
Deviamos fazer uma festa por cada pedacinho de alegria que a vida nos trás.
Hoje estou feliz porque finalmente o meu tesouro chegou ao percentil 5 de peso!!
Para muitos isto pode não ser nada mas dadas as horas da minha vida que já passei a contabilizar o que este pirralho come, este é um momento nobre!
Se não fosse o primeiro dia da semana (e esta vai ser completa) chamava todos os que já assistiram às minhas contabilizações para com eles festejar o momento.
Cá estamos nós a caminho...

Esperança

 Juntos mas não demasiado perto
A olharmo-nos de frente mas sem tapar o rosto um do outro
A caminhar mas em estradas paralelas
é assim que deve ser
cada um é um individuo e não pode fundir-se no outro
não compreendo o caminho mas sigo em frente para te encontrar
algo pelo caminho atropela os sentidos
por vezes ficamos parados no meio do caminho
mas quando essa espera é demasiado longa
precisamos continuar e o que te tiver que nos acompanhar lá estará no próximo atalho
a vida não é feita em linha recta.
Tem paragens, tem desvios e por vezes nem vemos a direcção
o importante é não ter medo de seguir.
não nascemos para ficar no mesmo lugar
nascemos para trilhar caminhos e muitos não estão desenhado nem têm mapa
segue-se numa direcção
o importante é ainda não perder a nossa alma.
ouvi uma história que não sei dizer se ouvi ou se escrevi mas que tem a ver comigo:
"Um dia disse que os nossos corações se haveriam de encontrar e conversar sozinhos.
Hoje o que aconteceu foi o encontro das nossas duas almas.
Não imaginas o que conversaram.
A maior parte do tempo foi a minha que falou. Disse que não estava arrependida de nada pois foi sempre verdadeira contigo e que se entregou em plenitude. Quando assim é não há espaço para o arrependimento pois não houve falha alguma.
Falei tantas vezes do que sentia e da grandiosidadeque trazida amarrada ao meu coração.
Conversei tantas e tantas vezes contigo para que entendesses que aqui na tua frente estava alguém como nunca irás encontrar. Alguém disponível e entregue na totalidade.
Alguém que sabe o que é o amor no bem e no mal, no bom e no pior da vida, das vidas.
Compreendi tudo e todos os cenários que estavam na minha frente e ainda assim queria-os amar.
Descobri da forma mais cruel que todas essas conversas foram monólogos da minha voz para um buraco de onde apenas ouvia o seu eco.
Nunca foste tu que falaste, que fizeste coisa alguma.
Tudo foi entregue e dado ao vazio em que vive a tua alma.
Não sei o que o futuro te reserva mas a continuar como tens sido jamais te darás conta da oportunidade que não agarraste e, a ser diferente, a dares-te conta de alguma coisa, apenas terás tempo para te arrepender e lamentar o que não conseguiste ver no evidente.
Na tua frente não tinhas apenas um momento bom da vida mas algo único e irrepetível.
A minha alma resolveu todas as suas dúvidas. Falou-te de tudo. Mostrou-te a tua ausência da entrega, amizade e amor e acima de tudo de respeito.
Quem não respeita não pode esperar ser respeitado, e o resto da tua fugaz existência mostrar-te-a isso mesmo.
Tudo o que te dei - sim, tudo o que te dei não tem preço e jamais o conseguirás comprar em alguma parte do mundo: deste ou de outro.
A atrocidade que cometeste não tem medida porque nem ser amigo fiel conseguiste.
Não conseguiste ser verdadeiro e tudo o que enrolaste durante este tempo apenas serviu para te enrolar a ti e à tua alma num emaranhado do qual jamais te livrarás. És prisioneiro dessa forma de ser.
A minha alma e o meu coração apaixonaram-se por alguém que não és tu. Aparentaste ser mas com uma ou duas provas mostraste como falhavas nesse teu disfarce.
Entraste por engano na minha vida e eu vivi-o como se tratasse de uma verdade mas a mentira não dura sempre e a descoberta foi dolorosa.
Fez muito ruído no meu coração que de dia e de noite não sossegava.
Apenas agora, quando a conversa de almas aconteceu é que ele se acalmou.
De vez em quando ainda insinuas o acto mas como o teu papel é falso não representas bem.
Fiquei a conhecer-te melhor do que tu próprio pois escutei com serenidade cada acto da tua peça.
Olho e vejo que apenas representas e que pode ser que isso ainda te traga um ou outro momento razoável mas garanto-te que é fugaz e que se desfará num instante. Nunca te hás-de sentir pleno ou melhor tu não és capaz de sentir.
Não sei até onde querias levar esta farsa mas estou grata ao sofrimento que me mostrou que eu amava outra pessoa que não és tu.
Alavanquei-me na minha dor, no meu pesar mas acima de tudo na minha descoberta.
Esta não é a pessoa que eu quero para minha alma companheira pois o teu caminho não tem nada para ser percorrido.
Vives na mentira, no engano, na ilusão permanente. Se algum dia a claridade chegar ao teu coração apenas conseguirás morrer pois perdeste pelo caminho o que de mais valioso alguém pode desejar para os seus dias.
A minha alma calou-se por instantes e da tua nada saiu. Não podia. Não tem lá nada.
És uma alma vazia e apenas fazes eco. Tiveste bons momentos pois o que a minha alma falou para ti e te deu foram coisas magníficas e apenas, quando muito, conseguiste ouvir o eco que ressoavas.
Agora já nem isso te é permitido.
Tudo à tua volta está a desmoronar-se e é uma questão de tempo para cair e partir-se tudo.
Restarás apenas tu sózinho e vazio.
Não ouvi palavras de amor nem coisas doces. Não recebi mimos nem surpresas de tirar a respiração. Não podia.
Tu não tens nada para dar.
Criei uma pessoa e descobri que afinal era apenas criação minha. Não existe.
Revelaste um bocadinho desse vazio nas ultimas conversas horrendas e sem sentido.
Ocas e vazias de qualquer sentimento nobre.
Arrastas-te a cada dia mas pensas que estás a passear.
Vives num engano e enganaste dizendo que isso é viver quando isso nem sequer é sobreviver pois não tens a mínima noção de sentimento algum.
Não me tem custado mesmo nada viver estes dias após a conversa das nossas almas.
Não sinto falta de coisa alguma pois apercebi-me que afinal estes dias são iguais aos anteriores.
De ti não têm nada! Não acrescentaste nada à minha vida e todo este tempo vivi sozinha, por mim e comigo apenas. Tinha somente a mais a ideia de alguém que descobri que não existe e que por isso em nada modificou o meu dia de hoje, de ontem e o que há-de vir."
A vida não é para ilusões mas apenas e só para a verdade. Seja ela qual for.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

