segunda-feira, junho 30, 2008

Música no Acontece!




Céu estrelado e quente... Verão e passeios à noite... Mãe e filho pré-adolescente cantam (gritam) acompanhando uma canção durante uma viagem de carro que lhes faz lembrar quando ele era mais pequenito e pedia, quando ouvia a mãe cantar (gritar) esta canção também no carro, para pôr outra vez!
"Mãe, põe outra vez o "patchunou"!"(tradução à letra da parte em que a cantora canta: "But you know, but you know...")!
Esta é para ti, filhote! You know!

sexta-feira, junho 20, 2008

Mais um dia...

Sentados no banco do jardim a conversar, a desfiar opiniões, lamentos, saudades, revoltas e angústias, os velhos ocupam-se com a companhia dos outros que também são seus iguais em condição.
As árvores frondosas agitam-se na brisa da tarde e as palavras saem quase sempre com emoção. Os netos são tão inteligentes, os filhos trabalham muito e não têm tempo para estar com eles, o governo que não quer saber deles nem de ninguém e só quer poder, os interesses dos mais ricos que são sempre acautelados e os dos mais pobres que são esquecidos, o futebol que não alimenta a vida a ninguém mas que se alimenta de paixões, a corrupção que inunda a sociedade, a economia, o desporto, o passado...
Os rostos enrugados, as mãos calejadas, os cabelos brancos, os ossos que doem e não deixam andar depressa, a doença que ainda não matou, mas perpetua o tormento... São estes os velhos que animadamente conversam e entretêm a vida, jogam cartas, lêem jornais, falam do presente e do passado...
O passado surge sempre, ora lembrado com saudade e nostalgia, ora referido com olhos humedecidos pela tristeza. O filho que está no estrangeiro há tantos anos, a mulher que já morreu, as dificuldades dos tempos de juventude e início de casado, a profissão que levou o melhor de si, o lazer que não havia, o descanso que era pouco...
E agora?... Agora a reforma que mal chega para a comida e para os medicamentos...
E agora?... Agora o tempo que passa devagar, tão devagar que cada dia tem vinte e quatro pesadas horas e a dor da solidão e do abandono parece a condição para estar vivo.
Agora o Fonseca vai para casa. São já seis e meia e vai fazer a sopa. Não pode comer muito por isso a sopa faz parte de todas as refeições e à noite é só isso que lhe enche o estômago. Aprendeu a cozinhar sozinho, desenrascou-se, quando a mulher morreu com cancro, há muitos anos atrás. Agora, o Fonseca reza todas as noites pela mulher que já partiu e há dias em que fecha os olhos, quando já está deitado e esquece-se da idade, do tempo, da solidão e quase chega a sentir o cheiro dos cozinhados da sua Emília, a aletria (há quanto tempo não come aletria...) o calor do seu corpo a seu lado, a mão magra no seu braço, quando íam passear juntos ao Domingo à tarde...

Só adolescente...


Este corpo não é meu - cresceu absurdamente, modificou-se, transformou-se, não me deu tempo para o reconhecer. O espelho mostra-me todos os dias alguém diferente. A minha mãe farta-se de ralhar comigo, mas ela não sabe o que eu sinto. Como pode ela entender?...

Não, as calças brancas não me ficam bem, fico com um traseiro enorme. Não gosto de saias e depois? Aquelas que ela me comprou o ano passado estão fora de moda, já não se usam e eu agora não gosto de saias. Que tormento... E as blusinhas com flores? Nem pensar. Que teimosia a dela. Não adianta. Não vou para a escola com elas. Levo sempre as mesmas t-shirts, sim senhor. E depois? Não me deixa comprar mais. Diz que tenho muita roupa... Pois sim. Queria ver se fosse ela a ter que vestir aquela roupa ridícula e ser gozada pelas amigas. Sandalinhas, sapatinhos. Ridículo. Só gosto de sapatilhas, mas ela não entende... No tempo dela era diferente.

Tem que me dar espaço. Sempre a querer saber onde estou, com quem estou. Detesto que mexa nas minhas coisas. Começa logo a fazer perguntas... Tiro boas notas, só tive agora um deslize a Filosofia. Não gosto da matéria e a stora está sempre a enrolar, não explica nada. Só lemos textos e mais textos... Que seca...

