quinta-feira, dezembro 23, 2010

Adagio




Non so dove trovarti
Non so come cercarti
Ma sento una voce che
Nel vento parla di te
Quest' anima senza cuore
Aspetta te
Adagio

Le notti senza pelle
I sogni senza stelle
Immagini del tuo viso
Che passano all' improvviso
Mi fanno sperare ancora
Che ti trovero
Adagio

Chiudo gli occhi e vedo te
Trovo il cammino che
Mi porta via
Dall' agonia
Sento battere in me
Questa musica che
Ho inventato per te
Se sai come trovarmi
Se sai dove certami
Abbracciami con la mente
Il sole mi sembra spento
Accendi il tuo nome in cielo
Dommi che ci sei
Quello che vorrei
Vivere in te

Il sole come sembra spento
Abbracciami con la mente
Smarrita senza di te
Dommi chi sei e ci credero
Musica sei
Adagio

Será possível melhor?...
Quatro homens assim, a cantar desta maneira?...

terça-feira, dezembro 21, 2010

All I want for Christmas!...



Musiquinha leve para animar este blogue que anda um pouco tristonho, com uma Mariah Carey ainda sem airbags e muito gira!

Eu até explicava melhor... O que quero para este Natal e tal, mas, como diz um primo que eu gosto muito: fica assim!...

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Esperança

Acorda todos os dias com uma esperança.
Com a esperança que o dia de hoje seja melhor que o de ontem e pior que o amanhã.
Inventa maneiras de superar aquilo que sente.
Um vazio e uma dor como nunca antes sentira...
Todos lhe dizem que é forte e que o tempo, esse bendito, apaga tudo, suaviza e ajuda a aceitar e a entender aquilo que hoje não tem qualquer explicação.
Não acredita,ouve, mas não responde.
Sente-se amputada todos os dias. Parte de si morreu e debate-se por seguir em frente com essa limitação.
E engole em seco muitas vezes durante o mesmo dia. E chora em silêncio outras tantas.
Por um cheiro, por uma expressão, por uma memória, mas principalmente pela saudade.
Nunca gostou que os outros sentissem pena dela, que os olhares lhe recaíssem.
E por isso mesmo não fala do assunto com ninguém a não ser com ela própria.
Até porque já nada há para dizer e já ninguém a pode ajudar.
É definitivo,sem solução,sem retorno. Para sempre.
Perguntam-lhe diversas vezes o que queria este Natal.Apática, responde sempre o mesmo: nada...
Porque o seu desejo mais profundo era tão somente colocar mais um prato na mesa... e esse desejo, nem a estrela mais iluminada deste Natal, lhe irá conceder.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

conto de Natal - epílogo



No dia de Natal, todos dormiram um pouco mais. Tudo passa, até a noite de Natal. A noite, afinal, fora curta.
Jantaram tarde. A mãe estava cansada, mas fez as batatas cozidas com o bacalhau. E havia bolo-rei e rabanadas e formigos. Os pais zangaram-se, como de costume, e depois da meia-noite as filhas receberam uma camisola rosa bebé, em algodão, que usariam quando fossem à missa. As camisolas eram iguais, mas de tamanhos diferentes. Lisas, da mesma cor e iguais. A mãe comprava muitas vezes roupa assim. Igual para as duas. Os pais não recebiam presentes. Por isso, o ritual de rasgar embrulhos era rápido. O pai saiu, a mãe foi dormir e as filhas viram um pouco de televisão no único canal que existia na altura. E havia um aperto no coração, uma esperança frustrada de que a imaginação não tivesse falhado tanto.
Cada um no seu mundo, viveu um Natal diferente. O do pai teria sido mais animado, o da mãe bem mais triste, o da irmã mais nova intenso, gravando cada segundo na memória para nada esquecer, para guardar dentro de si aquilo que quereria tanto apagar ao longo da vida e o da filha mais velha teria sido inventado, imaginado na sua cabeça, bem diferente do que era, alienado pelo poder da criação que tantas vezes a levaria para lugares recheados de cor e alegria, repletos de afecto e iluminados pelo calor de um abraço.
Tudo passa, tudo acaba, até a noite de Natal.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

conto de Natal... ainda


Na véspera de Natal, o presépio era o mesmo. As palhinhas da manjedoura onde o menino Jesus estava deitado também tinham sido coladas. Estavam a desprender-se. O pai colara-as nessa semana, enquanto as duas tinham ido arrancar musgo aos muros para arranjar o presépio. Depois, quiseram levar ao mesmo tempo o menino Jesus para a sala e durante a bulha, deixaram-no cair nas escadas. Dizem que o pai ralhou muito e lhes bateu. A mais velha não se lembra. A mais nova garante que foram umas palmadas pesadas. A mão do pai sempre foi de temer. Raramente batia, mas quando o fazia ninguém mais esquecia. Excepto, talvez, a filha mais velha que costuma esquecer quase tudo. Nunca mais voltaria a procurar musgo, depois de sair da casa dos pais. O presépio não voltaria a ter peças coladas e as luzes não estariam fundidas. Haveria de ser tudo diferente.
Na véspera de Natal, acordou cedo com o cheiro da comida adiantada. A mãe fora trabalhar e chegaria de noite. O pai trabalhava sempre, todos os dias do ano, excepto no dia de Natal e de Ano Novo, porque saía a seguir ao jantar para tocar as Boas Festas e regressava já quase a raiar o dia. Raramente tinham folgas, naquele tempo. A mãe deixava sempre o almoço feito, ou quase, antes de ir trabalhar, mesmo que tivesse de estar na paragem da camioneta às 7h da manhã. O cheiro a sopa, a calda para o arroz, véspera de Natal…
Ela costumava meter a roupa debaixo dos cobertores para a aquecer antes de se vestir. Mais tarde, a mãe compraria um aquecedor que ficaria no quarto das filhas para elas poderem estudar na cama, quando o frio era muito. Depois, quando o filho mais novo nascesse também teria um aquecedor. A filha mais velha não se lembra de haver um aquecedor no quarto nos pais.
Só tens de acrescentar o arroz e deixar cozer. O pai não vem almoçar. Mãe.”, dizia o recado escrito por ela, deixado em cima da mesa. Assinava sempre Mãe, nunca se entendeu porquê. Só a mãe escrevia recados, só tinham aquela mãe, só as filhas os liam, como poderia haver engano?…
Estava habituada a acabar de cozinhar as refeições e sabia que tinha de limpar a casa com a irmã, nesse dia. Afinal era Natal. Limpariam tudo e quando a mãe chegasse fariam rabanadas e formigos. O pai gostava de rabanadas de vinho e a mãe fazia sempre um prato à parte só para ele. Mais ninguém as comia. Agora a mãe já não faz rabanadas de vinho. Agora a mãe está reformada e tem tempo, mas não as faz. Faz os formigos que a filha mais velha pede e a mãe sabe que gosta. Agora a mãe só quer agradar aos filhos. Antes estava sempre triste e gostava também do pai. E a filha mais velha pedia baixinho ao menino Jesus, antes de dormir, para que a mãe não se zangasse e o pai não ameaçasse de bater.
A mãe chegou cansada, já de noite e o pai tardou em chegar, nesse dia também.