o belo


o belo chega até mim em golfadas de ar ameno
chega-me nas tuas palavras de papel de carta escolhido com amor
chega-me nas cores incendiadas do por do sol em tardes de verão
o belo chega-me no sono calmo da noite cansada de não ter serão
o belo chega-me em sorrisos imaginados no dia em que ainda não te vi
chega-me suave e surpreendente como um beijo
apaixonado e saudoso e eterno e tão nosso
chega-me nas flores que salpicam a existência em todas as primaveras
as primaveras que nunca se demoram
que chegam sempre a horas com as cores de uma vida inteira
o belo chega até mim nas manhãs luminosas de um futuro por viver
de um dia inteiro por viver
o belo chega-me numa escada em direcção ao teu olhar
numa ponte que nos une num rio sem margens para lamentar

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Mais um miminho ao Acontece!

A Beatriz, uma linda princesa que escreve no blogue The colours of my rainbow, ofereceu ao Acontece um miminho doce como ela! E fez um desafio...

Regras do desafio:
1. Indicar o selinho para os blogs cujos posts considere mais interessantes e cheios de significados, não levando em conta o layout ou a organização de widgets do blog.

Marianinha:http://peaceandmelodies.blogspot.com/
A senda:http://a-senda.blogspot.com/
Trilhos Secretos: http://trilhosecretos.blogspot.com/
Inêsdepapel: http://www.inesdepapel.blogspot.com/

2. Responder a esta pergunta : " Acha que a beleza está nos olhos de quem vê ou isso é só uma desculpa de pessoas feias?"
A beleza não se compra nem se vende, mas... sente-se! Sente-se no olhar, nas palavras, no coração, na alma, na luz que vem até nós!

3. Avisar quem indicou.
Muito obrigada Beatriz! Um beijinho colorido como o teu arco-íris!

sábado, fevereiro 20, 2010

poesia a sorrir!

um dia quando a ternura for a única regra da manhã


um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

José Luís Peixoto
A criança em ruínas

domingo, fevereiro 14, 2010

S.Valentim


Gifs Animados

"Agora, voltei. Não sei por quanto tempo, mas isso pouco importa. Agora, estou aqui." José Luís Peixoto

Feliz Dia de S. Valentim!


quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Outros corações

Nem imagino como seria viver sem estes corações!...
Por cada coração de gelo que encontro, conheço uma centena de outros corações palpitantes de calor, em cujo fogo de doçura sabe bem adormecer! Limpam a alma de amarguras, fazem esquecer o lodo de outros espaços poluídos pelo narcisismo e egoísmo descoloridos, fazem acreditar que por baixo da pele existem laços, existem afectos que embalam os dias. São autênticos spas da alma, massajam com ternura as nossas dores e aliviam as horas de esforços pesados e inevitáveis, de cansaços diários e incontornáveis. São livros que ensinam, são canções que encantam, são mãos que aconchegam, são sorrisos que libertam, são palavras que preenchem espaços deixados por silêncios desconfortáveis e dolorosos.
Por cada coração de gelo que conheço, há uma centena de outros corações de fogo que me alentam e aquecem neste “Inverno demasiado longo”… São pórticos de acesso a um mundo suave e mais leve que as horas dos dias sem sol…

Obrigada a todos esses outros corações !

