quarta-feira, julho 22, 2009

o teu sorriso... ah, o teu sorriso!



O mais belo sorriso. Lembro, recordo com uma palavra a apertar o coração. Nem é triste, nem tão pouco alegre, a palavra. É uma palavra apenas, que lembra um sentimento, que lembra um momento, que lembra um beijo, que lembra uma risada, que lembra uma música. É o mais belo sorriso. Trago-o preso ao coração com um agrafo, como um papel preso a outro por um agrafo, que pica o papel, que pica o coração por causa da palavra. A palavra que aperta o coração. A palavra que não é triste, nem tão pouco alegre. É uma palavra que lembra um sentimento que nunca dobrou a esquina e partiu e ficou ausente. É um sentimento presente por causa daquele sorriso. Só por causa dele. Por causa de ti.
É a saudade. A palavra. O sentimento. A saudade de ti.
Quantos anos?...
O que importa?
Tu sabes que sempre gostei do teu sorriso!
:) :) :) :)

segunda-feira, julho 20, 2009

Para que serve o Amor?



- "Saúde e trabalho. Amor? Para que serve o amor se não tiver estas duas coisas?
O amor ajuda, é verdade, mas sem saúde e sem o meu dinheirinho para que me serviria?"

Aqui está uma breve parte de uma conversa de uma mulher do povo que apesar da sua simples condição já compreendeu o que é realmente imprescindível para viver.

quarta-feira, julho 15, 2009

As férias de Verão - 2

O que andamos a ler...

O teenager:
" Quarta-feira, 14 de Janeiro
Fiz-me sócio da biblioteca. Trouxe Os Cuidados com a Pele, A Origem das Espécies e um livro de uma autora que a minha mãe não pára de gabar. Chama-se Orgulho e Preconceito, por uma mulher chamada Jane Austen. Posso garantir que a bibliotecária estava impressionada. Talvez seja uma intelectual como eu. Não olhou para a minha borbulha, portanto já deve estar a desaparecer. Já não era sem tempo!
O Sr. Lucas estava na cozinha quando cheguei, a beber café com a minha mãe. A cozinha estava cheia de fumo. Eles estavam às gargalhadas, mas quando cheguei calaram-se.
A mulher do Sr. Lucas estava lá fora a limpar o colector. Estava com ar de mal disposta. Acho que o Sr. e a Srª. Lucas têm um casamento infeliz. Pobre Sr. Lucas!
Nenhum dos professores da escola reparou que sou um intelectual. Vão-se arrepender quando eu for famoso. Há uma miúda nova na nossa turma. Está sentada ao meu lado em Geografia. É fixe. Chama-se Pandora, mas gosta que lhe chamem 'Caixa'. Não me perguntem porquê. Sou capaz de me apaixonar por ela. Já está na altura de me apaixonar, afinal de contas tenho 13 anos e 3/4." --------------in O Diário Secreto de Adrian Mole aos 13 anos e 3/4, Sue Townsend
A mãe do teenager:
" à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal." -------------------------in Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto

terça-feira, julho 14, 2009

domingo, julho 12, 2009

O banjo do avô


O neto mais velho não consegue ligar a aparelhagem. O avô traz um CD na mão e diz que é para ouvir. “Tem umas peças que eu toquei no banjo e o Tone gravou em CD”. O avô não percebe nada de aparelhagens, nem computadores, nem CDs, mas trá-lo na mão e quer que os filhos e os netos o ouçam. A aparelhagem da sala não “lê” o CD. O avô não sabe porque é que isso acontece. Em casa do Tone tocava bem. O filho diz-lhe que põe o CD a tocar no computador. O avô não percebe porque é que agora o CD já toca, mas não faz mal… A música começa a tocar e as filhas conhecem-na bem, talvez mais que o filho mais novo, que, pertencendo a uma geração mais nova, não passou muitos serões a ouvir o pai tocar, refugiando-se no quarto com o computador e a TV ligados. A filha mais velha vem a correr, perseguindo o som familiar que ela sempre ouvira o pai tocar no banjo, o som inconfundível daquele banjo…
A mãe nunca gostou daquilo. Nunca deu valor à habilidade do pai para tocar qualquer instrumento de ouvido, sem ter qualquer conhecimento de música, sem saber ler nem escrever notas musicais. Aprendeu sozinho, tocando com os irmãos enquanto eram jovens. A filha mais velha traz uma pen na mão e diz ao irmão que quer aquele CD gravado para si. E diz para dentro que quer guardar aqueles sons para sempre, mesmo depois daquele banjo se silenciar, mesmo que tenha de ser, um dia, mesmo que ninguém mais saiba tocar assim como o avô… E diz para dentro que está feliz por poder trazer aquele som gravado em algo mais material que a sua memória, em algo que possa um dia mostrar ao seu filho e que possa ouvir sempre que lhe der as saudades de uns serões inocentes de tudo, da vida e das tristezas dos adultos.
E o som do banjo sobressai no meio dos outros instrumentos e o avô orgulhoso e com as faces coradas diz que aquele som é o melhor de todos e a filha mais velha diz que sim, que os outros instrumentos não se ouvem nada, que o banjo é que é bonito e a filha mais nova pensa para ela que aquilo não se deve perder, porque o neto mais pequeno também já tem jeito para a música e só tem quatro anos. E o avô fica contente, mais contente ainda porque as filhas querem levar a música naquilo, naquele pedacinho de plástico com um nome qualquer que não é disco… “Eu depois gravo num CD, pai!” E o avô ri, satisfeito, remexendo na gaveta onde guarda tesouros antigos: documentos caducados, papéis soltos, postais de aniversário oferecidos pelos filhos, pautas e livros de música muito velhos, amarelecidos pelo tempo, comidos pelos anos, onde se pode perceber que ele tentara aprender música sozinho, mas depois não pôde e tocava sempre assim, com os irmãos quando se juntavam e para os filhos quando eles nasceram.
E o banjo ficará, deste modo, na família, para sempre no ouvido e no coração e gravado agora num CD para que ninguém esqueça o avô artista, que aprendeu música sozinho e que tocava um banjo que tinha um som mais alto que todos os outros em seu redor!
"-Do you like music?
- Yes, more than food!" no filme, August Rush.