E o João sempre a mandar mensagens. Não me deixa em paz. Já lhe disse que aqueles beijos foram um impulso do momento. Não gostei. Pensava que gostava dele, mas percebi que não. Gosto da companhia dele, de conversar com ele, mas não sinto atracção ou paixão. Custa-me dizer-lhe isto, mas tenho que ser sincera. Queria deixar passar a fase de testes para ele não ir abaixo, mas com tanta insistência, temos que falar mais cedo. Se calhar vou perder um amigo...

Que vida miserável... E ainda por cima o ipod caiu e avariou...

só...

Uma mesa do outro lado,
Um homem sentado a beber café
Um rosto fechado
Distante
O jornal que se fechou
Os olhos, por momentos,
Também...
Chega uma mulher
Muito arranjada, muito morena,
Muito segura...
Não se senta.
Deposita uma frase junto dele,
Coloca uma aliança na mesa...
Afasta-se...
Ele não fala.
Os olhos parados
As mãos no regaço.
Tudo parou à sua volta:
O vento, os carros, os pássaros, a gente...
Tudo parou...
Tudo suspenso
Como o seu respirar
Não viu nada a acontecer
Nada se passou há um minuto,
O relógio estava adiantado,
O tempo não contou
Não valeu.
Nada,
Nada aconteceu...



20 de Junho de 2008

sexta-feira, junho 06, 2008

Um pirata muito especial


Para quem tem o prazer de privar da minha companhia, sabe que eu sou uma mãe muito, mas mesmo muito babada.
Daquelas que até enjoam tal é a dose de babice!
Posso até acordar com os pés de fora, estar naqueles dias difíceis do mês, estar com umas trombas daquelas de fazer parar o comboio, mas se alguém me perguntar pelo meu Gonçalo desfaço-me toda…
Parafraseando o rapaz diria que é Magia!
Assim sendo, não poderia deixar de partilhar convosco aquilo que é para mim o fim de uma era e o início de uma nova e longa etapa na vida do meu pequeno rebento! E como é lógico, não iria perder a oportunidade de me babar mais uma vez!
Hoje foi dia de festa, uma festa muito especial pelo menos para mim.
A festa dos finalistas, com direito a queima das fitas e tudo!
O fim da escola dos pequenos, como ele diz, e a ida para a escola dos grandes.
Hoje em dia é-se finalista quando se deixa o infantário, quando se deixa a primária, quando se deixa a preparatória, quando se deixa a secundaria e sim, como no nosso tempo, quando se deixa a faculdade.
Tudo é motivo para festejar e se há coisa a que eu não falto é a festas!
Mais uma vez lá fui eu uma boa meia hora antes do início do evento, não porque tivesse muito ansiosa, mas porque tinha combinado com ele que estaria logo na primeira fila e que iria até com uma camisola cor-de-rosa.
Assim pensava eu, iria evitar os disparates e as figurinhas tristes dos anos anteriores que me punha literalmente aos gritos e a esbracejar na tentativa de ser reconhecida no meio da multidão.
Mas mais uma constatei que a velhice de facto nunca vem só, e mal ouvi “Olé, Olé Piratas é que é! ” percebi que a minha estrela estava a entrar em cena e pimba!
Vá de gritar, vá de o chamar, vá de esbracejar, vá de rir e sim, vá de ficar com os olhos repletos de lágrimas … Mais uma magia, claro!
Magia há muitas, mas garanto-vos que esta foi mesmo das fortes.
Daquelas que nos deixam com um nó na garganta, que nos fazem rir ao mesmo tempo que choramos, que nos eleva, nos arrebata, nos faz render, que dá uma força sem limites capaz de nos fazer galgar o mundo.
Para ti, meu pequeno grande finalista aqui fica expresso o desejo que tudo te corra pelo melhor nesta tua nova caminhada, afinal como sabes, és e sempre serás um Pirata muito especial!

quarta-feira, junho 04, 2008

Agora sim!