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Gelo no coração


Há manhãs geladas de um Inverno demasiado longo que me fazem sentir demasiado viva, porque o frio invade os ossos e entranha-se nas moléculas da pele, fazendo com que eu sinta bem fundo as temperaturas quase negativas do ar e da natureza…
Há dias gelados de um Inverno demasiado longo em que certas pessoas me fazem sentir quase demasiado morta para ter vontade de respirar, para ter vontade de me revoltar, de me indignar. Há pessoas tão más, de carácter tão obscuramente egoísta e maldoso, que me fazem sentir revoltada e ao mesmo tempo sem forças para reagir. São pessoas egocêntricas e puídas como a roupa velha e sem utilidade alguma que não seja servirem para limpar o chão ou para serem encharcadas em lixívia com o objectivo de desinfectar os azulejos da casa de banho. São pessoas desse tipo, do tipo gasto, estragado pelo tempo e pela maldade, pelo materialismo do ambiente estéril em que cresceram, pela corrupção dos afectos e pelo vazio da alma, que vivem com o único objectivo de se servirem do coração dos outros, de sugarem a vida dos outros, de se alimentarem do afecto dos outros para sobreviverem, que me deixam ainda mais cansada que o frio deste Inverno demasiado longo.
Elas, que nada carregam dentro de si que não seja o seu ego exacerbado e cego, apontam o dedo a quem lhes exige dignidade e respeito e sentem-se ofendidas quando, no fim de um caminho demasiado penoso, os outros lhes pedem apenas respeito. Sim, não é amor nem entrega, é apenas respeito. Nesse momento final é só o que pedem e essas pessoas gastas como os dias sem sentido, essas pessoas que me retiram até a força para reagir, que me gelam a alma como estes dias demasiado gelados de um Inverno demasiado longo, impregnadas de egoísmo estéril insurgem-se contra quem lhes deu sempre tudo gratuitamente e quem as amou sem exigências, respeitando até as regras mais absurdas. Insurgem-se, porque se apercebem que quem tudo lhes deu se cansou, finalmente, de ser tratado como um pano de limpeza para limpar o coração de pedra, um coração feito apenas de veias e artérias e matéria e sangue, mas desprovido do calor e do sentimento que o distingue do dos animais…
Quando tropeço em seres destes ao longo da vida, não consigo deixar de pensar que há almas que estão ainda tão longe da ansiada paz existencial e que o seu caminho será certamente longo e espinhoso e que muitos outros seres inocentes serão trucidados no percurso, enquanto elas se purificam.
Há manhãs geladas como a deste dia que me deixam assim, amarga e desencantada

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Deixa o mundo Girar


(Cá vai a letra toda porque não consegui seleccionar apenas um pedacinho!)

Quantas vezes vais olhar para trás
Estás preso a um passado que pesou
Quantas vezes vais ser tu capaz
Fazer sair quem por engano entrou


Abre a tua porta, não tenhas medo
Tens um mundo inteiro à espera para entrar
De sorriso no rosto talvez o segredo
Alguém que te quer falar


Olha em frente e diz-me aquilo que vês
Reflexos de quem conheces bem
Ouve essa voz é a tua voz
Dá-lhe atenção e a razão que tem


Abre a tua porta, não tenhas medo
Tens um mundo inteiro à espera para entrar
De sorriso no rosto talvez o segredo
Alguém que te quer falar


Deixa o mundo girar para o lado que quer
Não o podes parar nem tens nada a perder
Estás de passagem
Não o leves a mal se te manda avançar
Talvez seja um sinal que não podes parar
Estás de passagem

Vai aonde queres
Sê quem tu quiseres
Estende a tua mão
A quem vier por bem


Abre a tua porta, não tenhas medo
Tens um mundo inteiro à espera para entrar
De sorriso no rosto talvez o segredo
Alguém que te quer falar


Deixa o mundo girar para o lado que quer
Não o podes parar nem tens nada a perder
Estás de passagem

Não o leves a mal se te manda avançar
Talvez seja um sinal que não podes parar
Estás de passagem


Deixa o mundo girar para o lado que quer
Não o podes parar nem tens nada a perder
Estás de passagem

Não o leves a mal se te manda avançar
Talvez seja um sinal que não o podes parar
Estás de passagem, só de passagem, estou de passagem


Para outro lugar

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Oxygen



O que ando a ouvir nos últimos dias...
Uma doce melodia... (Não encontrei o vídeo oficial - talvez nem exista...)