terça-feira, julho 07, 2009

As férias de Verão - 1

O Henrique é um garoto simpático! O sorriso abre-se logo em duas filas de dentes brancos assim que lhe digo “Bom dia”. É um miúdo bonito e tímido. Sempre a sorrir, fala muito pouco. Veio com o pai, o Sr. Henrique, colocar uns roupeiros cá em casa. Julho, férias de Verão, sábado às 8h da manhã, em ponto, chega com o pai que vai fazer “este biscate” para ganhar mais algum para além do horário da fábrica. “O Henrique vem sempre comigo! É o meu ajudante!”, diz o Sr. Henrique com um sorriso babado! O nome comum deve ser um sinal... De cumplicidade, de compreensão, de amor mútuo...
Tem cerca de onze anos e é já um homenzinho. Chega o material, segura as tábuas, varre o chão, cumpre as ordens que o pai lhe vai dando, sem reclamar, sempre atento, para não falhar. Quando pára de fazer alguma coisa, brinca com as tábuas, vai à varanda, olha os carros a passarem e deve imaginar as brincadeiras que podia estar a fazer se não estivesse ali, a ajudar o pai. Talvez a jogar à bola com os amigos, na rua…
Disse-me que vai ser médico quando for grande. E certamente vai sê-lo! É um aluno exemplar, teve 5 a todas as disciplinas no sexto ano! Adora futebol e joga na equipa da terra! E tem de ajudar o pai. Mesmo que seja um dia inteiro, mesmo que seja a um sábado, num dia de férias de Verão…
Porque a vida não é fácil e é de pequenino que se aprende…

segunda-feira, julho 06, 2009

O pote rachado


Havia na Índia um carregador de água que transportava - em ambas as pontas de uma vara que levava atravessada no pescoço - dois potes grandes de barro.Um dos potes tinha uma racha e o outro era perfeito.O pote perfeito chegava sempre cheio ao final do longo caminho que ia do poço até à casa do patrão. Mas o pote rachado chegava apenas com metade da água. E, assim, durante dois anos, o carregador entregou diariamente um pote e meio de água em casa do seu senhor. O pote perfeito, é claro, estava orgulhoso do seu trabalho. O pote rachado, porém, estava envergonhado da sua imperfeição. Sentia-se miserável por apenas ser capaz de realizar metade da tarefa a que estava destinado. Depois de perceber que, ao longo de dois anos, não tinha passado de uma amarga desilusão, o pote disse um dia ao homem, à beira do poço:

- Estou envergonhado e quero pedir-te desculpa. Durante estes dois anos só entreguei metade da minha carga, porque a minha racha faz com que a água se vá derramando ao longo do caminho. Por causa do meu defeito, tu fazes o teu trabalho e não ganhas todo o salário que os teus esforços mereciam.

O homem ficou triste com a tristeza do velho pote, e disse-lhe com compaixão:

- Quando voltarmos para casa do meu senhor, quero que repares nas flores que se encontram à beira do caminho.

De facto, à medida que iam subindo a montanha, o pote rachado reparou em que havia muitas flores selvagens à beira do caminho e ficou mais animado. Mas no final do percurso, tendo-se vazado mais uma vez metade da água, o pote sentiu-se mal de novo e voltou a pedir desculpa ao homem pela sua falha. Então, o homem disse ao pote:


- Reparaste em que, ao longo do caminho, só havia flores de teu lado? Reparaste também em que, quando vínhamos do poço, todos os dias, tu ias regando essas flores? Ao longo de dois anos, eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se tu não fosses assim como és, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.


(Autor desconhecido)


Aquilo que aos nossos olhos é um defeito, aos olhos do mundo pode ser uma grande qualidade!

Aprendamos a aceitar o que somos, pois, por vezes, é por tudo isso que somos amados!

(Este foi um dos momentos de reflexão e ternura "na noite em que fechamos (quase) tudo", ilustrada nas fotos do post anterior! Beijinhos especiais para a Capitolina!)

Na noite em que fechamos (quase) tudo!











Também queríamos fechar a estrada, mas a GNR não deixou! "Ca punha!"

quinta-feira, julho 02, 2009

Tu silencio



.."En tu silencio habita el mío
y en alguna parte de mi cuerpo habitó..."

segunda-feira, junho 29, 2009

Escrita

A mão percorre a folha
devagar traz à luz
novas palavras
uma nova linha de sentido
de horizonte
uma nova peça
que se encaixa
na outra
que se lhe segue
no pensamento que se segue
no sentimento que alastra
pela folha em branco
pelo coração em branco
pelo que fica
depois de se dizer
de se escrever o que não se sente
de não se escrever o que rebenta por dentro
no coração em branco
no papel vazio...

sexta-feira, junho 26, 2009

Ninguém vive para sempre...





Adeus Peter Pan...
O génio morreu...

Faz parte do meu imaginário adolescente... Não podia deixar de escrever algo sobre o assunto que faz hoje as manchetes de todos os jornais e noticiários. Sei bem que há quem o deteste, assim como há quem o idolatre! Eu sou apenas uma fã que gosta da sua música e aprecia o seu talento como bailarino e compositor.
Excêntrico, génio, alucinado, desequilibrado, bizarro, incompreendido, enfim, estrela...
Tinha um pouco de tudo. Mas tinha também um talento avassalador...
A forma como cantava e dançava, as canções que compôs e atingiram o número um dos tops musicais de todo o mundo, o feito de ter criado o disco mais vendido de sempre , são factos que fazem com que seja atribuído a Michael Jackson o título de Rei da Pop.
The king died, the legend was born...
His music will live forever... In our hearts...

quarta-feira, junho 24, 2009

Pérola


Querida Pérola,

"A morte é apenas uma travessia do mundo, tal como os amigos, que atravessam o mar, e permanecem vivos uns nos outros.
Porque sentem necessidades de estar presentes, para amar e viver o que é omnipresente.
Nesse espelho divino, vêem-se face a face; e sua conversa é livre e pura.
Este é o consolo dos amigos e embora se diga que morrem, sua amizade e convívio estão, no melhor sentido, sempre presentes, porque são imortais."
William Penn
O céu ganhou mais uma Pérola ... descansa em paz.

terça-feira, junho 23, 2009

A gaivota


Uma gaivota esvoaça por cima do mar, rasteira à água, quase tocando levemente a ondulação branca que me vem beijar os pés. É uma gaivota belíssima, de penas brancas e longo bico amarelado. O seu voo encantou-me e agora prendi o olhar nela, seguindo o seu trajecto, ora suave, ora rápido, ora voando para longe, ora regressando e deixando-me, a mim, com vontade de a seguir até às rochas escarpadas e de lá observar a imensidão do azul, acima e abaixo de mim.
Mas os meus pés estão enterrados na areia e ainda assim apetece-me caminhar ao longo do areal e contrariar a gravidade que me traz para baixo, que me prende à terra, que me retira as asas, que me traz presa ao chão.
Caminho perdida em pensamentos soltos e sem vontade de chegar ao fim da praia. Ao longe, um navio leva-me em viagens exóticas e imprevisíveis, para destinos longínquos e insondáveis. E eu deixo-me ir nesse navio, errante, sem data para regressar, sem rota marcada que não seja o infinito, solta de tudo, desprendida do chão, ausente das memórias, em branco para o que vem, para o futuro que traz um respirar desconhecido e inebriante, uma asa de cor nova, um voo sem direcção.
Caminho ao longo da praia e, de súbito, a gaivota de penas brancas voa a meu lado, tranquila, subindo um pouco, descendo de novo, afastando-se até às rochas que deixei para trás, aproximando-se de mim, novamente, devagar, planando a água que me vem acariciar os pés em cada passo e é então que, de alguma forma, pressinto que não irei fazer esta caminhada sozinha…

segunda-feira, junho 22, 2009

Pure teen!



