quinta-feira, setembro 24, 2009

Amor interrompido... eterno










"... As camadas da nossa vida repousam tão perto umas das outras que no presente adivinhamos sempre o passado, que não está posto de parte e acabado, mas presente e vivido. Compreendo isto. Mas por vezes é quase suportável. Talvez tenha escrito a história para me livrar dela, mesmo que não o consiga."

Bernhard Schlink, in O Leitor

terça-feira, setembro 22, 2009

Outono


O dia amanheceu solarengo e morno no primeiro dia de Outono... 28 graus para o Porto, 31 graus para Lisboa - previsão das temperaturas máximas... Choviscou no fim de semana, as manhãs e as noites arrefeceram bastante... Mas o Outono ainda está tímido e (dizem) já chegou hoje... As árvores da minha rua ainda estão carregadas de folhas verdes e as pessoas ainda não arrumaram as sandálias e as t-shirts... Bem sei que a passagem do tempo é inexorável, mas quero (por hoje) esquecer que o Outono já está aí... É que sofro de um problema em relação às estações frias, sombrias e chuvosas... Um problema que tem a ver com a minha necessidade incontornável de sol, luz e calor... Há quem já esteja com saudades do tempo frio, das noites a ouvir o som da chuva, das camisolas quentes e das lareiras... Eu não padeço desse saudosismo; aliás, dispensava bem toda a colecção de roupa de Outono-Inverno e ficava só com os chinelinhos e os vestidinhos! Mas parece que a natureza tem o seu ciclo e parece que temos de ter Outono para valorizarmos a chegada da Primavera... Como parece que temos de ter saudade para valorizarmos a presença, como parece que temos de chorar para valorizar o sorriso! Parece que já é Outono... Mas a mim parece-me que ainda não é!...


"This time, like all times, is a very good one, if we but know what to do with it."
Ralph Waldo Emerson

sexta-feira, setembro 18, 2009

Parabéns, MÃE!



Há sessenta e sete anos, no dia 18 de Setembro de 1942, nasceu uma pessoa especial, única e insubstituível para, pelo menos, três pessoas: os seus filhos!...

Todos sentimos que faz falta a muita gente, que enriquece a vida de muitas pessoas, que tem uma generosidade enorme, que nunca pensa nela, que nos sente, que nos pressente, que nos guia, que nos segura, que nos toca no coração, que nos pega ao colo, que nos dá força, hoje e sempre!

Obrigada, Mãe!

E PARABÉNS no teu aniversário!

segunda-feira, setembro 14, 2009

Portões imaginários


imagem retirada daqui

Quando era criança, a casa dos meus pais não tinha portões nem gradeamento no muro em volta. Começou por ser uma casa em pedra, pequena e rústica com um (para mim na altura, longo) pátio em cimento na frente e um pequeno quintal de lado. A toda a volta da casa havia (e ainda hoje há) um muro que servia de protecção e resguardo. Conta a minha mãe que, tinha eu cerca de dois ou três anos, e já falava como um papagaio. Dizia tudo explicadinho para quem me quisesse ouvir, respondia a todas as perguntas sem hesitações e era muito conversadora. (Todos estas características foram-se mantendo com a idade e enriquecendo até pelo meu jeito assertivo, que também foi ficando mais refinado, para dor de cabeça de muita gente!)
Conta a minha mãe (pois eu não me lembro) que, na casa velha, havia uma pequena janela que dava para o caminho. Diz ela que eu gostava muito de estar à janela (qual Carochinha desejosa de arranjar marido!) a ver a banda passar. Os transeuntes achavam imensa piada à garotinha que, debruçada na janela com dois anitos, ia dando conversa a quem passava. Como não haviam portões, a minha mãe não me deixava brincar no pátio sozinha, temendo que eu saísse para a rua.
“Porque não vens brincar cá para fora?” – perguntavam alguns.
“A minha mãe não deixa…”- respondia prontamente.
Naquela altura, a casa velha foi deitada abaixo e construída uma nova em seu lugar, mas manteve o mesmo pátio e o mesmo muro sem portões nem grades a toda a volta. As obras fizeram-se, mas não houve dinheiro para fazer tudo. Ficaram os portões por colocar até aos meus dezoito anos (se a memória não me falha, que para estas coisas de datas a minha irmã é melhor!).
Mas as ordens mantinham-se: não se pode ir para a rua. Só se brinca do muro para dentro. Para mim era uma ordem inabalável e era cumprida escrupulosamente. Para a minha irmã também. Já mais crescidinha, com quatro ou cinco anos, sentava-me ao fundo das escadas e as pessoas que passavam faziam a mesma pergunta:
“Porque não vens brincar cá para fora?”
“Não posso, a minha mãe não deixa…”
E a minha mãe ria-se e ainda hoje se ri por não haver necessidade de portões em nossa casa! Parecia que haviam uns portões imaginários que eu sabia não poder abrir… E ali me mantinha, dos muros para dentro, a brincar com a imaginação e a pairar nas nuvens como ainda agora costumo andar!
Actualmente também encontro portões imaginários e, tal como naquele tempo perdido da infância, mantenho-me do lado de cá, onde me diz a consciência que é onde se deve estar… Há lições que vêm do tempo em que se faz o carácter e se forma a personalidade e que não se perdem nas décadas nem no pó dos dias…


“existe uma linha que não podemos passar e não passamos”

sábado, setembro 12, 2009

Um lugar

imagem retirada daqui

Há-de haver um lugar numa canção virada para o mar onde o teu sorriso perdido, aquele que dizes já não ter, aquele que se perdeu com a tua ingenuidade, regresse para mim e eu possa agarrá-lo de novo, prendê-lo na minha mão para o recolher num verso eterno...
Há-de haver um lugar onde eu possa deter uma palavra tua, dita sem pensar, irreflectida, que se solta como uma folha de Outono, involuntariamente, sincera porque espontânea e que fala de afectos imortais…
Há-de haver um lugar escondido num poente incendiado onde todos os medos ocultos em palavras imperfeitas se dissipem no horizonte e deixem, finalmente, as luzes inacabadas da memória iluminar um novo céu…



"You landed in my life
Like a new and brighter light
That made all my past seem in the shadow
I always used to believe
That beauty was skin deep
But I need a new word to describe you" (Marillion)

quinta-feira, setembro 10, 2009

O véu da alma (parte II)




Soltou-se o véu da alma
estendido no chão
e os que amam viram apenas a cor da alma
enquanto os outros fixaram o olhar no impressionante negro que cobriu o chão

quarta-feira, setembro 09, 2009

segunda-feira, setembro 07, 2009

Como um livro

As palavras surgiam fluidas, como um rio transparente, como uma corrente sem pedras, sem lama pelo meio... As palavras eram soltas, saíam directas, saíam sem armas nem reservas, surgiam entre eles como pontes, como mãos dadas, espontâneas como um suspiro, soltas e livres e fortes ao mesmo tempo... As palavras a servirem de estrelas, a servirem de caminho, como um sopro no pó... As palavras que desvendam pensamentos, que entregam as sílabas ao palpitar do coração, que chegam ao afecto simples com um travo a melodia, que dizem tudo em silêncio, pelo silêncio, que falam como um livro aberto...
Eram as palavras a uni-los, de novo... Mais uma vez... Talvez...


