terça-feira, novembro 11, 2008

Portas



"Se você abre uma porta,
você pode ou não
entrar em uma nova sala.
Você pode não entrar
e ficar observando a vida.
Mas se você vence a dúvida,
o temor, e entra, dá um grande passo:
nesta sala vive-se!
Mas, também, tem um preço...
São inúmeras outras portas
que você descobre.
Às vezes curte-se mil e uma.
O grande segredo
é saber quando e qual porta
deve ser aberta.
A vida não é rigorosa,
ela propicia erros e acertos.
Os erros podem ser transformados
em acertos quando com eles se aprende.
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa,
a cada sala que se vive,
descobre-se tantas outras portas.
E a vida enriquece
quem se arrisca a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos
e generosamente oferece afortunadas portas.
Mas a vida também pode ser dura e severa.
Se você não ultrapassar a porta,
terá sempre a mesma porta pela frente.
É a repetição perante a criação,
é a monotonia monocromática
perante a multiplicidade das cores,
é a estagnação da vida...
Para a vida,
as portas não são obstáculos,
mas diferentes passagens!"
(Lçami Tiba)

segunda-feira, novembro 10, 2008

Amigos dos meus amigos


Há uns tempos atrás estava num restaurante e dei por mim a observar a mesa ao lado.
Só homens compunham a dita mesa e das baboseiras ditas alto e em bom som retive uma:
“Eu cá sou amigo dos meus amigos”.
Ora aqui está um pensamento profundo, sim senhor!
É que eu cá também sou amiga dos meus amigos, o problema é quando tomamos por amigos aqueles que já há muito deixaram de o ser. Mas isso é apenas um à parte.
Na realidade o busílis da questão prende-se com o facto aqui desta mocinha não conviver lá muito bem com facto de alguns amigos dos meus amigos acharem que também são meus amigos. Parece confuso? Mas não! É que esses novos amigos prodígio sabem tudo acerca de mim e são mesmo muito a frente. Vá de opinar, de combinar programas etc. Isto a malta é toda muita fixe! Já nos conhecemos há bué, até já trocamos uns mails, já comentei o teu blog e tal, afinal somos mesmo super amigos!
Vale-me o facto de ser moça bastante condescendente e com infinita paciência ….

sexta-feira, novembro 07, 2008

Luxúria

Sei que a luxúria é um dos sete pecados mortais, mas hoje atrevia-me a:

Pegar no carro ...

Chegar a casa ...



Tomar um banho ...



Vestir uma coisinha simples ...



Jantar a dois ...


E como já dizia a outra: ”E se eu não gostar de mim, quem gostará?”

Beijinhos e Bom fim de Semana !

quarta-feira, novembro 05, 2008

Quem esta pessoa que está ao meu lado?


Li recentemente a seguinte frase: "É necessário uma dose homeopática de masoquismo para viver em sociedade e tolerar aquele estranho que temos ao lado no metro, na fila do cinema, no trabalho e na cama".
Já muitas vezes ouvi comentar que era muito dificil estar ao lado de certas pessoas - isto já para não falar de conviver - quando não somos nós que as escolhemos para ali estar... mas hoje faz-me muito mais confusão estar ao lado de pessoas que escolhi erradamente e mais ainda quando é difícil, senão mesmo impossível, afastá-las de vez do meu caminho.
Um destes dias fiz um exercício que durante muitos anos o repeti sem nunca ter pensado desta maneira: por força das circunstâncias estive numa igreja em comunidade, a rezar ao lado de tanta gente que eu não escolhi (nestes locais nunca escolhemos as pessoas que ali estão). Achei muito estranho rezar, e ainda por cima em voz alta, em unissono com aquelas pessoas. Senti que foi muito dificil pois sentia cada frase que dizia de uma forma autêntica (as plavaras entravam em mim e faziam eco no meu coração) e estava a partilhar isso com todos os presentes.
Saí dali a questionar tudo o que se faz numa oração em comunidade, o seu sentido ou a falta dele do ponto de vista de tanta gente...e não pude deixar de me questionar sobre esta homeopatia de viver em sociedade.

domingo, novembro 02, 2008

Gosto de ti!...




gosto de ti desde aqui até à lua
gosto de ti desde a lua até aqui
gosto de ti simplesmente porque gosto
e é tão bom viver assim...

André Sardet, Adivinha o quanto gosto de ti


sábado, novembro 01, 2008

Pensamentos... Ou várias formas de amor...


(autor desconhecido)


" Também de meu amor precisas para ser feliz, desse amor de impurezas, errado e torto, devasso e ardente, que te faz sofrer."

Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos



"Por vida desse amor mágico que desafiava o poder da morte, conhecíamos todo o passado habitado pela espera do nosso encontro, trocávamos recordações dos lugares onde nunca estivéramos, emoções dos corpos que já não éramos, (...)"

Álvaro Guerra, No Jardim das Paixões Extintas



"Minh'alma de sonhar-te anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver!

Não és sequer a razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!"

Florbela Espanca, Poesia Completa

quinta-feira, outubro 30, 2008

"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."


Dia 13 de Novembro estreia finalmente em Portugal o filme "Blindness" baseado na obra "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago.
Estou expectante em relação a estreia deste filme, não só pelo facto de ter lido o livro mas porque a historia narrada me sensibilizou de algum modo.
Para quem nunca leu o livro, tudo começa quando uma praga repentina de cegueira se abate sobre a população. Aos poucos, um após o outro todos acabam cegos, e excepção da mulher de um medico, que aparentemente e sem razão especial é a única que não é afectada pela doença que deixa todos cegos.
É por ela e através dos olhos dela que tudo nos é narrado.
A cegueira é encarada inicialmente como uma epidemia, algo contagioso e como tal todos os que vão cegando são colocados de quarentena em condições desumanas.
É o começo do desmoronar completo da sociedade.
Os serviços mínimos deixam de funcionar, não há saúde, não há educação, não há comida, não há agua, não há luz, não há nada, todos se encontram perdidos e desesperados na sua própria escuridão e a historia passa a ser apenas um registo de sobrevivência de multidões, onde o ser humano é reduzido a sua verdadeira essência.
O livro não é somente uma história de cegos, é sim, o retrato cruel, chocante e impiedoso, por um lado, mas também de confiança, força, luta e coragem das relações entre os homens.
"Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente"
E aqui reside a riqueza deste livro. Até onde somos capazes de ir para assegurar a nossa sobrevivência? Que valores conseguimos manter e quais perdemos de forma quase imediata? Como controlamos o nosso medo? Como vivemos sem esperança?
Concluindo, Ensaio sobre a Cegueira é um livro que eu recomendo mesmo aqueles mais cépticos em relação a forma de escrita de Saramago.

Deixo aqui alguns excertos deste livro:

"Quando o médico e o velho da venda preta entraram na camarata com a comida, não viram, não podiam ver, sete mulheres nuas, a cega das insónias estendida na cama, limpa como nunca estivera em toda a sua vida, enquanto outra mulher lavava, uma por uma, as suas companheiras, e depois a si própria."

"O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui. Então perguntou o velho da venda preta, Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira. Ninguém lhe soube responder."

"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

quarta-feira, outubro 29, 2008

A Coroa


“Havia num país distante, um rei poderoso que tinha como servo um homem bom e fiel, cuja eficiência era única em todo o reino.
Porém, o rei não podia acreditar que esse homem era perfeito.
Mil dúvidas povoavam sua mente. E se num momento muito importante a eficiência deste servo falhasse?
Diante desta dúvida o rei resolveu colocar em prova a capacidade do homem.
Chamou-o e disse: -" Servo, cansei-me desta minha coroa.
Quero uma outra, mas não em ouro e sim quero-a com pedras preciosas. As mais exóticas e brilhantes que houver. Portanto, ordeno-lhe que a confeccione para mim".
Como ele sabia que no seu reino não havia este tipo de pedras achou que pela primeira vez o seu servo lhe falharia.
Mas meses depois, o fiel empregado voltou trazendo uma coroa de beleza ímpar, com pedras espetaculares nunca antes vistas em reino algum. Mas o rei ainda não aceitando totalmente a eficiência do escravo, depois de muito pensar e meditar chamou-o novamente ordenando: ...
" Servo, agora quero que acrescente nesta linda coroa, uma frase que quando eu estiver triste me alegre, e quando eu estiver feliz, me entristeça".
O servo saiu de lá desesperado. Como faria isso?
Tudo na vida já tinha feito para provar sua fidelidade ao rei, mas agora ele pedia–lhe algo que parecia impossível.
Chegou em casa entristecido, sabendo que perderia o seu cargo e que mais do que isso perderia a confiança do rei.
Mas a esposa, consternada com a tristeza do marido depois de muito pensar teve uma grande idéia que executou.
Depois de pronta, o servo pegou a coroa e a levou ao rei que de imediato a colocou na cabeça e foi para a frente do espelho para ver o que nela estava escrito.
Espantado então viu a breve frase: VAI PASSAR! “
Autor Desconhecido
Esta é a nossa realidade, e de facto, inpendentemente do momento mais ou menos feliz pelo qual passamos no presente uma coisa é certa : Ele passará …

segunda-feira, outubro 27, 2008

Solidão

(imagem por khimaereus - internet)