Para quem gosta de fazer brilharetes em reuniões ou puro e simplesmente manter uma conversa de encher chouriços, aqui fica este quadro fabuloso!
Agora sim, já ninguém me cala!


sábado, maio 24, 2008

Oficialmente a envelhecer...

foto de Graça Loureiro - internet

É certo que envelhecemos desde o dia em que nascemos. Mas quando é que envelhecer começa a ser algo oficial? Será quando surgem os primeiros cabelos brancos? Será que é quando os ossos começam a doer, adivinhando mudança de tempo? Será quando as linhas do rostos se tornam mais fundas e a pele vai perdendo firmeza? Será quando já não conseguimos correr como dantes atrás de uma criança sem perder o fôlego? Será quando olhamos os jovens à nossa volta e dizemos "No meu tempo não era nada disto..."? Será quando vemos uma mini-saia e dizemos "Isto não é para a minha idade..."
Eu não sei, mas parece-me que é quase tudo isto à mistura, uma coisa de cada vez, claro, mas todos os dias é uma coisa... A cintura alargou, o peito está menos firme, os olhos estão mais fundos, as rugas mais marcadas... Diabo, só a celulite não desapareceu!
Talvez esteja a atravessar uma petite crise pré-aniversário, para estar a pensar nestas coisas...
Raios partam os aniversários: só existem para nos lembrar que os anos estão sempre a passar e que a frescura da idade se está a transformar na sabedoria da maturidade! Vamos chamar-lhe antes maturidade, para tornar as coisas menos difíceis!...


imagem retirada da internet, autor desconhecido

sexta-feira, maio 23, 2008

Angels




I sit and wait
Does an angel contemplate my fate
And do they know
The places where we go
When we're grey and old
'cos I have been told
That salvation lets their wings unfold
So when I'm lying in my bed
Thoughts running through my head
And I feel the love is dead
I'm loving angels instead

And through it all she
offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving angels instead


When I'm feeling weak
And my pain walks down a one way street
I look above
And I know I'll always be
blessed with love
And as the feeling grows
She breathes flesh to my bones
And when love is dead
I'm loving angels instead

And through it all she
offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving angels instead

And through it all she
offers me protection
A lot of love and affection
Whether I'm right or wrong
And down the waterfall
Wherever it may take me
I know that life won't break me
When I come to call she won't forsake me
I'm loving angels instead



Uma aula desta semana, às 8.30 da manhã, começou assim:
- Hoje não vamos fazer nada. Faltam 3 aulas para acabar o ano.
- Nem trouxe caneta, nem caderno...
- É. Stora, hoje não vamos fazer nada. Acabaram-se as fichas.
- Estamos cansados.
9 alunos na turma. Eram 17, inicialmente, abrangidos pelo programa. Alguns nunca apareceram, outros foram trabalhar a meio do percurso. Turma PIEF (Plano de Integração, Educação e Formação). Turma de alunos problemáticos, oriundos de famílias com rendimento mínimo, famílias carenciadas, com problemas de álcool, prostituição, droga e maus tratos à mistura, abrangidos num projecto de prevenção de trabalho infantil e integração social.
- Hoje não vão fazer fichas. Vamos ter uma aula diferente, mas em Inglês, claro!
- Oh, já sei. Palavras cruzadas, sopa de letras... Não me apetece...
- Não é isso. Hoje só vamos ouvir música e entender a letra.
(Comigo não costumam regatear muito... Acabam por colaborar, desde que lhes diga que no fim jogamos um jogo. "Um jogo viciante: nomes, países, cidades, animais, marcas... A ver quem ganha!")

Fizeram três "listenings". A última era esta: "Angels"... A música começou.
A sala ficou em silêncio. Ouviram e tentaram escolher as palavras que faltavam das opções apresentadas. E a música, por alguma razão, pareceu acalmá-los... Verificamos as palavras e o exercício e fomos traduzindo a letra toda, para perceber a mensagem... Quiseram ouvir de novo e cantaram ao mesmo tempo na sua rude pronúncia, acompanhando com dificuldade algumas partes e, no fim, ficaram em silêncio. E pediram para ouvir outra vez e parece-me que dessa vez as vozes deles ouviram-se por todo o corredor do bloco E ( a turma só tem uma menina!)... E eu observava-os, cantarolando (gosto muito da música!) e pareceu-me que aqueles miúdos, por breves instantes estavam também a ser tocados por anjos!
- O Robbie Williams é fixe!- disse um...


Não será necessário dizer que nessa aula não houve tempo para fazer o tal jogo "viciante"!...

quarta-feira, maio 21, 2008

Ídolos, ou também não? Heróis, ou nem por isso?