“A mochila está pronta?”
“Claro! Só vais para a piscina amanhã e colocar lá dentro uma toalha, o protector e uns chinelos, não é tarefa demorada!
“Mas eu quero que fique já pronta para não me atrasar amanhã. Tenho de estar na pizzaria ao meio dia.”
“E que calções de banho vou levar?”
“Os novos. Os do ano passado já não te servem!”

As férias começaram há poucos dias e as tardes passadas com os amigos são tão mais divertidas!
“Será que podes ir? A tua mãe deixa?”
“A minha mãe deixa-me sempre fazer estas coisas!”- disse o meu (pré)adolescente sorridente!
Claro que deixo!

Os adolescentes de hoje podem ser diferentes nas actividades que fazem, mas o que sentem é muito parecido com o que nós sentíamos! O meu (pré)adolescente foi almoçar à pizzaria com os amigos (tudo combinado pela internet/Messenger e telemóvel) depois foram todos até ao parque para andar e correr um pouco e a seguir foram para a piscina municipal!
Eu tinha uma irmã e alguns vizinhos com quem brincava na rua- eram os meus companheiros de brincadeira. Umas vezes jogávamos à bola, às escondidas, andávamos de bicicleta ou jogávamos às cartas, sentados no chão de cimento à entrada da nossa casa. Outras vezes (e essas eram as minhas tardes preferidas) íamos nadar para o rio! As férias de Verão eram intermináveis para mim, naquela altura. E eu que gostava tanto da escola chegava a sentir-me enfadada com tantos dias de ócio! Correr, nadar, sujar-me no pó ao correr descalça, tomar banho no rio, lanchar pão com Tulicreme e uma maçã que segurava com as mãos azuladas e com a pele enrugada de estar tanto tempo na água, podem ser actividades diferentes das que se fazem hoje, mas a sensação deve ser a mesma!
O meu teen chegou a casa às 18.30, com as faces coradas, cansado e um sorriso estampado no rosto!
“Correu bem, mãe! Estou exausto: corri, nadei, andei nos escorregas!”
E correu bem porque passou uma tarde de férias de Verão na companhia de amigos adolescentes, partilhando as mesmas inseguranças e os mesmos anseios!

These may well be the best days of your life!

sexta-feira, junho 19, 2009

Viagem



Fizemos uma viagem. Apenas uma, lembraste?
A vida também é assim... uma única viagem.
Fecho os olhos e tenho uma daquelas visões que as pessoas que estão a morrer mas não morrem depois descrevem:
" era uma estrada longa, o caminho passava por nós..."
Por vezes eramos ultrapassados por outros que tinham mais pressa mas nós tinhamos o tempo todo... aquele tempo, o nosso tempo.
Não queriamos muito ir a lado nenhum. Apenas ir juntos.
De um lado e de outro havia tanta coisa para se observar e sentir e cheirar.
Por cima de nós o céu estava azul mas o Sol não brilhava muito.
Não me apetecia olhar para os lados... apenas para o teu lado. Não. Apenas olhar para ti! E olhei-te a viagem toda.
De vez em quando sorria... lembro-me que me sentia em paz e com um bocadinho de medo porque não conhecia aquele caminho.
E a viagem foi toda assim: com as coisas a passar por nós e eu contigo ali ao lado naquela única, breve e intensa viagem.
Foi apenas uma viagem e tudo está a morrer assim lentamente mas ainda não morreu.

segunda-feira, junho 15, 2009

Chill out...



Respiro fundo, por esta altura, não porque já esteja de férias (longe disso, só no mês dos emigrantes, em pleno Agosto "com frio no rosto" é que terei férias), mas porque as aulas propriamente ditas terminaram!


Agora vêm as burocracias, o trabalho de papel, os relatórios, as vigilâncias de exames (pobres crianças...), a correcção de exames, a elaboração de turmas, as reuniões, enfim, o trabalho sem alunos, mas para os alunos...


E respiro fundo, porque o stress diário abranda, como abrandam as exigências diárias de serenidade e ao mesmo tempo dinamismo, como diminuem as tensões permanentes da matéria a leccionar, do controlo disciplinar, da motivação impreterível para que entendam, para que aprendam, da quantidade absolutamente estapafúrdia de testes para corrigir, de testes para elaborar, de fichas para fazer, de conteúdos para preparar...


E tudo abranda, porque o ritmo é menos alucinado e alucinante e até me posso dar ao luxo de chegar a casa, pousar a pasta, sentar-me na varanda a ver o pôr-do-sol enquanto como uma maçã, e posso até (imaginem!) andar com o livro do José Luís Peixoto debaixo do braço e ler de vez em quando, ao longo do dia, porque não tenho de ler nada por obrigação, apenas por prazer... E vou lendo e respirando fundo e acalmando do stress de todo um (longo) ano de aulas e cansaços e lutas e desencantos e alegrias e nostalgias...


"Boas férias, 'stora! Fica connosco p'ro ano?"


"Não sei, não sei!" Nunca sei, talvez sim... Alguns nunca mais verei, outros encontrarei daqui por muito (ou pouco) tempo, num hipermercado a trabalhar na secção das frutas, das bebidas ou numa loja qualquer; outros continuarão por cá mais um, dois anos e depois também se vão, para a universidade ou para a vida...


E eu começo a respirar fundo, a descontrair um pouco, a chegar a casa ao fim da tarde com o sol ainda alto e sem pressa de pegar de novo nos livros para preparar matérias... E penso que durante um ano devo ter feito a diferença para alguns e quero acreditar que sim, que para alguns devo ter sido uma boa professora, devo ter conseguido fazer com que aprendessem, com que se interessassem, com que se importassem... Assim espero, pelo menos...


Chill out...that's what I need by now! Until the next round!

domingo, junho 14, 2009

Eu não sei quem me perdeu...

agora
agora entendi
que é apenas assim que me queres
de fugida, no momento
para amainar a inquietude do sentir
para amainar a azafama do dia
consegues viver tão bem assim
com tão pouco
sabes? assim não me dou... empresto-me num ou noutro momento
mas assim chega-te
assim é muito bom para ti.
mas agora
agora
precisas de saber que estou de partida
que estou a andar num caminho novo
sem trilho mas onde sou eu que deixo o rasto
depois
depois não sei...
mas sei que estou de partida
não me quero despedir já
não quero deixar já que as tuas mãos se separem das minhas
ainda nos tocamos
ainda nos sentimos
mas eu estou de partida.

domingo, junho 07, 2009

Spring Awakening! Feelings Awakening!