TRECHO DE UMA ENTREVISTA A CHICO BUARQUE, ONDE ELE DEFINIU, “SOLIDÃO”…
“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo… Isso é carência!
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… Isso é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos… Isso é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente… Isso é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isso é circunstância!
Solidão é muito mais do que isso…
SOLIDÃO… é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma!…”
Não gosto particularmente de solidão, mas adoro estar sozinha! De ouvir o bater do meu próprio coração, sem o som da presença do outro...
Gosto do retiro voluntário que, por vezes, anseio sofregamente para me encontrar!...

sexta-feira, outubro 10, 2008

Poema


Atreve-te a julgar. Julga os outros julgando-te a ti mesmo.
A natureza das coisas é a tua natureza. Respira-te, despe-te,
faz amor com as tuas convicções, não te limites a sorrirquando não sabes mais o que dizer.
Os teus dentes estão lavados, as tuas mãos são amáveis, mas falta-tedecisão nos passos e firmeza nos gestos.
Procura-te. Tenta encontrar-te antes que te agarre avoracidade do tempo.
Faz as coisas com paixão. Uma paixão irrequieta,que não te dê descansoe te faça doer a respiração.
Aspira o ar, bebe-o com força, é teu, nem um centavo pagarás por ele.
Quanto deves é à vida, o que deves é a ti mesmo. Canta.
Canta a água e a montanha e o pescoço do rio,
e o beijo que deste e o beijo que darás, canta o trabalho doce da abelha e a paciência com que crescem as árvores,
canta cada momento que partilhas com amigos, e cada amigocomo um astro que desponta no firmamento breve do teu corpo.
E canta o amor. E canta tudo o que tiveres razão para cantar.
E o que não souberes e o que não entenderes, canta.
Não fujas da alegria. A própria dor ajuda-te a medira felicidade.
Carrega nos teus ombros os séculos passados eos séculos vindouros,muito do pó que sacodes já foi vida, talvez beleza, orgulho, pedaços de prazer.
A estrela que contemplas talvez já não exista, quem sabe, o que te ajudou a ser vida de quantas vidas precisou. Canta!
Se sentires medo, canta. Mas se em ti não couber a alegria, não pares de cantar.
Canta. Canta. Canta. Canta. Canta.
Constrói o teu amor, vive o teu amor, ama o teu amor.
De tudo o que as pessoas querem, o que mais querem é o amor.
Sem ele, nada nunca foi igual, nada é igual, nada será igual alguma vez.
Canta. Enquanto esperas, canta.
Canta quando não quiseres esperar.
Canta se não encontrares mais esperança.
E canta quando aesperança te encontrar.
Canta porque te apetece cantar e porque gostas de cantar e porque sentes que é preciso cantar.
E canta quando já não for preciso.
Canta porque és livre.
E canta se te falta a liberdade.
Joaquim Pessoa 'Vou-me Embora de Mim' da HUGIN em 2000

quinta-feira, outubro 02, 2008

Anjo da Guarda

Numa manhã acordamos e o sol nasce, como sempre, fresco num dia de Outono. Corremos de um lado para o outro, trabalhamos, esquecemos de sorrir.
Na manhã seguinte o sol já não importa, o trabalho perde valor, os compromissos tornam-se ridículos, o stress do dia a dia deixa de fazer sentido. Tudo porque o amor da nossa vida, aquele por quem respiramos, a razão porque existimos está a entrar para um bloco operatório para tratar uma infecção e remover um apêndice que, inflamado, incomoda, dói e espalha o que não deve.
Sossegam-nos o coração, dizem-nos que é uma cirurgia simples, mas o coração não entende explicações científicas. Só sabe que dói quando a impotência se apodera de nós e temos que o deixar ir, entregue nas mãos de quem sabe…
“Vai correr tudo bem… Pedi ao Anjo da Guarda para cuidar de ti…”

E ele cuidou!...

segunda-feira, setembro 29, 2008

Parabéns, Cláudia!

Hoje, 29 de Setembro, completa mais uma Primavera uma das flores do nosso magnífico jardim! PARABÉNS, CLÁUDIA! E que continues a saber florir dessa maneira tão genuína, tão tua, tão nossa! Mil beijinhos com amizade, adoração e admiração!...
Procura sempre o sol!...

sexta-feira, setembro 26, 2008

Provocação...