"You'll be an open book
and you'll not be able to hide anything"



imagem retirada de: http://sgifa.blogspot.com/

quarta-feira, setembro 02, 2009

Mimos


É muito raro alguém tão jovem ensinar-nos tanto...
Mas a Marianinha do blogue Melodias do Coração é assim: belíssima como uma flor, leve como uma gota de orvalho, intensa como um raio de sol...
Agradeço desde já este selo emblemático de emoções!
Continuaremos a ler-te, Princesa sonhadora e a amar o que escreves e o que és!...

Despedida




Ele desceu a mão pelas suas costas, suavemente enlaçou-a com os braços e olhou-a bem dentro da vida que ela trazia no olhar, parou os olhos no fundo dos dela e disse-lhe “Vou ter de ir, agora”…
Ela respirava desordenadamente, fechou os olhos para ele não ver a água que lhe iluminava o olhar, que a impediam de o ver nitidamente. E o respirar, o respirar desordenado que lhe alvoraçava o peito como um carrossel, como uma montanha russa por dentro. Abriu os olhos e deixou as lágrimas soltarem-se livremente e descerem pelo rosto até ao queixo, depois até ao peito e depois até ao coração de onde haviam saído… E então baixou os braços, soltou-se dos dele e afastou-se daquele ponto no espaço irreal da sua existência, afastou-se sem olhar para trás…

“Lay down your arms
Give up the fight”

segunda-feira, agosto 31, 2009

O tempo não tem voz

imagem retirada de: http://viajante-do-mar.blogspot.com/

Parece que o tempo não tem voz quando se deixa falar o coração…
Já não me lembro… Não eras assim… Recordo-te de outra maneira… Estás diferente…
Parece que o tempo não tem importância quando o que transborda a medo das palavras são aqueles sentimentos amordaçados por encruzilhadas e labirintos que dispersaram o pulsar do afecto dentro de nós.
Por agora não. Nesta vida não. Na próxima, certamente na próxima tudo irá ser diferente…Não te vi bem, não te entendi bem, não percebi a mensagem que estava escrita na terra, no chão aos nossos pés. Não entendi as palavras que o vento murmurava, porque havia muito ruído. Lembras-te do ruído?...
Parece que o céu enviou sinais, mas nós estávamos distraídos pelo bulício das vozes dos outros, pela agitação das folhas nas árvores que, durante muito tempo, impediram a voz de dentro de se fazer ouvir, a voz dos pássaros enviados pelo destino, enviados para nos darem um sinal. E o sinal esteve sempre lá, os sinais foram enviados, mas o ruído, o ruído…
Sim, lembro-me do ruído. Lembro-me do som sem sentido, lembro-me do que não importa… Já não me lembro como eras… Mas estás diferente… E não me lembro disso ter alguma importância… A tua essência continua a mesma, aquela que eu reconhecerei na próxima vida, aquela que entenderei finalmente, aquela para quem sorrirei logo no primeiro encontro porque os sinais, porque a mensagem, porque tudo estará no seu lugar…
Parece que então, na próxima vida é que te vou reencontrar a valer, será esse o momento, será então que todo o universo irá conspirar para que seja concretizado o desígnio que sentimos no passado dentro de nós mas não entendemos então, que nos tocou levemente a existência mas na realidade era todo um furacão que passava para que só mais tarde, muito mais tarde sentíssemos os seus danos…
Tudo teve o seu tempo… Tudo passou já, já sabes disso. Nada de lágrimas, nada de apertos por dentro… Não é agora o momento… Passou o momento, passou a hora. Ficou tudo resolvido, não foi? Este não é o momento, também…
Parece que não é o momento, porque o momento é feito pelo que está dentro, pelo doce palpitar do ininteligível, do incompreensível, do absurdo sentir que nada se compreende mas que vale a pena, porque é assim, porque é assim…
Porque já não ouço o ruído, porque já leio a mensagem no pó da terra, porque já escuto a voz dos pássaros à sua passagem na minha janela… Porque eu, enfim, já te li sem te ver, porque já conheço a tua essência de olhos fechados, porque não dei voz ao tempo, não o ouvi dizer que passou o momento, porque lembrei que as cores com que pintámos o nosso sorriso podem ser as cores que quisermos, por tudo isso é que olho da minha varanda o entardecer deste dia e nada ouço, a não ser o som límpido do bater do meu coração em uníssono com o mundo à minha volta…


“há coisas que perdi pelo caminho e que já não me lembro
acho que me poderás ajudar a encontrar”

quarta-feira, agosto 26, 2009

Happy Birthday



Parabéns à Dina!!
Sei que é uma mulher muito ocupada (empresária como um dia eu serei!) e que se calhar nem vê esta mensagem mas que está nos nossos corações.
Que a vida apenas te saiba sorrir...
Beijinho grande.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Antes do pôr-do-sol


Ela chegou à praia nesse dia um pouco mais tarde, suspirando por dentro, cantarolando “Bubbly” por fora sem saber porque é que havia nela uma espécie de impaciência fervilhante, uma alegria comedida, controlada. Sentia uma felicidade pequena, mas era uma felicidade ocupante, que se instalara no seu íntimo com uma suavidade inesperada. Chegou à praia quase ao fim da tarde e instalou-se junto à água, colocando a toalha na areia molhada pelas recentes rebentações. Pareceu-lhe que a maré estava a baixar e aproveitou para sentir mais de perto o mar na sua constante dança de ir e voltar incessantemente.
Ele chegou à praia há muitas horas atrás e já estava com vontade de se levantar e ir embora há vários minutos. Mas foi ficando, ficando, até que escutou ao lado de si um grito de mulher. Levantou-se e correu a ajudar. O mar tinha chegado à toalha dela e tinha-a apanhado de surpresa.
Ela mal olhou para ele, ocupada a segurar o saco, a toalha, o livro que caiu de novo ao chão depois de ter escorregado do seu colo. Ele segurava uma das pontas da toalha e também se baixou para apanhar de novo o livro. E foi então que se olharam.
Ela reparou na sua barba por fazer, reparou nos caracóis louros escuros, na sua boca bem desenhada e suspeitou que por detrás dos óculos de sol estariam uns olhos castanhos a combinar com o tom moreno da sua pele.
Ele também reparou nos longos cabelos negros dela, na sua pele dourada, na boca perfeita e suspeitou que por detrás dos óculos escuros estariam uns olhos brilhantes e meigos como o seu sorriso.
Ela agradeceu a ajuda dele. Ele perguntou se podia fazer companhia, se não ia incomodar, se se podia sentar ao seu lado.
Ela disse que sim que podia juntar-se a ela e ficou a olhar as pegadas que ele deixava na areia molhada enquanto ia buscar a toalha e pensou que estava com vontade de atrasar a hora do pôr-do-sol por um dia, só naquela tarde, só por uma vez…