I love Colbie Caillat!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Nascer...Viver




O processo de nascer é por si só turbulento. A natureza prepara durante nove meses um ser e carrega-o de imensidão de possibilidades. No ventre materno tudo acontece muito rápido para que o novo ser humano esteja preparado para o momento do nascimento.
Mas nem sempre acontece assim. Desta vez a interferência externa fez com que parecesse urgente nascer. Uma queda maternal leva a volta apressada que tudo precipita.
Ainda não era o momento ou estaria aí também algo novo? O momento passou a ser agora, já.
Nasceu a bebé. Apressada.
Era urgente mudar de estado e deixar o conforto do útero para desbravar o mundo de cá de fora.
A poeira daquele chão não era de certeza o lugar ideal para a bebé gatinhar. Colocar término á vida de morte.
Seria essa a urgência?
Será que aquele sonho trocado por instantes tinha mesmo que acontecer e tornar-se nesta forma de vida tão concreta?
Fazia cada descoberta da mesma maneira. De forma rápida como deixava a poeira que ficava pela apressada passagem.
Um mundo inteiro de coisas para aprender, outro tanto para sentir e sempre e uma vez e outra tudo acontecia depressa.
Que significado teria esta corrida?
Não admira a inquietação que fica, o não saber lidar, quando o que agora rodeia o mesmo bebé - Chão áspero em demasia para gatinhar - não acontece á mesma velocidade. Inúmeras vezes escuta: “preciso de tempo”; “ainda não tenho a alegria de uma festa latina” e assim permanecem um bocadinho e outro e outro ainda.
O som do mar e a imensidão dos sentidos. Aqui volta a paz e parece que se volta ao princípio da vida ao estado uterino. Sossega-se um pouco a alma e renasce-se com outra força para inventar a poeira que fica pela apressada passagem.
Um novo caminho, uma mudança mais permanente, outra corrida.
Uma vontade de concretizar e eliminar depressa o lixo.

Wither...



Let it out, let it out
Fill the empty space
So insecure
Find the words
And let it out

Staring down, staring down
Nothing comes to mind
Find the place
Turn the water into wine

But I feel I'm getting nowhere
And I'll never see the end

So I wither
And I render myself helpless
I give in
And everything is clear
I break down
And let the story guide me

Turn it on, turn it on
Let the feelings flow
Close your eyes
See the ones you used to know

Open up, open up
Don't struggle to relate
Lure it out
Help the memory escape

Still this barrenness consumes me
And I feel like giving up

So I wither
And I render myself helpless
I give in
And everything is clear
I break down
And let the story guide me
I wither
And give myself away

Like reflections on the page
The world's what you create

I drown in hesitation
My words come crashing down
All my best creations
Burn into the ground
The thought of starting over
Leaves me paralyzed

Tear it out again
Another one that got away

I wither
And render myself helpless
I give in
And everything is clear

I wither
And render myself helpless
I give in
And everything is clear
I break down
And let the story guide me
I wither
And give myself away

Like reflections on the page
The world's what you create


(A música é linda, a letra é triste e profunda... Há dias assim! Deve ser da chuva ou da falta de sol! As redundâncias são tão poéticas!)


terça-feira, janeiro 12, 2010

"És a minha essência!"

"Mãe, amo-te tanto... És a minha essência!"

Era Domingo de um Sol luminoso e suave, um Sol de Inverno que guardava em si mais luz que calor. E eu aguardava a tua chegada com ansiedade. Não querias nascer... Não querias largar o cordão umbilical que até hoje (e creio que para sempre) nos manterá ligados... Havia esperado mais uma semana e... Nem sinal de quereres conhecer as cores deste mundo. Parecias já saber bem que nascer e viver não era fácil e deixavas-te estar nas águas mornas do meu ventre, sem pressa alguma, no remanso de poetas a deleitarem-se com a dourada harmonia do entardecer. Assim, obrigaram-te a nascer, fizeram-te deixar a cálida protecção que te resguardava e eu recebi-te nos braços com as mãos trémulas e o coração em alvoroço...

E a partir de então, deixamos de ser apenas um num corpo só para eu me surpreender todos os dias com a água deste amor sem fim que alimenta a minha existência... Sim, eu sou a tua essência e tu és a minha vida! E sei, bem fundo no coração, que viveremos para sempre com esta certeza!...


PARABÉNS, FILHO ADORADO!

sábado, janeiro 09, 2010

Caixa de chocolates


“A vida é como uma caixa de chocolates, nunca sabemos o que nos vai calhar…”
Forrest Gump


A vida é… a vida é...