(imagem retirada da internet)

A propósito de um programa, algo polémico, recentemente estreado na SIC e apresentado pela Teresa Guilherme, surgiu a discussão à volta do assunto (mais que delicado) da traição. Era perguntado à concorrente se contaria ao marido caso alguma vez o traísse. Ao que a dita responde que não. Não contaria. E parece que falou verdade e ganhou 100 mil euros, para grande júbilo do marido, pai, sogra e público! É de reiterar a ideia de que o marido bateu palmas e abraçou a mulher com muito amor ao ouvir a voz off dizer, após enorme suspense, que a resposta era... verdadeira!

Foram para a rua questionar os transeuntes acerca do mesmo e, como era de esperar, as respostas oscilaram entre o sim e o não e, com toda a naturalidade, foram expostas as razões.

A mim, a razão que me levou a escrever este post tem a ver com a opinião de uma mulher que considero muito inteligente e cuja escrita já me prendeu duas ou três vezes no seu blog. Luisa Castel Branco opinou mais ou menos isto: já viveu muito e sempre achou que a verdade devia ser a palavra - chave de tudo na vida. Porém, agora e com a experiência que já tem, diz: mulheres, se a coisa NÃO for séria, não contem! Não vale a pena estragar nada por uma vivência passageira!...

Fiquei espantada. Ela que é uma mulher tão assertiva e correcta, do género "doa a quem doer", emite tal opinião! Fiquei a pensar, eu própria também, sobre o assunto... Valerá a pena contar ao companheiro(a) que se cometeu uma traição? Só se deve contar se a "coisa" for séria, como defende Luisa Castel Branco? Deve-se contar sempre, mesmo que tenha sido "uma aventura sem importância"? Existirão "aventuras sem importância", ou pequenos deslizes sem valor, ou todas as traições são graves e condenáveis? Será que o ser humano consegue enganar e ficar na mesma? Ou alguns conseguem e outros não? O que será melhor: saber a verdade ou viver na "santa ignorância" e em paz e harmonia?...

Meditem e aceitem a provocação: digam qualquer coisa!


domingo, setembro 21, 2008

poesia, mais uma vez!

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!

E eu acreditava.

Acreditava,

porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis.



Mas isso era no tempo dos segredos.

Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.

Era no tempo em que os meus olhos

eram os tais peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco, mas é verdade:

uns olhos como todos os outros.



Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor...,

já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certeza

de que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.



Não temos já nada para dar.

Dentro de ti

não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.



Adeus



Eugénio de Andrade

(mais uma vez!...)

sábado, setembro 20, 2008

Despedida...

(imagem retirada da Internet - Autora: Isabel)
Ía eu hoje de carro pela estrada e reparei numa coisa que todos os anos me faz sentir algo paradoxal. Das árvores ainda carregadas de folhas verdes, começavam a desprender-se algumas já amarelecidas. O sopro do vento levava-as para longe e a sensação de que a natureza está a mudar trouxe-me o tal sentimento dual de, por um lado, melancolia, tristeza e, por outro, fascínio, encantamento…
Tal como acontecia com os poetas e autores do Romantismo, a natureza influencia um pouco os meus estados de espírito e o meu ânimo… Pelo fim da tarde, chegou a chuva, o ar arrefeceu e eu comecei a despedir-me do Verão… Comecei a antever os ramos despidos das árvores, os dias mais curtos, as gotas de chuva na minha janela, o som dela no meu telhado, o céu cinzento a encobrir os raios de sol no meu dia…
É o ciclo da vida que temos que aceitar, pois a natureza também sabe que “é preciso morrer para nascer de novo”…

segunda-feira, setembro 15, 2008

Mamma Mia! Divina Meryl Streep!




Há muito tempo que não saía de uma sala de cinema com o coração cheio !
É um musical.
Pensei que todo o drama se perdesse perante o aspecto insólito de situações cantadas (irreais, no dia-a-dia) e que, por isso mesmo, fosse impossível chorar, emocionar-me, envolver-me no filme! Porém, devo dizer que as lágrimas me caíram, teimosas, inconvenientes, com emoção. Adianto também que saí com os maxilares descarnados de tanto rir e com os meus abdominais tonificados pelas fortes contracções que as gargalhadas sonoras provocaram! Uma mistura de sensações e emoções que somente uma Meryl Streep absolutamente estonteante poderia provocar! Um verdadeiro bálsamo, este filme, que traz à memória canções que ouvi pela primeira vez em vinil, em adolescente, em casa de uns tios trintões e muito curtidões e que na altura eu trauteava sem compreender o sentido e muitas vezes com a letra errada! Eram os ABBA, claro está!
Quem conhece Meryl Streep de filmes dramáticos e densos como A Casa dos Espíritos ou As Pontes de Madison County, dificilmente poderia esperar que ela se saísse tão bem numa comédia / musical carregada de energia, acção e música! Mas a surpresa é avassaladora, o que até acaba por nem surpreender - é que estamos a lidar com uma musa do cinema! Ela própria parece rejuvenescer no cenário encantado da Grécia, local onde decorre a acção!

