

Aqui tudo pode acontecer... mas são essencialmente as nossas viagens pelo mundo das ideias e das experiencias que aqui podemos partilhar...





-Mãe, estou a ficar velha... Doem-me os ossos desta mão...
-Deixa lá, filha, quando chegares à minha idade renovas!
É sempre assim. As suas respostas imediatas carregam o optimismo espontâneo que nasceu consigo! As madeixas brancas misturam-se com os cabelos negros de outrora e solta-se da sua boca a sabedoria natural de quem já sabe muito, mas continua a aprender sem receios nem pudores.
-Mãe, perdi o concurso. Enviei dois trabalhos, mas não ganhei nada...
-Deixa lá, filha, ganhaste experiência!
Por vezes escandaliza-se levemente. Outras vezes diz que nada a surpreende, mas as rugas que traz no rosto só me fazem lembrar que tenho à minha frente uma alma renovada, forte, lutadora. E o meu coração sorri...
-Porque estás a rir?
-Estou-me a rir do que disse... Aquilo de renovar!... Quem me dera ficar assim renovada daqui por muitos anos! Tanta gente que precisava de se renovar por dentro e só se lembram de renovar por fora...
"Experiência não é o que aconteceu com você; mas o que você fez com o que lhe aconteceu" ( Aldous Huxley )
- Mãe, onde está a tua cabeça?
Lembro muitas vezes o amor que a minha mãe sempre demonstrou nas palavras quando falava do seu pai... Perdeu-o aos sete anos. Diz que foi, talvez, o único amor verdadeiro e intenso que recebeu em criança. Recorda os dias em que se sentava ao seu colo a comer a sopa, em que passeava com ele pelas ruas da aldeia nas noites quentes de Verão...
Ninguém escolhe um Pai. Deixamos essa tarefa entregue à nossa mãe! O Pai é imperfeito. O Pai é humano. Mas é importante ter um Pai e saber onde ele está. Perdoar faz parte de ser filho. Não esquecer os defeitos também se perdoa ao filho! Reconhecer as qualidades é libertador e aproxima os corações.
O meu Pai não é perfeito e falhou em muitas coisas essenciais. Mas lembro-me que ele brincava comigo, lembro-me de esperar que chegasse, sentada no cimo das escadas ao fim do dia e gritar "O pai vem aí!" e atirar-me para os seus braços (a medo), do cimo das escadas e ele dizia "Atira-te" e eu atirava-me, porque confiava na sua força, porque a seguir ele fazia-me dar uma cambalhota e segurava-me de novo e eu tinha a minha brincadeira ganha. Às vezes dizia "Tenho uma coisa. Procura!". E os meus olhos brilhavam, porque não tínhamos nada, ou tínhamos muito pouco e eu procurava nos bolsos dele, no casaco, nas calças e lá encontrava uns rebuçados, uma guloseima, um brinquedo que ele tinha encontrado e que nos trazia...
O resto... A vida acontece e só em adultos procuramos entender e perdoar...
PARABÉNS A TODOS OS PAIS que veneram no seu coração esta sublime missão encantada de amar um filho mais do que a eles próprios!... São Pais verdadeiros, Pais eternos... São Pais assim que fazem falta!...
Apenas 30% dos lugares de topo na Europa são ocupados por mulheres. Ainda assim, as mulheres europeias vivem num mundo, teoricamente, igualitário... No mundo árabe a situação das mulheres é bem diferente... Pergunto-me sempre neste dia: ainda há necessidade de haver um dia internacional da mulher? No mundo actual?...
Parece que sim e também é preciso não esquecer que a discriminação existe bem perto de nós, através da violência doméstica, da desigualdade nas oportunidades, nos preconceitos entranhados numa sociedade patriarcal e ultrapassada.
Um beijo especial para todas as mulheres!...
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade
de um rapaz e de uma rapariga
um amor que dança harmoniosamente com o meu corpo
Por breves momentos, mas mais frequentemente do que (se calhar) desejável, dou comigo a pensar se não seria possível parar o tempo, de tal forma que continuaríamos o percurso da vida, mas não envelheceríamos. Não nos tornaríamos imortais, isso seria terrível. Mas manteríamos a juventude até à morte e não murcharíamos como a bela flor…

Em criança tive o privilégio de ter uma ama. Não fui para o jardim-de-infância, não tive uma educadora, não fiz actividades extra-curriculares. Não soube o que era brincar com plasticina ou pintar em guache, não tive lições de música, nem de natação. Muito menos de Inglês! Fui uma privilegiada! Corria pelo quintal da Sr.ª Linda, a minha ama de todas as horas, enquanto a minha mãe trabalhava, durante a semana e aos fins-de-semana. Brincava livremente na terra, com as plantas, com as flores, com as pedras, com os outros miúdos. Às vezes enfastiava-me, não ter nada para fazer, outras vezes sentia saudades da minha mãe, sobretudo ao domingo, se ela trabalhava e eu não podia estar em casa. Não eram saudades de brincar com ela, pois ela não brincava comigo. Não tinha tempo… Eram saudades da sua presença, do seu calor ali perto, da sua comida.
"Unidos por algo que não é deste mundo..."


Vista da varanda de minha casa em Lousada...
Do outro lado: Escola Secundária coberta de neve!
E o dia apresentou-se branco, pela manhã e os sorrisos viam-se nos rostos daqueles por quem passava, num misto de "que lindo" e "que frio"!...
Costumo adorar a luz do sol, mas hoje adorei também a luz que caía do céu em flocos brancos, para curar a terra, para ajudar a rejuvenescer os solos, lá por altura da Primavera!





Sempre me incomodou a escrita das canetas de tinta permanente… são aquelas com uns bicos muito bem desenhados e cuja elegância das canetas me fazem por vezes desejar escrever com elas. Mas eu não lhes consigo dar a correcta utilização e até sou capaz de furar o papel quando me atrevo a usá-las.



gosto de ti desde aqui até à lua
gosto de ti desde a lua até aqui
gosto de ti simplesmente porque gosto
e é tão bom viver assim...
André Sardet, Adivinha o quanto gosto de ti
