sábado, dezembro 05, 2009

Este Sábado tão nosso


Gifs Animados

Temporal, alerta amarelo para a maior parte dos distritos a norte, chuva nas janelas e vento forte, mau tempo lá fora e o frio a sentir-se em todo o lado…
“Onde vamos hoje, mãe?”
Hoje não tiramos os pijamas, hoje ficamos em casa, no quentinho das coisas nossas, a ver um filme juntos, a estudar, a ler, a sentir o conforto da presença um do outro. Hoje fazemos as nossas torradas, tu comes os teus Chocapic e eu os meus cereais integrais, hoje comemos a nossa sopa, hoje ao lanche tu pedes mais pão com aquela marmelada tão boa que a Dª Emília fez e queres para jantar uma sanduíche de atum com maionese (“Só um pouquinho, vá lá, mãe…”) porque hoje é Sábado, (“Não faças jantar”). (“Está bem, mas a sopa tem de ser…”) E tu aceitas e deves pensar que a tua mãe é uma chata, mas gostas dela na mesma, porque não pudeste escolher outra e mesmo que pudesses não o farias, porque esta é a que te foi destinada para toda a eternidade e gostas dela assim e não sabes porquê.
E eu sinto-te a andar pela casa e vejo-te já tão crescido e imagino-te com mais seis anos e longe de mim e eu aqui, num Sábado parecido com este sem o teu cheiro de menino tão meu, de filho a crescer tão depressa, de amor pequenino e grande como daqui até ao sol, até ao infinito. Neste Sábado tão nosso, vou parar o relógio das nossas vidas, porque sei que nesta e noutras vidas estivemos e estaremos sempre ligados, tu e eu filho meu, assim juntos para sempre e desde sempre, unidos numa eterna saudade até do que ainda não foi, até do que já passamos e não queremos repetir… Cresceste tão depressa…
Este Sábado é nosso, por isso, vamos lá comer a nossa sopa que cheira a aconchego e a mãe, porque faz lembrar quando apenas com dois anitos me dizias “Cheiras a mãe!” quando eu estava em casa e me abraçavas com mais força, porque esse dia não era dia de trabalho e eu tinha tempo para cozinhar e brincar contigo…
Este Sábado é nosso!

A cor da amizade, em tempo natalício


Dançavam todos ao som da música revivida de memórias e sentimentos antigos, música sempre eterna das décadas douradas de 70 e 80. Claro que estamos a envelhecer, claro que tudo acontece a passos largos, claro que gostamos desses sons longíquos que pintam as nossas lembranças de emoções de outrora trazidas para o presente por emocionados gritos e palavras de contentamento. "Esta é tão gira!", "Lembras-te desta?"... E em uníssono cantam-se os refrões e as letras, ensaiam-se coreografias, imitam-se gestos e dão-se abraços, muitos abraços!

O homem dançava dentro de um fato que lhe sobrava no corpo, deixando-se levar pelos sons que ele, nitidamente, parecia sentir bem dentro de si. Dançava, levantando os braços e as pernas exageradamente, dançava com alegria em gestos largos como se esvoaçasse e o seu magro corpo, curvado para a frente, parecia não ser controlado por ele. Era difícil não reparar nele... Dançava com um enorme sorriso no rosto, como se aquela música familiar lhe trouxesse ao pensamento a alegria inconsciente da juventude.

E o grupo dançava alegremente, cada um ao seu ritmo, cada um com o seu jeito peculiar e único, todos juntos após um fraterno jantar de Natal...