Ficamos com o desejo de envelhecer da mesma forma encantadora e bela!

E, claro, com vontade de reservar já bilhetes para o próximo avião para a Grécia!

quinta-feira, setembro 11, 2008

Mar de Setembro

(imagem retirada da internet- autor desconhecido)

Tudo era claro:

céu, lábios, areias.

O mar estava perto,

fremente de espumas.

Corpos ou ondas:

iam, vinham, iam,

dóceis, leves - só

ritmo e brancura.

Felizes, cantam;

despertos, amam,

exaltam o silêncio.

Tudo era claro,

jovem, alado.

O mar estava perto,

puríssimo, doirado.

(Eugénio de Andrade, o poeta do amor, da intensidade...)


sábado, setembro 06, 2008

Estrada

Não posso estar tanto tempo a ouvir esta música e não a partilhar...
http://www.youtube.com/watch?v=Sf0l1XTDUAY

Meu amor não quero mais palavras rasgadas
Nem o tempo cheio dos pedaços de nada
Não me dês sentidos para chegar ao fim
Meu amor...só quero ser feliz
Meu amor não quero mais razões p'ra apagar
O que nasce e renasce e nos faz acordar
A locura faz medo se for medo o teu chão
Mas é ar e é terra dentro do coração
É ar e é terra dentro do coração
Meu amor não quero mais silêncio escondido
Nem a dor do que cai em cada gesto ferido
Quero janelas abertas e o sol a entrar
Quero o meu mundo interno dentro do teu olhar
Eu quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar
E hoje vê a estrada é feita para seguir
E hoje sente a vida é feita de sentir
E hoje vira do avesso o mundo e vê melhor
Deste lado é mais puro
É teu é tão maior
Deste lado é mais puro
É meu é tão maior
Meu amor não quero mais palavras rasgadas
Nem o tempo o cheio dos pedaços de nada
Não me dês sentidos para chegar ao fimMeu amor...só quero ser feliz
Meu amor não quero mais razões p'ra apagar
O que nasce e renasce e nos faz acordar
A locura faz medo se for medo o teu chão
Mas é ar e é terra dentro do coração
É ar e é terra dentro do coração
E hoje vê a estrada é feita para seguir
E hoje sente a vida é feita de sentir
E hoje vira do avesso o mundo e vê melhor
Deste lado é mais puro
É teu é tão maior
Deste lado é mais puro
É meu é tão maior

domingo, agosto 31, 2008

As regras da sensatez

(Imagem retirada da internet)


Nunca voltes ao lugar
Onde já foste feliz
Por muito que o coração diga
Não faças o que ele diz

Nunca mais voltes à casa
Onde ardeste de paixão
Só encontrarás erva rasa
Por entre as lajes do chão

Nada do que por lá vires
Será como no passado
Não queiras reacender
Um lume já apagado

São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez

Por grande a tentação
Que te crie a saudade
Não mates a recordação
Que lembra a felicidade

Nunca voltes ao lugar
Onde o arco-íris se pôs
Só encontrarás a cinza
Que dá na garganta nós

São as regras da sensatez
Vais sair a dizer que desta é de vez



(Letra da música de Rui Veloso - As Regras da sensatez)

segunda-feira, agosto 04, 2008

As montanhas do Afonso


(imagens retiradas da internet)
“Estas montanhas são minhas!”, dizia o pequeno Afonso, apontando o dedito pela janela do carro, à medida que se vislumbravam as primeiras montanhas da Serra do Gerês… Em baixo, um magnífico rio corria lavando as encostas da serra. Em certos locais, as montanhas recolhiam minúsculas casinhas cujos telhados cor de laranja pintavam o verde com pequenos pontinhos de cor de fogo. O Afonso lançava os esplêndidos olhos azuis à paisagem e parecia admirá-la ainda mais do que nós! E repetia a cada passo: “Estas montanhas são minhas!” e nós dizíamos que sim! Claro que sim, Afonso, as montanhas são tuas e eu que ando sempre com a cabeça nas nuvens e adoro a cor azul, fico com o céu, que é azul como os teus olhos e é grande o suficiente para ser de todos!...