Um tema actual: professores há muitos! E este mundo está carregado de maus e bons professores. Bom, talvez mais maus que bons, ou talvez mais assim-assim que bons e que maus!
É chegado o momento de deixar aqui a minha declaração de interesse: sou professora.
Após isto, posso falar à vontade!
Tive poucos bons professores e as coisas não devem ter mudado muito desde os meus tempos de estudante, já lá vão uns bons 15 anos. Referências para mim, não tive muitas. Talvez por isso tenha decidido ser diferente, mudar o mundo (santa ingenuidade)...
Decidi ser professora no 12º ano apenas, embora se notasse já antes uma forte inclinação para ensinar, para explicar aos colegas as coisas que eu entendia melhor.
Posso dizer, então, que decidi ser professora por vocação. Hoje arrependo-me. Por tudo. Pela frustração que esta carreira me tem trazido, pelas expectativas defraudadas, pelas medidas governativas dos últimos anos que visaram deteriorar a imagem dos professores e achincalhá-los publicamente, pela nova geração de alunos irresponsáveis e sem objectivos, pelo facilitismo que se instalou como consequência dessa desmotivação generalizada e pela ambição política em apresentar números, enfim, pelo desgaste que a educação em Portugal tem sofrido nos últimos tempos.
Ainda me lembro da alegria que sentia quando entrava na escola e no prazer que sentia quando acabava uma aula e percebia que os alunos tinham chegado mais longe através de mim, naquele dia! Ainda me lembro da saudade que sentia dos alunos durante as férias! Ainda recordo os sorrisos deles a comemorar a lição 100 com fotos, flores e bolos...
Hoje há desencanto na escola.
Hoje sinto a escola como um local de trabalho, um local burocrático e impessoal, um local onde há alunos que têm que passar ainda que nada saibam, onde os alunos vivem fechados dentro de salas de aula quer haja aula ou não, um local sem alegria.
E, de repente, sinto-me uma professora cinzentona, funcionária pública que tem que mostrar relatórios e mais relatórios, que quase não tem tempo para criar aulas diferentes e interessantes, para pesquisar, para inovar, uma professora igual a tantas outras que tive quando era aluna. Uma professora desmotivada e cansada.
Confronto-me com uma geração do prazer imediato, que não encontra qualquer motivação na escola, que encara qualquer actividade com fastio e indiferença... Confronto-me com uma crise de valores no dia-a-dia. Dizem os pais: "Já não sei o que lhe hei-de fazer... Não o/a posso matar com porrada. Já lhe tirei tudo, mas não muda, não quer saber..."
Quando uma mãe ou pai me diz isto, o que posso EU fazer?...
Parece-me que a sociedade está a atravessar uma enorme crise. Sinto que os professores estão no meio dela e, talvez, a sintam mais na pele que os outros. Eu, pelo menos, sinto-o.
Quando era estudante tinha objectivos, sabia que a educação seria o passaporte para uma vida melhor, para a minha realização pessoal. Hoje, nada falta aos jovens, não têm que lutar por nada. Foram os pais que lutaram por eles, daí a passividade, a letargia...
Salvam-se poucos desta corrente de pensamento e atitude. Para esses poucos que lutam contra a corrente, pelo menos, o professor ainda é um herói! Por esses é que ainda procuro forças e vontade para ser algum tipo de inspiração!...
"A teacher affects eternity; he can never tell where his influence stops." Henry Adams

quinta-feira, maio 15, 2008

Canela ou não? Eis a questão!


Ontem estive entretida a tentar dar-vos uma aula de etiqueta.
Pois bem, hoje quem precisa de uma aula sou eu! Não é de etiqueta, mas sim de culinária!
É que ontem ao jantar o meu franganote, o Gonçalo (com 5 anos), fez-me uma pergunta a qual eu não lhe soube responder.
Se alguém me puder ajudar fico grata!

Gonçalo - Oh mãe eu hoje comi uma sobremesa lá no colégio que estava mesmo boa!
Era um arroz doce, mas não tinha arroz.


Mimi - Se não tinha arroz não era um arroz doce…

Gonçalo - Ai não?? Então porque é que tinha canela, hein?

Mimi – (até hoje sem resposta!)

quarta-feira, maio 14, 2008

Uma aula de Etiqueta !