E é com cores destas que se pintam momentos de amizade e alegria! Outros jantares virão, outros natais também, outros amigos se farão, outras pessoas sairão e entrarão para as nossas vidas, por isso sabemos que estamos vivos, em mais um Natal, já tão próximo (de novo)!

segunda-feira, novembro 30, 2009

O que se vê e o que se é


"...Não se sabe quem vai, nem quem vem. A gente vê os corpos, mas não vê as almas que estão dentro. Há corpos de agora com almas de outrora. Corpo é vestido, alma é pessoa... Na feira da Roqueirinha quem sabe com quantos reis antigos se topa, quando se anda aos encontrões entre os vaqueiros... Em ruim corpo se esconde bom senhor!..."
Eça de Queiroz, in A Cidade e as Serras

sábado, novembro 21, 2009

We live with what we miss...

imagem retirada daqui

Vai deslizando o som quente da música no interior de mim e do automóvel. Prossigo viagem, seguindo a linha branca da estrada que se apresenta em frente, sempre em frente. Nem sei para onde sigo, sigo apenas a linha branca, o caminho é sempre em frente. E seguro na mão um olhar que vi a brilhar por dentro, a seduzir por fora, a brincar com o sorriso eterno de um dia eterno em que ainda não te vi, mas já conheço!

- O que trazes aí?
- Nada de especial, somente o coração que vou guardar na caixa de memórias!

We live with what we miss…
I miss the rain in Summer
I miss the sun in Winter
I miss the stars in the morning
I miss the sunshine at night…
I live to miss what I don’t have…

And I miss you
because you live in me…

sexta-feira, novembro 20, 2009

Desamor


é amor
esse amor cruel e desmedido
mas esse eu não quero
fica contigo
quero um amor doce e suave
que toca a alma e não apenas o corpo
esse, esse fica comigo
vai para o todo o lado não me abandona
abraça-me, acolhe-me e protege-me
suave e intenso como a estrada quente percorrida
esse vai comigo.

gritos que não dizem nada
esses não são para mim
não sentes que o coração que está na tua frente transborda pelos olhos?
vê como corre só para te ver, já que ter-te é impossivel
e não são os outros que não permitem
és tu que não o sentes.

errante caminho desalinhado
fortalecido pelas quedas e não esmorecido
com tantas palavras para se dizer
escolhes as que não fazem sentido
será que são as palavras ou serás tu mesmo?

nessa estrada sem direcção
caminhas determinado mas esqueces-te do coração
esse ficou comigo
encontra-se bem, cuidado, posso garantir-te
não o parto não o amachuco
mimo-o como parte preciosa de mim
e não deixo que nada de mal lhe aconteça
porque está junto do meu
lado a lado a conversar
um dia dir-te-ei como conversam

terça-feira, novembro 17, 2009

"Estrelinha"


Escreveu o nome dela numa estrela
na que estava mais perto da terra
aquela que é a primeira a aparecer no anoitecer
e ficou a olhá-la com o olhar enternecedor
abraçou-a e deixou o seu brilho espalhar-se por toda a terra até ao seu coração
uma companhia eterna para todos momentos
para aqueles em que a ausência do olhar faz demorar mais do que as horas do relógio
mais do que os dias do calendário
mais do que as estações do tempo que já não existe
para que nunca se sentisse só
pendurou-a na lua, a guardiã da noite, e com um laço macio de cetim ali a deixou.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Seus olhos - Almeida Garrett

Apetece-me deixar entrar um clássico! Tão belo este poema eterno!


Seus Olhos

Seus olhos --- se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou ---
Não tinham luz de brilhar.
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! --- e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, num só momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.


Almeida Garrett

terça-feira, novembro 10, 2009

Porque existe sempre alguém que gostariamos de rever

Por te rever - Mafalda Veiga
"Pudesse eu guardar-te nos sentidos e na voz
E descobrir o que será de nós
E demorar um dia mais eternamente
Por te rever, só
Quisera a ternura, calmaria azul do mar
O riso o amor o gosto a sal o sol do olhar
E um lugar pra me espraiar eternamente
Por te rever, só
Pudesse eu ser tempo a respirar no teu abraço
Adormecer e abandonar-me de cansaço
Quisera assim perder-me em mim eternamente
Por te rever, só"