A doce Mariana convidou e nós não faltamos à apresentação de um musical realizado pela força do sonho de alguns alunos do 12º ano do Externato Camões! O Despertar da Primavera foi um sucesso e eu, babada, com um sorriso que ía da boca até ao coração, assisti da audiência ao esplendor da paixão por um projecto, uma ideia, um compromisso com a vontade de fazer arte com sentimento!

A Marianinha encheu o palco com a sua alegria e preencheu as nossas almas com a luz que transbordava em cada aparição! TODOS os artistas estiveram soberbos e a assistência rendeu-se ao talento das suas estrelas!

Mariana: que estejas na vida como estiveste em palco - com garra, alegria, paixão e entrega!

Beijo no coração e na bochecha rosada!

segunda-feira, junho 01, 2009

O dia deles celebra a criança que somos!



As mães deste blogue, hoje, estão particularmente felizes!

1 de junho: Dia Mundial da Criança!

E estão particularmente felizes por duas razões (podiam ser infinitamente mais, mas vou destacar apenas duas!):

1. Este dia remete sempre para os seus mais ternos afectos que as ligaram para sempre às suas crias! São três mães e três meninos que hoje celebram o dia da criança! Coincidência serem três meninos!

Hoje já os cobriram de beijos logo pela manhã (mais um bocadinho que o habitual), já lhes deram uns valentes abraços apertados e já lhes disseram pela enésima vez o quanto os adoram!

Mães e filhos são sempre "pegajosos", sobretudo porque nunca perdem uma oportunidade de dar beijos e abraços!

2. As mães deste blogue, hoje (E SEMPRE!), também se sentem eternas crianças! É por isso que este é também o dia delas! E é com este sentimento de leveza na alma que desejam a todas as crianças do mundo um dia MUITO FELIZ! E também a todos aqueles adultos que, com e como elas, se sentem crianças no coração!

É que, a idade é apenas um número!...

sexta-feira, maio 29, 2009

Parabéns mana Querida!



Hoje é um dia especialmente bonito porque a minha princesa é a aniversariante eleita!
Muitos parabéns!
O sol e o arco-irís estão a apontar para iluminar-te ainda mais mas a tua beleza atravessa tudo isso.
Beijinho enorme.

quinta-feira, maio 21, 2009

Até Breve


“Todos gostam de ti porque falas com toda a gente”.
Foi assim, de uma forma atrapalhada, com a voz toldada e com os olhos a brilhar que se despediu de mim.
Vieram despedir-se um após o outro e em cada adeus um nó na garganta e um conter de lágrimas, que não podiam ali cair.
Não naquele sitio, nunca num lugar de trabalho.
A vida é uma caixinha de surpresas e é incrível como se conseguem criar laços de amizade com colegas de trabalho que têm estilos de vida tão distantes dos meus.
Foi sem dúvida, um virar de página difícil.
Uma página que afinal pesava toneladas quando eu pensava que afinal só pesava umas graminhas.
Sai dali com um peso enorme.
Porque não me consigo acomodar? Porque procuro sempre novos desafios profissionais? Porque preciso de ser posta a prova? Porque preciso de tanta mudança na minha vida? Porque? Porque? Porque?
Porque como me diz a minha mãe “nós não somos feitos, fizeram-nos”. E eu fui feita assim, desta massa revolta.
Ficam os laços, porque afinal “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós “.

quarta-feira, maio 20, 2009


Há quem diga "pensas demais"
Eu corrigo "sinto demais" e apenas o faço porque ainda não me conheço.
Porque sentir nunca é demais:
O sol nunca brilha demais
A lua nunca é mágica demais
A música nunca é linda demais
Apenas tudo isto É. E eu ainda não Sou.
Quando isso for Eu, aí ter-me-ei encontrado. Aí eu já saberei quem Sou.
Afinal quem É que eu admiro?
Quem É! Apenas. Quem se basta por si só e apenas por tudo isso.

A descoberta mais difícil não é a que fazemos dos outros mas aquela que não temos coragem para fazer de nós próprios. Só preciso de me conhecer melhor.
Porque é que um poema ou a letra e melodia de uma música me tocam tão fundo? Porque chega ao que ainda não conheço de mim. Não preciso de correr, não preciso que me digam que me amam ou que sou fantástica... apenas tenho eu que descobrir onde está o Amor e o fantástico dentro mim.

PS: e com a imagem aproveito para continuar a minha terapia à cor lilás :)

segunda-feira, maio 18, 2009

O "bé" está a crescer depressa!



"Mãezinha!" - disse o pequenote, a rir, para a mãe!

E disse tão, mas tão bem, que a tia carregou o sobrolho e olhou de lado, nada contente com o que ouvia.

O pequenito estava a crescer tão depressa...

Já não dizia "escolina" nem "ratino"... Já pronunciava as sílabas todas correctamente. Bem, quase todas!

O "contador" ainda não era computador e o primo não estava nu para tomar banho, mas "de nu" que é muito mais giro!


Bem, por este andar, daqui a nada diz já tudo direitinho e a tia terá que se mentalizar que o sobrinho preferido já cresceu e não é o "bé" que ela queria que ele continuasse a ser...

Beijinhos da cor do arco íris para ti, Afonso!

sexta-feira, maio 15, 2009

numa tarde qualquer...



Numa tarde qualquer, ele e ela encontram-se...

É um encontro preparado com a ansiedade do primeiro,
mas não é o primeiro.
É um encontro repleto de emoções,
mas tão simples como um malmequer.
É um encontro que lhes parece curto,
mas que dura a tarde inteira.
É um encontro de almas,
pintado com um beijo e um abraço à chegada
e mais um beijo e um abraço à partida.
E uma torrente de sorrisos
e pétalas pelo meio.
É um simples encontro...
Numa tarde qualquer...


"You make me happy and I hope you feel the same...
You make me feel just like a child, a child again!"

terça-feira, maio 12, 2009




um pedaço de sol pendurado na tua janela
(cá em baixo)
um beijo que foge apressado
dizendo adeus
e até já
e até sempre

um pedaço de céu azul espreitando os dois
(lá de cima)
uma mão na minha cintura
uma canção eterna
um violino, um piano
uma voz no meu coração

um olhar preso no espaço entre os dois
(dentro de nós)
atado à luz que me ofusca
à luz que me prende
ao teu redor
essa luz sempre presente
em mim
e na minha vida

Lucky!