…continua…

sábado, dezembro 11, 2010

conto de Natal



Não conseguia adormecer. No dia seguinte era véspera de Natal e a sua cabeça imaginava tanta coisa. Deitada na cama com quatro cobertores em cima, olhava o tecto manchado de negro pela humidade. Uma mancha parecia-lhe um rosto de um homem a gritar, outra mais abaixo parecia um novelo de lá cinzenta, à esquerda estava um girassol, curvado, como que a murchar. A irmã mais nova deitava-se do lado da janela, do seu lado esquerdo. Ela ficava do lado da porta, porque queria guardar o quarto, proteger a irmã de gatunos imaginários. Mais tarde compreenderia porque é que se habituara assim, porque é que escolhia ficar sempre desse lado da cama…
A sua cabeça imaginava e não a deixava dormir. Imaginava que no dia seguinte a mãe não iria trabalhar e iria fazer a ceia de Natal sem pressa, que o pai não iria tocar as Boas Festas com os amigos e com os irmãos, até de manhã, fazendo a mãe zangar-se durante uma semana, durante meses, durante toda a vida. Imaginava que o pai não iria implicar com tudo e que a mãe não iria gritar com elas, as filhas, com ele, com todos. Imaginava que haveria dinheiro suficiente para comprar presentes, que a mãe estaria menos triste e que o pai estaria menos ausente. Imaginava que viviam numa casa aquecida e com móveis bonitos e que teria roupa nova no sapatinho. Imaginava uma enorme árvore de natal e um presépio novo, com peças de porcelana brilhante e macia. Imaginava que o menino Jesus estaria intacto e não colado e com a face desfigurada.
Acabou por adormecer e, no dia seguinte, na véspera de Natal, correu a ver o presépio…

...continua...

segunda-feira, novembro 29, 2010

Utopia



Porque há músicas certas para determinados momentos.

quinta-feira, novembro 25, 2010

O AMOR

Comovo-me por demais sempre que os sinais do Amor me surgem diante dos olhos.
Esse mesmo, esse único que mesmo sabendo que não o consigo descrever em palavras sinto-o, vejo-o e vivo-o.
Basta-me uma centelha dessa luz para logo identificar: é isto mesmo! Isto é o AMOR.
Espreitem e digam-me se sentem o mesmo que eu.
http://vimeo.com/16473738
http://videos.publico.pt/Default.aspx?Id=5f0bddf4-86d7-4d3c-a286-3cc221e2ff27

terça-feira, novembro 23, 2010

As meias

Os dias começaram a arrefecer. Rápido demais para o meu gosto e para os meus sentidos.
Bastou dizer isto à mãe para ela prontamente resolver o meu problema."Eu faço-te umas meias quentinhas, queres?"
E, sem meias medidas, as meias apareceram prontas."Vê lá se estão bem para eu poder ajustá-las se for o caso". E lá me explicou como se faz quando o tamanho não está certo.
Tudo deveria ser assim de fácil resolução.
- Não serve? Traz cá que eu ajeito. Desmanchas aqui deste lado e acrescentas ou retiras o que for preciso. Deveria ser assim.
Sei que a minha mãe faz assim com quase tudo. Só não ajeita aquilo que é para uso dela pois para ela está sempre bem.
Mas não foi preciso. As meias estão perfeitas e bem feitinhas tanto pelo direito como do avesso. A minha mãe ensinou-me o que é a perfeição assim desta forma simples:
- Viras do avesso e está igualzinho ao direito. Se não for assim é coisa de gente trapalhona.
Eu diria antes que se não for assim é de gente trapalhona e que vive de aparências e apenas repara no que se vê pelo lado direito das coisas.
Certinhas no tamanho, com os detalhes de acabamento para não fugirem pelos pés (tantas coisas que gostava que saissem pelos pés!).
Estava gelada e só mesmo estas meias para me aquecerem os pés nestas noites frias que me gelam até a alma.
O carinho com que as fizeste para mim torna-as especialmente cómodas e aliviam até o que o coração ainda sente falta. Durmo com a companhia do carinho e amor de mãe.
E melhor que um par de meias só mesmo o que me deste a seguir: outro par, para que nunca durma de pés frios!

coisas boas e uns sapatos de verniz

Coisas mesmo boas: um pôr-do-sol à beira mar. Bem, não foi bem pôr-do-sol, o céu estava cinzento e as gaivotas descansavam nas rochas, indiciando tempestade no mar. Foi mais um entardecer a ver o mar revolto e a escutar a minha voz interior. Adoro estes momentos comigo. Sobretudo quando estou com bom humor e consigo aturar-me.
Outra coisa muito boa: um jantar em excelente companhia num restaurante italiano. Lasanha vegetariana e um jarro de sangria. Hummmm. Delicious… A seguir uma comédia semi-musical – “Encalhadas”! Hilariante, absolutamente fabulosa. Até tinha uma ex-miss Valongo (ou Balongo, como soar melhor). Ai como nos rimos… Se já estivesse na idade da incontinência iria ser complicado…
Para rematar a noite, outra coisa muito boa: um pé de dança num dos lugares do costume onde a música ainda é o que era. É sempre quando vou ao bar que me acontecem as abordagens imprevistas. Desta vez foi assim:
“Parabéns!” quase encostado ao meu ouvido. Despistada como sou, assustei-me. O homem tinha perto de 1.90m e riu-se. Perguntei-lhe porquê? Parabéns porquê, santa mãe de Deus… assustou-me a valer. Riu-se outra vez. “Pela sua beleza.” Encolhi os ombros e disse obrigada. Apetecia-me um vinho do Porto e não conversa da treta. Avancei em direcção ao bar. Pouco depois já na pista, de copo raso na mão (o barman foi muito simpático e encheu até transbordar) dou comigo a dançar menos para não entornar o precioso líquido e vejo o dito cujo a aproximar-se. Desta vez a tirada foi mais profunda: “Se olhar muito para si vou começar a ter de ler Braille…” AHAHAHA E ele continua: “Sim, porque ficarei cego.” Lembrei-me logo da outra frase: “És linda como o sol: nem te posso olhar de frente…” Enfim, os homens têm de passar por estes dramas em vários actos para poderem engatar. Costumo dizer que se fosse homem ia ser uma chatice. Jamais na vida faria uma ceninha destas. Iria acabar como o Clooney, solteiro aos 50. A mana diz que faria o mesmo que eles e muito pior, se fosse preciso. Eu cá, nem pensar. Sobretudo se levasse calçados uns sapatos de verniz, tamanho, digamos, 44,5 mais ou menos, e pior ainda, de bico. Sapatos de homem de bico são horrendos, segundo os meus ícones de beleza, mas mandam-me directamente para a cova se forem de verniz. O homem do Braille calçava um par deles do género. Deviam ser caríssimos, não duvido, mas perdi a compostura e desmanchei-me a rir. “É ainda mais bonita a rir, tem um sorriso lindíssimo…” Pronto, levantei-lhe a mão e disse: “Páre, não diga mais nada, por favor!” E lembrei-me da outra vez em que disse ao Italiano: “Parla, gosto de te ouvir!” Irra, sou mesmo mandona. Mas, quer um quer outro, obedeceram. É o que importa.