domingo, novembro 08, 2009

Choose love




Rita Redshoes

A carta

imagem retirada daqui


Ela fechou a carta que demorara a escrever. Pensara cada palavra, cada sílaba, cada vírgula. Pensara cada batimento de coração que havia de colocar dentro do envelope. Lembrou as suas mãos longas que tocavam Mr. Big numa noite qualquer há muitos anos, mãos tão jovens então, as mãos e os olhos que, como escreveu Lobo Antunes, eram duas “pedras escuras guardando dentro como que um sumo de amor” e também as mãos e os olhos dele ela guardou dentro do envelope. E enquanto ele tocava naquele tempo antigo de sonhos, ficava ela a olhá-lo a cantarolar e a acompanhar com a viola o som que vinha de dentro dela e também isso ela lá guardou no envelope, junto com a carta, junto com as palavras todas pesadas na balança da emoção inexplicável do passado feito presente. Ela também lá guardou esse tempo, esse passado em forma de sorrisos e disse-lhe que era altura de respirar de novo. Disse-lhe com letras, com frases, com sílabas que era altura de respirar de novo. Disse-lhe com vírgulas e muitas reticências e pontos finais e pontos de exclamação que a carta só seria aberta por ele, quando ele entendesse que era altura. É que, para ela, seria sempre o momento certo, porque para ela a viola tocaria sempre e as mãos dele seriam para sempre aquelas, longas e belas mãos que arranhavam as melodias a medo, a experimentar o som desconhecido, naquele tempo de lembranças. Ele tinha de saber que para ela era sempre tempo e que só dependia dele e que ela esperava, esperaria… Mas, por agora, tinha de fechar o envelope, tinha de enviar a carta, tinha de respirar de novo.
E de uma vez, sem pensar mais, ela fechou o envelope, colou-o bem colado, bem fechado ele ficou e a carta seguiu a sua longa viagem até ele e ela conseguiu,finalmente, respirar de novo.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Uma estrada...


imagem retirada daqui

Ela sabe de uma estrada larga, aberta de par em par como uma porta sem maçaneta, uma porta arrombada, uma porta escancarada... Ao longo dessa estrada larga há uma floresta de cada lado, preenchida por inúmeros atalhos, tantos atalhos quantas as possibilidades. E dentro de cada possibilidade existem outros atalhos, outros caminhos, outras florestas…
Nessa estrada larga ela percorre o caminho que a leva em frente, adiante, aquele que a guia aos prados verdejantes dos quadros dos pintores naive, sem montanhas nem vales, apenas campos arejados e vastos de longínquas sensações de tranquilidade com sabor a fins de tarde amenos.
Ela sabe que nessa estrada prodigiosa e escancarada para a vida, não há retrocessos nem flashbacks, nem livros de história passada ou narrada, nem lendas passadas no sublimar de emoções irreais. E nessa estrada ela segue de vestido negro igual ao cabelo, segura, preparada para o que decerto lhe trará a curva lá ao fundo: outro amanhecer de caminhos largos e inúmeras possibilidades.
Ela sabe de abraços sentidos em despedidas demoradas, leves, suaves, em abraços de almas irmãs e em batimentos de corações em uníssono e é nesses abraços que ela sabe encontrará aquele verso do poema que traz guardado desde sempre…


“And after all that, however long all that may be, you'll go somewhere new. And you'll meet people who make you feel worthwhile again. And little pieces of your soul will finally come back.” No blogue A Senda