Sem dúvida, uma canção de derreter o coração!

quinta-feira, maio 07, 2009

Tonight



Aprecio particularmente aquela par que dança salsa com a lua ao fundo...
Mais uma vez a música a fazer-me sonhar acordada!

quarta-feira, maio 06, 2009

As palavras que nos abraçam


"Bea diz que a arte de ler está a morrer lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos." A sombra do vento - Carlos Ruiz Zafón
Têm sido muitos os livros que me têm "abraçado" a mente e alma e deve ser por isso que gosto cada vez mais de ler.
Quando preciso de estar comigo leio.
Enquanto leio é como se viajasse para o lugar onde posso sempre estar. Onde nada me é pedido em troca, apenas a minha presença.
Aplicamos a mente e a alma... em quantas coisas na vida aplicamos estas duas coisas em simultâneo? É fácil darmos conta que as coisas que são bem feitas, aquelas que admiramos tiveram de certeza estes dois ingredientes. Quantas pessoas conhecemos que o fazem?
Felizmente conheço cada dia mais e por isso não devo ser uma regra dado o número dos que vivem apenas porque vivem. Quem vive desta forma enche não só o seu mundo de alegria como irradia uma onda de bem estar para quem está na sua órbita.
Ao ler este livro recordei-me imensas vezes de ti, querida mana... tens mesmo que escrever.

sábado, maio 02, 2009

sábado à noite!



O que se faz num sábado à noite?

Jantaradas, copos, amigos, música, muita dança?

Pois é...

Quase que acertaram!

Duas mães na casa dos trinta, dois filhos (um com 4 outro com 12)... Donas de casa desesperadas? Nahhhh! Mães a tempo inteiro! E felizes!

Depois da sesta da tarde ( o mais novo ainda dorme a sesta), passeio no Palácio de Cristal. Um dia de Primavera maravilhoso, só pedia para que se gozasse o dia (Carpe Diem, uma fada sussurrou ao ouvido pela manhã!). Seguiu-se um passeio na Foz. Descemos a pé a calçada junto ao mar a comer croissants quentes e... A seguir...

Mãe, posso descalçar os sapatos? Posso rebolar na areia?

Claro que sim!

O sol a põr-se, os pés pequenitos na areia húmida, as pedrinhas engraçadas que apanhamos. O mar a rebentar nas rochas da praia do Homem do Leme.

Olha, tia, que homem feio!

E a tia explica que o homem faz aquela cara feia na estátua, porque tem de segurar o barco e conduzi-lo com bravura e as ondas são muito altas e o mar está bravo, Vês?

A tia e a mãe vinham para esta praia quando eram pequeninas. Vinham com a avó que trazia uma lancheira com comida e chegavam logo pela manhã. Desciam na paragem do eléctrico e chegavam cá depois de duas horas de viagem! A tia adorava a praia e ficava na água até ficar roxa de frio! (Agora nem põe um pé na água e passa as tardes esparramada ao sol, porque a água está sempre gelada! Os banhos em pequena devem ter valido para o resto da vida!)


De regresso a casa, porque o sol já se vai deitar!

Pizza para todos e sopa para o mais pequeno!

Acaba o jantar e os mais novos dizem: Vamos dançar?

Que pergunta!!!

Claro que vamos dançar!

Afastam-se os brinquedos espalhados pela sala e começa o merengue: Azul! Es queste amor és azul como el mar, azul!....

Sai mais merengue e rock e salsa e kuduro e salsa e merengue de novo e Mark Anthony e mais Azul!

Mães e filhos na maior animação!...

Pronto, agora vamos tomar banho e descansar! Diz a mãe do mais novo!

Eu quero mais uma muca!, diz o pequenote, com a camisola na mão, sentado no chão!... Mas o banho estava a chamar e a caminha também!



E foi assim, uma noite de sábado, em família!

Melhor? É impossível!


quinta-feira, abril 30, 2009

Sunset

Ó mãe anda cá ver o céu...De que côr está?
Ao fundo vê-se um pedacinho de mar e daquela janela, da nossa janela via-se um dos cenários mais bonitos. Parecia mesmo uma tela de uma artista. O céu estava todo avermelhado e a noite ainda não tinha chegado.
Dizia-me o meu tesouro: - Não é de dia mas ainda não é de noite... Vou ficar aqui até o sol estar mesmo a dormir e depois é que vou dormir também.
É isso mesmo, vou ficar assim enquanto o meu coração não sabe se está no dia ou na noite...
As coisas que tu me mostras e ainda és tão pequenino. Aguardo pelas que ainda me irás revelar nos próximos tempos.
Enquanto isso ficamos os dois assim abraçadinhos a contemplar esta pintura oferecida pela natureza.

quarta-feira, abril 29, 2009

Tu sabes que és LUZ!


Tu sabes que a estrada é tua e que podes seguir o caminho que quiseres.
Tu sabes que és livre de escolher o que desejas e que és forte o suficiente para recusar o mal que te quiserem oferecer.
Tu sabes que és luz e, como tal, só poderás brilhar!
Ninguém te poderá dizer que te deves apagar para viver.
Ninguém te poderá fazer acreditar em algo mais que não seja em ti própria e na tua coragem.
Porque, sabes, nasceste a chorar, mas vives para sorrir!
Tu sabes que és LUZ e só isso te deve bastar para te sentires livre!

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Let us be grateful to people who make us happy, they are the charming gardeners who make our souls blossom. ~Marcel Proust


...e assim seguiram...


Ela disse que queria estar só, que a presença dele na sua vida já tinha perdido o sentido, porque a vida perdia o sentido com ele e que tudo o que viveram não passava de recordações, porque era assim que ela precisava que fosse.
Ele disse que compreendia, que sabia o quanto a havia magoado, que sabia que ela tinha o direito a ser feliz e que com ele não o seria.
Ela disse "Ainda bem que entendes. Assim vais-me ajudar a mudar o caminho, vais-me libertar, vais-me deixar seguir pelo outro trajecto que desejo para mim, aquele sem desfiladeiros nem abismos. Ainda bem que entendes."
Ele disse " Eu entendo, eu sei que sozinha não tens força para te afastar, não consegues cortar a corrente que me liga a ti, por isso vou-te ajudar. Por isso vou esquecer o meu orgulho, o meu amor-próprio, o meu egoísmo. Eu entendo-te e vou ajudar-te. Porque és mais importante para mim do que o meu ego, do que a minha satisfação pessoal, do que o meu bem-estar."
E ela disse "Gostava que fosse diferente."
E ele disse "Eu também."
E ambos seguiram o seu caminho, mais seguros de tudo o que tinham aprendido juntos: quando se ama de verdade, sabe-se quando se deve ajudar o outro a ser feliz, libertando-o das amarras que o destroem e lhe retiram a alegria dos dias...
Muitas vezes, amar é fazer o mais difícil: é deixar ir, é soltar o que se quer prender...
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How lucky I am to have something that makes saying goodbye so hard. ~From the movie Annie
To know when to go away and when to come closer is the key to any lasting relationship. ~Doménico Cieri Estrada