No dia seguinte, havia outra coisa muito boa: um convívio de família. Primos e primas que já não se viam há cerca de vinte anos, nalguns casos mais, resolveram juntar-se numa tarde gelada de Novembro à volta do churrasco e das castanhas e lembraram a infância e as brincadeiras, a juventude e as aventuras, os dramas, as alegrias, as conquistas, as lutas de cada um. Uns estavam quase na mesma, outros com uns valentes quilos a mais, outros ainda com menos cabelo, porque a testosterona circula em grandes doses na família e os homens não ficariam muito bem de cabelo comprido, se o tivessem. Os filhos de uns e outros que não conhecíamos, as contas de cabeça para adivinhar a idade de cada um. Ai como o tempo passa…

Carpe diem!… E muitas coisas boas, de preferência!

sábado, novembro 13, 2010

milk and toast and honey :)



Que saudades...
Porque é que tem de ser sempre tudo ou nada?

"... make it sunny on a rainy Saturday..."

quinta-feira, novembro 11, 2010

momentos do dia

CASTANHAS

Vinte e cinco anos. Rua do Ouro. Lisboa. Grávida de sete meses. Tarde fria de Domingo. Caminhávamos os dois pela rua e havia um cheiro delicioso a castanhas assadas no ar. Era um passeio de Domingo. Um jovem casal em 1996. Uma futura jovem mãe a sonhar com o seu primeiro filho. Uma futura mãe feliz por sentir que ia receber o seu tesouro dentro de dois meses. Que cheirinho tão bom a castanhas assadas! Compramos castanhas. A vendedora olha-me e diz: “Vai ser rapaz!” Eu sorri e disse que sim! Que bom, vai ser rapaz! Sempre quisera ter um filho rapaz! Parecia feliz…


AULA DE INGLÊS

Faltavam 20 minutos para o fim da aula numa turma de 10º ano. Estava tudo combinado. “O meu amigo está lá fora. Já tínhamos combinado, lembra-se Stôra?” Sim. Já tínhamos combinado. O miúdo tem uma banda. Quer cantar para mim, para os colegas… “Podemos, Stôra? Lembra-se de termos combinado na semana passada?” Claro que lembro. Porque não? Manda entrar o teu amigo. Disse mais duas ou três coisas em Inglês para a turma. Estávamos a falar de amizade! Best friends, boys and girls. Different types of friends… Um tema muito interessante, uma conversa muito animada. Mas a banda, a música, o miúdo giro que queria cantar para todos! Ok. Continuamos amanhã. Duas violas, três cadeiras. Dois tocam, cantam três. As letras na mão do do meio, que só canta. Os outros levantam-se e colocam-se em círculo à volta deles.
Silêncio. Começam a cantar em Inglês. A turma acompanha nos refrões. São covers de músicas muito conhecidas de todos. Vinte minutos em Inglês. Com música. “Esta é a minha canção preferida. É minha e do meu melhor amigo!”, disse-me uma miúda ao ouvido, quinze anos muito bonitos, com um enorme sorriso na cara! Sempre em Inglês, com muita amizade, cantaram até tocar para sair. Acho que foi uma boa aula sobre amizade, no dia de S. Martinho!

“The smile on your face, lets me know that you need me. There’s a truth in your eyes saying you’ll never leave me. The touch of your hand says you'll catch me wherever I fall…”

monólogos


Tímido, educado, cuidadoso.
Nem ele sabe bem explicar como é. Ela também não. Ocorrem-lhe estas palavras, mas parecem-lhe imperfeitas para o caracterizar. Sorri bastante quando fala com ela. Não é costume. É poupado em sorrisos. E avarento nas palavras. Ela enerva-se com isso. Ele diz que sofre de um problema com a tecla do “backspace”, o que o leva a hesitar, a apagar os registos quer escritos, quer falados. Volta atrás no pensamento, reformula, hesita de novo, escolhe as palavras mais uma vez, perscruta o olhar dela, reflecte de novo na escolha das palavras, tortura-se com a forma como as vai dizer. E ela aguarda. A paciência não é o seu forte. A impaciência lê-se nos olhos dela. Ele fala baixo, muito baixo. Por vezes ela não o entende. Esforça-se por ouvi-lo, mas ele não se apercebe.
“Whatever…”, diz para si mesma. “Fine…”, pensa às vezes. Ela pensa muitas vezes em Inglês. Deformação profissional. Discorre em Português e ele escuta. Por vezes ele diz coisas incompreensíveis.
“Lembro todas as roupas que ela usou, em todos os poucos encontros que tivemos.”
“Quando foi a última vez que se encontraram?”, pergunta alguém.
“ Há uns meses, mas posso dizer-lhe quantos dias passaram até hoje…”
Não fala de sentimentos. Diz que não gosta da solidão. Procura refúgio nos montes e corta sem piedade uma rosa do jardim para lhe entregar. Ela não entende, mas agradece.
Diz que falará, que lhe contará tudo. Ela não sabe o quê, nem do que é que ele está a falar. “Mas tem de ficar ao meu lado.” Outra frase incompreensível. Outro mistério. Oferece-lhe uma segunda rosa, num outro encontro fugaz; outra rosa impiedosamente cortada com a tesoura de poda do seu jardim. Diz-lhe que aquela tem um nome: chama-se rosa e ela não entende. Agradece-lhe várias coisas que ela não se apercebe de ter feito. Agradece-lhe estar melhor. E as gargalhadas que dá com ela. E ela fica feliz, porque ele sorri mais que habitualmente. E ele no fim diz “Obrigado.” E ela encolhe os ombros e pensa que nunca o entenderá. E ele diz que ela está diferente desde a última vez, o cabelo está diferente, mais encaracolado, mais comprido. Ela fica sem saber se ele gostou, se gosta mais, mas isso não parece importar. Ele pede-lhe para ela continuar assim. Ela não sabe bem como é que tem de continuar. Ela só sabe que ele fez um enorme poster com o rosto dela a sorrir, um poster a preto e branco, um retrato feito de números e ele diz que tem outro feito de palavras. Sempre o rosto dela a sorrir, para ele, para todos. Passaram dois meses, muitos dias sem vê-la. Ele diz que tinha de fazer alguma coisa. Ela dá uma gargalhada e diz-lhe que ficou confusa. Ele diz que não há confusão nenhuma, que o retrato é para lhe oferecer. E ela pensa que ele é um louco adorável e surpreendente e que nunca o entenderá.