domingo, agosto 23, 2009

Desencontros

um pôr do sol como outro qualquer numa praia da minha adolescência

Não sei bem porque me lembrei disso…
Parece que tudo acontece por alguma razão, mas eu não sei a razão.
Tenho-a procurado nas pedras da rua e ao soltá-las quando caminho, a razão não me surge dali, nem do pó que se levanta e envolve os meus pés. Tenho-a procurado no encantatório som do mar quando a maré sobe e a ondulação rebenta frenética no areal, mas nada encontro por entre a branca espuma das ondas que depois me lava os pés.
Não sei bem porque lembrei o teu sorriso. Talvez agora sinta que eu devia ter feito algo diferente e não fiz. Talvez agora remexa o passado na amargura do desencontro e sinta que por baixo da pele éramos um só, mas à superfície descolamos as moléculas que nos uniam e seguimos rumos absurdamente diferentes, como se nada nos tivesse unido antes, como se não tivéssemos olhado por um instante na mesma direcção, afinal...
Adormeço todas as noites a relembrar no tecto do meu quarto os abraços que demos, as mãos que enlaçamos e as cores variáveis dos teus e dos meus sonhos. E adormeço sempre com o olhar perdido, porque eu não sei onde nos separámos ou onde nos reencontrámos. Sei que estivemos sempre assim, de alguma forma ligados, por um fio de pensamento em uníssono, por uma palavra dita ao mesmo tempo, por um suspirar sem nexo que soltávamos em situações vazias e sem luz nos nossos caminhos separados.
Sei que algo aconteceu para relembrar o teu sorriso, mas eu não sei a razão…

quinta-feira, agosto 20, 2009

the climb

Quando um filho nos diz que tem um sonho e que acredita nele, só podemos dizer-lhe:

Tens de ser forte e continuar a lutar, porque haverá sempre uma montanha e terás de a mover... É a escalada... e a vista é sempre bem melhor lá de cima!

Keep the faith, my dear son!

I'll be right behind you!...

devias estar aqui...


Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum...

Eugénio de Andrade

quinta-feira, agosto 13, 2009

As férias de verão - 4



"If a man does not make new acquaintances as he advances through life, he will soon find himself alone. A man should keep his friendships in constant repair."

Samuel Johnson (1709 - 1784)

A alegria do Ser


"Se não gastar todas as suas horas de vigília em insatisfação, preocupação, ansiedade, depressão, desespero ou a ser consumido por outros estados negativos; se for capaz de apreciar coisas simples como ouvir o som da chuva ou do vento; se conseguir apreciar a beleza das nuvens a atravessar o céu ou o facto de estar por vezes sozinho sem se sentir só nem precisar de um estímulo mental ou de entretenimento; se der por si a tratar um desconhecido com gentileza sentida sem desejar nada em troca... isso significa que se abriu um espaço, por mais pequeno que seja, naquela que de outra forma seria uma corrente de pensamento incessante na mente humana. Quando isto acontece, verifica-se uma sensação de bem-estar, de paz vívida, mesmo que subtil. A intensidade varia desde uma sensação quase imperceptível de contentamento até àquilo que os antigos sábios indianos chamavam ananda - a alegria do Ser."
Eckhart Tolle, in Um Novo Mundo




segunda-feira, agosto 10, 2009

As férias de verão - 3




- É servida? - perguntou o nadador-salvador de debaixo do seu toldo, quando me viu a chegar perto da toalha para me deitar.
- Não, obrigada. Bom proveito.
-Tem a certeza? Olhe que são boas! - disse, apontando para o cacho de uvas que segurava nas mãos.
- Sim, sim, devem ser boas. Têm muito bom aspecto. Se bem que nem tudo o que tem bom aspecto é bom!
- Aí está uma frase interessante! Muito bem. Tem toda a razão. - disse, olhando para o livro que estava na toalha.
- Vejo que gosta dessas coisas, assim, espirituais, não é?
Levantei o livro e mostrei-lhe a capa. "Um novo mundo" era o título.
- Então em que consiste esse novo mundo? De que é que fala o livro?
Expliquei-lhe vagamente duas ou três ideias...
- Leu "A profecia Celestina"? -perguntou.
Mau... A conversa ía durar, pensei...
Falamos de auras, campos magnéticos, ioga, células, alimentação, harmonia...
- Já salvei mais de cinquenta vidas. A última foi uma miúda. Depois de a retirar da água tive de lhe fazer uma massagem cardíaca e respiratória até ela recuperar a consciência. Senti-a a começar a respirar sozinha e... foi muito bom. É muito bom sentir que salvei alguém... - disse com um sorriso.
Depois olhou para mim e perguntou:
- Já fez algum acto heróico?
A pergunta apanhou-me de surpresa. Parei uns segundos a pensar e ele olhou para mim à espera da resposta.
- Não. Nunca fiz nada heróico ou digno desse nome.
Olhou-me com ar incrédulo.
- A sério? Nada, nada?
- Nada.- disse eu. - Isso é mau, não é?
Ele franziu o nariz e disse:
- É. É um bocado mau...
E riu-se.
Fiquei a reflectir na pergunta e dei por mim a olhar para ele e a pensar como a minha vida tinha sido, afinal, tão inútil até aqui. Nunca salvei ninguém, nunca fiz nada heróico. Nunca arrisquei a minha vida por ninguém.
Perguntou-me se eu não ajudava os outros, se não era generosa... Disse-lhe que ajudava os outros como podia, no dia-a-dia, mas que nunca tinha corrido risco de vida por ninguém. Ele então percebeu que eu entendia um acto heróico como algo em que se arrisca a vida para salvar outra pessoa e pareceu-me feliz por saber que isso fazia parte da sua rotina e que alguém o valorizava.
De repente olhou para a areia e ficou perplexo. Viu uma concha e agarrou-a. Ofereceu-ma e disse:
- Esta praia não tem conchas. É estranho encontrar uma... Guarde-a, porque esta fugiu da sua rota normal e veio aqui parar por alguma razão!...

domingo, agosto 09, 2009

Alma companheira



A definição não é minha mas assim que a li senti um enorme alivio... afinal esta inquietude por não encontrar a alma gémea pode finalmente sossegar.
Sem dúvida que faz muito mais sentido estar a atenta à minha "alma companheira",aquela que não é de todo igual a mim mas com a qual tenho uma verdadeira afinidade.
Mais sossegada fiquei ainda por ter ficado a saber que ela pode mesmo não estar encarnada (não é encarnada de vermelha :) mas sim, pode ainda não estar no mesmo plano em que me encontro).

"Uma vida não pode ser apressada... Temos de aceitar aquilo que nos é dado em qualquer momento, sem pedir mais. Mas a vida é interminável... Apenas nos limitamos a passar por fases diferentes. Não tem fim. Os seres humanos têm muitas dimensões. Mas o tempo não é como o vemos, trata-se em vez disso de um conjunto de lições que são aprendidas." (Dr. Brian Weiss em muitas vidas, muitos mestres).