Às vezes parece que nunca há pedras suficientes para atirar às dores que entram na pele.
Às vezes parece impossível mudar as voltas trocadas do mundo e amar apenas quem se deve amar. O emaranhado do destino e das suas forças controlam a nossa existência ditatorialmente.

Ela tinha dito ao ar que à volta dela girava, que devia amar quem a amava e não ficar sentada na beira do caminho da vida à espera que o sorriso dele chegasse com os primeiros raios de sol. Esperar, esperar apenas não chegava. A vida é mais que isso, por isso ela deu instruções ao carteiro para que este lhe trouxesse a cor da escrita dele numa carta que ele nunca escreveu apenas por medo. Sim, medo. Ele tinha muito medo da vida. Ele tinha muito medo de aceitar o bater acelerado do coração, o sorriso abstraído nos lábios quando relembrava o toque da mão dela, o suspiro involuntário quando pensava no olhar preso no seu, naquela vez imaginária em que se encontraram numa noite de Inverno, sem que nada, a não ser a luz enfeitiçadora da lua, o tivesse previsto e o tivesse provocado. Mas encontraram-se, nos sonhos dele, nos sonhos dela. Encontraram-se.
E nada foi como imaginaram.
Nada foi como previram.
Foi como tinha de ser.
E ela, nessa noite imaginária, disse-lhe que lamentava. Disse-lhe muitas coisas sem sentido. Falou-lhe da luz que tinha visto nele quando abriu os olhos e na sua imaginação o reencontrou. Falou-lhe do abraço que não deram, do beijo esquecido, do sorriso preso em frases banais atadas a um esforço que doeu por dentro, somente por dentro porque ninguém mais percebeu, para que o calor da pele ficasse presa a ela e não chegasse a ele.
E ela pensou na frase, aquela que Forrest Gump dissera à sua amada eterna:

“I’m not a smart man but I know what love is…”

E ela compreendeu que o carteiro não tinha recebido a sua mensagem. E que carta nenhuma chegaria e que, por isso, iria dormir nessa noite gelada de Inverno enrolada na certeza de que tudo estava como tinha de estar.

Porque a vida é como uma caixa de chocolates. E há que o saber aceitar!

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Os teus caracóis dourados!


(Dedicatória ao meu menino Afonso no dia do seu aniversário - PARABÉNS!)
Perco o tempo de cada vez que fico quieta de mim.

Adormecemos embalados pela história nova e vejo o teu olhar grande e desperto atento às palavras lentas para que possas entender. Os elfos e a lua abraçam a menina e protegem-na das coisas ruins. Num cavalo branco ela é resgatada e salva para sempre.

Enrolo demoradamente as minhas mãos pelos teus caracóis dourados. Ou serão eles que se enrolam em mim?

Sinto a serenidade que só pode vir de um sonho. Um sonho de um lugar mágico e harmonioso com cor azul e chão suave e macio como algodão.

O meu nariz cheira a mel.
Não, ainda não é hora de acordar e ainda posso cheirar um pouco mais o teu respirar.

O que se vê desta janela é o que a mente consegue criar. Um espaço e um tempo que há-de chegar e onde o lugar das coisas não terá existência.

Criar uma vida a partir do quase nada permite que a construção não tenha um caminho já desenhado. Colocar nas mãos de quem nada tem, e quase nada pode perder, a força e a determinação de desbravar um percurso possibilita chegar a gentes e a destinos que ainda não tinham sido revelados.

Abre-se a janela e deixa-se o choro da chuva entrar. Incomoda o seu gemido aflito a pedir para entrar.

No meio da aridez deste lugar encontra-se o que irá fortalecer cada traço do desenho, da vida.

Na tela da vida as cenas são muitas vezes escurecidas pelas nuvens da desilusão e do cansaço. A pintura muda vezes sem conta de tonalidade e muitas vezes o encanto fica escondido debaixo de uma qualquer pedra até que esta volte a rebolar para um outro canto.

Não é preciso abrir a porta para se sentir o frio gelado do tempo que se faz agora. O frio entorpece até a mente e mesmo debaixo de uns cobertores que deveriam aquecer o corpo, o rosto ainda permanece gelado.

Mas esse mesmo frio conserva até os sonhos e basta um pouco de calor de uma mão que se junta à nossa para os aquecer e de novo e voltarem à vida.

E nos teus caracóis dourados habitam imensas razões para emanar esse calor e deixar cada sonho realizar-se em cada momento que passa.

quinta-feira, dezembro 31, 2009

2010!

Novo ano e nova década iniciam-se...
Fazem-se balanços e tomam-se decisões...
Decidam ser felizes!
UM FELIZ 2010!

terça-feira, dezembro 29, 2009

O meu melhor presente



Este ano tive uma surpresa muito agradável na minha noite de natal !
Um pequeno envelope com uma mensagem de alguém muito especial...