domingo, novembro 07, 2010

O Italiano


É preciso inspiração para escrever seja o que for. Mesmo uma carta de reclamação que seja. Posso dizer que na noite passada tive a minha inspiração alimentada pela realização de um velho sonho: ter um belo Italiano a falar-me ao ouvido.
Costumava dizer como brincadeira que sonhava ter um belo ragazzo di parlare solo per me, de preferência ao ouvido. E foi o que aconteceu, sem que tenha tido necessidade de sair de Portugal, ou como no filme Eat, Pray, Love tivesse de me meter num avião e ir à procura de um tradutor em Itália onde aprenderia essa amorosa língua enquanto saboreava um saboroso gelado de café. E ele teve de me falar ao ouvido mesmo, pois a música do bar estava, como habitualmente, muito alta. Com imensa pena minha, não sei parlare a língua de DaVinci, mas fascina-me a sua musicalidade. Não me interessa muito o que é dito, desde que seja em italiano, tudo me parece romântico, até a ementa de um restaurante.
O bello Morris (espero que seja assim que se escreve o seu nome), com ar de James Dean, começou por brindar no meu copo à minha passagem. Assustei-me e afastei instintivamente o braço. Ele perguntou em Inglês:
Do you speak English?
Yes, I do. Respondi com um sorriso a meio gás. Já é costume os Ingleses virem falar comigo. Devo ter um ar… internacional.
I’m Italian. O sorriso alargou-se mais um pouco e percebi que ele já devia estar habituado a esta popularidade entre as mulheres nacionais.
Espantoso, pensei. Venho ouvir uma musiquinha revivalista num barzinho para cotas de meia idade como eu, ou mais entradotes até, e encontro… um ITALIANO! Eram vários, na verdade. Um grupo de seis ou sete, mas o Morris era o mais bonito. Muito atraente numa camisa branca desabotoada nos dois primeiros botões. Alto e… de olhos azuis. O meu Italiano, o da minha imaginação, era mais moreno e de olhos escuros, mas pronto, não é por isso que vou reclamar.
Apresentou uma série de pessoas, todas muito simpáticas (amigas Portuguesas incluídas) e ficou a olhar para mim. Fez-me perguntas em Italiano, mas eu falava pouco. Ele perguntou se eu não gostava de falar. É óbvio que gosto, mas não sei falar italiano, por isso disse-lhe:
Parla, gosto de te ouvir! Assim mesmo, em tom de ordem. Mal sabia ele que era só o que eu queria, que era esse um dos meus desejos mais secretos!
La ragazza più bella del bar ; il tuo sguardo mi affascina; il mio cuore batte più forte; Sono innamorato di te... etc, etc
Falou sim, muito. Tantas coisas que os meus ouvidos entraram em êxtase! Tinha vinte e sete anos, mas parecia ter mais. Perguntou se eu tinha vinte e oito. Nada mau, para quem tem mais onze. Perguntou se queria fugir com ele. Disse-lhe que sim, que podíamos fugir para Roma logo a seguir à canção Billy Jean do Michael Jackson. (Curiosamente, o perfume que eu escolhi para essa noite chamava-se Roma e já não o usava há vários meses… Outras histórias que não cabem aqui…)
Dançamos bastante, rimos bastante, escutei-o bastante e, por fim, aproveitei uma distracção dele para escapar. Deve ter ficado a pensar que eu era maluca, quando deu pela minha ausência, mas eu só pensei que tinha de fugir antes que ele me apanhasse, pois a frase que me ocorria mais vezes, enquanto apressadamente me dirigia ao carro, era aquela bem conhecida: Oh God make me good, but not yet!

 
(Now I think I have inspiration to write a book!)

sábado, novembro 06, 2010

as cores do dia




Às vezes é preciso tão pouco para se ser feliz.
Às vezes basta uma nuvem dissipar-se, basta encontrar uma resposta, basta uma palavra, um sono reparador, uma convicção interior...
Adormeci sem respostas, acordei com uma decisão e as cores do dia são tão mais quentes, agora! Agora há um sol intenso, doce, luminoso, lá fora. Agora respiro. Agora as horas não custam e a poeira da embriaguês momentânea que entorpeceu a lucidez dissipou-se.
Sempre me soube tão bem a liberdade! Sou um ser estranho: amo mais a liberdade que tudo o que é material. O embalo suave da paz interior que enche o coração de alegria, pintou as cores deste dia... O azul e o dourado enchem a manhã lá fora. E eu respiro este Outono morno e suave por dentro...

quarta-feira, novembro 03, 2010

you give me something...




"You're AMAZING just the way you are..."

sábado, outubro 23, 2010

e se a chuva que vai cair fosse mesmo para lavar?...



e se a chuva que vai cair fosse mesmo para lavar?
lavar a alma como uma fonte cristalina lava as pedras
lavar o espaço perdido entre o corpo e a alma
lavar as memórias sem fio, soltas na espessura do pensamento torturado
lavar as cores de um pressentimento escasso e titubeante que teima em surgir
lavar a terra que temos no coração
lavar os rostos que ainda não conhecemos e de quem já temos saudade
lavar o espectro de um som de fatalidade
lavar
lavar tudo
lavar mesmo tudo
e deixar apenas ficar o som do vento
dentro de nós...

terça-feira, outubro 05, 2010

Eat Pray and Love



"...Sempre que pensares naquele(a) que amas, envia-lhe Luz e Amor, e de seguida esquece.
Não te feches ao Amor, mas permite-te a Amar.
Não permitas que a intensidade do Amor que alguém te dá seja menor do que aquele que tens por ti mesma.
O Amor em si mesmo já é equilíbrio, então quando estiveres a Amar não receies perder o equilíbrio."

sábado, outubro 02, 2010

Quadro de valor e excelência 2

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Este foi especial, porque foi surpresa! Diploma de Valor pelas capacidades artísticas...Parabéns, miúdo! (Sim, mãe babada, claro! E emocionada!)

Quadro de valor e excelência 1

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Entrega de diplomas do Quadro de Valor e Excelência da Escola Secundária de Lousada, relativos ao ano lectivo 2009-2010. O primeiro é diploma de Excelência pelos resultados académicos.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Uma Direcção, e Não Soluções


"A diferença entre solução e direcção é esta: a solução é sempre um remédio passageiro para disfarçar a desgraça. Ao passo que a direcção é a própria dignidade posta nas mãos do desgraçado para que deixe de o ser, e a direcção única é a garantia perpétua dessa dignidade."
Almada Negreiros, in "Ensaios"

quinta-feira, setembro 09, 2010

Doce de tomate



Recordo-me de em criança, e mais ou menos por esta altura do ano, fazer doce de tomate,em casa dos meus pais.
Os tomates eram do quintal do pai e eram apanhados bem madurinhos, para o doce ficar mais saboroso.
Como eu já em criança adorava cozinhar, corria sempre para a cozinha e ficava a tarde toda junto da minha mãe naquele ritual que estava em torno da preparação de um simples doce de tomate.
Iamos buscar o tomate ao quintal, que tinha sido previamente apanhado pelo meu pai e posto a secar ao sol, ou a enxugar, como ele dizia!
Depois lá iamos as duas escada acima com um cesto grande e bem cheio de tomate.
Seguia-se o tirar das peles, das grainhas e o cortar em pedaços mais pequenos.
A medida era sempre a mesma, um quilo de açucar para cada quilo de tomate.
Era uma tarde inteira, a mexer e a voltar a mexer o doce que estava na enorme panela de alumínio.
No início sentia-se só o cheiro do tomate crú, mas com o passar das horas este cheiro era substituído por um cheiro a caramelo que indiciava o fim da preparação do nosso doce.
Dali saiam muitos frascos, que na sua maioria eram oferecidos a vizinhas, familiares e amigos.
Com o passar dos anos e com a minha saída de casa dos meus pais, deixei de fazer doce de tomate.
Em contrapartida todos os anos, e sempre por esta altura, recebia doce feito pela minha mãe, que continuava a cumprir o ritual do doce de tomate.
Em troca dava-lhe doce de figo que, nestes últimos anos, aprendi a fazer com minha amiga Carla.
"Ai filha, esse doce eu não consigo fazer" - dizia-me a minha mãe com o seu sorriso envergonhado.
E eu inconscientemente e de uma forma quase mecânica, respondia-lhe que não fazia mal porque eu fazia para nós as duas.
Estava enraizada esta troca e estou certa que nenhuma de nós as duas, se apercebeu disto.
Apercebi-me desde enraizamento, quando ele deixou de existir.
Quando estas raízes e estas pequenas rotinas que nós uniam foram quebradas. Quando senti que por esta altura do ano e ao contrário de todos os anos anteriores, não haveria doce de tomate...
E hoje, porque senti a falta do cheiro do tomate, do cheiro do caramelo, mas principalmente do seu cheiro, resolvi fechar-me na cozinha e fazer o "nosso" doce de tomate.
Aquele que eu fazia com a minha mãe quando era pequenita!
E porque o Gonçalo esteve a ajudar-me na sua confecção, fui-lhe contando emocionada tudo aquilo que acabei por escrever aqui.
Sorrimos os dois e lembramos-nos dela assim, como sempre foi, alegre, meiga, enérgica e tão doce como o doce de tomate que tinhamos acabado de fazer...

sábado, setembro 04, 2010

Se a vida fosse...