A minha profissão tem-me proporcionado ao longo dos tempos diversas aprendizagens.
Desse crescimento e dessas mesmas aprendizagens diria que a de maior relevância é de facto o contacto com pessoas.
Diversos projectos, varias áreas funcionais, vários clientes em diferentes pontos da cidade, com inúmeras pessoas.
Gosto desta profissão e desta dinâmica!
Trabalhando na área de informática como consultora, esta capacidade de mutação e de adaptação a novos ambientes é imperativa.
Com o passar do tempo fui ganhando ou refinando determinadas características, e hoje, posso afirmar que ao fim de pouco tempo de inserção num novo ambiente é-me fácil radiografar os outros e traçar de uma forma precisa as vicissitudes de cada um.
Gosto de passar de uma forma discreta, e assim sendo, aprendi a concentrar-me no que há de mais importante, dando menos ênfase as particularidades que menos me agradam.
Ao longo destes anos tenho feito verdadeiras amizades, guardo saudades e lembranças de alguns desses projectos...
Mas tenho de confessar que pela primeira vez estou a atravessar uma crise e na maior parte dos dias sinto-me como se estivesse num Big Brother.
Não por me sentir observada ou vigiada, mas sim, pelo facto de ser obrigada a conviver e partilhar o meu tempo com quem não tenho a menor afinidade.
Passo a explicar...
Nas horas do café, do almoço ou lanche deparo-me com conversas que eu chamaria de surreais e fúteis, tal é a distancia da orbita em que situam.
Deixo-vos com algumas partes dessas fantásticas conversas, na esperança que ao menos por ai alguém se consiga divertir:

- Despede-se a empregada doméstica porque ela não lava o chão de joelhos,
- Compram-se toalhas de plástico a 60 euros o metro quadrado,
- Metem-se os filhos em colégios onde eles são servidos ao almoço com um empregado de fato e gravata, com toalhinha de pano no braço,
- Não se comem camarões com as mãos porque isso é um nojo,
- Repreende-se quem diz "casa de banho das mulheres" porque o que é mesmo chique e de bem é dizer "casa de banho das senhoras",
- Casa de 300 mil euros é uma verdadeira pechincha,
- As mãos devem ser arranjadas pelo menos duas vezes por semana,
- Não se consegue comer peixe com talheres de carne,
- Laranja só é comestível se for descascada e cortada as rodelas, por causa do cheiro nas mãos,
- Se alguém espirra não se deve dizer saúde (não me perguntem porquê porque nesta fase eu já tinha desligado),
- Cães em casa só com Pedrigree ...rafeiros não dá,
- Uma menina só pode usar biquini a partir dos 8 anos, antes disso, só fato de banho,
- Não de deve limpar a cara em tolhas que não sejam brancas.

Bem, um dia ainda vou escrever um livro e fazer concorrência a Bobone com tanta etiqueta. Enquanto este dia não chegar, vou tentando passar o que apreendo aqui diariamente, que como podem verificar, é de uma importância absolutamente vital!
Se por ventura me encontrarem um dia destes a almoçar sozinha não estranhem.
É que há dias em que me falta a paciência para estas aulas de etiqueta...

segunda-feira, maio 12, 2008

Sapatos apertados

Quando os sapatos são apertados…dói andar, doem os pés…mas o que dói mais é o aperto que provocam na nossa vida e na nossa alma. No existir e no sentir.
Quando algo que dizes me aperta o coração… quando o que se vive é sempre muito pouco… quando fico só e no meu pensamento estão todas estas coisas...vejo que trago nos pés uns sapatos apertados.
Quanto desconforto nos causa trazer nos pés uns sapatos que apertam…É terrível o que se sente… os pés doem mas essa dor e desconforto passa desde as extremidades que são os nossos pés e chega à alma.
Uma certeza eu tenho: enquanto caminhamos com esse calçado nada é bom pois esse desconforto não nos deixa sentir o que de bom nos rodeia. Até podemos estar num sítio maravilhoso, num lugar encantado mas logo depois dos primeiros passos os pés… e o resto do corpo atrofia. Nada mais ocupa a nossa cabeça a não ser a ideia de os descalçar e libertar-nos desse aperto.
Por muito tristes que isso nos deixe… há sapatos que só são bonitos na prateleira!