"Sexta-Feira 25-12-2009
Mãe Querida

Mãe gosto de ti, tu és a pessoa mais amorosa, és tão amorosa que te dei este presente e és a Mãe que mais adoro.
Eu gosto de ti porque tu das-me miminhos.

Mãe FELIZ NATAL

Assinado: Gonçalo P."

terça-feira, dezembro 22, 2009

Merry Christmas!

Try JibJab Sendables® eCards today!


Um Natal doce no coração e na mesa de todos vós!

quinta-feira, dezembro 17, 2009

momento



A vida é feita de entregas alucinadas, de pedaços de céu reflectidos num olhar suspenso, num momento de delírio…
A vida não é maré baixa nem viver é apenas um estado líquido e inerte…
A vida é um sorriso, um abraço que transcende o tempo, que se eleva ao infinito da alma, que não tem palavras, porque as palavras sobram, quando queremos explicar…
A vida é o momento e as memórias dele em vinil e fita de cinema !...

quarta-feira, dezembro 16, 2009

August Rush... ainda e sempre...





Na última aula do período, por tradição, não dou matéria e, por tradição, os alunos vêem um filme. Este ano repeti o feito e, nas turmas novas, passei o filme "August Rush" (as turmas dos mais velhos já o viram comigo no ano passado:)). Chamei a atenção para a importãncia da música em todo o filme, para o som da natureza, para os sentimentos que saem da música, dos olhares, das palavras... O filme começou e a reação é sempre idêntica: as vozes calam-se, os olhares fixam-se no ecrã, os sorrisos abrem-se...
Adoraram o filme! Uma aluna escreveu a seguinte frase no msn: "August Rush: do melhor!"
E assim é, de facto! Um filme belo e envolvente! Perfeito para esta época!
Esta é a minha música favorita, cantada por Jonathan Rhys Meyers (suspiro :)) e que lembra que é algures bem dentro de nós que tudo acontece! Este é o som do coração!


"'Cause if you hadn't found me I would have found you..."

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Você tem Inteligência Espiritual?

Você tem Inteligência Espiritual?
A Dra. Dana afirma que as pessoas com QS (inteligência espiritual) são facilmente reconhecidas porque:
1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo.
2. São estimuladas por valores; são idealistas.
3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade.
4. São holísticas.
5. Celebram a adversidade.
6. Têm independência.
7. Questionam sempre.
8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto muito amplo.
9. Têm espontaneidade.
10. TÊM COMPAIXÃO!
Quantos destes itens você possui?

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Uma tarde na Terra dos Sonhos


Nunca conheci tantos seres mágicos e histórias encantadas como desde que nasceste.


Das primeiras coisas fantásticas que fizeste (além de sobreviver àqueles primeiros dias conturbados e incertos) foi folhear um pequeno livro de histórias para bebés. E é sobre isso que hoje vou escrever.

Como é crescer a ouvir e a contar histórias de encantar? O que acontece na tua imaginação quando escutas todas estas histórias? São fadas, príncipes e castelos, piratas e tesouros, Winnie e o pote de mel, Peter Pan e a fada Sininho. Mundos encantados e cheios de seres que nem sonhava que existiam. Todos os dias escutas pelo menos uma história, seja ela nova ou repetida porque gostas muito daquela e queres que a leia de novo.

Passeamos pela Terra dos Sonhos e eu não consigo dizer quem é que se deixou envolver mais por aquele espaço de magia: tu ou eu? Na casa da Branca de Neve e os Sete Anões dei comigo a ler o nome dos anões (nunca os soube todos) escritos nas respectivas cabeceiras das mini camas e a tentar descobri-los pela atitude enquanto tu apenas os querias cumprimentar e passar à próxima casinha com mais personagens dos livros das histórias infantis.

Foi muito curioso ver na casa dos três porquinhos a representação do lobo a tentar, em vão, deitar a casa de tijolo abaixo. No final todas as crianças ficavam a ver o lobo a fugir e quando o descobriram no meio das árvores todas elas se despediam do lobo e diziam: “Não fiques triste, xau, até logo lobo”.

E a casa da Alice que não tinha Alice e ninguém te fazia acreditar que ela estava do outro lado do espelho? Aproximaste-te do espelho e muito admirado disseste: ”Não está nada. Ali sou eu!”

Foi uma tarde em cheio. A magia e os sonhos andavam de mãos dadas connosco o tempo todo.