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague o seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, começe novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca.
Se o achar, segure-o.
Fernando Pessoa

quinta-feira, setembro 02, 2010

Fearless love




When I woke up I was 17
You kissed my lips in a bad bad dream
Showed me things aren't what they appear to be
Called me angel and set me free
You gave me life in the cold cold dark
But you ran away in the mornings spark
Made me think that reality
Is not where I want to be

I am what I am and
I am what I am afraid of
Oh what am I afraid of
I need a fearless love
Don't need to fear the end
If you can't hold me now
You will never hold me again
I want to live my life
Pursuing all my happiness
I want a fearless love

I won't settle for anything less
I've walked my path had worlds collide
I lost my way and I fooled my pride
This lover's ache wouldn't feel so strange
If I could only change
But I am what I am and
I am what I am afraid of
So what am I afraid of
I need a fearless love
Don't need to fear the end
If you can't hold me now
You will never hold me again
I want to live my life
Pursuing all my happiness

I want a fearless love
I won't settle for anything less
Now I'm not here to lay the blame
I understand when you hold a flame
Heads will shake heads will turn
And sometimes you just get burned

quinta-feira, agosto 19, 2010

um olhar, por agora...


todos os amantes
todos os suspiros por mais um segundo
todos os sussurros de não partirei
todos os momentos de eterno
toda a vida num só grito

toda a eternidade num toque
todo o silêncio numa melodia de manhã de primavera
todo o começo e todo o fim num sorriso
toda a cor numa flor entregue sem nome
toda a luz num céu limpo de nuvens

tudo se cristaliza num olhar apenas
aquele que vem de onde nascem as fontes mais puras
aquele olhar onde nasce o mundo para mim
e em mim

fechemos os olhos
agora

domingo, agosto 15, 2010

hand me down, matchbox twenty



(I know...
You don't have to say a word...)


Someday they'll find your small town world
On a big town avenue
Gonna make you like the way they talk
When they're talking to you
Gonna make you break out of your shell
Cuz they tell you to
Gonna make you like the way they lie
Better than the truth
They'll tell you everthing
You wanted someone else to say
They're gonna break your heart, yeah
From what I've seen
You're just one more hand me down
Cuz no one's tried to give you
What you need
So lay all your troubles down
I am with you now
Somebody oughta take you in
Try to make you love again
Try to make you like the way they feel
When they're under your skin
Never once do you think that they would lie
When they're holding you
Then you wonder why they haven't called
When they said they'd call you
You'll start to wonder
If you're ever gonna make it by
You'll start to think
You were born blind
From what I've seen
You're just one more hand me down
Cuz no one's tried to give you
What you need
So lay all your troubles down
I am with you now
I'm here for the hard times
The straight to your heart times
When living ain't easy
You can stand up against me
And maybe rely on me
And cry on me, yeah
Oh no, no, no
Someday they'll open up your world
Shake you down to the drawing board
Do their best to change you
They still can't erase you
From what I've seen
You're just one more hand me down
Cuz no one's tried to give you
What you need
So lay all your troubles down
I am with you now
Lay them down on me
You're just one more hand me down
And all those nights don't give you
What you need
So lay all your troubles down
On me

quinta-feira, agosto 12, 2010

quando o mar era azul, como o futuro...



Eram as férias de Verão e acordávamos cedo, demasiado cedo para a época do ano... Só uma coisa nos fazia acordar antes do meio-dia, nas férias, em pleno Agosto: a praia!
Garotas adolescentes, muito responsáveis já, estávamos um dia inteiro fora de casa, por nossa conta, sem pais por perto... E às 8h da manhã, lá nos encontrávamos, na paragem da camioneta... Esta levava pessoas para a praia, desde a aldeia em que vivíamos até Leça. Agora é uma vila, naquele tempo ainda era aldeia, e Leça ficava muito longe... Quase uma hora de caminho... Regressavamos às 18h. Era um dia passado à beira-mar, livremente, sem restrições nem regras, excepto as que guardávamos na nossa cabeça e cumpríamos escrupulosamente. O protector de vez em quando, a bandeira vermelha, as horas depois de comer sem ir à água e pouco mais...
Ao lembrar agora aqueles dias, nem posso acreditar que não saía da água gelada todo o dia. Fazia apenas um intervalo para comer e cumprir as três horas da digestão, para logo a seguir entrar nas águas gélidas do Atlântico e lá ficar a mergulhar até os lábios se tornarem roxos e deixar de sentir as mãos e os pés, com a pele enrugada e branca. O mar do Norte continua assim, gelado, todo o ano. Naquela altura, a água não me parecia tão fria, excepto ao entrar.
E fazíamos amigos, e conversávamos e ríamos e jogávamos às cartas e voltávamos para casa, tendo gasto apenas 20 escudos num gelado, não todos os dias, só às vezes. Era um tempo em que uma criança era feliz com um gelado...
Nesse tempo longínquo das minhas memórias, lembro que me sentia feliz nesses dias de Verão e quando a minha cabeça voava para longe, normalmente na viagem de regresso, sentada nos assentos gastos da camioneta velha da empresa onde o meu pai trabalhava (por isso não pagávamos bilhete e só por isso podíamos ir todos os dias), a minha cabeça levava-me para um futuro muito azul, muito mais feliz, muito cheio de tudo e cheio de alegrias. O meu pensamento, que já naquela altura não conseguia ser domado, levava-me para praias exóticas, com gente muito bonita e rica, com cocktails a serem servidos a gosto, com areias brancas e extensas, com palmeiras e mares muito azuis de águas quentes...
Nesse tempo, nesses dias em que eu era feliz só por olhar o futuro com um mar mais azul do que este onde estou hoje, eu pensava a vida com cores que o pintor da criação talvez ainda não tivesse na sua paleta.
Por isso, hoje, nesta praia de enorme areal e neste mar de águas mornas eu recordo o Verão da minha adolescência e dá-me vontade de dizer àquela menina de então que continue a sonhar, que continue assim, ingénua, a pensar o futuro com um mar muito azul e com cores ainda por descobrir...

quinta-feira, julho 29, 2010

Madrid?... No me encanta...