quinta-feira, maio 08, 2008

MAYDAY




Todos com certeza já ouviram a famosa palavra MAYDAY.
Por definição significa :
"Mayday é a chamada radiotelefônica de emergência ou socorro, versão anglicizada do francês m'aidez,
"ajude-me". Utilizada principalmente nas navegações marítimas e aeronáuticas, faz parte do Código
internacional de sinais e do Código Fonético Internacional."
Pois bem, hoje não pretendo fazer nenhuma chamada radiotelefónica mas sim uma chamada radioplanetária.
Vou chamar a minha nave e pedir-lhe encarecidamente para me levar de volta para o meu planeta, porque a minha missão por aqui já teve melhores dias.
Sei que nem todos vêm para este planeta com a mesma missão, e enquanto a uns a vida lhes corre de feição no que eu chamaria de um circulo perfeito, os outros têm de caminhar por caminhos íngremes e bem mais tortuosos.
Uns chamam-lhe karma, outros sorte, outros sei lá o quê!
Para quem não me conhece o meu nome é Mimi e sou do signo peixes.
Pois bem, parte da minha incapacidade de adaptação está precisamente ai, nos 2 peixes que compõem a minha personalidade.
Se por um lado um dos peixes é sensível, frágil, doce, ingénuo e por vezes infantil, o outro é uma verdadeira fera, refilão, teimoso, ansioso, sem paciência e muitas vezes inflexível.
Diria mesmo que um dos peixes é tipo Nemo e o outro é um tubarão, o tubarão mau!
Pois bem, sabendo os meus criadores de antemão que sofro com esta falta de entendimento entre os meus dois peixinhos, não se percebe como é que me puseram justamente numa missão tão complexa.
Tenho os meus 2 meninos oprimidos e tristes... e se eles andam insatisfeitos, eu, não por consequência mas por solidariedade, também fico!
É que nós lá no meu planeta somos todos muito solidários!
Mandei um fax ao meu criador e expliquei-lhe que se por um lado o meu Nemo gosta de uma vida pacata, calma, sem sobressaltos e sem conflitos, o meu tubarão mau tem mesmo um génio difícil e muita falta de paciência principalmente quando se cruza com determinados espécimes da raça humana.
E digo-vos uma coisa, espécimes raros nesta minha missão é o que não me tem faltado!
Tropeço em alguns quase todos os dias e não encontro forma de os conseguir afastar.
Se por sorte um se afasta aparecem mais dois ou três.
É como os cabelos brancos, arranca-se 1 nascem 7!
Como devem calcular hoje nem ouvi o meu Nemo piar, o protagonismo foi todo para o meu tubarão mau que só não arrancou o braço a alguém porque o meu Nemo não deixou.
Infelizmente fui informada que um dos sensores da minha nave está avariado e como tal terei de prolongar a minha estadia no planeta terra por mais algum tempo.
Resta-me tentar conviver e conduzir da melhor forma o que me resta desta minha missão por aqui e nos dias mais nublados subir ao cimo de um monte e gritar de plenos pulmões:
MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY !!

segunda-feira, maio 05, 2008

Diário de uma mãe - 2 (no dia da mãe)

O príncipe desta história!...

Quando eu nasci,

Quando eu nasci,
Ficou tudo como estava
Nem homens cortaram veias
Nem o sol perdeu raios de fileiras...
Somente,
Esquecida das dores
A minha mãe sorria...
Quando eu nasci,
As nuvens não espantaram,
Não enlouqueceu o poeta que cantava...
Para que o dia fosse grande e faustoso
Bastou o riso amoroso
Da minha querida mãe!



Edgar Filipe, 11 anos
4 de Maio de 2008
Beijinhos para todas as mães, em todos os dias!...