quarta-feira, outubro 21, 2009

Uma aldeia

Da janela do quarto podia ver o rio.
Envolto numa paisagem verde e fresca, corria, livre, solto e transparente.
Era Verão e lá fora o sol ainda brilhava alegre e quente.
Vinha de uma cidade movimentada, e era sem dúvida, aquele silêncio que mais estranhava. Parecia que por alguns instantes, a vida era simples, as pessoas eram simples, tudo era simples. E era-o de facto.
A casa era em pedra e embora pequena, estava fresca. O seu interior mobilado com móveis rústicos, e desgastados pelo tempo, conferia-lhe um ar pobre. Uma casa porém igual a todas as outras casas daquela aldeia, envolta no grande vale da serra da Gardunha.
“Enquanto guardava as ovelhas do teu avô, descalço no frio, olhava para esta serra e sabia que um dia haveria de sair daqui.” disse-lhe o seu pai.
E não se enganara. Saíra, para longe, muito longe, e voltara naquele dia, muitos anos depois para rever familiares, amigos, para voltar a caminhar nos mesmos caminhos, que de tanto palmilhados, ainda conhecia de cor. Com um sorriso emocionado, olhos embargados, lá ia dizendo que aquela mesma pedra continuava naquele mesmo lugar, mas que se caminhava melhor nela descalço do que com os sapatos que levava calçados. Sabia muito bem, que o que tinha mudado era a agilidade com que saltava sobre as mesmas nos seus tempos de menino.
Voltaria, ainda alguns anos mais tarde, normalmente no verão, quando a vida lhe permitia ou quando as saudades da aldeia apertavam.
E contava sempre muitas histórias, daqueles tempos! Ainda muito pequena, ouvia-o com muita atenção, com muita admiração, mesmo não percebendo como hoje, o cunho e o valor daqueles testemunhos. A sua infância tinha sido tão diferente da dela...
Desde a morte do avô que não mais voltou aquela aldeia.
E sente saudades, saudades daquela aldeia onde viveu momentos de uma vida tão mas tão distante.
Um dia prometo lá voltar …

Um tolo no meio da ponte


Quando ali chegou não sabia onde estava
Era fácil ir embora ou ficar exactamente no mesmo lugar
Os sonhos e os desejos levam-na para o outro lado
mas o outro lado é desconhecido o que de lá possui é tudo mas não o suficiente
o que chega para se fazer a mudança
para sair do desconforto confortável e correr atrás do sonho
no instante seguinte
"I was wrong to stay but I couldn't go"
nas entranhas do coração habitam os sonhos e quando algo os toca não fica indiferente
mas a coragem da mudança não é para todos
os imortais ficam perenes, julgam eles, onde estão e sem perdas aparentes
mas haverá maior perda do que deixarmos de sonhar?
"vai onde te leva o coração" e quando não souberes o caminho
"senta-te num canto e espera que ele te dê a resposta"
um tolo no meio da ponte não conhece a direcção e nem com GPS saberia orientar-se
não sabe sequer que velocidade colocar em cada passo que dá pois "para um barco à deriva não há ventos favoráveis"
O vento, a ponte, o caminho, os seus pés tudo são impecilhos e para todos encontra um novo motivo para ali permanecer.

sábado, outubro 17, 2009

Amanhecer de girassóis


imagem retirada daqui: olhares.aeiou.pt/campo__de_girassois_foto2051...

É possível que tudo tenha a ver com o tempo. “O tempo é o meu maior inimigo.”, disse ele. “Combato-o como posso.” Ela percebeu que também ela procurava combater o tempo ao não dizer que o tempo acabara, que, afinal, aquele não era o tempo de dar a água do seu sorriso àquele que lhe ficara com o coração.
“O teu olhar, a luz do teu olhar entrou no sepulcro dentro de mim e abriu o meu refúgio à corda do relógio da vida. Foi o teu olhar matinal que encantou de novo o som dos pássaros a rasgar os céus de Setembro. Eles voam à procura de um sol que não está cá. Tu não podes ir, mas a luz do teu olhar chegará lá, bem longe, onde alguém sentirá que este amanhecer de girassóis será eterno em ti. Em mim não. Eu já não tenho tempo. Sempre foi o meu maior inimigo. Combato-o como posso. Hoje foi com o teu sorriso, ontem com a energia do teu olhar. Sabes que procurei esse olhar toda a noite?... E ao mesmo tempo fugia dele… E na lama do meu íntimo, nas sombras de mim eu sabia porquê… Sabia que eras de alguém. Sabia que para teres essa luz a soltar-se de ti tão fulgurante, era porque pertencia a alguém e não a ti. Não a mim também, bem sei. Porque eu apenas procuro combater o tempo, como posso. Já to tinha dito antes. Mas até isso preciso de repetir. Para entender melhor. Para chegar até ti, às franjas da tua alegria e conseguir sorrir… Contigo.”
Ela percebeu de novo que o tempo acabara dentro de si. Já não sorria. Ele não percebia nada. Não podia dar mais tempo àquele que, tão longe, lhe segurava o coração com a mão, a pendurava na lua e lhe mostrava as estrelas, dizendo-lhe: “São belas, não são? Mas não são nossas… O nosso tempo acabou. Como aqueles girassóis têm de acabar, sempre que o sol se senta a descansar nas encostas da noite.”
Ela olhou-o, deteve os seus olhos nos dele e sorriu-lhe.
“Sim, querido, o tempo é o nosso maior inimigo. Por isso, a vida é já!”