Madrid poderia ser tanta coisa...
Mas foi apenas mais uma cidade, nem por isso fascinante, nem sequer apaixonante... Cidade de grande diversão nocturna, cosmopolita, descontraída, não fossem as pessoas, os nativos, os Espanhóis mesmo, pouco simpáticos, mal encarados, pouco hospitaleiros, desagradáveis, estragarem grande parte daquilo que poderia até ser uma cidade europeia algo bonita...
Os jardins são o que de melhor a cidade oferece, belíssimos, sobretudo o Parque Del Retiro e Casa de Campo. Os monumentos são únicos (não fosse a Espanha a terra natal de grandes nomes da pintura e escultura). A arquitectura não impressiona, nem mesmo os edifícíos da Gran Via, zona moderna e ampla, se tivermos em mente as avenidas de Paris repletas de luz e a imponência das construções londrinas nas margens do rio Thames. Os Museus são interessantes (mas Paris e Londres ficaram com o melhor... temos pena!)...
A comida tradicional resume-se a tapas, bocadillos, tortilla e... pouco mais, sempre acompanhada de pão duro, pobreza gastronómica que enjoa os visitantes e surpreende os turistas que procurarem ingerir o mesmo tipo de comida que os nativos, durante vários dias. E a água engarrafada é literalmente desconsolada e sem sal... 
E a noite? A famosa noite madrilena? Para a maioria dos jovens que não podem gastar 50 euros ou mais para se embebedarem nos bares e discotecas da cidade, a noite inicia-se cedo e passa por começarem a beber por altura da siesta, a meio da tarde. Vê-se grupos de jovens com garrafas de whisky, rum, vodka e cerveja, deitados à sombra das árvores dos frondosos jardins do centro da cidade e a maratona etílica continua até de madrugada, acompanhada de outras substâncias ainda mais excitantes (?). À noite, para gáudio dessa juventude alienada, há chineses, indianos e outros imigrantes a venderem cerveja a 1 euro, bem fresca nas ruas e jardins... A cerveja, que num bar custa 5 euros, é recebida de braços abertos.
Nos bares, a droga circula quase livremente... Algo que nunca tinha visto na noite do Porto ou em Braga ou noutras cidades. Os que já estão mais "alegres" metem conversa e oferecem um charro de marijuana, uma linha de coca, só para socializar, para fazer "amigos"... A surpresa é total quando mostro o meu copo de Ginger Ale e digo que não fumo, logo, muito menos consumo dessas substâncias psico-trópicas... (Devo ser extra-terrestre!) Nem me dou ao trabalho de explicar que tenho outras formas muito mais saudáveis de ficar zen, mas entristeceu-me o olhar vazio da juventude que a cidade absorve e destrói, lentamente, sem eles darem por isso...
Coisas boas: os Portugueses que por lá se encontram; o tinto de verano (sangria), a música latina que sempre me apaixonou, nos bares dedicados à mesma;  o calor e o sol, as árvores, os lagos e os jardins e o mercado de domingo, o El Rastro! Ah, e uma ópera de Verdi com Plácido Domingo no Teatro Real ouvido e acompanhado num écran no Jardim Real, no lado de fora do teatro, sentados na relva, seguida de 27 minutos de palmas consecutivas na presença da Reina Sofia e um espectáculo de flamenco, de nome Carmen, com bailarinos profissionais.

Saudades de Madrid? Talvez... Lá para os setenta, quando já não me lembrar bem do que vi e senti...

quarta-feira, julho 14, 2010

Lágrimas na minha alma


Faz hoje um mês que estivemos juntas pela última vez. Que te beijei, que me despedi com a promessa de voltar no dia seguinte. Abanaste a cabeça em sinal afirmativo.
Mas não houve amanhã …

Faz hoje um mês que uma parte de mim morreu. Morreu e eu de mãos atadas nada pude fazer para te salvar.

Faz hoje um mês que te trago a cada instante no meu pensamento.

Faz hoje um mês que percebi o significado de para sempre, do eternamente, do nunca mais, da injustiça e da crueldade.

Faz hoje um mês que caminho para o cemitério na ilusão de te encontrar, de te sentir mais perto.

Faz hoje um mês que as saudades crescem a um ritmo alucinante no meu peito.

Faz hoje um mês que as nossas conversas silênciosas, os nossos olhares cúmplices, tiveram um fim.

Faz hoje um mês que há lágrimas na minha alma.

quinta-feira, julho 08, 2010

Bonita



Para ti querida Mimi que és, sem dúvida, um dessas pessoas! Beijinho.

terça-feira, julho 06, 2010

O valioso tempo dos maduros




Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral. 'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!


Mário de Andrade (1893-1945)

sexta-feira, julho 02, 2010

Eu acreditava...


"Eu acreditava mesmo que o amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência sincera de desejar que o céu compreenda. Eu acreditava que se levantam tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda. Eu acreditava que o amor é o sentido de todas as palavras impossíveis."

Assim escreve José Luís Peixoto em "Uma Casa na Escuridão"

Quem não fica com vontade de ler um escritor assim?...

(Eu também acreditava que o amor era o sentido de todas as palavras impossíveis. E ainda acredito!)

terça-feira, junho 29, 2010


O autor do Principezinho faz hoje 110 anos!
Passados estes anos todos o Principezinho continua sem crescer e a sonhar agarrado às estrelas que cativou.
Também eu continuo agarrada às minhas estrelas que me guiam e mesmo que, de vez em quando, descubra que uma delas é uma estrela cadente continua a ser minha. Deixo-a solta para seguir esse caminho diferente do meu percurso mas continuo a senti-la parte de mim: "somos responsáveis pelo que cativamos" Antoine de Saint-Exupéry.
Continuo o meu sonho e a viagem continua a ser iluminada pelo brilho das estrelas que deixei que me cativassem.

sábado, junho 26, 2010

Os rebuçados da Avó



A Avó faz o almoço e chama todos para lá irem. Todos não, telefona às filhas (" E tragam os meninos! Fiz canja para o Afonso"). O filho ainda lá vive, não é preciso chamar... A Avó anda sempre acelerada, de um lado para o outro a ver se todos comem, se todos têm arroz ou um pedaço de lombo, ou salada, ou se falta pão, ou se o copo está cheio. Sempre acelerada. Tem artrozes nos ossos quase todos, mas anda sempre cheia de pressa, sempre atarefada. Quase não se senta e quando o faz levanta-se a custo. As articulações estão presas, as dores estão instaladas. Mas nem por isso abranda. E sai a sopa e sai o arroz e o assado e logo a seguir a sobremesa. Tem o hábito de descascar a fruta, porque a filha mais nova não come se não for assim (a filha mais nova é a mãe do Afonso que já passou dos 35 mas continua preguiçosa para comer, tal como o filho). A mais velha não precisa que descasque a fruta. Sempre comeu bem a fruta e os legumes. A mais nova não, essa consumiu-lhe sempre a cabeça com as esquisitices para comer. O Afonso também é assim, por isso, em casa da Avó quase só come canja. A canja da Avó é diferente, é melhor que as outras. Eu também acho que a canja é melhor e a sopa também. E o assado tem um sabor especial, porque a Avó deixa o assado cozinhar devagarinho e os sabores misturam-se e fica tudo mais apurado... A Avó não gosta de carne, por isso muitas vezes come sopa, legumes, arroz, batatas e ri-se, porque nem sempre lhe apetece peixe e nós rimo-nos, porque ela está sempre a dizer "Tira mais carne, está tenrinha, olha, olha como está boa!". Ela que nem a provou sabe que a carne está boa. E está mesmo! E para o Edgar é o frango, o peito, que o rapaz só gosta de carne branquinha e sem ossos...
"Avó, onde estão os rebuçados?", pergunta ele. Há uma lata dentro do velho armário que tem sempre guloseimas. O neto mais velho sabe. A Avó tem sempre rebuçados. E no final do almoço a lata aparece e de lá de dentro rebuçados de mil cores surgem nas mãos da avó que os espalha na mesa, com um sorriso no rosto! E antes de ir embora, enche os bolsos ao neto com mais alguns para o caminho! "Só em casa da Avó é que há rebuçados destes!"