quarta-feira, abril 30, 2008

Diário de uma mãe - 1



Gustave Klimt, Mãe e filho


- Mãe, quero pedir-te uma coisa, mas já sei que não vais deixar. Esquece.
Alguns (poucos) minutos depois:
- Mãe, amanhã posso fazer um trabalho para Inglês com a Lipa e com a Patrick?
- Claro,- disse eu. E elas vêm cá a casa de tarde?
- Sim. E podemos ir almoçar à pizzaria?
- Sozinhos?
- Oh mãe, claro. Vamos os três. Dás-me dez euros, então?
- E vão a pé? Sozinhos?
-Oh mãe… Claro.
E pronto. Foi assim o teu primeiro almoço fora, com as amigas, sem a mãe. Com onze anos.
Sempre rodeado de meninas, gostas também de estar com os outros rapazes, mas pareces preferir as conversas das meninas e as suas brincadeiras. Os rapazes têm brincadeiras muito físicas (empurram-se, jogam futebol, correm imenso), enquanto as meninas são mais cerebrais, escutam-te, conversam, discutem.
Estavas tão ansioso com o almoço que até esqueceste a mochila da Educação Física na escola! Claro que te passei um raspanete brutal e ameacei-te de te castigar se a mochila não aparecesse! No dia seguinte, correste a escola, bateste todas as esquinas e, finalmente, encontraste-a numa sala onde tiveste aula de substituição de, precisamente, Educação Física! Recuperaste a alegria, pois julgaste que te tiraria o telemóvel, o Disney Channel, o MSN… As tuas diversões preferidas.
Estás a crescer tão depressa…Pré-adolescente, como gostas de te chamar. Corpo de rapazinho e mente de quase-adolescente! Que questiona, que gere conflitos interiores, que procura entender coisas difíceis… E as "coisas difíceis" da adolescência ainda mal começaram!

terça-feira, abril 29, 2008

Dúvida - 2




Parece que vou escrever um post sobre a dúvida!...



Viver a dúvida é tão natural como viver a alegria ou a tristeza. A dúvida é sempre um estado de alma doloroso, mas todos sabemos que quando a vivemos não estamos sozinhos. Muitos são os que a sentem, tal como nós, nalgum momento da vida, em relação a algo ou a alguém.

A questão é: como agir quando se têm dúvidas?

Quando há um crime, por exemplo, como se pode condenar se as dúvidas pairarem sobre as consciências? Deve-se deixar um criminoso impune e pronto a cometer outro crime se sair ileso, ou punir, condenando, apesar das dúvidas e de não haver certezas, correndo-se, assim, o risco de condenar um inocente?

Porque há tantas pessoas que parecem ter sempre a certeza de tudo e outras que nunca estão seguras de nada, que vivem na indecisão e dúvida constantes?

Será que a maturidade aumenta a nossa certeza e diminui a dúvida?... Quantos de nós, então, desejariam "crescer" mais depressa?...

Dúvida - 1

Quando as emoções transbordam do coração, só podemos deixá-las aflorar aos olhos em forma de lágrimas...

As palmas ressoaram estridentes e fortes no teatro. A jovem actriz abraçava a Diva que terminava a peça com as enigmáticas palavras: "Tenho tantas dúvidas..."


A plateia estava repleta e a emoção fervilhava no ar, eclodindo em palmas a carga acumulada dos minutos em que a respiração estava presa e os olhares suspensos na representação da velha senhora do teatro, do actor reconhecido e aclamado e da jovem e emocionada actriz que mal cabia em si de felicidade naquele último dia de espectáculo.



"Dúvida" era a peça. Eunice Muñoz, Diogo Infante e Isabel Abreu os actores principais.

segunda-feira, abril 21, 2008

Humanidade ou moda ?