E depois de tudo isto não posso deixar de sorrir... os temas, as perguntas e as respostas chegam até mim sem que tenha que fazer muito por isso. São coincidências!

sábado, agosto 08, 2009

a carência do ego


"O ego deseja sempre obter alguma coisa das outras pessoas ou das situações. Há sempre um interesse dissimulado, uma sensação de que "ainda não chega", de insuficiência e de carência que tem de ser preenchida. O ego usa as pessoas e as situações para alcançar aquilo que deseja e, mesmo quando o consegue, nunca permanece satisfeito durante muito tempo. Muitos dos seus objectivos são frustrados e, para a maior parte das pessoas, o abismo entre "o que eu quero" e "o que acontece" é uma fonte constante de preocupação e angústia. A famosa e já clássica canção pop "(I can't get no) Satisfaction" é a canção do ego. A emoção dominante em todas as acções do ego é o medo. O medo de não sermos ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte. Todas as acções do ego têm como derradeiro objectivo eliminar este medo, mas o máximo que ele consegue fazer é dissimulá-lo temporariamente através de um relacionamento íntimo, de uma nova aquisição ou ganhando isto ou aquilo. A ilusão nunca nos satisfará. Apenas a verdade de quem somos, quando sentida, nos pode libertar.
(...)
Aquilo que é vulgarmente designado por "apaixonar-se" representa, na maior parte dos casos, uma intensificação da carência e da necessidade egóica. Tornamo-nos "viciados" na outra pessoa ou, melhor dizendo, na imagem que fazemos dessa pessoa. Não tem nada a ver com o verdadeiro amor, que não contém qualquer espécie de carência. A língua espanhola é a mais honesta em relação às noções convencionais de amor: te quiero tem dois significados: "quero-te" e "amo-te". A outra expressão empregue para dizer "amo-te", te amo, que não contém esta ambiguidade, raramente é usada - talvez porque o verdadeiro amor é igualmente raro."

Eckhart Tolle, in Um Novo Mundo

terça-feira, agosto 04, 2009

Equilíbrio e harmonia - precisam-se.

imagem retirada de lulubeka.blogspot.com/2008/08/paz-interior.html

"(...)Presentemente o equilíbrio e a harmonia são negligenciados, e no entanto representam as bases da sabedoria. Tudo é feito em excesso. As pessoas têm peso a mais porque comem demasiado. Os atletas negligenciam aspectos de si mesmos e dos outros porque estão sempre a testar os seus limites. As pessoas parecem extraordinariamente mesquinhas. Bebem demasiado, fumam demasiado, divertem-se demasiado (ou muito pouco), falam demasiado e sem nexo, preocupam-se demasiado. Existem demasiados pensamentos do tipo preto ou branco. Tudo ou nada. Não é isto que encontramos na natureza. Na natureza existe o equilíbrio. Os animais destroem em pequenas quantidades. Os sistemas ecológicos não são eliminados em massa. As plantas são consumidas para voltarem a crescer. As fontes de sustento são esgotadas para voltarem a ser restabelecidas. A flor é apreciada, o fruto comido, a raíz preservada.
A humanidade não aprendeu o equilíbrio e muito menos o praticou. É guiada pela ganância e pela ambição, orientada pelo medo. Deste modo acabará por caminhar para a destruição. Mas a natureza há-de sobreviver; pelo menos as plantas.
A felicidade tem de facto as suas raízes na simplicidade. A tendência para excessos em pensamentos e acções reduz a felicidade. Os excessos obscurecem os valores básicos. As pessoas religiosas dizem-nos que a felicidade vem do facto de termos o coração cheio de amor, de fé e de esperança, de praticarmos a caridade e sermos bondosos para com os outros. E têm razão. A partir destas atitudes é natural que sejam subsequentes o equilíbrio e a harmonia. (...)"

Dr. Brian Weiss, in Muitas Vidas Muitos Mestres (faltava a referência bibliográfica!)

lua cheia

imagem retirada de bazarneguinhasuburbana.wordpress.com/.../1700/

Acontece que a lua brilhava mais do que habitualmente, brilhava como se estivesse prestes a explodir na sua magnificência, no seu esplendor luminoso e intenso. Acontece que a lua entrara na fase da Lua Cheia e quando ela está assim, algo se passa na vida das pessoas que as aproxima ou afasta, que as comove ou afecta, que lhes remexe com os sentidos, que lhes perturba a sensibilidade, que lhes turva a razão e agudiza a emoção.
Acontece que a Lua estava enorme naquela noite no céu e eu a olhava, fascinada, como sempre fui pela sua imponência, pela sua magia…
E pensei.
Pensei se seria possível usar a magia dessa lua para juntar fragmentos perdidos, destroçados, fragmentos de corações estilhaçados como vidros quebrados, pelo que se perdeu no tempo, pelo que nunca se disse, pelo que se disse e não foi entendido, pelos sinais na ausência que de nada servem, apenas remetem para os fragmentos, para o que ficou incompleto, por tentar, por começar, por terminar.
Pensei na magia dessa lua alta e sublime e pensei se seria capaz de, através dela, concertar algum tipo de esperança perdida, de colar os bocados de alma e coração que ficaram por aí, pelo mundo, pela terra cá em baixo…

sexta-feira, julho 31, 2009

O Silêncio



Caminho pelo silêncio
Aquele que consegui de novo de volta
Neste silêncio há espaço para o meu sentir... o Todo Sentir
Sinto o vento frio a cortar o meu rosto,
Sinto a maresia a alimentar o meu coração e os meus sonhos
Sinto a paz,
De novo a paz de poder caminhar por onde me apetece
Por onde me sinto de novo viva e livre!
Tenho um sonho (de muitos)... de viver pertinho do mar
Olhar o horizonte infinito a cada manhã
Ver o mar a mudar de cor de acordo com as horas do dia e da noite
Um dia destes é aí que me encontrarão.
Por agora passeio junto desta magnífica paisagem e misteriosa brisa.
No meu pensamento passam rápidas as imagens, as pessosas e o sentir
Abrando o passo para ouvir melhor o barulho das ondas inquitas e vejo de novo...
o silêncio!

quinta-feira, julho 30, 2009

escrever



Para que serve escrever?
Serve para viver... De uma outra forma, de um jeito diferente, de um modo que não se sabe explicar. Vive-se de um modo estranho, com as palavras a passarem por entre as pessoas, com os sentimentos a passarem pelas palavras, com as emoções a criarem metáforas por si, sem esforço...E contudo, escreve-se com sofrimento...
Escreve-se como se ama: com o coração todo...

quarta-feira, julho 29, 2009

Não acredito em almas gémeas...