O que é que acontece com as pessoas que se esquecem de sonhar?

sábado, dezembro 05, 2009

Este Sábado tão nosso


Gifs Animados

Temporal, alerta amarelo para a maior parte dos distritos a norte, chuva nas janelas e vento forte, mau tempo lá fora e o frio a sentir-se em todo o lado…
“Onde vamos hoje, mãe?”
Hoje não tiramos os pijamas, hoje ficamos em casa, no quentinho das coisas nossas, a ver um filme juntos, a estudar, a ler, a sentir o conforto da presença um do outro. Hoje fazemos as nossas torradas, tu comes os teus Chocapic e eu os meus cereais integrais, hoje comemos a nossa sopa, hoje ao lanche tu pedes mais pão com aquela marmelada tão boa que a Dª Emília fez e queres para jantar uma sanduíche de atum com maionese (“Só um pouquinho, vá lá, mãe…”) porque hoje é Sábado, (“Não faças jantar”). (“Está bem, mas a sopa tem de ser…”) E tu aceitas e deves pensar que a tua mãe é uma chata, mas gostas dela na mesma, porque não pudeste escolher outra e mesmo que pudesses não o farias, porque esta é a que te foi destinada para toda a eternidade e gostas dela assim e não sabes porquê.
E eu sinto-te a andar pela casa e vejo-te já tão crescido e imagino-te com mais seis anos e longe de mim e eu aqui, num Sábado parecido com este sem o teu cheiro de menino tão meu, de filho a crescer tão depressa, de amor pequenino e grande como daqui até ao sol, até ao infinito. Neste Sábado tão nosso, vou parar o relógio das nossas vidas, porque sei que nesta e noutras vidas estivemos e estaremos sempre ligados, tu e eu filho meu, assim juntos para sempre e desde sempre, unidos numa eterna saudade até do que ainda não foi, até do que já passamos e não queremos repetir… Cresceste tão depressa…
Este Sábado é nosso, por isso, vamos lá comer a nossa sopa que cheira a aconchego e a mãe, porque faz lembrar quando apenas com dois anitos me dizias “Cheiras a mãe!” quando eu estava em casa e me abraçavas com mais força, porque esse dia não era dia de trabalho e eu tinha tempo para cozinhar e brincar contigo…
Este Sábado é nosso!

A cor da amizade, em tempo natalício


Dançavam todos ao som da música revivida de memórias e sentimentos antigos, música sempre eterna das décadas douradas de 70 e 80. Claro que estamos a envelhecer, claro que tudo acontece a passos largos, claro que gostamos desses sons longíquos que pintam as nossas lembranças de emoções de outrora trazidas para o presente por emocionados gritos e palavras de contentamento. "Esta é tão gira!", "Lembras-te desta?"... E em uníssono cantam-se os refrões e as letras, ensaiam-se coreografias, imitam-se gestos e dão-se abraços, muitos abraços!

O homem dançava dentro de um fato que lhe sobrava no corpo, deixando-se levar pelos sons que ele, nitidamente, parecia sentir bem dentro de si. Dançava, levantando os braços e as pernas exageradamente, dançava com alegria em gestos largos como se esvoaçasse e o seu magro corpo, curvado para a frente, parecia não ser controlado por ele. Era difícil não reparar nele... Dançava com um enorme sorriso no rosto, como se aquela música familiar lhe trouxesse ao pensamento a alegria inconsciente da juventude.

E o grupo dançava alegremente, cada um ao seu ritmo, cada um com o seu jeito peculiar e único, todos juntos após um fraterno jantar de Natal...

E é com cores destas que se pintam momentos de amizade e alegria! Outros jantares virão, outros natais também, outros amigos se farão, outras pessoas sairão e entrarão para as nossas vidas, por isso sabemos que estamos vivos, em mais um Natal, já tão próximo (de novo)!

segunda-feira, novembro 30, 2009

O que se vê e o que se é


"...Não se sabe quem vai, nem quem vem. A gente vê os corpos, mas não vê as almas que estão dentro. Há corpos de agora com almas de outrora. Corpo é vestido, alma é pessoa... Na feira da Roqueirinha quem sabe com quantos reis antigos se topa, quando se anda aos encontrões entre os vaqueiros... Em ruim corpo se esconde bom senhor!..."
Eça de Queiroz, in A Cidade e as Serras

sábado, novembro 21, 2009

We live with what we miss...

imagem retirada daqui

Vai deslizando o som quente da música no interior de mim e do automóvel. Prossigo viagem, seguindo a linha branca da estrada que se apresenta em frente, sempre em frente. Nem sei para onde sigo, sigo apenas a linha branca, o caminho é sempre em frente. E seguro na mão um olhar que vi a brilhar por dentro, a seduzir por fora, a brincar com o sorriso eterno de um dia eterno em que ainda não te vi, mas já conheço!

- O que trazes aí?
- Nada de especial, somente o coração que vou guardar na caixa de memórias!