Numa das minhas muitas idas ao supermercado e enquanto aguardava pacientemente pela minha vez na caixa, olhei para o lado e vi uma bancada cheia de revistas, as tais chamadas revistas cor-de-rosa.
Numa das capas, saltou-me a atenção um dos títulos que dizia mais coisa menos coisa " Sofia Alves vai adoptar uma criança".
Olha mais uma, pensei eu.
Sim porque nos tempos que correm já são mil e uma celebridades que adoptam crianças.
Ele é o Bradd Pitt e a Angelina, Madonna, Sheryl Crow, George Lucas (realizador da guerra das estrelas), Tom Cruise e Nicole Kidman e até a conhecida Ágata foi buscar uma criança brasileira de 8 anos na costa da Caparica!
Perdoem-me se estiver errada, mas diria eu que é mais uma moda, isto para não lhe chamar um capricho ou pior ainda, uma forma de promoção.
Confesso que este tema nunca me suscitou qualquer dúvida e sempre achei uma atitude nobre o acto de adoptar crianças que por contingências da vida não puderam crescer no seu seio familiar.
Acontece que um dia destes fui tomar café com varias colegas de trabalho e uma delas, mãe de 3 filhos, comentou casualmente que ela e o marido pretendiam adoptar uma criança.
Ao contrario das demais, fiquei um pouco a modos que baralhada e numa tentativa de perceber este novo fenómeno social, questionei-a sobre o que a levava a ela, mãe de 3 filhos e com uma vida atarefada, a querer adoptar uma criança.
A resposta foi muito simples, rápida e directa: “para dar um exemplo de humanidade aos meus filhos”.
Bem, depois da resposta fiquei ainda mais confusa e baralhada que no inicio da mesma.
Um exemplo de humanidade, mas que bem!
Estava a espera de muitas respostas do tipo:
- Temos vontade de ajudar e criar uma criança sem possibilidades, dar-lhe um lar e uma boa educação;
- Que os laços de pai e mãe vão muito para além do biológico, e cingem-se tão somente na capacidade de dar e receber amor;
Mas não, os motivos não eram de todo esses.
Como sofro de um defeito terrível chamado pensamento excessivo, não consegui terminar a conversa por ali e voltei de novo a carga.
Comecei por lhe dizer que a vida nem sempre era linear e nem sempre as palavras são suficientes para se alcançar o âmago das experiências.
Que para mim a adopção era concebida para dar uma família a uma criança, e não para dar uma criança a uma família.
Adopção não é, ou melhor não deveria ser um acto de humanidade ou de caridade.
Não se pode ser mãe ou pai por humanidade, é preciso muito mais.
Que achava mais que compreensível que casais sem filhos adoptassem crianças mas quando se tratava de casais com filhos, como era o caso, outras questões se impunham.
Seria capaz numa situação de crise de ser totalmente imparcial perante um dos filhos legítimos e o adoptivo? Amaria incondicionalmente esse filho adoptivo como os seus próprios filhos?
Não me soube responder a tais questões até porque segundo me disse nunca tinha reflectido sobre elas…
Eu quanto a mim falo, teria a capacidade para criar a amar uma criança mas nunca conseguiria iguala-la ao que sinto pelo meu filho. Assim sendo, não tenho condições para adoptar quem quer que seja…
Tenho uma parte mas falta-me o todo.
Num outro contexto diria que são Dualidades, dualidades de opiniões … por aqui resta-me dizer, que enfim …
Acontece!

domingo, abril 20, 2008

Laços

Tudo se resume a laços. Os outros são como nós. Somos tão parecidos, afinal!...
Apetece dizer que sem os laços que nos unem aos outros não tínhamos onde nos agarrar, viveríamos desgarrados da nossa essência. Laços que unem, não laços que prendem, nem amarram. Unem e envolvem sem asfixiar.
O que são os laços?... Como se pressente que entre duas pessoas existe um laço que as une e as alimenta e lhes dá vida? …
Sentir que há alguém, numa sala cheia de gente, com um brilho no olhar que nos diz algo especial; acabar a frase que alguém começou sem ter nada premeditado; rir ao mesmo tempo de algo a que mais ninguém achou graça; sorrir com a lembrança dessa pessoa; sentir que dela só parecem vir coisas boas, sensações de alegria e calor, serenidade e harmonia; sentir que tudo parece bem porque esse alguém está presente…
Calcorreamos o mundo à procura de laços destes e afinidades assim e, muitas vezes, o que encontramos são nós: nós cegos, nós castrantes, nós que afligem, que perturbam, que fazem secar a alma e endurecer o coração.
Encontrar laços, viver experiências com alguém que parece ser uma extensão de nós… Olhar para o horizonte e ver um arco-íris... Consegues vê-lo comigo?...

sexta-feira, abril 18, 2008

Este espaço está mais belo!

Agora somos três!... E mais os outros todos que gostam de partilhar pensamentos e emoções por aqui! A partir de agora, somos três a escrever o que dita o coração, a experiência, a razão!... Somos três para que este espaço seja mais perfeito, mais rico e mais envolvente!
Fiquei feliz com a sugestão da Cláudia e mais feliz ainda quando a Mimi aceitou o convite para enriquecer este lugar de encontro (ou desencontro), este lugar onde o sol nasce sempre! Estávamos a precisar de uma lufada de ar fresco vindo do sul! :)
Bem vinda Mimi!...