domingo, junho 20, 2010

A promessa


Maria Rosa Amaro (03-03-1948 / 14-06-2010)

Hoje fui à tua missa do 7º dia.
Bem sabes que não gosto de missas, padres e igrejas.
Bem sabes que não acredito em Deus.
Bem sabes que só creio nos homens e nas suas capacidades de mover o mundo. De o fazer girar.
Tenho a certeza, que onde quer que estejas, os teus lindos olhos azuis não puderam deixar de sorrir, ao ver-me ali.
Sorrir alias, como sempre fizeram quando me viam. Um sorriso sincero, puro, doce, meigo e generoso. O sorriso de quem ama. O sorriso de uma mãe.
O teu sorriso! Indescritível, único e inigualável …
Sei que sabes que neste último mês mudei. Para melhor.
Que chorei em todo lado sem vergonha nem reservas, que me abracei, em busca de consolo a quem nem sequer conhecia.
Que sorri entre amigos, lavada muitas vezes em lágrimas. E também sabes que até pedi a Deus, a esse teu Deus em que acreditavas que me fizesse um milagre.
O milagre da vida. O milagre da salvação. O milagre que nunca chegou.
Sei que sabes que a dor nos muda, nos torna maiores, melhores e mais misericordiosos.
Connosco e com os demais.
Sei que sabes, melhor que ninguém que a vida, ao contrário do que eu supunha, não é um dado adquirido. Deve ser vivida na sua plenitude.
Confessaste ao pai que eu era a única pessoa a quem não conseguias dizer que ias partir.
Dizias que eu não aceitava. É verdade mãe. Não aceito!
Percebi, naquele dia em que me agarraste a mão que pretendias passar-me essa mensagem:
“Filha, desde pequena que sempre foste uma rapariga corajosa. E eu espero que tu nunca percas essa coragem.”
O meu coração estrangulado respondeu-te que sim.
E prometo continuar a sê-lo, mãe!
Por ti.
Por mim.
E por todos nós.


As palavras são eternas... o corpo, não... RIP José Saramago

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”

“O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui.”

“Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma (...)”

José Saramago, Ensaio sobre a cegueira

terça-feira, junho 15, 2010

Luto


Hoje o dia amanheceu de LUTO...

Hoje o nosso coração chora contigo, Mimi...

Hoje o céu ganhou mais um anjo
Hoje o dia tem lágrimas e saudade e a certeza que não acabamos aqui
Hoje sabemos que na próxima vida estaremos juntos de novo
E que a tua MÃE faz parte das estrelas que nos iluminam à noite


Hoje o nosso coração chora contigo, Mimi...
Força, coragem e um abraço apertado com toda a nossa amizade e amor por TI...

sexta-feira, junho 11, 2010

Por uma noite



Porque há noites assim :)

terça-feira, junho 08, 2010

Desejo Profundo

Porque há dias em que uma imagem vale mais que 1000 palavras ...

segunda-feira, junho 07, 2010

Da Gente que Eu Gosto

Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não precisa que se lhe diga que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer.
E faz.
Gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.

Gosto de gente com capacidade para assumir as consequências das suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite abandonar os conselhos sensatos, deixando as soluções nas mãos de Deus.

Gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, de gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com ânimo, dando o melhor de si, agradecida por estar viva, por poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.

Gosto de gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir.
De gente que tem tacto.
Gosto de gente que possui sentido de justiça.
A estes chamo de meus amigos.

Gosto de gente que sabe a importância da alegria e a practica.
De gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor.
De gente que nunca deixa de ser animada.
Gosto de gente que nos contagia com sua energia.

Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão.
Gosto de gente fiel e persistente, que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e ideias.
Encanta-me a gente com critérios, que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo.
De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los.
De gente que luta contra adversidades.
Gosto de gente que busca soluções.

A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranquilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tacto, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.

Mario Benedetti

segunda-feira, maio 31, 2010

quinta-feira, maio 27, 2010

Acordo de noite subitamente ...


Acordo de noite subitamente,
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora.
O meu quarto é uma cousa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena cousa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única cousa que o meu relógio simboliza ou significa
Enchendo com a sua pequenez a noite enorme
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLIV



domingo, maio 23, 2010

Quando a vida dói cá dentro...


Hoje há um sol magnificente e carregado de vida, lá fora. No sol deste dia, ao sol reconfortante e pleno de vida, torna-se difícil acreditar que alguém está a sofrer. Parece inverosímil que a intensidade de uma vida, o significado de uma vida, o valor de uma vida é infinitamente maior que a intensidade deste sol regenerador e também ele prenhe de vida. Não se esquece, porém, nem se consegue imaginar o quanto a vida dói a outros, a alguém que vive momentos de dor intensa, uma dor perfurante, paralisadora, desesperante, inutilmente assustadora, porque tão verdadeira e dolorosamente incontornável...
Resta aceitar que passamos por esta vida como uma luz e que o nosso caminho continua, numa outra, já tão próxima, onde nos encontraremos de novo e de novo ainda sentiremos o sol quente e aconchegante a embalar o coração...

Um beijo enorme para ti, Mimi...
Um beijo de LUZ para a tua Mãe...

sexta-feira, maio 07, 2010

Apetece-me... o silêncio...


O silêncio para ouvir o murmurar da saudade dentro de mim
O silêncio para ver a palavra que nasce de cada sílaba por dizer…
Apetece-me o silêncio do vento no rosto por descobrir no meio da multidão
Aquele silêncio que vem quando estamos a falar com a nossa própria alma…
O silêncio de tudo o que não disse mas que foi dito tão alto
O silêncio de tudo o que não escrevi porque foi tudo tão sentido…
Apetece-me o silêncio de um violino que não toca porque existir basta
Apetece-me o silêncio de uma música eterna suspensa no tempo
O silêncio de um sorriso que agarro porque em cada camada de silêncio
há uma enorme sinfonia
a acompanhar todo o sentimento
indizível e dito
em silêncio

quarta-feira, maio 05, 2010

Apetece-me... música e poesia!




Pedro Barroso, em Sensual Idade

Como que a lembrar que somos feitos disto... também: corpo, alma, emoção, sentimento...

segunda-feira, maio 03, 2010

Apetece-me... poesia!



Eternamente, Florbela Espanca!...
Porque o amor, o amor apetece sempre!...
E na poesia há a alma e o coração e a pele e a emoção e o amor dos poetas e o amor... tão nosso, também!

segunda-feira, abril 26, 2010

NAMASTÊ

E navegando pelos caminhos que estão a surgir... surge este escrito:

Que a minha prece seja, não para ser protegido dos perigos, mas para não ter medo de enfrentá-los. Que a minha prece seja, não para acalmar a dor, mas para que o coração a conquiste.
Permita que na batalha da vida não procure aliados, mas as minha próprias forças.
Permita que não implore no meu medo ansioso por ser salvo, mas que aguarde a paciência para conquistar a minha liberdade.
Rabindranath Tagore, poeta indiano.

quinta-feira, abril 22, 2010

Reparem no que o medo faz em nós



A menina chega mas as suas costas curvam-se cada vez mais.
O medo instalado numa pessoa é terrível!
Chega a salvação:
a mão do homem - técnico de uma das equipas da NBA - nas suas costas
a outra que não deixa o microfone descer
quando pela segunda vez ela vai desistir...
e vai mudando o comportamento da plateia.
e no final sai tão rápido como chegou.
não ficou ali à espera dos aplausos.
os aplausos eram dela.
regressa ao seu lugar depois da missão cumprida.
Isto é caring leadership.
 

quarta-feira, abril 14, 2010

Voar nas asas de um condor


A escolha foi feita porque, primeiro, voar nas asas de um pássaro com este nome diz tudo:
Sente-se a frescura do vento atravessar-nos o corpo mas em certos instantes essa frescura pode vir "com dor".
A dor da coragem de deixar de lado caminhos que não nos levam a lado nenhum (mesmo que gostemos de os percorrer)
A dor que é necessário sentir para arrancar do nosso peito o que olhamos e vemos apenas à distância
A dor de passar perto de muitos mundos mas com a certeza que esses mundos não nos podem receber.