“Não acredito em almas gémeas…” - disse ele com convicção.
“Pois, eu também não.” – mentiu ela .
E ficaram assim, a olhar o sol a esconder-se no horizonte, iluminando timidamente apenas as duas montanhas mais longínquas que esbarravam no céu.
“Todos temos defeitos, as relações não são perfeitas, porque as pessoas não são perfeitas, temos de nos adaptar, porque não existem almas gémeas, porque há sempre problemas, porque temos de saber ceder… É por isso que não existem almas gémeas.”- continuou ele convictamente.
“Concordo, não há relações perfeitas.” – disse ela.
“Eu não acredito em almas gémeas, por tudo isso. Porque sei. Porque vivi. Porque é mesmo assim.”- repetiu ele.
“Claro, também acho que não, que não existem e se existissem eu saberia, eu sentiria que tinha de esperar por ela, sentiria sem sombras para dúvidas que a minha alma gémea estaria algures à minha espera. E, então, eu esperaria tranquilamente. E sentiria que a iria encontrar, sentiria isso, bem dentro de mim.” – disse ela, desta vez sem dar tempo a alguma observação dele.
“Pois, mas não sentes nada disso, pois não?” – perguntou ele, prendendo o olhar no olhar dela.
“Pois não?” – insistiu.
“Pois. Eu não acredito em almas gémeas, tal como tu.” – fugiu ela à pergunta. E suspirou. E o sol escondeu-se, finalmente, naquele fim de tarde de Agosto, deixando o céu incendiado de vermelho e laranja como um lençol de cetim, aberto sobre a cama...


"The meeting of two personalities is like the contact of two chemical substances: if there is any reaction, both are transformed."
Carl Jung (1875 - 1961)

terça-feira, julho 28, 2009

Everybody needs an angel

http://www.youtube.com/watch?v=qNfQ-BYz9tg


Abro a porta da sala, saio para a varanda e a brisa fresca da manhã toca suavemente na minha pele... Arrepio-me levemente... Sinto-me viva, feliz, como se anjos me sorrissem neste momento.
E lembro os anjos que me rodeiam ou rodearam sempre...
Penso em como os caminhos mudaram de direcção, em como cada troço de viagem foi seguido sempre como se fosse uma lição, uma aprendizagem, um degrau para um patamar mais elevado...
Penso nos meus anjos, os que, longe ou perto, sempre senti comigo, sempre me seguraram e abraçaram...
Penso nos que me sorriram, mesmo na ausência e para quem sorri de volta em inúmeros momentos semelhantes a este...

"We are, each of us angels with only one wing; and we can only fly by embracing one another."
Luciano de Crescenzo

O tempo em nós

O que vale o tempo que passa, devagar ou apressado, tanto faz, não importa, desde que (não)passe?
Visito a minha madrinha de baptismo, que já não via há mais de cinco anos e apercebo-me do passar do tempo no seu rosto. Oitenta e muitos anos e o ameaçar de que anda doente (sempre doente há tanto tempo) e contudo resistente. Sobreviveu ao marido e a um neto ("Não vou chegar ao teu casamento..." depois "Não vou chegar a ver os teus filhos..."). Viu tudo, afinal. Até o que não desejava e a surpreendeu...
O cabelo ficou mais raro, mais cinzento, mais fraco... A prótese sobra-lhe na boca, porque emagreceu e os maxilares alteraram-se... O tempo inexorável sempre a passar por ela, por mim, por nós...
"Queres um chá?" Sempre oferecia chá quando a visitava.
Nada mudou.
Tudo foi mudando...
Só a paisagem sobre o rio Douro se manteve, aquela que ela mal vê agora, a paisagem que já nem pode apreciar devido às cataratas que, implacáveis, lhe toldam o olhar...
"Nothing is as far away as one minute ago". Jim Bishop

quinta-feira, julho 23, 2009

Texto informativo... para homens! (Um contributo)

Recebi por email e achei imensa piada! À parte a caricatura e o (pouco) exagero, o texto é muito engraçado e elucidativo!
SÓ MESMO UMA MULHER PARA COMPREENDER...
O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa de banho é que, quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa de banho, ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e depois punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita. Finalmente instruía-te: "nunca, nunca te sentes numa casa de banho pública!" E depois ensinava-te a "posição", que consiste em balançar-te sobre a sanita numa posição de sentar-se sem que o teu corpo tenha contacto com o tampo. "A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, importante e necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, "a posição" é dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está quase a rebentar. Quando TENS de ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na posição oficial de “tou aqui tou-me a mijar!”.Finalmente é a tua vez! E chega a típica "mãe com a menina que não aguenta mais” (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou passar à frente, que pena!). Então verificas por baixo de cada cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados. Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a pessoa que ainda está a sair. Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não importa… Penduras a mala no gancho que há na porta… QUAAAAAL? Nunca há gancho!! Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos e fétidos, e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que foste metendo lá para dentro, durante 5 meses seguidos, e a maioria das quais não usas, mas que tens no caso de… Mas, voltando à porta… como não tinha fechadura, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num instante e pões-te “na posição”…AAAAHHHHHH… finalmente, que alívio… mas é aí que as tuas coxas começam a tremer… porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas, um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a cortar-te o pescoço! Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem a tapaste com papel; interiormente achas que não iria acontecer nada, mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça “nunca te sentes numa sanita pública”, e então ficas na “posição de aguiazinha”, com as pernas a tremer… e, por uma falha no cálculo de distâncias, um finííííssimo fio do jacto salpica-te e molha-te até às meias!! Com sorte não molhas os sapatos… é que adoptar “a posição” requer uma grande concentração e perícia. Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel higiénico, maaaaaaaaaaas não hááááá!!! O suporte está vazio! Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que tens na mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel… mas para procurar na tua mala tens de soltar a porta… ???? Duvidas um momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a empurra, dá-te uma trolitada na cabeça que te deixa meio desorientada mas rapidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco enquanto gritas OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!! E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as mulheres têm muito respeito umas pelas outras). Encontras o lenço de papel!! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas não importa, fazes tudo para esticá-lo; finalmente consegues e limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e molhas a mão toda; ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar o maldito lenço só com uma mão. Ouves algures a voz de outra velha nas mesmas circunstâncias que tu “alguém tem um pedacinho de papel a mais?” Parva! Idiota! Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim… porque ela nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, tu não sabes que doenças podes apanhar ali, que até podes ficar grávida (lembram-se??)…. Estás exausta! Quando páras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidíssimo e puxas o autoclismo a fazer malabarismos com um pé, muito importante! Depois lá vais pró lavatório. Está tudo cheio de agua (ou xixi? lembras-te do lenço de papel…), então não podes soltar a mala nem durante um segundo,pendura-la no teu ombro; não sabes como é que funciona a torneira com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de água fresca, e consegues sabão, lavas-te numa posição do corcunda de Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água. Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim secas as mãos nas tuas calças – porque não vais gastar um lenço de papel para isso e sais… Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís Borges enquanto te esperava.
“Mas por que é que demoraste tanto?” - pergunta-te o idiota.
“Havia uma fila enorme” - limitas-te a dizer.
E é esta a razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa de banho, por solidariedade: uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta e a outra passa-te o lenço de papel debaixo da porta, e assim é muito mais fácil e rápido, pois só tens de te concentrar em manter “a posição” e “a dignidade”.
Obrigada a todas por me terem acompanhado alguma vez à casa de banho e servir de cabide ou de agarra-portas! Passa isto aos desgraçados dos homens que sempre perguntam “querida, por que motivo demoraste tanto tempo na casa de banho?” …. IDIOTAS!
(desconheço a autora)


P.S. Os homens não são idiotas! O que se passa é que têm um, digamos, artefacto que lhes simplifica a vida... E depois custa-lhes a entender! Mas agora já devem estar esclarecidos ;)


quarta-feira, julho 22, 2009

o teu sorriso... ah, o teu sorriso!