terça-feira, abril 28, 2009

Avenida da Liberdade



Recordo-me de ser garota e de passar na Avenida da Liberdade no carro do meu pai.
Repetia várias vezes a mesma história, sempre que por ali passávamos.
De que aquela avenida tinha sido mandada construir pelo Marquês de Pombal, que segundo ele, era um homem pragmático, com visão, um lutador, e que já naquele tempo tinha mandado construir uma avenida com aquela largura toda.
E era verdade, eu sentia-me pequena naquela grande avenida cheia de árvores dos dois lados. E cheia de carros e cheia de semáforos e cheia de gente e cheia de movimento!
Como eu gostava de ficar ali na janela do carro a observar aquilo tudo!
Embora as minhas paisagens de eleição sejam sempre junto ao mar, aquela avenida sempre exerceu em mim uma espécie de fascínio, que nem eu consigo explicar muito bem.
Uma das minhas excentricidades, se me saísse o euromilhões, seria a de comprar uma casa na Avenida da Liberdade. Quem sabe um dia!
Enquanto não sai, vou-me limitando a passar por lá de quando em vez e a respirar aquele ar, que embora poluído, me enche os pulmões.

segunda-feira, abril 27, 2009

o mais puro amor



Ela sentiu a presença dele, parada, suspensa, olhando-a enquanto se via a si, parada, suspensa, olhando-o também, vendo de fora os dois, perscrutando o olhar dos dois, vendo-os e concluindo que se olhavam sem nada mais no olhar que não fosse paz e um carinho infinito, avassalador e puro.
Olharam-se em silêncio. Deram as mãos e as mãos abriram-se uma para a outra com naturalidade, sem tremor, sem nervosismo, sem hesitar. Abriram-se assim, porque era natural para eles que as mãos se unissem daquela forma. E ela viu-se a si e a ele com as mãos unidas num toque singelo e pensou para si o que ele também pensou para ele, que aquele sentimento nunca mudaria e seria para sempre deles.
Abraçaram-se em seguida e o abraço deles ficou suspenso nas suas respirações em uníssono. Ela olhou-os de fora, novamente, e pensou (sem saber que ele pensava o mesmo) que aquele abraço sempre estivera ali, que aquele abraço nunca tinha mudado de lugar e que os dois tinham sempre estado, afinal, abraçados daquela maneira pura e delicada, abraçados com os braços do coração que abraçam com muita mais força e ao mesmo tempo de forma mais solta do que os outros braços, os braços feitos de músculo e de osso e de carne.
Olharam-se mais uma vez e sorriram. Ela viu o sorriso deles (e ele também, porque apressou-se a segui-la para o lado de fora para os observar) e conseguiu ler nos seus lábios o que nenhum dos dois dissera, mas sentiram intensamente: para eles, aquele era o mais puro amor… O amor que passa a barreira do corpo e da pele e chega ao âmago das células do sentimento.
Sentaram-se no banco junto ao lago e olharam os dois na mesma direcção: procuraram respostas no passado para que aquilo lhes tivesse acontecido. Ela falou, finalmente, e disse: Foi o sol que causou isto. A culpa é desse astro tentador que enfeitiça os corações como um poeta, para iluminar os dias e aquecer os corpos. Mas ele não concordou e com um suspiro rematou: Foi a lua. A lua é que enfeitiça os corações com a poesia das noites estreladas… Ninguém lhe resiste. Nem nós!
E então entenderam-se… Olhando-se nos olhos, concluíram: nem sol, nem lua. Nada pode explicar com objectividade a origem ou razão deste amor. Se tal fosse possível, já não seria assim, o mais puro amor. Seria outra coisa: seria paixão, seria encantamento, seria gostar, seria amar até, mas não o mais puro amor… E disseram tudo isto sem falar...
E eles entenderam-se, de facto. De tal forma que uma lágrima cristalina escorreu pelo rosto dela e ele viu que os seus olhos também se turvaram e pressentiu que não conseguiria travar aquela lágrima que teimava em juntar-se à dela e seguir o seu caminho para fora do coração, porque aquele sentimento transbordava e era urgente deixá-lo fluir!...

sábado, abril 25, 2009

cravos vermelhos


Que belo nome teve a revolução em Portugal! Revolução dos cravos!
Creio que estamos a precisar de uma nova revolução... Uma revolução que recupere a moral e a honra, a verdade e honestidade. Chega de corrupção e falta de vergonha... Chega de ditadura mascarada de democracia... A mafia financeira domina a sociedade... Falta cumprir Abril...

sexta-feira, abril 24, 2009

Apetece-me...

Nem mais... Dormir...
Descansar muitas horas... Até me esquecer como é estar cansada...
Chego a sexta-feira quase sempe assim: exausta, exaurida.
Para ajudar, o elevador esteve avariado toda a semana. Tenho feito todos os dias uma média de seis subidas e descidas até ao terceiro andar onde me refugio depois de um dia (e noite) a trabalhar no meio de adolescentes...

Hoje só me apetece isto: dormir...
Nem é descansar, apenas. É mesmo emigrar para o lugar dos sonhos!... Hibernar, se possível.

(Bom fim de semana!)

sexta-feira, abril 17, 2009

O coração... sempre ele!

Uma vez mais... o meu tesouro a revelar-me das suas! Desta vez decidiu que, após já ter dormitado até chegar a casa, ainda não era a hora de dormir. E hoje pode ser. Eu deixei pois amanhã poderá recuperar todo o soninho que durante a semana é sempre insuficiente nas horas disponíveis. Hoje deixei que não ficasse na caminha e fosse para a sala para brincarmos juntos mais um bocadinho (fantástico isto das crianças precisarem tanto de brincar e, apesar do dia dele, nesta idade, ser quase todo para a brincadeira ainda quizesse brincar mais ainda!). Depois o soninho voltou e ainda no sofá enrolou-se nas minhas pernas e aceitou logo quando disse: - Agora vamos para a caminha abraçar-nos.
Já o "João pestana" tinha sido cantado uma vez mais, já a história da "Girafa que comia as estrelas" tinha sido lida, e já tinha bebido o biberão do leite... quando eu pensava que já dormia ainda estava para chegar a surpresa: começa a cantar. Apenas me consigo recordar desta última frase: "...mas não tenho a certeza se ela vai gostar ou não mas também quero juntar um grande xi coração" ! - E acabou. Disse. Bateu palmas e tudo!! Virou-se para o outro lado, enroscou-se bem no meu colo e adormeceu.
Este episódio recordou-me os momentos das noites de criança em que, na companhia da minha querida mana, cantarolava tudo e mais alguma coisa até a nossa mãe se levantar, porque não conseguia dormir com as nossas cantorias e lá nos ameaçava: "calam-se já as duas ou da próxima vez venho aqui com um chinelo". Voltava para a cama e não sei dizer quantas vezes ela se voltava a levantar para dizer o mesmo e por vezes trazer mesmo o chinelo! Mas lembro-me muito bem de nos virarmos uma para a outra e dizer: "vamos cantar só mais uma mas agora baixinho para a mãe não ouvir". E recomeçavamos a cantar o reportório e era mais uma e mais outra... e lá aparecia de novo a mãe! Coitadinha, morta de cansaço e as duas crianças que até começavam a cantar bem baixinho, mas iam limpando a voz até ficar num tom que não a deixava descansar, a tinham acordado de novo.
Antes eras tu que fazias com que o meu dia terminasse embalado pela música, hoje é o meu tesouro que preenche o meu fim de dia desta maneira maravilhosa!
Um Xi coração, que por causa disto descobri, que não é assim que se escreve mas antes Chi Coração e que significa um abracinho que vem do coração!