Voo ainda... pois podemos estar sempre onde mais desejamos. Não há longe nem distância quando assim o desejamos.
E depois porque sendo o condor o maior pássaro do mundo nada basta a não ser o Melhor!

terça-feira, março 30, 2010

Chuva na vidraça



Escorre a chuva na vidraça e eu vejo-me de novo com catorze anos, sentada no lugar junto à janela, no autocarro apinhado de alunos, já de noite, ainda inverno, a caminho de casa. “Estás sempre na lua, não ouves nada do que te digo…” Queixava-se a minha mãe, queixava-se a minha irmã, queixavam-se, talvez, os amigos. A minha mente nem sempre estava por cá. Hoje ainda há quem se queixe… O meu pensamento deixa-me amiudadas vezes perdida. Hoje, ainda hoje, ouço “Estás sempre na lua, ouviste o que te disse?”
Chove lá fora, está escuro. E vou eu a caminho de casa, ao fim da tarde, depois da escola, já noite escura, olhando as luzes que passam aceleradas na rua, no lado de fora. Desenho com o dedo círculos no vidro embaciado. Nem sequer imagino quem vai ao meu lado. Não me importa. No rádio roufenho do autocarro toca uma música dos Alphaville (“Forever young, I want to be, forever young…”) E penso e sonho e imagino o futuro… Forever young não será… O que será o futuro? Com catorze anos tudo podemos ser no futuro, tudo se pode sonhar. Não adianta dizerem-nos que não será fácil. Nós sonhamos o que queremos…
Hoje, várias décadas passadas sobre esses dias de chuva no autocarro lotado de alunos, abstraída do que me rodeava, abstraída de todos, ainda sonho, olhando a chuva através da vidraça…
Não adianta dizerem-me que não será fácil. Sonhamos o que queremos. Hoje, sei apenas que o tempo passa mais depressa do que o que se imagina quando se tem apenas catorze anos… Hoje sei também que não ficaremos para sempre jovens (excepto talvez no coração)!


some are like water, some are like the heat
some are a melody and some are the beat
sooner or later they all will be gone
why don't they stay young
it's so hard to get old without a cause
i don't want to perish like a fading horse
youth is like diamonds in the sun
and diamonds are forever
so many adventures couldn't happen today
so many songs we forgot to play
so many dreams are swinging out of the blue
we let them come true


terça-feira, março 23, 2010

How far do you wanna go? :)



Para espicaçar a energia neste princípio de Primavera! Uma canção de um novo grupo country com uma batida muito interessante! Gostei dela, assim, à primeira! Como qualquer paixão of the season!

                                                        "Are you looking for
                                                        A little more...?"

sexta-feira, março 19, 2010

Pai


Quando era pequena, achava que o pai resolvia tudo, que me defendia dos meninos maus, que me salvava de todos os perigos e que com ele estaria para sempre protegida. Sobretudo, achava que ele era muito forte. Depois cresci e percebi que ele era um homem como os outros, que errava, que tinha defeitos e que não me conseguia proteger do mundo, porque, simplesmente, era humano. Mais crescida ainda percebi que ele envelhecera, que estava frágil, doente e que continuava com muitos defeitos, porque simplesmente era um homem como os outros, mas mais velho. E foi então que tive de lhe calçar as meias, de lhe chegar a comida, de o curar, de o acompanhar às consultas e de lhe dar o chã antes de dormir. E senti que ele gostou que eu tratasse dele com amor. E percebi também que a vida é um ciclo incontornável e que temos de amar o nosso pai como ele é, e que somos felizes porque ele está connosco e sabe que tem filhos que estão com ele... Já te disse hoje, Pai, mas escrevo-o na mesma: um beijinho e um dia feliz! Porque és o meu pai, para sempre...

quinta-feira, março 18, 2010

Original Sin

O vídeo foi o melhor que pude arranjar...

A música, enfeitiçou-me nos ultimos dias!

OVERWHELMING!

 


Oh, it's carnival night
And they're stringing the lights around you
Hanging paper angels
Painting little devils on the roof

Oh the furnace wind
Is a flickering of wings about your face
In a cloud of incense
Yea, it smells like Heaven in this place

I can't eat, can't sleep
Still I hunger for you when you look at me
That face, those eyes
All the sinful pleasures deep inside

Tell me how, you know now, the ways and means of getting in
Underneath my skin,
Oh you were always my original sin
And tell me why, I shudder inside, every time we begin
This dangerous game
Oh you were always my original sin

A dream will fly
The moment that you open up your eyes
A dream is just a riddle
Ghosts from every corner of your life

Up in the balcony
All the Romeo's are bleeding for your hand
Blowing theater kisses
Reciting lines they don't understand

Para lá desta janela... estás tu...



Tudo o que está para lá desta janela tem um pedaço de ti. O mundo do lado de fora é teu, vives nele como a cor azul do céu vive no céu, como o verde habita o prado, como o sal faz parte do mar. Vives nesse mundo que estranho, o mundo que te separa de mim em sulcos de distância infinita, inatingível na minha pequenez longínqua, como a água está longe do deserto, como o gelo se encontra longe da savana, como a saudade está tão longe da alegria.
Afastado, para sempre ausente, para lá desta janela habitas um lugar de estórias que imagino, um lugar mágico que só posso criar na minha imaginação, porque é um lugar habitado por ti, porque fazes parte dele.
Tudo o que és, tudo o que tens está para lá desta janela e, do lado de cá, estou eu…

quarta-feira, março 10, 2010

Hora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.
(Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen)

segunda-feira, março 08, 2010

Menina dos olhos de água




Menina em teu peito sinto o Tejo
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar

menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar

se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar

aprendi nos "Esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo

aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi

se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar...
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar

(música e letra de Pedro Barroso
in álbum "Cantos da borda d'água" 1985)


Um dia muito feliz, para as mães, as filhas, as mulheres, as heroínas do nosso mundo neste dia internacional da mulher. Um beijo especial para a Mimi que celebrou o seu aniversário ontem! Parabéns!

segunda-feira, março 01, 2010

Festejar

A vida é uma festa.
Deviamos fazer uma festa por cada pedacinho de alegria que a vida nos trás.
Hoje estou feliz porque finalmente o meu tesouro chegou ao percentil 5 de peso!!
Para muitos isto pode não ser nada mas dadas as horas da minha vida que já passei a contabilizar o que este pirralho come, este é um momento nobre!
Se não fosse o primeiro dia da semana (e esta vai ser completa) chamava todos os que já assistiram às minhas contabilizações para com eles festejar o momento.
Cá estamos nós a caminho...