O mais belo sorriso. Lembro, recordo com uma palavra a apertar o coração. Nem é triste, nem tão pouco alegre, a palavra. É uma palavra apenas, que lembra um sentimento, que lembra um momento, que lembra um beijo, que lembra uma risada, que lembra uma música. É o mais belo sorriso. Trago-o preso ao coração com um agrafo, como um papel preso a outro por um agrafo, que pica o papel, que pica o coração por causa da palavra. A palavra que aperta o coração. A palavra que não é triste, nem tão pouco alegre. É uma palavra que lembra um sentimento que nunca dobrou a esquina e partiu e ficou ausente. É um sentimento presente por causa daquele sorriso. Só por causa dele. Por causa de ti.
É a saudade. A palavra. O sentimento. A saudade de ti.
Quantos anos?...
O que importa?
Tu sabes que sempre gostei do teu sorriso!
:) :) :) :)

segunda-feira, julho 20, 2009

Para que serve o Amor?



- "Saúde e trabalho. Amor? Para que serve o amor se não tiver estas duas coisas?
O amor ajuda, é verdade, mas sem saúde e sem o meu dinheirinho para que me serviria?"

Aqui está uma breve parte de uma conversa de uma mulher do povo que apesar da sua simples condição já compreendeu o que é realmente imprescindível para viver.

quarta-feira, julho 15, 2009

As férias de Verão - 2

O que andamos a ler...

O teenager:
" Quarta-feira, 14 de Janeiro
Fiz-me sócio da biblioteca. Trouxe Os Cuidados com a Pele, A Origem das Espécies e um livro de uma autora que a minha mãe não pára de gabar. Chama-se Orgulho e Preconceito, por uma mulher chamada Jane Austen. Posso garantir que a bibliotecária estava impressionada. Talvez seja uma intelectual como eu. Não olhou para a minha borbulha, portanto já deve estar a desaparecer. Já não era sem tempo!
O Sr. Lucas estava na cozinha quando cheguei, a beber café com a minha mãe. A cozinha estava cheia de fumo. Eles estavam às gargalhadas, mas quando cheguei calaram-se.
A mulher do Sr. Lucas estava lá fora a limpar o colector. Estava com ar de mal disposta. Acho que o Sr. e a Srª. Lucas têm um casamento infeliz. Pobre Sr. Lucas!
Nenhum dos professores da escola reparou que sou um intelectual. Vão-se arrepender quando eu for famoso. Há uma miúda nova na nossa turma. Está sentada ao meu lado em Geografia. É fixe. Chama-se Pandora, mas gosta que lhe chamem 'Caixa'. Não me perguntem porquê. Sou capaz de me apaixonar por ela. Já está na altura de me apaixonar, afinal de contas tenho 13 anos e 3/4." --------------in O Diário Secreto de Adrian Mole aos 13 anos e 3/4, Sue Townsend
A mãe do teenager:
" à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal." -------------------------in Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto

terça-feira, julho 14, 2009

domingo, julho 12, 2009

O banjo do avô


O neto mais velho não consegue ligar a aparelhagem. O avô traz um CD na mão e diz que é para ouvir. “Tem umas peças que eu toquei no banjo e o Tone gravou em CD”. O avô não percebe nada de aparelhagens, nem computadores, nem CDs, mas trá-lo na mão e quer que os filhos e os netos o ouçam. A aparelhagem da sala não “lê” o CD. O avô não sabe porque é que isso acontece. Em casa do Tone tocava bem. O filho diz-lhe que põe o CD a tocar no computador. O avô não percebe porque é que agora o CD já toca, mas não faz mal… A música começa a tocar e as filhas conhecem-na bem, talvez mais que o filho mais novo, que, pertencendo a uma geração mais nova, não passou muitos serões a ouvir o pai tocar, refugiando-se no quarto com o computador e a TV ligados. A filha mais velha vem a correr, perseguindo o som familiar que ela sempre ouvira o pai tocar no banjo, o som inconfundível daquele banjo…
A mãe nunca gostou daquilo. Nunca deu valor à habilidade do pai para tocar qualquer instrumento de ouvido, sem ter qualquer conhecimento de música, sem saber ler nem escrever notas musicais. Aprendeu sozinho, tocando com os irmãos enquanto eram jovens. A filha mais velha traz uma pen na mão e diz ao irmão que quer aquele CD gravado para si. E diz para dentro que quer guardar aqueles sons para sempre, mesmo depois daquele banjo se silenciar, mesmo que tenha de ser, um dia, mesmo que ninguém mais saiba tocar assim como o avô… E diz para dentro que está feliz por poder trazer aquele som gravado em algo mais material que a sua memória, em algo que possa um dia mostrar ao seu filho e que possa ouvir sempre que lhe der as saudades de uns serões inocentes de tudo, da vida e das tristezas dos adultos.
E o som do banjo sobressai no meio dos outros instrumentos e o avô orgulhoso e com as faces coradas diz que aquele som é o melhor de todos e a filha mais velha diz que sim, que os outros instrumentos não se ouvem nada, que o banjo é que é bonito e a filha mais nova pensa para ela que aquilo não se deve perder, porque o neto mais pequeno também já tem jeito para a música e só tem quatro anos. E o avô fica contente, mais contente ainda porque as filhas querem levar a música naquilo, naquele pedacinho de plástico com um nome qualquer que não é disco… “Eu depois gravo num CD, pai!” E o avô ri, satisfeito, remexendo na gaveta onde guarda tesouros antigos: documentos caducados, papéis soltos, postais de aniversário oferecidos pelos filhos, pautas e livros de música muito velhos, amarelecidos pelo tempo, comidos pelos anos, onde se pode perceber que ele tentara aprender música sozinho, mas depois não pôde e tocava sempre assim, com os irmãos quando se juntavam e para os filhos quando eles nasceram.
E o banjo ficará, deste modo, na família, para sempre no ouvido e no coração e gravado agora num CD para que ninguém esqueça o avô artista, que aprendeu música sozinho e que tocava um banjo que tinha um som mais alto que todos os outros em seu redor!
"-Do you like music?
- Yes, more than food!" no filme, August Rush.

