
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
(Khali Gibran)
Aqui tudo pode acontecer... mas são essencialmente as nossas viagens pelo mundo das ideias e das experiencias que aqui podemos partilhar...
Em criança tive o privilégio de ter uma ama. Não fui para o jardim-de-infância, não tive uma educadora, não fiz actividades extra-curriculares. Não soube o que era brincar com plasticina ou pintar em guache, não tive lições de música, nem de natação. Muito menos de Inglês! Fui uma privilegiada! Corria pelo quintal da Sr.ª Linda, a minha ama de todas as horas, enquanto a minha mãe trabalhava, durante a semana e aos fins-de-semana. Brincava livremente na terra, com as plantas, com as flores, com as pedras, com os outros miúdos. Às vezes enfastiava-me, não ter nada para fazer, outras vezes sentia saudades da minha mãe, sobretudo ao domingo, se ela trabalhava e eu não podia estar em casa. Não eram saudades de brincar com ela, pois ela não brincava comigo. Não tinha tempo… Eram saudades da sua presença, do seu calor ali perto, da sua comida.
"Unidos por algo que não é deste mundo..."


Vista da varanda de minha casa em Lousada...
Do outro lado: Escola Secundária coberta de neve!
E o dia apresentou-se branco, pela manhã e os sorrisos viam-se nos rostos daqueles por quem passava, num misto de "que lindo" e "que frio"!...
Costumo adorar a luz do sol, mas hoje adorei também a luz que caía do céu em flocos brancos, para curar a terra, para ajudar a rejuvenescer os solos, lá por altura da Primavera!





Sempre me incomodou a escrita das canetas de tinta permanente… são aquelas com uns bicos muito bem desenhados e cuja elegância das canetas me fazem por vezes desejar escrever com elas. Mas eu não lhes consigo dar a correcta utilização e até sou capaz de furar o papel quando me atrevo a usá-las.



gosto de ti desde aqui até à lua
gosto de ti desde a lua até aqui
gosto de ti simplesmente porque gosto
e é tão bom viver assim...
André Sardet, Adivinha o quanto gosto de ti


(imagem por khimaereus - internet)
A propósito de um programa, algo polémico, recentemente estreado na SIC e apresentado pela Teresa Guilherme, surgiu a discussão à volta do assunto (mais que delicado) da traição. Era perguntado à concorrente se contaria ao marido caso alguma vez o traísse. Ao que a dita responde que não. Não contaria. E parece que falou verdade e ganhou 100 mil euros, para grande júbilo do marido, pai, sogra e público! É de reiterar a ideia de que o marido bateu palmas e abraçou a mulher com muito amor ao ouvir a voz off dizer, após enorme suspense, que a resposta era... verdadeira!
Foram para a rua questionar os transeuntes acerca do mesmo e, como era de esperar, as respostas oscilaram entre o sim e o não e, com toda a naturalidade, foram expostas as razões.
A mim, a razão que me levou a escrever este post tem a ver com a opinião de uma mulher que considero muito inteligente e cuja escrita já me prendeu duas ou três vezes no seu blog. Luisa Castel Branco opinou mais ou menos isto: já viveu muito e sempre achou que a verdade devia ser a palavra - chave de tudo na vida. Porém, agora e com a experiência que já tem, diz: mulheres, se a coisa NÃO for séria, não contem! Não vale a pena estragar nada por uma vivência passageira!...
Fiquei espantada. Ela que é uma mulher tão assertiva e correcta, do género "doa a quem doer", emite tal opinião! Fiquei a pensar, eu própria também, sobre o assunto... Valerá a pena contar ao companheiro(a) que se cometeu uma traição? Só se deve contar se a "coisa" for séria, como defende Luisa Castel Branco? Deve-se contar sempre, mesmo que tenha sido "uma aventura sem importância"? Existirão "aventuras sem importância", ou pequenos deslizes sem valor, ou todas as traições são graves e condenáveis? Será que o ser humano consegue enganar e ficar na mesma? Ou alguns conseguem e outros não? O que será melhor: saber a verdade ou viver na "santa ignorância" e em paz e harmonia?...
Meditem e aceitem a provocação: digam qualquer coisa!
Tudo era claro:
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
fremente de espumas.
Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
dóceis, leves - só
ritmo e brancura.
Felizes, cantam;
despertos, amam,
exaltam o silêncio.
Tudo era claro,
jovem, alado.
O mar estava perto,
puríssimo, doirado.
(Eugénio de Andrade, o poeta do amor, da intensidade...)
(Imagem retirada da internet)