Susan Boyle, ou o sonho de ser uma diva... tornado realidade!


Ache outros vídeos como este em INTERACTiC 2.0 - escola com tic social


Susan Boyle é uma Escocesa de origem humilde, desempregada, que ganha coragem e apresenta-se na TV nacional Britânica, num concurso visto por milhões de pessoas com a humildade que se vê no vídeo, aspirando a ser uma cantora famosa, desejando ser uma estrela. A audiência faz troça, inicialmente. O próprio jurí olha com algum desdém e pergunta de forma pouco correcta "What's your name, darling?", deixando transparecer um certo descrédito, procurando quase ridicularizar aquela que com 47 anos ainda sonha ser uma cantora profissional e ousa perseguir o seu sonho...

Assim que os primeiros sons lhe saem da garganta, começam a cair as primeiras lágrimas, a plateia emociona-se, surgem palmas e gritos. Quando vi este vídeo há alguns dias atrás, rendi-me à beleza da voz de Susan, tal como todos os outros que a ouviram! A sua enorme humildade e o seu talento são uma bofetada de luva branca nos nossos preconceitos...


Se todos tivessem a coragem de Susan para correr atrás dos seus sonhos...

Uma inspiração!...

quarta-feira, abril 15, 2009

Ponto de equilíbrio


Tanto corre o meu tempo... As horas escorrem pelo dia como uma cascata: rápidas, abruptas, apressadas, imparáveis. Falta o tempo para parar. Falta o tempo para ser.

Depressa leio, como, durmo, ando, respiro...

Depressa ouço as histórias que me contas:"Estás a ouvir? OUVE. Vou ler este bocadinho para ti!"

E eu ouço, depressa, porque tenho (sempre) qualquer coisa importante para fazer.

Pelo meio do dia apressado, páro a olhar-te e grito para o escritório onde fazes os trabalhos de casa: "ADORO-TE! És tão lindo, meu filho!"

"Eu sei!" E continuas, alheado:"Mãe! O que é 'arsénico'? O que são 'subalternos'?"

Bombardeias-me com palavras, a toda a hora... Estás sempre a ler qualquer coisa. Abres a porta e gritas para a cozinha: "Mãe! O que é uma 'rixa '? O que é um 'tumulto'?" Concentro-me um pouco e procuro dar-te a resposta certa...

Aos sete anos estudaste Mitologia: Deuses Gregos e Romanos não têm segredos para ti!

Aos nove anos estudaste Astrologia e devoraste tudo o que eram livros sobre signos, cartas astrais, signos lunares, ascendentes, compatibilidades e incompatibilidades. Divertias os adultos dizendo as características dos seus signos nos convívios e jantares! E o bichinho pegou e andamos todos durante uns tempos a dizer: "Aquele é mesmo leão! Aquela é mesmo peixes!"

Desde os onze anos que te interessas por moda. "De que século é esta roupa? Isto é do século dezanove, aquilo é dos anos vinte. A ti ficava-te bem a moda do final do século dezanove, mãe! Porque não andas mais com vestidos? Vestes sempre calças de ganga. Ficam-te melhor os vestidos..."

Que filho tão especial!

Por entre pressas e compromissos, respiro a minha harmonia sempre que te olho ou te lembro! Afinal és TU que trazes beleza ao meu dia! Afinal és TU o meu ponto de equilíbrio!...

terça-feira, abril 14, 2009

Para reflectir ou apenas para sentir...


"Para se fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor." ( Mozart)

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível." (São Francisco de Assis)

segunda-feira, abril 13, 2009

The reader (O leitor), ou simplesmente O amor!





Desde que vi este filme que a história não me sai da cabeça, a densidade das emoções, a profundidade do enredo...
Creio que vou ler o livro, uma vez que a escrita costuma ser ainda mais envolvente e rica que a imagem.
Um filme que é um hino ao amor verdadeiro e incondicional (trágico também)...

sábado, abril 11, 2009

Páscoa Feliz!


Quando era criança, a Páscoa era preparada com simplicidade. Limpavam-se as casas, lavavam-se os tapetes e cortinados, colocavam-se flores frescas em jarros. No dia de Páscoa pintavam-se ovos cozidos. A minha mãe mergulhava-os em água quente com cascas de cebola e a cor aparecia de forma natural na casca do ovo! A minha ama usava uma tinta especial e colocava folhas de salsa para decorar os ovos com mais originalidade! Na mesa da sala de jantar, a minha mãe estendia a melhor toalha em linho branco bordada por si e colocava os ovos decorados num prato, amendoas, bolos e vinho do porto. Na sala de estar, bem em frente à porta da entrada, numa pequena mesa de madeira ficava a bíblia aberta no evangelho segundo S. João no episódio da ressureição, um crucifixo e um jarro com flores apanhadas no jardim nesse mesmo dia, pela manhã. Espalhavam-se verdes e flores no chão, à entrada das casas para que o Compasso (grupo de homens que trazem o crucifixo a beijar, de porta em porta) encontrasse o caminho daqueles que o queriam receber... E havia o almoço em família....
Tudo isto ainda hoje se faz....
E neste dia procuro sempre encontrar a simplicidade que eu tinha no coração quando era criança e vivia a Páscoa com esperança...
Páscoa Feliz!...

terça-feira, abril 07, 2009

Umas águas furtadas junto ao rio Sena! Em Paris...