terça-feira, julho 07, 2009

As férias de Verão - 1

O Henrique é um garoto simpático! O sorriso abre-se logo em duas filas de dentes brancos assim que lhe digo “Bom dia”. É um miúdo bonito e tímido. Sempre a sorrir, fala muito pouco. Veio com o pai, o Sr. Henrique, colocar uns roupeiros cá em casa. Julho, férias de Verão, sábado às 8h da manhã, em ponto, chega com o pai que vai fazer “este biscate” para ganhar mais algum para além do horário da fábrica. “O Henrique vem sempre comigo! É o meu ajudante!”, diz o Sr. Henrique com um sorriso babado! O nome comum deve ser um sinal... De cumplicidade, de compreensão, de amor mútuo...
Tem cerca de onze anos e é já um homenzinho. Chega o material, segura as tábuas, varre o chão, cumpre as ordens que o pai lhe vai dando, sem reclamar, sempre atento, para não falhar. Quando pára de fazer alguma coisa, brinca com as tábuas, vai à varanda, olha os carros a passarem e deve imaginar as brincadeiras que podia estar a fazer se não estivesse ali, a ajudar o pai. Talvez a jogar à bola com os amigos, na rua…
Disse-me que vai ser médico quando for grande. E certamente vai sê-lo! É um aluno exemplar, teve 5 a todas as disciplinas no sexto ano! Adora futebol e joga na equipa da terra! E tem de ajudar o pai. Mesmo que seja um dia inteiro, mesmo que seja a um sábado, num dia de férias de Verão…
Porque a vida não é fácil e é de pequenino que se aprende…

segunda-feira, julho 06, 2009

O pote rachado


Havia na Índia um carregador de água que transportava - em ambas as pontas de uma vara que levava atravessada no pescoço - dois potes grandes de barro.Um dos potes tinha uma racha e o outro era perfeito.O pote perfeito chegava sempre cheio ao final do longo caminho que ia do poço até à casa do patrão. Mas o pote rachado chegava apenas com metade da água. E, assim, durante dois anos, o carregador entregou diariamente um pote e meio de água em casa do seu senhor. O pote perfeito, é claro, estava orgulhoso do seu trabalho. O pote rachado, porém, estava envergonhado da sua imperfeição. Sentia-se miserável por apenas ser capaz de realizar metade da tarefa a que estava destinado. Depois de perceber que, ao longo de dois anos, não tinha passado de uma amarga desilusão, o pote disse um dia ao homem, à beira do poço:

- Estou envergonhado e quero pedir-te desculpa. Durante estes dois anos só entreguei metade da minha carga, porque a minha racha faz com que a água se vá derramando ao longo do caminho. Por causa do meu defeito, tu fazes o teu trabalho e não ganhas todo o salário que os teus esforços mereciam.

O homem ficou triste com a tristeza do velho pote, e disse-lhe com compaixão:

- Quando voltarmos para casa do meu senhor, quero que repares nas flores que se encontram à beira do caminho.

De facto, à medida que iam subindo a montanha, o pote rachado reparou em que havia muitas flores selvagens à beira do caminho e ficou mais animado. Mas no final do percurso, tendo-se vazado mais uma vez metade da água, o pote sentiu-se mal de novo e voltou a pedir desculpa ao homem pela sua falha. Então, o homem disse ao pote:


- Reparaste em que, ao longo do caminho, só havia flores de teu lado? Reparaste também em que, quando vínhamos do poço, todos os dias, tu ias regando essas flores? Ao longo de dois anos, eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se tu não fosses assim como és, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.


(Autor desconhecido)


Aquilo que aos nossos olhos é um defeito, aos olhos do mundo pode ser uma grande qualidade!

Aprendamos a aceitar o que somos, pois, por vezes, é por tudo isso que somos amados!

(Este foi um dos momentos de reflexão e ternura "na noite em que fechamos (quase) tudo", ilustrada nas fotos do post anterior! Beijinhos especiais para a Capitolina!)

Na noite em que fechamos (quase) tudo!











Também queríamos fechar a estrada, mas a GNR não deixou! "Ca punha!"

quinta-feira, julho 02, 2009

Tu silencio



.."En tu silencio habita el mío
y en alguna parte de mi cuerpo habitó..."

segunda-feira, junho 29, 2009

Escrita

A mão percorre a folha
devagar traz à luz
novas palavras
uma nova linha de sentido
de horizonte
uma nova peça
que se encaixa
na outra
que se lhe segue
no pensamento que se segue
no sentimento que alastra
pela folha em branco
pelo coração em branco
pelo que fica
depois de se dizer
de se escrever o que não se sente
de não se escrever o que rebenta por dentro
no coração em branco
no papel vazio...

sexta-feira, junho 26, 2009

Ninguém vive para sempre...





Adeus Peter Pan...
O génio morreu...

Faz parte do meu imaginário adolescente... Não podia deixar de escrever algo sobre o assunto que faz hoje as manchetes de todos os jornais e noticiários. Sei bem que há quem o deteste, assim como há quem o idolatre! Eu sou apenas uma fã que gosta da sua música e aprecia o seu talento como bailarino e compositor.
Excêntrico, génio, alucinado, desequilibrado, bizarro, incompreendido, enfim, estrela...
Tinha um pouco de tudo. Mas tinha também um talento avassalador...
A forma como cantava e dançava, as canções que compôs e atingiram o número um dos tops musicais de todo o mundo, o feito de ter criado o disco mais vendido de sempre , são factos que fazem com que seja atribuído a Michael Jackson o título de Rei da Pop.
The king died, the legend was born...
His music will live forever... In our hearts...

quarta-feira, junho 24, 2009

Pérola


Querida Pérola,

"A morte é apenas uma travessia do mundo, tal como os amigos, que atravessam o mar, e permanecem vivos uns nos outros.
Porque sentem necessidades de estar presentes, para amar e viver o que é omnipresente.
Nesse espelho divino, vêem-se face a face; e sua conversa é livre e pura.
Este é o consolo dos amigos e embora se diga que morrem, sua amizade e convívio estão, no melhor sentido, sempre presentes, porque são imortais."
William Penn
O céu ganhou mais uma Pérola ... descansa em paz.

terça-feira, junho 23, 2009

A gaivota


Uma gaivota esvoaça por cima do mar, rasteira à água, quase tocando levemente a ondulação branca que me vem beijar os pés. É uma gaivota belíssima, de penas brancas e longo bico amarelado. O seu voo encantou-me e agora prendi o olhar nela, seguindo o seu trajecto, ora suave, ora rápido, ora voando para longe, ora regressando e deixando-me, a mim, com vontade de a seguir até às rochas escarpadas e de lá observar a imensidão do azul, acima e abaixo de mim.
Mas os meus pés estão enterrados na areia e ainda assim apetece-me caminhar ao longo do areal e contrariar a gravidade que me traz para baixo, que me prende à terra, que me retira as asas, que me traz presa ao chão.
Caminho perdida em pensamentos soltos e sem vontade de chegar ao fim da praia. Ao longe, um navio leva-me em viagens exóticas e imprevisíveis, para destinos longínquos e insondáveis. E eu deixo-me ir nesse navio, errante, sem data para regressar, sem rota marcada que não seja o infinito, solta de tudo, desprendida do chão, ausente das memórias, em branco para o que vem, para o futuro que traz um respirar desconhecido e inebriante, uma asa de cor nova, um voo sem direcção.
Caminho ao longo da praia e, de súbito, a gaivota de penas brancas voa a meu lado, tranquila, subindo um pouco, descendo de novo, afastando-se até às rochas que deixei para trás, aproximando-se de mim, novamente, devagar, planando a água que me vem acariciar os pés em cada passo e é então que, de alguma forma, pressinto que não irei fazer esta caminhada sozinha…

segunda-feira, junho 22, 2009

Pure teen!