sexta-feira, outubro 16, 2009

In a Box

Já quase não cabe mais nada aqui nesta caixa… por um lado alegro-me com o facto de algumas das letras do monograma já cá não estarem. Só fazem falta as que ainda aqui estão e assim ainda há espaço para guardar mais esta agenda.
Mas porque quero tanto estas coisas assim pertinho de mim?
Abro de novo a caixa e sinto o cheiro de ducados daquele tempo. Já não têm o mesmo cheiro hoje. Estes que ainda estão nesta caixa são de cheiros de outro país, de outras pessoas e de outras vidas…
Sinto um misto de nostalgia e ao mesmo tempo arrepia-se a minha alma… tanta vida ainda aqui neste pequenino espaço.
O teu nome está completo, as nossas conversas daqueles dias ainda se lêem apesar de algumas das folhas desta velha agenda estarem tão gastas… e não é da idade que têm mas das inúmeras vezes que ainda te ouço a partir delas. Delicioso aroma concentrado num pequeno espaço…
Mas os pássaros que trazíamos dentro do peito não podiam ficar fechados numa caixa escura, onde nem o titulo do que continha se lê mais… fomos soltando os vincos à caixa e a própria tampa já não encaixa completamente… O cheiro das memórias solta-se levemente e consigo senti-lo mesmo quando ainda está semi-fechada.

segunda-feira, outubro 12, 2009

segunda-feira, outubro 05, 2009

Original Sin - um filme para um dia de chuva...








Dois dos meus actores preferidos, juntos... Um filme intenso... E belo! Ideal para um dia como o de hoje... Chuvoso e morno...

"You can't walk away from love..."

domingo, outubro 04, 2009

o tempo, subitamente solto - JLP

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luís Peixoto

sexta-feira, outubro 02, 2009

Momentos...

Há momentos de lucidez e momentos de loucura. Há dias em que o mundo parece uma gota de orvalho: transparente, puro, brilhante, quase enigmático de tão perfeito. Há dias em que o mundo nem parece ter contornos, surge-nos desfocado ao entendimento, obscuro na sua compreensão, quase insuportável como uma pedra no sapato após longas horas de contacto com a pele...
Há momentos de lucidez... Uma lucidez tão intensa que quase fere o olhar, como a luz clara e dolorosamente realista de uma manhã de Verão. Há momentos de loucura inexplicável, desdenhosa da nossa racionalidade controlada e controladora de impulsos mais ou menos selvagens, mais ou menos tiranos e dominadores da razão.
Há momentos de lucidez em que procuro encontrar desesperadamente a loucura que me (faz) falta...


"I don't know why I cannot see the beauty in front of me..."

http://www.youtube.com/watch?v=10E6DjN4vIE&feature=related
Uma das músicas que mais me faz mexer nas nossas noites (animadas) dos últimos tempos... Uma música (quase) em forma de despedida do Verão...

Deixem-me ser uma mãe babada!


PARABÉNS, EDGAR!
"Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem – um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram – nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é da vossa vida e do vosso futuro que estão a desistir."


(Extracto do discurso de Barack Obama aos alunos no início do ano lectivo)
It's the climb! And it has just started!