Num post mais abaixo, a Cláudia refere Paris como uma cidade de sonhos... E eu não poderia estar mais de acordo!
Dei por mim a sonhar nas margens do rio Sena num passeio de barco à noite. Do "bateau mouche"viam-se as margens iluminadas e belos edifícios magestosos tornavam a paisagem imponente e grandiosa. E comecei a sentir nascer em mim um novo sonho que se desprendia daquela visão nocturna: cheguei a ver-me numa varanda de umas águas furtadas daqueles edifícios, a olhar o rio negro adornado por filas de luzes esbranquiçadas reflectidas nas águas. Cheguei a dizer adeus a mim mesma, daquele barco no rio. Cheguei a imaginar um fim de tarde numa sala daquelas, a tomar um chá e a ler um livro sorrindo por dentro ao deleitar o olhar nas águas douradas pelo sol da Primavera em Paris, ao fim do dia....
E havia um odor delicioso a flores naqueles jardins que de dia percorri, ao início da tarde. E surpreendi-me a sonhar de novo com as tardes iluminadas à beira dos lagos, sentada naqueles banquinhos de ferro verde escuro, de novo a sorrir por dentro para a doçura daqueles momentos em harmonia com a luz da cidade e com o verde dos jardins. Pintinhas coloridas de flores delicadas criavam desenhos harmoniosos nos relvados. Doces odores a flores na Primavera em Paris...
E depois o sonho continuou no Louvre e no Museu d'Orsey, onde sonhei os pintores e os escultores de todos os tempos, onde sonhei a obra eterna que nasce dentro e se revela ao mundo para sempre...
"Não podem usar flash..." Não se usa o flash não porque pode danificar a obra, mas porque a obra brilha já de si através do espírito do seu criador que também sonhou um dia e criou e soltou o seu grito, a sua agonia, a sua sensação de incompletude se não a criasse... E a obra fez-se, exemplarmente surgiu de um sonho que se materializou.
Assim sonhei, em Paris, estes e outros sonhos, tão inesquecíveis como a lua que brilhava à noite, mesmo ao lado da Torre Eiffel no céu negro e se deixava seduzir pelo olhar de um qualquer poeta que, àquela hora estaria na sua última noite em Paris a escrever o seu poema eterno, numa qualquer varanda de umas águas furtadas nas margens do rio Sena...
Adieu Paris!... Le rêve toujours!

Laços de Sangue



Sempre tive o sonho de ter um dia três filhos.
Muito provavelmente esta ideia advém do facto de sempre ter desejado ter mais um irmão.
Idealizava um irmão/irmã a sério, e, quando digo a sério é daqueles com quem se pode sempre contar, com cumplicidade, amizade, amor, fraternidade e tantas outras coisas que se podem partilhar com alguém que cresce debaixo do mesmo tecto.
Em resumo, alguém presente.
Mas quis o destino que assim não fosse. Nem três filhos nem dois irmãos.
No entanto apesar da distância física e emocional que nos separa, existe sem duvida algo que nos une. Une-nos uma história comum, os locais por onde passamos e vivemos, os hábitos que adquirimos de casa, a nossa educação, os nossos pais e muitas memórias.
Há quem diga que os laços de sangue falam sempre mais alto.
Sempre achei isto mais uma daquelas balelas que a gíria popular apregoa por ai.
Para acreditar preciso de ver, ou de perceber que existe algo cientifico que o prova ou então apenas sentir.
Se sinto é porque é real e ultimamente tenho sentido. E é quando me basta.
Os laços de sangue são insolúveis, e sim, falam mais alto.
E quando a vida nós prega uma rasteira ou simplesmente não nos aconchega é neles que nos refugiamos.
Sabemos onde eles se encontram incondicionalmente a nossa espera.

sexta-feira, abril 03, 2009

Paris uma cidade de sonhos!

"Os que sonham de dia são conscientes de muitas coisas que escapam aqueles que sonham apenas à noite." (Edgar A. Poe)
Uma excelente viagem e tragam muitas coisas para nos contar!

quarta-feira, abril 01, 2009

Meme "Muito mais de você", Cláudia

Mas que grandes marotas me saíram estas duas… claro que também tenho que publicar o meu Meme
Quando e porquê resolveu criar o blog?
Tudo aconteceu numa fase menos boa. Tinha muita gente a cuidar de mim mas eu não me deixei cuidar e por isso acabei por me sentir durante muito tempo sozinha e sentir que não estava bem ali.
Uma noite em particular tive uma forte vontade de escrever. A escrita liberta-me! E nessa noite queria escrever para todos com quem não podia para já falar.
Depois de o blog ter entrado no ar, o que lhe dá mais satisfação nele?
A maior revelação de todas foi descobrir que logo nesse dia recebia os comentários de quem me esperava incondicionalmente. Quem esteve e está sempre comigo.
Desde aí não parei mais.
Quais os assuntos que mais gosta de postar?
Gosto de escrever sobre qualquer coisa mas muitas vezes dou comigo a avaliar demasiado o que escrevi e Acontece, por isso, alguns períodos de aparente ausência das minhas participações.
Porque deu este nome ao seu blog?
Porque era urgente Acontecer algo naquela fase e acredito que ainda contínua válido.
Já teve algum problema com comentários?
Nop.
Algum blogueiro(a) que admire?
Não consigo nomear nenhum em particular pois vou ler cada um com uma atenção particular.
Nome: Cláudia
Onde mora: Porto
Comprometida: Nada disso.
Um mês: Setembro
Um ano: 2005
Uma estação: Verão
Uma flor: Rosas
Uma matéria: não consigo decidir… água ou vinho?!
Um passatempo: ler
Um desporto: futebol
Um herói: a minha referência é a minha querida mana. Ela é implacável!
Um filme: sou péssima a fixar nomes de filmes. Normalmente gosto muito dos que vejo mas isso porque tenho uns excelentes conselheiros
Uma musica: Há alguém que está sempre a apresentar-me musicas novas e pelas quais fico logo apaixonada
Um programa: adoro conversar.
Uma mania: roer as unhas mas estou quase a conseguir deixar
Uma profissão: músico
Uma coisa importante: liberdade
Um sonho: maldivas
Um amor: o meu filho
Uma paixão: musica
Um desejo: vida longa e com qualidade para quem trago no coração
Adoro: Praia
Odeio: injustiça
Amigos: Os meus. São mesmo os melhores do mundo.
Um lugar: a minha casa
Uma cidade: Porto
Uma peça de roupa: Calças de Ganga
Um defeito: muito emotiva
Uma virtude: Ser verdadeira
Um doce: não aprecio mas vou para o chocolate
Uma frase: “vai onde te leva o coração”

Nota Solta


Hoje seria um bom dia para aqui contar uma história.
Uma historia que foi no início um verdadeiro conto de fadas mas que com o passar do tempo se revelou um verdadeiro filme de terror.
Mas estes filmes, cheios de acção, tiram-me a inspiração para escrever.

Se tivesse escrito, nos últimos dias, pequenos pedaços de papel, todos eles com partes dessa história.
Se os tivesse guardado numa caixa e se hoje de manhã, ao acordar, tivesse retirado apenas uma nota de um desses pequenos papeis diria que:

O importante não é o uso da força bruta, mas sim, o uso de uma posição de força.