“A mochila está pronta?”
“Claro! Só vais para a piscina amanhã e colocar lá dentro uma toalha, o protector e uns chinelos, não é tarefa demorada!
“Mas eu quero que fique já pronta para não me atrasar amanhã. Tenho de estar na pizzaria ao meio dia.”
“E que calções de banho vou levar?”
“Os novos. Os do ano passado já não te servem!”

As férias começaram há poucos dias e as tardes passadas com os amigos são tão mais divertidas!
“Será que podes ir? A tua mãe deixa?”
“A minha mãe deixa-me sempre fazer estas coisas!”- disse o meu (pré)adolescente sorridente!
Claro que deixo!

Os adolescentes de hoje podem ser diferentes nas actividades que fazem, mas o que sentem é muito parecido com o que nós sentíamos! O meu (pré)adolescente foi almoçar à pizzaria com os amigos (tudo combinado pela internet/Messenger e telemóvel) depois foram todos até ao parque para andar e correr um pouco e a seguir foram para a piscina municipal!
Eu tinha uma irmã e alguns vizinhos com quem brincava na rua- eram os meus companheiros de brincadeira. Umas vezes jogávamos à bola, às escondidas, andávamos de bicicleta ou jogávamos às cartas, sentados no chão de cimento à entrada da nossa casa. Outras vezes (e essas eram as minhas tardes preferidas) íamos nadar para o rio! As férias de Verão eram intermináveis para mim, naquela altura. E eu que gostava tanto da escola chegava a sentir-me enfadada com tantos dias de ócio! Correr, nadar, sujar-me no pó ao correr descalça, tomar banho no rio, lanchar pão com Tulicreme e uma maçã que segurava com as mãos azuladas e com a pele enrugada de estar tanto tempo na água, podem ser actividades diferentes das que se fazem hoje, mas a sensação deve ser a mesma!
O meu teen chegou a casa às 18.30, com as faces coradas, cansado e um sorriso estampado no rosto!
“Correu bem, mãe! Estou exausto: corri, nadei, andei nos escorregas!”
E correu bem porque passou uma tarde de férias de Verão na companhia de amigos adolescentes, partilhando as mesmas inseguranças e os mesmos anseios!

These may well be the best days of your life!

sexta-feira, junho 19, 2009

Viagem



Fizemos uma viagem. Apenas uma, lembraste?
A vida também é assim... uma única viagem.
Fecho os olhos e tenho uma daquelas visões que as pessoas que estão a morrer mas não morrem depois descrevem:
" era uma estrada longa, o caminho passava por nós..."
Por vezes eramos ultrapassados por outros que tinham mais pressa mas nós tinhamos o tempo todo... aquele tempo, o nosso tempo.
Não queriamos muito ir a lado nenhum. Apenas ir juntos.
De um lado e de outro havia tanta coisa para se observar e sentir e cheirar.
Por cima de nós o céu estava azul mas o Sol não brilhava muito.
Não me apetecia olhar para os lados... apenas para o teu lado. Não. Apenas olhar para ti! E olhei-te a viagem toda.
De vez em quando sorria... lembro-me que me sentia em paz e com um bocadinho de medo porque não conhecia aquele caminho.
E a viagem foi toda assim: com as coisas a passar por nós e eu contigo ali ao lado naquela única, breve e intensa viagem.
Foi apenas uma viagem e tudo está a morrer assim lentamente mas ainda não morreu.

segunda-feira, junho 15, 2009

Chill out...



Respiro fundo, por esta altura, não porque já esteja de férias (longe disso, só no mês dos emigrantes, em pleno Agosto "com frio no rosto" é que terei férias), mas porque as aulas propriamente ditas terminaram!


Agora vêm as burocracias, o trabalho de papel, os relatórios, as vigilâncias de exames (pobres crianças...), a correcção de exames, a elaboração de turmas, as reuniões, enfim, o trabalho sem alunos, mas para os alunos...


E respiro fundo, porque o stress diário abranda, como abrandam as exigências diárias de serenidade e ao mesmo tempo dinamismo, como diminuem as tensões permanentes da matéria a leccionar, do controlo disciplinar, da motivação impreterível para que entendam, para que aprendam, da quantidade absolutamente estapafúrdia de testes para corrigir, de testes para elaborar, de fichas para fazer, de conteúdos para preparar...


E tudo abranda, porque o ritmo é menos alucinado e alucinante e até me posso dar ao luxo de chegar a casa, pousar a pasta, sentar-me na varanda a ver o pôr-do-sol enquanto como uma maçã, e posso até (imaginem!) andar com o livro do José Luís Peixoto debaixo do braço e ler de vez em quando, ao longo do dia, porque não tenho de ler nada por obrigação, apenas por prazer... E vou lendo e respirando fundo e acalmando do stress de todo um (longo) ano de aulas e cansaços e lutas e desencantos e alegrias e nostalgias...


"Boas férias, 'stora! Fica connosco p'ro ano?"


"Não sei, não sei!" Nunca sei, talvez sim... Alguns nunca mais verei, outros encontrarei daqui por muito (ou pouco) tempo, num hipermercado a trabalhar na secção das frutas, das bebidas ou numa loja qualquer; outros continuarão por cá mais um, dois anos e depois também se vão, para a universidade ou para a vida...


E eu começo a respirar fundo, a descontrair um pouco, a chegar a casa ao fim da tarde com o sol ainda alto e sem pressa de pegar de novo nos livros para preparar matérias... E penso que durante um ano devo ter feito a diferença para alguns e quero acreditar que sim, que para alguns devo ter sido uma boa professora, devo ter conseguido fazer com que aprendessem, com que se interessassem, com que se importassem... Assim espero, pelo menos...


Chill out...that's what I need by now! Until the next round!

domingo, junho 14, 2009

Eu não sei quem me perdeu...

agora
agora entendi
que é apenas assim que me queres
de fugida, no momento
para amainar a inquietude do sentir
para amainar a azafama do dia
consegues viver tão bem assim
com tão pouco
sabes? assim não me dou... empresto-me num ou noutro momento
mas assim chega-te
assim é muito bom para ti.
mas agora
agora
precisas de saber que estou de partida
que estou a andar num caminho novo
sem trilho mas onde sou eu que deixo o rasto
depois
depois não sei...
mas sei que estou de partida
não me quero despedir já
não quero deixar já que as tuas mãos se separem das minhas
ainda nos tocamos
ainda nos sentimos
mas eu estou de partida.