We live with what we miss…
I miss the rain in Summer
I miss the sun in Winter
I miss the stars in the morning
I miss the sunshine at night…
I live to miss what I don’t have…

And I miss you
because you live in me…

sexta-feira, novembro 20, 2009

Desamor


é amor
esse amor cruel e desmedido
mas esse eu não quero
fica contigo
quero um amor doce e suave
que toca a alma e não apenas o corpo
esse, esse fica comigo
vai para o todo o lado não me abandona
abraça-me, acolhe-me e protege-me
suave e intenso como a estrada quente percorrida
esse vai comigo.

gritos que não dizem nada
esses não são para mim
não sentes que o coração que está na tua frente transborda pelos olhos?
vê como corre só para te ver, já que ter-te é impossivel
e não são os outros que não permitem
és tu que não o sentes.

errante caminho desalinhado
fortalecido pelas quedas e não esmorecido
com tantas palavras para se dizer
escolhes as que não fazem sentido
será que são as palavras ou serás tu mesmo?

nessa estrada sem direcção
caminhas determinado mas esqueces-te do coração
esse ficou comigo
encontra-se bem, cuidado, posso garantir-te
não o parto não o amachuco
mimo-o como parte preciosa de mim
e não deixo que nada de mal lhe aconteça
porque está junto do meu
lado a lado a conversar
um dia dir-te-ei como conversam

terça-feira, novembro 17, 2009

"Estrelinha"


Escreveu o nome dela numa estrela
na que estava mais perto da terra
aquela que é a primeira a aparecer no anoitecer
e ficou a olhá-la com o olhar enternecedor
abraçou-a e deixou o seu brilho espalhar-se por toda a terra até ao seu coração
uma companhia eterna para todos momentos
para aqueles em que a ausência do olhar faz demorar mais do que as horas do relógio
mais do que os dias do calendário
mais do que as estações do tempo que já não existe
para que nunca se sentisse só
pendurou-a na lua, a guardiã da noite, e com um laço macio de cetim ali a deixou.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Seus olhos - Almeida Garrett

Apetece-me deixar entrar um clássico! Tão belo este poema eterno!


Seus Olhos

Seus olhos --- se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou ---
Não tinham luz de brilhar.
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! --- e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, num só momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.


Almeida Garrett

terça-feira, novembro 10, 2009

Porque existe sempre alguém que gostariamos de rever

Por te rever - Mafalda Veiga
"Pudesse eu guardar-te nos sentidos e na voz
E descobrir o que será de nós
E demorar um dia mais eternamente
Por te rever, só
Quisera a ternura, calmaria azul do mar
O riso o amor o gosto a sal o sol do olhar
E um lugar pra me espraiar eternamente
Por te rever, só
Pudesse eu ser tempo a respirar no teu abraço
Adormecer e abandonar-me de cansaço
Quisera assim perder-me em mim eternamente
Por te rever, só"

domingo, novembro 08, 2009

Choose love




Rita Redshoes

A carta

imagem retirada daqui


Ela fechou a carta que demorara a escrever. Pensara cada palavra, cada sílaba, cada vírgula. Pensara cada batimento de coração que havia de colocar dentro do envelope. Lembrou as suas mãos longas que tocavam Mr. Big numa noite qualquer há muitos anos, mãos tão jovens então, as mãos e os olhos que, como escreveu Lobo Antunes, eram duas “pedras escuras guardando dentro como que um sumo de amor” e também as mãos e os olhos dele ela guardou dentro do envelope. E enquanto ele tocava naquele tempo antigo de sonhos, ficava ela a olhá-lo a cantarolar e a acompanhar com a viola o som que vinha de dentro dela e também isso ela lá guardou no envelope, junto com a carta, junto com as palavras todas pesadas na balança da emoção inexplicável do passado feito presente. Ela também lá guardou esse tempo, esse passado em forma de sorrisos e disse-lhe que era altura de respirar de novo. Disse-lhe com letras, com frases, com sílabas que era altura de respirar de novo. Disse-lhe com vírgulas e muitas reticências e pontos finais e pontos de exclamação que a carta só seria aberta por ele, quando ele entendesse que era altura. É que, para ela, seria sempre o momento certo, porque para ela a viola tocaria sempre e as mãos dele seriam para sempre aquelas, longas e belas mãos que arranhavam as melodias a medo, a experimentar o som desconhecido, naquele tempo de lembranças. Ele tinha de saber que para ela era sempre tempo e que só dependia dele e que ela esperava, esperaria… Mas, por agora, tinha de fechar o envelope, tinha de enviar a carta, tinha de respirar de novo.
E de uma vez, sem pensar mais, ela fechou o envelope, colou-o bem colado, bem fechado ele ficou e a carta seguiu a sua longa viagem até ele e ela conseguiu,finalmente, respirar de novo.